Teodora Cardoso sobre o cenário macroeconómico do PS

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Em declarações públicas, Teodora Cardoso, responsável pelo Conselho de Finanças Públicas, afirmou que «as medidas de estímulo à procura interna não são a solução para os problemas do país. Estão, aliás, na base dos problemas do país». Em particular, Teodora refere que «simples políticas de estímulo à procura, avaliadas estritamente pelo seu impacto de curto prazo, já demonstraram a sua ineficácia: não só não garantiram o crescimento da produtividade e a competitividade da economia, como, ao aumentarem o peso do endividamento, público e privado, comprometeram o seu crescimento». E reforça: «foi por ter levado longe demais o estímulo orçamental à procura que Portugal perdeu competitividade e capacidade autónoma de financiamento da dívida».

Embora o CFP não contemple nos seus estatutos a análise de cenários macroeconómicos de partidos políticos, tal como o do PS, Teodora Cardoso acabou de o fazer de forma tácita. Um golpe devastador no cenário macroeconómico do Partido Socialista, que procura replicar o modelo que nos trouxe até aqui: consumo interno assente em endividamento externo, resultando na apoplexia da competitividade externa, numa balança comercial desequilibrada e numa economia assente em bens não-transaccionáveis, tudo isto enquanto agudiza a sustentabilidade da segurança social. Quatro anos volvidos e o PS nada aprendeu.

30 pensamentos sobre “Teodora Cardoso sobre o cenário macroeconómico do PS

  1. Charlie

    Isto destrói a Galamba School, não destrói é o desejo de algum eleitorado que acredita naquilo.
    O que está ali é a receita para se espatifar novamente as finanças do pais e efeitos só se sentirem próximo do fim do mandato como aliás já começa a ser a tradição do PS.

  2. Rinka

    Ou a Teodora Cardoso fez uma análise ideológica? Quero dizer, eu não acredito nem votarei no Costa mas a análise parece superficial e para agradar aos fascis… neo liberais de serviço

  3. manuel ferreira

    AUMENTO de IMPOSTOS.
    É uma politica publica predatória e assassina que visa sacar mais e mais ao pobre cidadão indefeso e tem como resultado a MORTE ECONOMICA das empresas e cidadãos contribuintes…
    Aumento de Impostos não é , nem nunca será , “”ajuste fiscal””.
    “”ajuste fiscal”” é , e sempre será , DIMINUIR os GASTOS COLOSSAIS do governo , por forma a que sejam IGUAIS ou MENORES do que a Receita…
    Um ESTADO PREDATÓRIO e ASSASSINO das pessoas e dos cidadãos CONTRIBUINTES chama-se de DITADURA e nunca será uma verdadeira DEMOCRACIA…
    Por isso defendo uma Reforma Tributária Urgente…
    Com apenas 4 impostos UNICOS , sobre o Consumo , a Poluição , os Vícios e as Importações … abolindo todos os outros.
    O PAÍS recebe o mesmo valor , mas só de impostos reais , indiretos e justos.
    Só assim se faz uma verdadeira , correta , e honesta JUSTIÇA SOCIAL.
    Obrigado por LER e PENSAR sobre este assunto.

  4. Mas isto estou eu farto de dizer, mas como está lá uma sumidade, ainda por cima formada em Havard, ui, então ninguém pode dizer o que qualquer criança diria: o rei vai nu.

  5. JP-A

    “Quatro anos volvidos e o PS nada aprendeu”

    Vejo três cenários possíveis:
    1º António Costa e o PS dão o exemplo dos EUA e do aumento do consumo interno porque não conseguem distinguir uma batata de um bife – e muito menos perceber os impactos distintos na produção interna e na importação, sendo altamente conveniente ao país que se mantenham o mais distantes possível de qualquer tipo de poder, natural ou subterrâneo.
    2º Eles sabem muito bem o que estão a fazer, que é a aldrabar, porque perderam completamente a vergonha e não se olha a meios para atingir os fins, incluindo salvar a rainha por qualquer meio.
    3º Um pouco das duas coisas.

    E sim, isto vai afundar novamente. Disso tratam eles. É só uma questão de tempo e de oportunidade.

  6. Manolo Heredia

    No futebol a ideia das SADs provou-se ser uma boa ideia.
    Pelo andar da carruagem (por motivos muito semelhantes) avançamos a passos largos para a transformação dos partidos em SAPs (Sociedades Anónimas Políticas) que, em vez de programas eleitorais submeterão aos eleitores Orçamentos de Estado!

  7. Afonso Rodrigues

    “Para além de tudo isto, importa acrescentar que não é preciso que um partido escreva que quer privatizar a segurança social para que tal venha a acontecer. Ainda que não seja um objectivo declarado, a privatização pode ser um resultado inevitável de determinadas políticas. Tendo em conta que o PSD propõe a redução da TSU em 4pp e, simultaneamente, o plafonamento da segurança social, a redução de receitas é tão significativa que, na prática, o PSD está a propôr a falência financeira do sistema. Isto é típico da direita: pega-se num sistema justo e financeiramente viável, que, depois de privado de receitas, se torna, de facto, insustentável.”
    Quem disse isto?

  8. ricardo

    Eles estão carecas de saber que é tudo aldrabice, mas acham que rende votos dos tolos e dos migalheiros…
    Tudo somado dá para ganhar eleições e tratar da vidinha da nossa gente.

  9. Lucas Galuxo

    “as medidas de estímulo à procura interna não são a solução para os problemas do país”
    por isso achamos inexplicável que o PIB tenha dado sinais de recuperação precisamente no momento em que o Tribunal Constitucional obrigou a tomar medidas nesse sentido.

  10. Lucas Galuxo,

    O tempo de reacção da nosa economia é cerca de dois anos. As merdidas do Desconstrucional terão efeitos positivos lá por 2016 e efeitos negativos no imediato.

    Como cheguei ao valor de dois anos (muito alto, fruto do estatismo com que nos embaraçamos)? Por comparação entre aumento de dívida e rácio delta PIB/DÍvida. Que aliás partiu de um comentário seu e está lá notado. No Remoques.

  11. tina

    Basta fazer um balanço global para perceber que o estímulo da procura interna só vai:

    1) Estimular importações tanto na forma de produtos acabados como matérias-primas para fabricar produtos
    2) Aumentar o endividamento

    Não tem nenhum fluxo de entrada de dinheiro a não ser o que se pede emprestado para o aumento de salários. Este volta depois a sair em parte e em parte fica retido.

  12. tina

    Não há nenhum efeito positivo permanente no estímulo da procura interna. Quando o estímulo acaba (pedir dinheiro emprestado), a procura acaba.

  13. Lucas Galuxo, a maior parte das medidas chumbadas pelo TC tiveram um efeito orçamental neutro visto que o Governo teve de encontrar rubricas alternativas para compensar os chumbos e ainda assim cumprir as metas do défice. Como é que explica isso à luz da sua teoria do efeito estimulador dos chumbos do TC?

  14. Lucas Galuxo

    “O tempo de reacção da nosa economia é cerca de dois anos”
    Acho que depende da situação, Francisco Colaço. Por exemplo, o resultado do investimento estrutural em empresas exportadoras, no governo de José Sócrates, teve visibilidade numérica durante a actual governação. Ou, noutro exemplo, só daqui a algum tempo verificaremos os números das consequências da drenagem constante de divisas pela apropriação dos monopólios de serviços por entidades estrangeiras.

  15. Entre muitos outros factores: i) o aumento da procura externa; ii) melhoria das expectativas dos agentes (confiança); iii) abrandamento do nível de consolidação da banca e do sector privado; iv) baixas taxas de juro, menores encargos com juros (aumento do rendimento disponível); v) queda do preço do petróleo (aumento do rendimento). Isto é, é óbvio que a reposição dos cortes por parte do TC tiveram um impacto, mas longe de ser tão significativo quanto pintam. Excepto se o multiplicador daqueles cortes em particular for um gugol.

  16. Lucas Galuxo

    Mário Amorim Lopes,
    Muito bem, foram vários os factores que estimularam a procura interna. Não estando na possibilidade do orçamento dar esse contributo quer então dizer que “a solução dos nossos problemas” passa por rezar para que qualquer coisa de extraordinário aconteça em instâncias que nos estão inacessíveis, como o preço do petóleo ou as convicções de quem chefia o BCE? Ok.

  17. A solução dos nossos problemas passa por continuar a aprofundar um modelo mais assente na procura externa, que mitigue a nossa deficitária balança de pagamentos (2013 e 2014 teve um saldo positivo). O modelo de procura interna assente em dívida externa não é sustentável. Ponto. A nossa procura interna deve crescer, obviamente, desde que isso não seja à custa do endividamento — o que basicamente aconteceu nos últimos 20 anos.

  18. Lucas Galuxo

    Mário Amorim Lopes, a procura interna que causa endividamento é a que se relaciona com audis, mercedes, casas na praia e férias nas caraíbas dos que comissionam negociatas. O aumento da procura das classes mais desfavorecidas traduz-se em crescimento da economia que produz bens essenciais.

  19. Lucas Galuxo, ninguém disse que as importações eram más, muito pelo contrário. O que é insustentável é a procura interna ancorada em dívida externa, até porque um dia chega a conta e os juros. Já chegaram, aliás. Portanto, qualquer estímulo à procura interna sem atentar à balança de pagamentos (consolidando no sector do Estado, com superávites orçamentais) é um erro grave, que irá degenerar no mesmo que nos trouxe até aqui.

  20. Lucas Galuxo

    Mário Amorim Lopes, há importações boas e importações más. Importar máquinas ou matérias primas para transformar com valor acrescentado são importações boas. Importar artigos de luxo para satisfazer exibicionismos primitivos de quem não contribui com criação de riqueza para a sociedade são importações más. Estas só com cultura ou bancos com rédea curta (função a cargo dos bancos centrais e não dos governos) é que se controlam.

  21. Joao Bettencourt

    “… artigos de luxo para satisfazer exibicionismos primitivos de quem não contribui com criação de riqueza para a sociedade…”

    Eu diria que e disto que andamos nos, os seres humanos, atrás desde que o mundo e mundo.

    E desde que o mundo e mundo sempre aparece um socialista que sabe o que e que nos devemos importar ou não e a pedir rédea curta para o povo.

  22. Lucas Galuxo

    É como diz, Mário Amorim Lopes. “Cada um faz o que bem entender com o seu dinheiro”. Só há problemas quando muitos utilizam o dinheiro dos outros para trocar o BMW de quatro em quatro anos, comprar uma casa na praia e outra no campo. Foi isso que sabotou a extraordinária modernização da infra-estrutura pública do nosso país.

  23. Joao Bettencourt

    “Só há problemas quando muitos utilizam o dinheiro dos outros para trocar o BMW de quatro em quatro anos”.

    Se for dinheiro roubado sim, se não, onde e que esta o problema?

    “Foi isso que sabotou a extraordinária modernização da infra-estrutura pública do nosso país.”

    Não sei se esta a falar a serio ou não. Se sim, pedia-lhe que reflectisse no seguinte: em 2009, o peso do Estado na economia era de 47,8%. Na minha óptica, dizer isto e dizer que o Estado controla metade da economia do pais, o que me leva a ponderar (não e a primeira vez que o faço neste blog) se realmente se pode falar em economia portuguesa, ou se, pelo contrario, há que falar em finanças publicas portuguesas. Isto no sentido de olhar para o pais e observar uma variedade de actores económicos cujo peso, sendo díspar entre eles, não e dominado por um único actor. Isto para mim e uma economia. Não e economia o que temos em Portugal.

  24. Lucas Galuxo

    “onde e que esta o problema?”
    o problema está em que um Banco Central pode se dar conta demasiado tarde que um país não gera recursos suficientes para ter tanta gente a fazer isso. E quando leva as mãos à testa os bancos já estão no galheiro.

  25. Lucas Galuxo

    Mário Amorim Lopes, afinal, nem o Secretário de Estado do Orçamento nem o próprio Conselho de Finanças públicas presidido por Teodora Cardoso concordam consigo

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