As estranhas ideias de António Costa

Observador

O secretário-geral do PS, António Costa, advertiu esta quarta-feira que o Governo que sair das próximas eleições não pode ficar dependente da vontade do Presidente da República, nem de jogos partidários, defendendo o caráter soberano do voto popular.(…)

“Não podemos deixar nem aos jogos partidários, nem à vontade do Presidente da República a escolha do novo Governo. No país de abril quem vota e quem escolhe os governos é o povo – e vai ser o povo a escolher o próximo Governo”, declarou o líder socialista, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Considero estranhissimas estas declarações de António Costa. Ou desconhece em absoluto a constituição que jura amar de todo o coração ou pretende confundir os eleitores e está a mentir deliberadamente.

Que se saiba desde o final dos anos 70 que os governos tem tido origem em maiorias parlamentares e sido lideradas pelo partido mais votado nas eleições legislativas. Aliás, desde essa altura só Jorge Sampaio decidiu demitir um governo e convocar eleições.

Convém ainda recordar que o governo não é eleito. Este é nomeado pelo PR tendo em consideração os resultados eleitorais. E a regra tem sido sempre a do parágrafo anterior.

Mais uma vez nenhum jornalista lhe pediu para clarificação as declarações. Nunca se lembram.

16 pensamentos sobre “As estranhas ideias de António Costa

  1. Miguel Noronha

    Exacto. No caso português o PR também tem legitimidade eleitoral (ao contrário de outros países). Não se percebe os aplausos perante tamanha cretinice.

  2. JP-A

    Quem é que ainda há pouco tempo queria que o PR deitasse abaixo um governo com maioria absoluta para provocar eleições antecipadas conforme convinha ao seu cardápio e calendário eleitoral, porque alegadamente já não tinha legitimidade democrática [demonstrada por sondagens que entretanto desapareceram misteriosamente], assim que o anterior secretário-geral do PS foi deposto depois de andar a fazer de palhaço? Quem? O Costa Concórdia é um desastre tão grande que desconfio que quando chegar aos debates vai inventar um desculpa para não ir. É que ele sozinho ainda consegue não dizer nada ou debitar baboseiras manhosas e mentirosas, mas em debate vai ser todo desmantelado às peças, tal é a habilidade com que faz do Tó-Zero o ídolo do actual PS. E que saudades devem ter dele lá no rato.

  3. Manuel Costa Guimarães

    Acho, sinceramente, que nenhum dos jornalistas saberá o mínimo olímpico de regras e leis.
    De qualquer forma, gostava imenso de saber onde é esse “país de abril”. Só para não entrar por engano.

  4. JP-A

    Para memória futura:

    Este tipo andou a apregoar que Portugal tem necessidade de acordos alargados, mas caso o povinho não lhe dê o que ele quer, vai ser o primeiro a boicotar o futuro do país – ele e os seus coleguinhas socráticos impregnados no partido. Veremos se assim será ou não. Este já nem as sardaniscas socialistas engana.

  5. Fernando S

    É simplesmente a demagogia a funcionar … o que conta não é o que é mas o que se consegue que pareça ser !…
    Neste caso a é a tese populista de que em Portugal existiriam poderes fortes e abusivos que contrariam a vontade popular, tese esta que é utilizada para tentar passar a ideia de que votar em Costa é a melhor garantia de que os cidadãos comuns vencem os poderosos !

  6. M.Almeida

    Costa abre a guela porque julga que berrando, ao estilo PS e muito ao estilo Sócrates, acha que os papalvos passam a acreditar nas balelas do lider socialista.
    Eu perguntaria a Costa se ele está por acaso a falar do ex-PR Sampaio, que resolveu e decidiu dissolver a AR que tinha uma maioria eleita pelo povo, para colocar lá os amigos do PS e o maior verme que alguma vez a democracia portuguesa conheceu: José Sócrates?
    Ou estará Costa, indirectamente a mandar recados ao padrinho Soares, o verdadeiro “dono” do PS que segundo hoje noticia a Revista Sábado na sua capa, “Soares disse a Costa para sair da Câmara”.?
    Deve ser isto que vem à memória de António Costa. O democrata, defensor da Constituição que se pudesse ia para o poder sem se sujeitar ao desprezível voto da populaça.
    Já nada me espantaria, depois de vermos estes “sábios ” do PS defenderem o maior verme da democracia portuguesa. José Sócrates.

  7. Costa tornou-se rapidamente num político Frankenstein, combinando os tiques ditatoriais dos últimos ditadores venezuelanos e a sucessão de dislates de Mário Soares.

  8. Marquês Barão

    Quem terá sido que legitimou o atual governo e o anterior de triste memória a que pertenceu? Será que quer acabar com os partidos e riscar do mapa constitucional a Assembleia da Republica? E as palmas vieram de mãos de manequins que trabalham a pilhas?

  9. JS

    “… nem de jogos partidários, defendendo o caráter soberano do voto popular …”

    Exactamente o contrário. O PS na sua “boa” tradição, apenas aparelha o seu novo, virgem, candidato a PM tentando que o incauto eleitorado esqueça o destrutivo historial dos PMs, made in PS, precedentes.

    _ Sim, o País há 40 anos está dependente dos “jogos partidários”, ou seja do mal disfarçado conluio entre PS e PSD.

    _ Não, o “voto popular” não tem “carácter soberano” pois APENAS o pessoal dos partidos PS e o PSD é “soberano” e pode eleger (ou recusar ! ) directamente, em nome, os seu representantes.

    Ps. Quantos ás palmas … Sempre que Margaret Tatcher num comício proclamava. “há três razões para votarem no nosso partido: a primeira, a segunda e a terceira.”
    Imediatamente ouvia-se uma estrondosa salva de palmas na congregação. “Why not?.

  10. Alexandre Carvalho da Silveira

    “António Costa adverte…”. Mas adverte quem? o Costa adverte, arrasa, avisa, o Costa faz e diz o que quer e ainda lhe sobra tempo. Este jornalismo boçal, sabujo e subserviente continua a venerar as mediocridades socialistas e quem os questiona é defenestradado, como aconteceu com o António Costa do Diário Económico que foi o primeiro a dizer que o “rei vai nú”!

  11. Fernando S

    JS :” “o “voto popular” não tem “carácter soberano” pois APENAS o pessoal dos partidos PS e o PSD é “soberano” e pode eleger (ou recusar ! )”

    O JS ainda não reparou que, quer se goste quer não, “APENAS” “os partidos PS e PSD” é que teem ganho as eleições em Portugal, pois não ?
    “Soberano” em democracia quer dizer isso mesmo : governam APENAS os partidos que, sozinhos ou em coligação, teem mais votos e constituem maiorias em eleições.

  12. JP-A

    Estas declarações de “paixão clubística” num estado de direito democrático significam legalmente o quê? Ideias estranhas? Só? Então e não há comissão?

  13. Joaquim Amado Lopes

    António Costa dirige-se a um país e uma comunicação social de crianças e indigentes mentais. O que conta não é o que diz (até podia descrever como se faz um cozido à portuguesa) mas o tom em que o diz.
    Quem o ouve não quer saber do que ele diz porque não quer dar-se ao trabalho de tentar perceber se o que ele diz faz sentido nem se quer recordar do que ele disse antes. Quer apenas ir na onda que “soa” melhor.

    Os portugueses têm e continuarão a ter exactamente o que merecem.

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