Acerca do programa do PS (4)

Concluído a análise do Pedro Romano

Finalmente, a questão dos cálculos. O cenário macroeconómico anuncia que as medidas permitem acelerar o crescimento do PIB – em 2017, a diferença face ao baseline chega a 1,4%. Isto é muito, e não é fácil perceber como é que se chega a estes números. Mais estranho ainda, o documento sugere que é possível compatibilizar isto com a melhoria da situação orçamental –  uma tese que o Tiago Tavares, do Mercado de Limões, chamou dedespesismo economizante e que, sabemos com alguma certeza (tanta quanto é possível ter em economia), está pura e simplesmente errada (I, II, III).  Felizmente, o PS já anunciou que vai disponibilizar os dados do seu modelo, e nessa altura será possível perceber se são os cálculos que são criativos ou se os autores descobriram o elixir do rejuvenescimento orçamental. À partida, terá de ser uma das duas.

Em entrevista ontem à Renascença, dizia Paulo Trigo Pereira:

A proposta que está no documento é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro

Isto é, essencialmente trata-se de repetir a “receita” da década passada e que levou ao descalabro das finanças públicas. Os “sábios” do PS escudam-se no em previsões de crescimento que antes diziam ser “excessivamente optimistas” ou mesmo “irrealistas”. Naturalmente, esta estratégia levanta duvidas mesmo a pessoas próximas do PS.

Note-se também que PTP está a reconhecer a necessidade de austeridade no futuro para compensar excessos no consumo presente. No fundo, está a desautorizar as criticas socialistas ao governo e à “troika”.

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6 thoughts on “Acerca do programa do PS (4)

  1. Joaquim Amado Lopes

    É uma opção ideológica: “nós pagamos o que consumimos” ou “nós consumimos e os outros – os alemães ou quem vier a seguir – paga”.
    Paulo Trigo Pereira e os outros “economistas independentes” optam explicitamente pelo socialismo (viver à conta dos outros) e, como o caso da Grécia está aí para mostrar que os alemães não estão dispostos a continuar a pagar a factura ad eternum, pássa-se à “alternativa”: quem vier a seguir.
    É de louvar a franqueza.

  2. Mais um aviso à navegação vindo de alguém que cada vez mostra mais lucidez à medida que os anos vão passando ao contrário de muitos outros que tem feito o caminho inverso, infelizmente.
    “Se ganhar as próximas eleições parlamentares, como se espera e é sua obrigação, o PS regressa ao poder numa situação algo semelhante à de há vinte anos, quando em 1995 Guterres sucedeu a Cavaco Silva, igualmente numa fase ascendente do ciclo económico, depois de uma recessão económica (agora bem mais dura). Acrescem os juros baixos (ainda mais do que então), a que se soma desta vez a desvalorização do euro, fatores a favorecer a retoma económica. Cabe por isso perguntar se se justifica somar a esses fatores mais estímulos orçamentais à procura.
    Não se devem esquecer as lições do I Governo Guterres, quando uma política orçamental sem os devidos freios lançou o despilfarro na despesa pública e no endividamento público e privado, culminando com o País a ser o primeiro a entrar em défice orçamental excessivo no seio da união económica e monetária.
    Cuidado com os idos de 1995!”
    Vital Moreira, Causa Nossa

  3. murphy

    Bem espremido (o estudo, entenda-se…) parece focar-se na prioridade de repor, o mais depressa possível, os cortes na função pública e o fim da sobretaxa de IRS. Talvez de forma inconsciente, até…. evidentemente, essa opção é totalmente alheia à circunstância de os próprios autores terem o Estado como entidade patronal!

    É funcionário público e vê o Estado como o grande motor económico? Não hesite, vote António Costa…
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2015/04/e-funcionario-publico-e-ve-o-estado.html

  4. tina

    Já enviei esta carta às competentes autoridades:

    Are the next elections In Portugal going to be a repeat of what happened in Greece?

    As you are no doubt aware, under the present government and its austerity measures, Portugal is doing very well as regards decreased unemployment and increased economic growth and exports. The next parliamentary elections will take place soon, in September 2015, and the main opposition party, the Socialist Party, yesterday presented its election manifesto.

    Basically, what it sets out in its program are promises to:

    1. Reimburse salaries to civil servants for the following two years, 40% each year.
    2. Lower social security contributions by the workers and companies.
    3. Eliminate, until 2017, the surtax which is being temporarily charged to medium and high income earners
    4. Decrease VAT for restaurants

    Its measures to increase state revenue are:

    1. Going back to taxing inheritances, and
    2. Increasing tax for “large companies”

    The point of view of most economic analysts is that as a result of the implementation of these measures:

    1. The sustainability of the social security system will be seriously threatened, and
    2. The deficit will increase again, because the revenue will not be sufficient to compensate for the losses in state income and for the extra expenditure in salaries. Most surely, the Troika will have to come back to Portugal.

    The Socialist Party denies all this, but, in the past, they have proved to be totally irresponsible, for it was when they were in charge for the 3 times in the past that Portugal needed bailing out.

    Therefore, I would strongly urge you to try to cooperate as soon as possible with the Portuguese Socialist Party, to make sure they have a viable program. Otherwise people are going to vote for them with the allure of higher salaries and lower taxes, and we will then have a repetition of the Greek situation all over again.

  5. Pingback: Coisas geniais | O Insurgente

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