“Venham mais dez”

Comemora-se hoje 10 anos da inauguração da Casa da Música do Porto, obra prevista para fazer parte da Capital Europeia da Cultura de 2001.

Paolo Margari @flickr.com (creative commons)
Paolo Margari @flickr.com (creative commons)

Custou 111,2 milhões de euros. A grande maioria não liga a tal valor, dada a “utilidade para a cidade do Porto”. Talvez vendo a coisa pela perspectiva do que deixou de ser financiado. Mas, claro, dessas não há fotografias

16 pensamentos sobre ““Venham mais dez”

  1. Alexandre Carvalho da Silveira

    Sempre me intrigou o facto de a Casa da Música ter sido construída para ser inaugurada em 2001 e só tenha ficado pronta em 2005. Também fiquei intrigado por ouvir o Rui Rio dizer há uns minutos na tv que não houve derrapagem orçamental porque não havia orçamento (????), havia apenas uns papéis com uns números lá postos ao acaso! A gente ouve e não acredita. E depois não foi ninguém preso.
    Quanto ao resto: apesar da estética, sempre discutível, do edificio que escolheram para o efeito, o Porto merece uma instituição como a Casa da Música. Escusavam é de a usar, como alguns o têm feito, para fazer baixa politica em vez de a usarem para fazer o que sabem melhor: Música.

  2. JP-A

    Quanto às discussões estéticas sobre o OVNI que ali aterrou, aquilo que me vem sempre à cabeça é a badalhoquice que aquilo foi antes e durante muitos anos, enquanto estação dos elétricos, com os vitrais imundos e partidos, por pintar, e com uma bilheteira quase na esquina onde os miseráveis compravam o passe em fila, à chuva, sem condições nenhumas (atendidos por uns funcionários que eram uns amores), para logo a seguir serem brindados com mais uma daquelas greves vermelhas que já na altura se faziam todos os anos, nos anos 70 e 80.

  3. Miguel

    Sou Portuense, e entrei apenas uma vez na casa da música… para beber um café, paguei €4. Nunca mais lá voltei.

    Para mim, as coisas tem que ter um objectivo, a casa da música, também deveria o ter: Se se consegue financiar sozinha que fica aberta se não que feche.

  4. JP-A

    “melhoramento estético bem caro”

    Nós fomos sempre de 8 ou 80. Para o preço que custou, até admira não estar forrado a ouro por dentro e por fora. E isto são as obras à vista! Se calhar alguém se forrou.

  5. Alexandre Carvalho da Silveira

    BZ, arranjaremos sempre melhor destino para dar aos fundos públicos. Mas infrestruras como a Casa da Música fazem falta a uma cidade como o Porto que se quer afirmar internacionalmente e que eu, sendo Alentejano gosto muito há mais de 50 anos.
    Poder-se-ia ter construído um edificio mais barato que cumpriria com a mesma qualidade o seu propósito , mas estamos em Portugal onde o à vontade, à esquerda ou à direita, para gastar o dinheiro público não tem limites.
    O local também me parece bem, aquele espaço já era assim uma espécie de buraco a céu aberto como os terrenos da Feira Popular em Lisboa.

  6. Alexandre, como é que o Porto se afirmou internacionalmente com a Casa da Música? Há muitos turistas a viajarem para a cidade invicta com principal propósito de a visitar?

  7. Lucas Galuxo

    E não é para ver pedras e mato que os turistas cá deixam 10 mil milhões de euros todos os anos.

  8. Alexandre Carvalho da Silveira

    BZ, a Casa da Musica será sempre o quem a gere administrativa e artisticamente quiser ou souber fazer dela. O meu ponto é que não se podem gastar cento e tal milhões de euros naquilo para ser mais um elefante branco. Por isso eu disse no meu 1º comentário que não deve ser usada para fazer politica como tem acontecido, mas para fazer e divulgar a música.
    A Casa da Música só por si não promove o Porto internacionalmente, mas enquadrada em programas diversificados de promoção da cidade pode ajudar muito. Não faltam exemplos desses em cidades da dimensão do Porto por essa Europa fora. Mas para isso é necessário colocar a gerir as instituições e os seus programas gente que saiba o que está a fazer e não os amigalhaços que normalmente são comissários politicos e portanto incompetentes.
    Se os visitantes da cidade invicta não vão à Casa da Musica é porque nada de interessante se passa lá, não é?

  9. lucklucky

    “E não é para ver pedras e mato que os turistas cá deixam 10 mil milhões de euros todos os anos.”

    O que é que fazem ao subir o Douro?

  10. Nuno

    “Há muitos turistas a viajarem para a cidade invicta com principal propósito de a visitar?”

    Não sei se um lisboeta conta como turista, mas eu sim, com alguma regularidade até. Se não puder ficar em casa de amigos, durmo num hotel. Não me importava de pagar bastante mais pelos bilhetes (não me chocaria pagar 4 vezes mais).

    Para quem aprecia música sinfónica, a Casa da Música, e em particular a Sala Suggia, é verdadeiramente especial. Não sei se eram necessários 100M€ para criar uma sala dedicada exclusivamente à música sinfónica, sem um palco que permita encenar uma ópera. Mas é uma sala de um nível raro.

    Convém não esquecer o custo anual para a manter aberta, que anda pelos 10M€ e que inclui 7M€ de custos com pessoal (entre os quais uma orquestra permanente de 90 músicos, sem a qual não há música sinfónica). Os proveitos vêm sobretudo do estado (7M€) e do mecenato (2M€).

    Isto para dizer que enquanto apreciador, não me chocam tanto os 100M€ como me chocam os 7M€ anuais.

  11. Lucas Galuxo

    “O que é que fazem ao subir o Douro?”
    Sobem o Douro algures houve investiu dinheiro público em barragens e eclusas. E vão ver como se gastou dinheiro e sangue para tranformar pedras e mato em arquitectura e néctar dos deuses..

  12. A Casa da Música não custou 111 milhões de euros. A CONSTRUÇÃO da Casa da Música custou 111 milhões de euros. E isso é totalmente diferente.

    Mesmo sem custos de manutenção do imobilizado, de desfuncionais e de miscelâneas, como o jornal da mesinha da sala de espera, apenas em juros de dívida a Casa da Música, mesmo se parada e demolida, custará 6,5 milhões de euros ANUAIS, enquanto houver dívida soberana a pagar.

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