Segurança

A tese do suicídio, na queda do avião da GermanWings, vai ganhando consistência e, a confirmar-se, a seguinte conclusão é inevitável: um mecanismo de segurança, implementado após os atentados de 11 de Setembro de 2001, frustrou qualquer tentativa de impedir o desastre. Há sempre gente disposta a trocar qualquer coisa por segurança, até a liberdade e a dignidade, e os voos comerciais são o laboratório perfeito para se estudar até que ponto os seres humanos aceitam submeter-se a todo o tipo de procedimentos invasivos quando aliciados pelo logro securitário. Não será este um caso claro de violação da liberdade individual, mas fica a lição: não há almoços grátis.

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20 pensamentos sobre “Segurança

  1. Luís Lavoura

    “um mecanismo de segurança, implementado após os atentados de 11 de Setembro de 2001, frustrou qualquer tentativa de impedir o desastre”

    Não percebo esta frase. De que mecanismo de segurança está a falar?

  2. Fernando S

    Deve estar a referir-se à “liberdade e dignidade” de um piloto poder ir ao wc e voltar tranquilamente ao seu lugar sem ser impedido por uma porta blindada que visa “apenas” impedir que eventuais terroristas suicidas possam entrar na cabine de pilotagem e utilizar o avião como uma bomba voadora ?!…

    Alguns sindicalistas já avançaram com uma solução baratinha e com risco zero que não passa por retirar a porta : colocar um 3° piloto na cabine !… (mas porquê piloto ?!!…)

    Atenção : a “segurança” não é um “logro” … é uma garantia de defesa da liberdade e do direito à vida contra aqueles que não as respeitam !

  3. Luís Lavoura

    Esta tese do suicídio parece-me um logro, inventado para desviar as atenções do público da verdadeira causa do acidente, qualquer que ela tenha sido (possível defeito do avião e/ou do software que o governa).
    Só um maluco escolheria aquela forma de se suicidar, cruel para todas as outras pessoas que iam a bordo, e difícil, pois que dependia do co-piloto eventualmente decidir sair do cockpit. Se o co-piloto não tivesse saído, não teria havido suicídio?

  4. Fernando S

    Luis Lavoura,

    Qual é a racionalidade de um “maluco” ??

    (tanto quanto percebi a investigação ainda está em curso e a hipotese do suicidio ainda não está confirmada)

  5. Diogo Cordeiro Ferreira

    Os Lock-outs serão sempre circundados porque se o Homem tem a capacidade de os inventar, também tem a capacidade de os evitar.

    Basta impôr que sempre que um dos pilotos se ausente do cockpit devam permanecer sempre 2 pessoas. No caso dos aviões maiores o co-piloto e o engenheiro de bordo, no caso de aviões menores o co-piloto e uma hospedeira ou um membro do pessoal de cabine. Simples e eficaz.

  6. Fernando S

    “Simples e eficaz.”

    Bom, “simples” é mesmo o que existe …
    “Eficaz” ?… Pode ser “circundado” … A parada milagrosa não existe.
    Mas pode ser uma pista … Existirão outras que vão provavelmente ser agora ponderadas.

  7. Diogo Cordeiro Ferreira

    http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4477902&page=-1

    Se os Finlandeses o fazem… é porque de facto é o mais simples e eficaz. Não são conhecidos por ser um povo de extravagâncias.

    Agora a sério, a única maneira de ser circundado este procedimento é se um potencial suicida manietar / neutralizar a 2ª pessoa. Acho difícil que consiga sem recurso a uma arma – e isso parece-me quase impossível de levar a bordo – ou que num confronto físico, a 2ª pessoa não consiga abrir a porta e pedir socorro.

  8. JP-A

    À medida que o homem vai sendo cada vez mais “aliviado” de trabalho e sobrecarregado por rotinas e montes de computadores nos quais pode brincar com os dedos a arrastar coisas bonitas no ecrã, vai-se estupidificando. A questão dos pagamentos só com NIB escrito num papel (enquanto nas outras operações se utilizam múltiplos mecanismos de alta tecnologia, incluindo autenticação biométrica), é outro exemplo acabado do caminho que a humanidade leva.

  9. Fernando S

    Diogo Cordeiro,
    Essa medida já há muito que era equacionada e ponderada. Mas averdade é que, pelo menos até agora, não foi considerada indispensável.
    A unica companhia que já a aplicava era efectivamente a Finnair.
    Hoje mesmo mais 3 companhias anunciaram adoptar a medida a partir de amanhã : Norwegian Air Shuttle, Air Transat e Icelandair.
    Provávelmente muitas outras se seguirão nos proximos dias.
    E é até possivel que a as autoridades a venham a tornar obrigatoria.
    Mas não se pense que esta e outras eventuais medidas acabarão com a possibilidade de situações anomalas e incontroláveis.
    O risco zero não existe !

  10. Diogo Cordeiro Ferreira

    Claro que não!

    Só disse que era a mais simples e eficaz. Isto refere-se em termos de recursos envolvidos. O risco zero não existe, de facto!

    Quando se tornar evidente que mesmo este lock-o

  11. Diogo Cordeiro Ferreira

    Publiquei sem querer. Quando se tornar evidente que mesmo esta opção não for a mais eficaz, vamo-nos lembrar de outra.

  12. Francisco

    Há vinte anos tentei contratar um homem para cavar um pedaço de terra de um monte que comprei no Alentejo. Apareceu-me um velho com quem combinei o preço e a execução para o dia seguinte. O velho pareceu-me muito enfraquecido, mas com os meus problemas de trabalho nem pensei na questão. No dia seguinte alguém (o velho) tinha cavado pouco mais de um metro de terra…e nunca mais o vi. Ainda hoje lamento a minha falta de sensibilidade.

    Conheço, neste Alentejo casais velhotes que vivem com menos de 400 € mês e com as suas galinhas, patos e pouco se lamentam. Mas também conheço professores que trabalham menos de vinte horas semanais, ganham muito mais que os velhotes, fazem greves e querem aumento de vencimento. E também existem pilotos que reivindicam aumentos salariais.
    No meio desta miséria toda (por excesso e por falta) aparecem os sindicatos e os partidos a convencer que “podemos” e a confundir o Zé.

    E nos Zés também há copilotos e outros irresponsáveis desiludidos com a “miserável” vida.
    Desiludidos ou baralhados…

  13. Carlos C.

    De facto, a “segurança” não é um “logro” … “é uma garantia de defesa da liberdade” … e também um magnífico negócio para aqueles que estão por detrás desse ror de empresas de segurança que por aí andam.

  14. Carlos C.

    Esta questão das medidas de segurança dos avioes faz-me recordar o número de governantes que foram mortos pelos seus próprios guarda-costas (Senhora Ghandi, Presidnte Kabila, etc.).

  15. Fernando S

    “a “segurança”… e também um magnífico negócio para aqueles que estão por detrás desse ror de empresas de segurança que por aí andam.”

    Alguém tem de fazer o trabalho e fornecer os serviços de segurança que são procurados.
    E como ninguém (ou quase) trabalha de graça, tem mesmo de ser um “negocio”.
    A concorrencia no sector é grande pelo que singram sobretudo os mais eficientes e com a melhor relação qualidade/preço.

  16. Fernando S

    “Esta questão das medidas de segurança dos avioes faz-me recordar o número de governantes que foram mortos pelos seus próprios guarda-costas”

    O que não significa que os guarda-costas não sejam necessários e que os governantes deixaram de os utilizar !…
    Significa apenas que há sistemas que falham e, de um modo geral, que a perfeição não existe … mesmo em matéria de segurança !

  17. Nem todas as ocorrências humanas são válidas na defesa das “liberdades individuais”… No caso deste texto, construído em torno duma tragédia, a asserção é manifestamente forçada e incongruente… Por outro lado, perante a necessidade de partilha de um espaço comum sujeito a elevado nível de ameaças, como um avião, mais do que efeitos demagógicos em torno das “liberdades”, são necessárias soluções e nunca floreados estilísticos do planeta utopia.
    Mas concretizemos, quando se fala em “logro securitário” qual a solução coerente com as “boas práticas” da liberdade individual?! Cabine aberta e todos os passageiros com autorização de uso e porte de arma de fogo?… Tenho dúvidas e muita curiosidade em conhecer a solução mais apropriada…

  18. IsabelPS

    O que está em causa, muitas vezes, não é a segurança mas o sentimento de segurança. No pós 11 de Setembro isso ficou perfeitamente claro na aviação: os talheres de metal foram substituídos por talheres de plástico, mas ninguém retirou as garrafinhas de vinho de vidro que com toda a facilidade podem ser transformadas numa arma letal.

  19. JPT

    Esta manhã, na Antena 1, ouvi o anterior presidente do INAC dando conta que a solução para situações como o do desafortunado voo da Germanwings seria a presença a bordo de um segurança armado – o que só não teria sido implementado “porque custava muito dinheiro às companhias aéreas que estão nas lonas”. Portanto, para este funcionário superior, a solução para prevenir a possibilidade de um profissional altamente escrutinado poder ser maluco, e deitar um avião abaixo, seria meter a bordo um profissional muitíssimo menos escrutinado (certamente contratado em outsourcing a um empresa de segurança) e dar-lhe uma arma. E depois há que ache estranho que uns cromos deste género se se tenham lembrado de resolver o problema da violação do sigilo fiscal criando uma lista VIP.

  20. Fernando S

    JPT,

    São dois assuntos diferentes … Não é correcto estar a ligá-los … As questões que se colocam a respeito da segurança num avião são muito diferentes das questões que se lentam a proposito do sigilo fiscal.

    A unica coisa que é comum, a estes como a praticamente todos os assuntos, é que não há soluções milagrosas e definitivas contra todas as ameaças, não há risco zero.

    Quanto à segurança nos aviões, eu também tendo a ter algumas duvidas quanto à presença a bordo de um homem armado. Pode justificar-se perante as ameaças terroristas actuais. Mas pode também criar outros problemas. Este tipo de medida deve ser equacionado em cada momento e em cada caso em função da avaliação que se faz dos diferentes tipos de risco e dos protagonistas. Não é fácil. Por sinal, actualmente, há paises (por exemplo, os EUA) que autorizam (mas não obrigam) que os pilotos possam ter uma arma no cockpit. Mas as opiniões e as práticas a este respeito são variadas…

    Quanto ao sigilo fiscal, o que é de bom senso é que este exista em geral (com excepções devidamente regulamentadas para procedimentos juridicos) e para todos os cidadãos. Para o efeito, são naturalmente necessários mecanismos de protecção adequados. Ou seja, que protejam todos os cidadãos, sem excepção. E “sem excepção” significa também que devem ser protegidos aqueles cidadãos que tendem a estar mais expostos, figuras publicas, responsáveis politicos, etc … digamos “VIPs” !… O que, na prática, pode perfeitamente implicar que sejam elaboradas listas de pessoas cujos processos sejam mais especificamente vigiados e sujeitos a maiores controles de acesso. Este tipo de aparente “discriminação” não tem nada de imoral ou anti-constitucional. Acontece hoje em muitas e muitas situações. Por exemplo, a protecção policial individualizada e reforçada de figuras publicas e politicas consideradas de maior risco. A policia deve proteger todos os cidadãos mas nem todos os cidadãos podem ter um policia à porta de casa !

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