Taxistas uber alles (2)

Na mesma petição onde se exige a interdição da Uber, a ANTRAL pede a liberalização do serviço de transporte de doentes. Pela liberdade dos utentes em escolher o prestador do serviço e contra a sua apropriação por (outras) corporações (meus destaques):

O que justifica, no entender dos profissionais e peticionantes, a imediata recomendação ao Governo para actuar:

a) no sentido de fazer cumprir a lei e determinar o impedimento da instalação e funcionamento da empresa Uber em Portugal e como reforço, se necessário for, da promoção de enquadramento legislativo clarificador;

b) Em simultâneo, promover a reabertura do processo de enquadramento do transporte de doentes não urgentes e de simples utentes, do serviço nacional de saúde, de forma a clarificar que o serviço em causa não pode ser apropriado por qualquer coorporação ou profissão mas, ser efectuado no âmbito da actividade comum de transporte de pessoas, de forma a ir ao encontro do desejo dos utentes e contribuir para reduzir a factura deste serviço, quando requerido através do serviço nacional de saúde.

25 pensamentos sobre “Taxistas uber alles (2)

  1. jo

    É engraçado ver a grande admiração por as associações de taxistas protegerem os taxistas. Não estando proibido o direito de associação penso que é uma situação normal numa sociedade concorrencial.
    Há liberais que pensam que os únicos sindicatos aceitáveis são os sindicatos de grandes empresas bancárias.

  2. Miguel Noronha

    “É engraçado ver a grande admiração por as associações de taxistas protegerem os taxistas”
    A admiração não é nenhuma mas as exigências das corporações podem ou devem obrigar terceiros. E peço-lhe que me indique onde é que escrevi algo contra o “direito de associação”. Se não encontrar ao menos diga que viu mal na primeira leitura.

  3. Manuel Costa Guimarães

    Jo,

    Você leu a notícia? É que nem como sindicato fazem bom trabalho! Querem fechar a concorrência no lado deles e abrir pelo lado dos outros?!
    Quanto a mim, nenhum sindicato é aceitável nos tempos de hoje. São um grupo de gangsters que criam problemas para justificar a sua própria existência.

  4. Nelson Goncalves

    (teclado estrangeiro, peco desculpa pelos erros ortograficos)

    Um taxista tem que ter licenca para operar em Portugal. Os “uber taxistas” nao. Parece-me que e’ concorrencia desleal e nesse sentido o sindicato tem razao.

    Quanto ‘as possibilidades da nova economia digital, estou ceptico. O Uber afirma que os conductores fazem em media 17 euros/hora (http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/uber_estudou_os_seu_condutores_o_que_descobriu.html) . Este valor e’ comparavel com o de um taxista normal ? E em caso de acidentes, como e’ ? A Uber assume a responsabilidade ou e’ o conductor que tem que arcar com os custos ?

  5. Miguel Noronha

    “Um taxista tem que ter licenca para operar em Portugal. Os “uber taxistas” nao. Parece-me que e’ concorrencia desleal e nesse sentido o sindicato tem razao.”
    Ver o meu primeiro comentário no post anterior. Para além disso o argumento perde qualquer regra de consistência quando é feito em simultãneo com o pedido de liberalização do transporte de doentes

    “E em caso de acidentes, como e’ ?”
    Qualquer veiculo que circule em Portugal tem de ter um seguro de acidentes para terceiros e passageiros.

  6. Pedro Gomes

    “Qualquer veiculo que circule em Portugal tem de ter um seguro de acidentes para terceiros e passageiros.”

    Não é bem assim, pode ter apenas um seguro de danos próprios não cobrindo os passageiros, o que em caso de acidente é um problema potencialmente grave. Mas que poderá ser facilmente contornado pela Uber: basta fazer um acordo geral com uma companhia de seguros, garantindo cobertura para todos os operadores registados no serviço Uber (certamente terá preço vantajoso, dada a quantidade de clientes angariados)

  7. Luís Lavoura

    Qualquer veiculo que circule em Portugal tem de ter um seguro de acidentes para terceiros e passageiros.

    Para terceiros sim, para passageiros creio que não. E são precisamente os passageiros que estão em causa no Uber.

  8. Luís Lavoura

    Nos Estados Unidos da América, foram já 22 as jurisdições a alterar a sua legislação, passando a abranger serviços como os da Uber, informa a empresa no documento.
    Em Portugal, o IMT já considerou que a actividade da Uber não está ao abrigo da legislação em vigor, sendo por isso ilegal.

    Como de costume, estamos no limbo legal. A atividade da Uber é ilegal, mas é tolerada. Poderia (e deveria) ser legalizada, como nas 22 jurisdições americanas, mas não se tem coragem nem para a ilegalizar nem para a reprimir. Deixa-se a situação a marinar em lume brando, até que haja algum problema grave que obrigue a tomar uma posição.

  9. Luís Lavoura

    Uma coisa que eu gostaria de saber é como é que os condutores do Uber em Portugal declaram – se é que declaram – ao fisco o dinheiro que ganham nessa profissão.
    Suspeito bem que aquilo seja uma ilegalidade total, com os rendimentos (que são pagos através do cartão de crédito, segundo creio) a não serem declarados.

  10. lucklucky

    “É engraçado ver a grande admiração por as associações de taxistas protegerem os taxistas. Não estando proibido o direito de associação penso que é uma situação normal numa sociedade concorrencial.”

    Você e os taxistas é que querem proibir a Uber.

    Não me lembro de ouvir a Uber a defender a proíbição dos taxistas.

    Mais uma vez demonstra as suas tácticas marxistas.
    Qual seria a sua reacção se a Uber defendesse a proibição de taxistas?

  11. Nelson Gonçalves

    Miguel,

    A incoerencia dos taxistas não muda os factos. Os taxistas estao sujeitos a determinadas normas legais, impostos, taxas, etc. Os Uber taxistas não. Quando entro num táxi posso ver a carteira profissional, tenho uma associação a quem me queixar, etc. No caso da Uber, nada.

    Mas o problema principal do Uber e similares não é a concorrência que fazem aos taxistas, é a disrupção completa do paradigma do táxi e também a velocidade com que acontece. Os taxistas, na sua grande maioria, não compreendem o conceito da Uber e portanto são incapazes de se adaptar.

    É possível que a Uber seja o futuro (eu espero que não, mas isso é outra conversa), e os taxistas de certeza que têm que se adaptar à mudança e não podem barrar a entrada a concorrentes. Daqui a uns anos, a sociedade provavelmente já se adaptou à Uber. Mas e até lá, os taxistas vão pagar o almoço como ?

    Uma nota final, o Uber está a investir forte no desenvolvimento de carros sem condutor (http://www.forbes.com/sites/benkepes/2015/02/02/the-battle-looms-uber-developing-driverless-cars-google-looking-at-ridesharing/). Se daqui a um par de anos, isto for realidade então o que vai acontecer aos Uber taxistas ? Vão para a fila da sopa dos pobres fazer companhia aos antigos taxistas ?

    Lá porque a tecnologia permite ganhos de eficiência e economias, será que é benéfica para a sociedade ? Eu não tenho resposta, apenas lamento que nestas histórias o lado humano seja consistentemente ignorado.

  12. Miguel Noronha

    Não somos obrigados a garantir o negócio aos taxistas ou quem quer que seja. Quem deve escolher se prefere o taxi tradicional, a Uber ou o quer que seja são os utentes dos serviços.

  13. Nelson Gonçalves

    100% de acordo Miguel. Mas isso não me impede de questionar se as inovações tecnológicas são benéficas para a sociedade.

  14. Miguel Noronha

    Não impede questões ou sequer a sua rejeição seja por muitos ou por alguns. Nem sabemos se o seu sucesso vai ser efémero. Por isso mesmo não devemos deixar que esse tipo de decisão seja deixado a terceiros ou a “comités centrais”

  15. Fernando S

    Nelson Gonçalves : “Lá porque a tecnologia permite ganhos de eficiência e economias, será que é benéfica para a sociedade ? Eu não tenho resposta, apenas lamento que nestas histórias o lado humano seja consistentemente ignorado.”

    Os “ganhos de eficiencia e economias” significa que com o mesmo nivel de recursos se produzem mais bens e serviços.
    Os “ganhos de eficiencia e economias” não são apenas o resultado de meras performances tecnologicas ou organizativas. Estas performances apenas aparecem e apenas se aplicam quando existe uma procura por parte de utilizadores.
    Portanto, estes ganhos beneficiam directamente aqueles que consomem o adicional de bens e serviços e indirectamente aqueles que consomem os adicionais de outros bens e serviços que podem ser produzidos em melhores condições de custo e produtividade com a utilização dos bens e serviços iniciais.

    No plano do emprego, é verdade que perdem aqueles que continuaram ligados à produção de bens e serviços não competitivos : perdem rendimento ou ficam desempregados.
    Mas, por outro lado, ganham aqueles que podem ser empregados na nova produção “mais eficiente”. Não são necessariamente as mesmas pessoas mas nada impede, antes pelo contrario, que possa ser o caso de muitas que se reconvertem dentro da mesma actividade.
    É verdade que, se os ganhos de produtividade forem mais importantes do que um provavel aumento da procura global daquele tipo de bem e serviço, o emprego liquido no ramo pode ser inferior ao inicial : perdem-se empregos.
    Mas também é verdade que esta perda localizada possa ser mais do que compensada por novos empregos criados noutros sectores de actividade que por sua vez beneficiam dos ganhos do sector que aqui analisamos : mais procura (os ganhos dessiminados pelos diferentes sectores representam mais rendimento distribuido), menores custos (inputs mais baratos) e maior produtividade (inputs mais eficientes).
    Eventualmente, e em parte provavelmente, os desempregados do sector de actividade inicial podem perfeitamente vir a ser empregados pelos sectores em expansão.
    Mesmo assim não deixa de ser verdade que nada disto acontece de modo instantaneo, que existem tempos mais ou menos longos de ajustamento, e que durante esse periodo há pessoas, os “velhos profissionais” que não se conseguem adaptar ou reciclar rapidamente, que perdem rendimento e podem até ficar duradouramente desempregadas.
    Mas esta consequencia negativa, que é real e que é e deve ser levada em conta a outros niveis da organização social, não justifica que se bloqueie tudo e se impeça que muitas mais pessoas venham a benificiar dos ganhos liquidos resultantes da mudança.
    Felizmente, as sociedades teem meios e até mecanismos especificos para poderem ajudar a minorar as eventuais dificuldades daqueles que saem perdedores : subsidios e seguros de desemprego, subsidios e prestações sociais, ajudas de entidades privadas e associativas, ajudas das familias e amigos, etc, etc.
    Quanto mais eficiente for a economia destas sociedades maiores serão as disponibilidades e as possibilidades de apoio e ajuda áqueles que tiverem uma maior dificuldade de adaptação a uma realidade em mudança.
    O importante é que estas disponibilidades, a começar por aquelas que passam pelos serviços sociais do Estado, sejam efectivamente dirigidas para a ajuda aos mais necessitados e não sejam desperdiçadas em gastos publicos que não teem razão de ser ou que são socialmente menos uteis e justificados. Como acontece hoje em dia muitas vezes com o chamado “Estado Social” que, para além dos desperdicios da burocracia e do intervencionismo, tende a “ajudar” mais aqueles que não precisam (“classe média, etc) do que aqueles que estão pior.

    Repare o Nelson Gonçalves que eu apenas falei do “lado humano” das coisas !

  16. lucklucky

    “Lá porque a tecnologia permite ganhos de eficiência e economias, será que é benéfica para a sociedade ? Eu não tenho resposta, apenas lamento que nestas histórias o lado humano seja consistentemente ignorado.”

    E depois noutro texto qualquer você vai-se queixar que Portugal está atrasado, os Portugueses não têm iniciativa, criatividade…etc etc…

  17. Nelson Gonçalves

    Vamos fazer alguns esclarecimentos: não sou de esquerda, sou a favor do mercado livre, não quero comités centrais, e sou sportinguista. A última eu sei que ninguém perguntou, mas fica para esclarecimentos futuros se/quando eu criticar o BdC.

    Os táxistas estão numa má situação porque viveram durante anos num jardim florido, graças aos seus próprios esforços protecionistas. Nisto, em nada diferem de muitas outras classes profissionais em Portugal (médicos, enfermeiros, professores, entre outros). Mas ao contrário dos enfermeiros, por exemplo, os taxistas não têm nenhuma aptidão ou qualificação especial e por isso estão mais desprotegidos face à concorrência. A prova está no Uber, qualquer tipo com carta de condução e uma viatura pode ser condutor Uber.

    Está certo que a concorrência ruído no sistema, e durante o período de adaptação existem cidadãos que ganham e outros que perdem e ficam desempregados. Faz parte da evolução da sociedade.

    O meu ponto é de que inovações como o Uber tornam a sociedade mais pobre a médio e longo prazo. Tanto quanto sei, a maioria dos conductores Uber faz isto apenas em part-time, não como emprego a tempo inteiro. E portanto os taxistas estão sujeitos a concorrência que varia em função do local e da época do ano. O que é bom para o consumidor, mais escolha, mas mau para os conductores Uber e taxistas pois obriga a um nivelamento por baixo dos preços.

    E é aqui que quero chegar. Enquanto que o condutor Uber terá outras fontes de rendimento, os taxistas profissionais não. Possivelmente a maioria dos taxistas vai para o desemprego, ou trabalhar apenas em part-time. Tal como os seus concorrentes, os condutores Uber. Não me parece que a sociedade fique melhor.

    Os consumidores até podem ganhar nos trajectos onde haja mais procura, mas vão pagar em alta nos outros todos. Porque os condutores em part-time não podem subsidiar os trajectos menos interessantes.

  18. Fernando S

    Nelson Gonçalves : “Os consumidores até podem ganhar nos trajectos onde haja mais procura, mas vão pagar em alta nos outros todos. Porque os condutores em part-time não podem subsidiar os trajectos menos interessantes.”

    Vamos admitir que os condutores Uber não são competitivos nos trajectos “menos interessantes” e por isso apenas estarão disponiveis para fazer o serviço a preços mais altos. Não sei se será mesmo assim, mas admitamos. Então, isto significa que continuará a existir um mercado para taxistas profissionais, que trabalham a tempo inteiro. Não para todos os taxistas que existiam anteriormente mas pelo menos para uma parte deles.
    O que é certo é que os taxistas que continuarem terão de qualquer modo de evoluir no seu modo de trabalhar, terão de ajustar o seu serviço e o seu tarifário, terão de ser mais fléxiveis e eficazes para serem mais competitivos.
    Como o Nelson reconheceu, e muito bem, “os taxistas … viveram durante anos num jardim florido, graças aos seus próprios esforços protecionistas.” É isto que tem de mudar. Se os taxistas não mudarem e se não forem capazes de oferecer aos consumidores os serviços que estes precisam a preços mais competitivos, então é porque estão no sitio errado a fazer um trabalho que não tem verdadeira utilidade social.
    Na verdade, no sistema actual, os taxistas passam em média mais tempo parados do que a servir clientes. Esta baixa produtividade apenas é possivel porque o mercado é protegido e, por isso, os potenciais utentes não teem alternativas. Uma das vantagens do sistema Uber é precisamente o de evitar os enormes tempos de espera dos taxistas nas praças de taxis publicas. Esta é uma das principais razões que lhes permitem oferecer os mesmos serviços com custos muito menores e, portanto, a preços mais baixos.
    Ninguém quer acabar com os taxistas. Se estes, pressionados pela concorrencia, forem capazes de ajustar as suas ofertas de modo a serem competitivos, inclusivé propondo à clientela um serviço diferenciado e com mais valor do que aquele que é oferecido pelos condutores Uber (este é um dos argumentos que é utilizados pelos defensores do taxi “profissional” contra o sistema Uber), então nada os impede de continuarem a trabalhar.
    O que não faz sentido é os consumidores, logo a sociedade, continuarem a pagar serviços de taxi mais caros apenas para permitir a perpetuação de uma categoria profissional que não evoluiu e tem hoje niveis de produtividade muito baixos.

  19. Nelson Goncalves

    Fernando,

    Eu não conheço perfil dos condutores Uber em Portugal, mas suponho que seja idêntico ao resto do mundo. Pessoal em part-time, em parte por necessidade (perderam o emprego recentemente) em parte porque querem juntar uns cobres para pagar a viagem de finalistas a Cancun.

    Graças à Uber e similares, o que vamos ter é uma quantidade maior de taxistas em part-time, acumulando com outros part-times, e uma pequena minoria a trabalhar a tempo inteiro em nichos de mercado (transporte de passageiros nas aldeias, por exemplo).

    No fundo parece-me um retrocesso, pois deixamos de ter especialização nas actividades profissionais e caminhamos para um futuro em que cada um tem dois ou três part-times. Não tenho a certeza que isto seja desejável. E quando a Uber introduzir o carro sem condutor (não falta muito), então nem taxistas em part-time vamos ter. E também não vamos ter camionistas, condutores da Carris, etc…

  20. Nelson Goncalves

    No fundo o que quero dizer é isto: a Revolução Industrial deu cabo do ganha pão de muitos artesãos, mas no final criou muito mais emprego do que destruiu. Não sem muita conturbação social, diga-se.

    A Revolução Digital está a destruir emprego, mas não estou a ver onde estão a ser criadas as alternativas. Porque as inovações tendem a tirar as pessoas do processo. Ou pensam que os taxistas vão todos virar programadores de apps para Android ?

    Embora concorde com a necessidade de um mercado aberto e concorrencial, a Uber parece-me apenas um esquema de enriquecimento rápido para os seus donos.

  21. Fernando S

    Caro Nelson,

    Pela sua logica, a “Revolução Industrial” também não se deveria ter feito porque, como lembra aqui em cima, começou por destruir emprego. Muitos não o perceberam no inicio. Em particular, os artesãos e os trabalhadores fabris, que se opunham à instalação de máquinas, chegando mesmo a destrui-las. Finalmente, o que aconteceu foi o inverso : foram criados na industria muitos mais empregos do que aqueles que foram destruidos.

    Não há razão nenhuma para que o mesmo não aconteça com o que chama “Revolução Digital”. Que, de resto, não começou agora. Os problemas de desemprego do nosso tempo não são uma consequencia do progresso tecnologico. O pais mais avançado no mundo, os EUA, é precisamente um dos que tem uma menor taxa de desemprego. O desemprego depende sobretudo de factores estruturais (por exemplo, a rigidez do mercado de trabalho), de factores conjunturais (crises) e do nivel crescimento economico. No fim de contas, o desemprego aumenta principalmente quando as economias não teem uma dinamica de mudança e crescimento. Como aconteceu com as economias europeias, como aconteceu em Portugal, sobretudo a partir dos finais dos anos 90.

    Como já referi nos meus comentários anteriores, a inovação num determinado sector pode efectivamente destruir empregos no sector, em termos liquidos. Mas pode também aumentá-lo, ao captar novas procuras. E, ainda mais importante, cria sempre empregos noutros sectores, a montante e a jusante : a montante porque os novos equipamentos e serviços teem de ser produzidos e oferecidos por outros ; a jusante porque o produto do sector em questão, sendo maior (ou mais eficiente) e sendo menos custoso contribui, mesmo que seja marginalmente, para o desenvolvimento de outros sectores que o utilizam. No fim de contas, o acréscimo de produtividade num determinado sector ou aumenta a produção com o mesmo nivel de recursos ou liberta recursos disponiveis para serem utilizados na expansão de outros sectores.

    O sector dos taxis, embora com uma grande visibilidade no espaço publico, até tem pouco peso na economia, em termos de produto e emprego. Mas não foge à regra. Os problemas que o Nelson identifica são precisamente a prova de que este sector parou no tempo, não evoluiu, não é competitivo, está mal ou sobre dimensionado. Estou certo de que, acabando o proteccionismo que vigorou até agora, uma parte dos taxistas actuais vai ajustar-se e reciclar-se, eventualmente até inventando uma nova oferta, que não é nem a tradicional nem a dos condutores Uber, e que a maior parte dos restantes, dos mais novos, mais qualificados, com mais espirito de iniciativa, aos mais velhos, menos qualificados, mais rigidos, acabarão por encontrar soluções para as suas vidas, os primeiros arranjando outros empregos noutros sectores e os segundos apoiando-se nos sistemas sociais publicos e privados existentes. O desemprego e a miséria não vão aumentar em Portugal por causa dos taxistas. Antes pelo contrário, novas oportunidades vão aparecer para muitas outras pessoas querendo trabalhar e com iniciativa para oferecer aos consumidores melhores serviços a preços mais interessantes. Para muitos, incluindo aqueles que o Nelson identifica como estando em actividades em part-time ou desejando aumentar os respectivos rendimentos, é uma oportunidade para terem mais trabalho e melhores condições de vida. No fim de contas, é importante perceber que mais concorrencia, flexibilidade, inovação, ao permitirem um aumento da produtividade , resultam também num aumento da riqueza produzida e mais riqueza significa normalmente mais empregos e mais bem-estar.

    O Nelson diz que concorda com a necessidade de uma mercado aberto e concorrencial. Acredito que sim.
    Ora é precisamente disto que se trata neste assunto da abertura do mercado a outros operadores e à concorrencia acrescida que isso representa para os taxistas.

  22. Nelson Gonçalves

    Caro Fernando,

    Nós estamos os dois na mesma frequência, mas não possivelmente em fase. Eu não tenho a certeza de que a Revolução Digital crie mais empregos, porque a automatização leva a que o humano seja desnecessário por um lado, e por outro e a cultura das borlas que existe actualmente na internet leva a que ninguém queira/aceite pagar pelo trabalho dos outros.

    Mas para que fique claro, a minha posição é uma escolha moral. Não quero que o Governo regule coisa nenhuma.

  23. RB

    Acho que o assunto se resume a:
    1) Vivemos numa economia de mercado, logo, a) Não deve ser vedada a entrada a novos players e/ou modelos de negócio, b) O consumidor tem direito a escolher o fornecedor e o nível serviço que prefere.
    2) Se há questões sobre a segurança (seguros, estado de veículos ou outras) então que se legisle o minimamente essencial, na perspectiva da segurança do consumidor, e não de uma qualquer classe profissional.
    3) Se o UBER é uma actividade comercial, é claro como água: têm que pagar impostos. As AT’s ou ASEAE’s que se ocupem que isso é cumprido

    Para além disto, tudo o resto é ruído.

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