A história das FP-25 de Abril contada pelos familiares das vítimas

Otelo

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30 de Abril de 1984, meia noite e meia. São Manços, Évora. No único quarto da casa dormem os quatros membros da família Polido Dionísio. Delfina, 24 anos, dá um salto com o estrondo que acorda a pequena aldeia, a partir da sua porta. Vê a luz da rua entrar pela parede do quarto. Ainda nem sabe o que foi quando o instinto de mãe já lhe enfiou as mãos por baixo de Nuno, o filho de quatro meses que dormia no berço ao seu lado. “Violentamente atingindo”, “morte imediata”, “engenho explosivo”, “FP-25”, ditaram os autos. “Porquê?”. Não, a pergunta de Delfina não ficou em 84. Mantém-se em 2015.

Com a bomba que matou o bebé foi deixada uma pilha de comunicados que se espalharam. Reivindicavam uma “acção de retaliação” dos “trabalhadores organizados nas FP-25” contra “os bens da família do latifundiário Dionísio Luís Ciroula”, o “fascista que deve à Cooperativa de São Manços milhares de contos e lhes roubou terras com a cobertura do Centro Regional da Reforma Agrária”. Por ali, nem se sabia o que eram as FP-25. “Era politiquice e eu não ligava a politiquice. A partir daí, então…”

3 pensamentos sobre “A história das FP-25 de Abril contada pelos familiares das vítimas

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