O Economista Insurgente: “Porque é que é impossível ao Estado pagar a dívida pública?”

O Economista Insurgente

«A dívida acumulada tem uma dimensão, relativamente ao que é produzido anualmente em Portugal, que torna muito difícil que o Estado consiga honrar os seus compromissos. Se todos os gastos do Estado fossem cortados, incluindo prestações sociais, salários, etc., ainda assim demoraria cerca de 4 ou 5 anos a pagar. Se o PIB crescesse a 2% ao ano e o Estado tivesse um excedente orçamental de 1% do PIB, demoraria mais de 25 anos a reduzir a dívida para o limite previsto nos tratados europeus (60% do PIB). Num contexto de crescentes despesas, onde o orçamento do Estado é cronicamente deficitário, a tarefa torna-se impossível.

A única forma de poder ultrapassar a situação seria por via de um considerável crescimento económico, em que maior produção se traduziria em maior colecta fiscal, permitindo, por sua vez, amortizar a dívida; ou pelo menos reduzi-la em percentagem do PIB. Se, por exemplo, o Estado tivesse orçamentos equilibrados, seria preciso um crescimento médio de 3,5% ao ano durante quase 25 anos para a dívida baixar para os limites dos tratados europeus. Contudo, esse crescimento não poderá ocorrer enquanto a carga fiscal for tão pesada e os juros tão elevados, ambas as situações resultantes da crise orçamental.

Temos assim um problema de “pescadinha de rabo na boca”: É preciso juros e impostos baixos para que haja mais investimento – que resulta em crescimento económico; mas baixar impostos resultaria em défices ainda maiores no curto prazo, tornando os juros mais altos.

Chegamos assim a um cenário em que a única conclusão possível é que, perante o Estado que temos, a dívida é impossível de pagar. A qualificação de “Estado que temos” é importante, pois havendo vontade política de alterar significativamente o Estado, reduzindo assim os seus gastos, podem ser libertados os meios para equilibrar as contas públicas, ou mesmo gerar excedentes, e de reduzir a carga fiscal por forma a incentivar o investimento produtivo.

Tendo em conta o que já foi referido anteriormente neste capítulo, no que toca às áreas onde a despesa do Estado é maior, é inevitável concluir que apenas mexendo nas despesas sociais do Estado (segurança social, educação e saúde) é possível equilibrar as contas públicas.»

in “O Economista Insurgente”, Esfera dos Livros, 2014

32 pensamentos sobre “O Economista Insurgente: “Porque é que é impossível ao Estado pagar a dívida pública?”

  1. Euro2cent

    É uma maldade postar isto a estas horas da manhã. É demasiado verdade para se poder fazer alguma coisa de útil, e demasiado deprimente para paliativos que não podem ser ingeridos às horas de expediente.

  2. Luís Lavoura

    Espanta-me ver os economistas liberais a concordarem, ainda que indiretamente, com os argumentos de Sócrates de que “a dívida pública não é para pagar, é para ser gerida”. Aliás, com um pouco mais de latitude, parece-me que até estão a insinuar que seria necessário Portugal fazer default. Que horror!!!

  3. Carlos Miguel Sousa

    Deixo aqui alguns pontos onde se pode cortar despesa para alem dos mencionados;

    1 – Parcerias Publico Privadas, rodoviárias, ferroviárias, educação, saúde & águas

    2 – Privatizações a grupos estrangeiros com acordos de rendimento garantido por décadas (Rendas da energia)

    3 – Ajustes directos, Governos Regionais, Câmaras e Estado Central

    4 – Concessões e sub-concessões de exploração de portos, aeroportos e outras estruturas públicas

    5 – Contratos de exploração com prazos de 50 anos (!!??)

    6 – Mais valias na venda de gás natural não partilhadas com os consumidores

    7 – Aumentos nas taxas dos aeroportos em justificação aparente.

    8 – Direitos adquiridos de construção sobre pontes & aeroportos

    9 – Indemnizações devidas por projectos adiados

  4. tina

    É triste mas é com isso que temos de viver, com uma dívida para pagar permanentemente sobre as nossas cabeças. Vivemos num país de esquerda e é assim que o povo decide, prefere gastar a poupar. Por exemplo, as medidas do PS para a próxima legislatura representam já quase 1% do PIB. Mesmo que a UE se tente impor, os défices com o governo de esquerda serão sempre ultrapassados.

    Por isso, essa conversa de ser impossível pagar a dívida não faz sentido. Vamos pagando e vamos contraindo nova dívida e vamos viver sempre assim. É muito triste, entre todos os países europeus Portugal, Grécia e Chipre são os países com maior dívida líquida.

  5. Fernando Almeida

    E ú que tênho eu a vêr cu íço (ou será ísso) ?
    1.- Acázo fui eu a bibêr assíma das minhas puciblidádes?
    2.- Fui eu que não paguei prá SegSoc?
    3.- Dêvo álgo ò físqu?
    4.- Alguém me biu a cunduzir um FÈRRÁRI ?
    5.- Alguém póde afirmár que fui murár im Paris, num lugár “ULTRA-LUCHUOSO”, “apenasmente” cu ubjèctivu de ficár máis pérto da Phaculdáde Parisiênse de Philusufia?
    NUM MLIXEM (lê-se “LICHEM” e não “LICSEM”, cf. ACHÔRDO URTIGRÁPHICU)…
    Quém âs árma, qâs desárme. Vão-ce LICSÁR…!
    Im bês dandárem prá í a perdêr têmpo cu tal ACHÔRDU, çó prâ poupár lêtras e prâ ubrigárem us páis a gastár mais grâna cus librus dus filhus, dbríam têr ddicádu máis têmpu a bêr quem istábàbibêr assíma duqpudía pagar.

  6. tina

    Luís Lavoura em Março 20, 2015 às 09:31 disse:
    Espanta-me ver os economistas liberais a concordarem, ainda que indiretamente, com os argumentos de Sócrates de que “a dívida pública não é para pagar, é para ser gerida

    Eu não sei se o Luís é estúpido ou se faz de estúpido. Uma dívida nunca deve asfixiar um país, as orientações são no máximo 60& do PIB. Enquanto o estúpido do Sócrates duplicou a dívida de 60% para quase 120%.

    E depois, a estúpida da RTP ainda o põe a passar aos domingos como se o conselho dele contasse para alguma coisa. Enfim, um país de estúpidos, uma dívida estúpida.

  7. fernando

    Uma analise parcial, facciosa, absolutamente medíocre em termos académicos- económicos, saída de uma mente fascista, abjecta e absolutamente afastada da realidade- os merdinhas dos J´s, quer do PS ou do PSD, e que nunca trabalharam de facto na vida é que podem vociferar semelhante estupidez….Deus lhes perdoe, pois os desempregados, os que foram forçados a emigrar, e os que vivem na indigência, certamente não poderão perdoar semelhante estupidez!!!!
    Pobre pais que forma “economistas” deste calibre.

  8. António

    Quando a crise estoirou os Economistas Insurgentes, quase todos de direita, fartavam-se de dizer que a divida era impagavel, que a divida dos EUA era impagavel, que isto ia estoirar tudo em breve, que imprimir dinheiro era o ultimo acto de desespero e que só ia acabar com isto em mega inflação, o que faria isto estoirar tudo, etc…

    Entretanto entra um governo de “direita” (seja lá o que isso for) e por aqui começam a mudar o discurso para enaltecer os esforços feitos, que até estavamos no bom caminho (apesar da divida continuar a aumentar , passar os 100% do PIB, e evoluir para niveis ainda mais impagavéis – 130%), que este governo estava a fazer o que era necessário, etc.

    Entretanto a divida privada, que era ainda mais gigantesca, retrocedeu ligeiramente (ainda é gigante e impagavel, mas como no privado pode-se falir, vai diminuindo) mas a publica continua a aumentar.

    Isto apesar de ainda não ter explodido devido à maior impressão de dinheiro feita na história e aos juros mais baixos de sempre (nos EUA, na GB, no Japão e agora na UE), que levaram o consumo e investimento e emprego a aumentar – precisamente o contrario do que previam os “economistas liberais – bem como permitiram aos privados e publicos suportar os juros das dividas, agora mais baixos que nunca…

    Agora republica-se este artigo…afinal a divida é impagavel…outra vez!

    A economia é uma ciencia …fofinha!

  9. Carlos Marxo Dias

    Não é abordado neste artigo o assunto da Energia. O centro de custo principal da industria e dos serviços é a Energia e portanto é um dos pontos básicos que tem de ser resolvidos ou mudados em Portugal. É irrelevante qualquer discussão sobre economia sem abordar o défice energético (mais de 4 mil milhões € por ano). Falar de crescimento é falar de Energia nos tempos actuais, pois sem electricidade ou combustíveis com preços semelhantes aos outros países o nosso país não é sustentável, nem lucrativo, nem competitivo.
    Considerando a situação actual e a evolução da Energia em Portugal torna-se imperativo perguntar aos portugueses o que querem fazer sobre isto. Um referendo sobre Energia Nuclear é urgente. Não podemos andar sempre a criticar ou a culpar os políticos. O povo tem de assumir o que quer.
    Portugal não tem petróleo, nem gás. Já não explora carvão. Estas matérias primas tem todas de ser importadas.
    O problema não é apenas com os veículos. Metade da electricidade em Portugal é gerada em centrais termoeléctricas que queimam carvão e gás.
    Portugal tem de mudar a produção de electricidade do dueto energia fóssil + energias renováveis para um trio de energia nuclear + energia fóssil + energias renováveis. As energias renováveis seriam focadas no consumo doméstico e de pequenos serviços, a energia nuclear seria usada maioritariamente em grandes infraestruturas ou industrias e a energia fóssil aplicada nos sítios onde a energia nuclear e as energias renováveis não fossem suficientes (ilhas por exemplo).
    A outra via é racionar e racionalizar a electricidade, algo que os portugueses não querem pois habituaram-se a ter as comodidades todas (carro, telemóveis, tv’s, computadores, consolas de videojogos, máquinas de lavar, microondas, etc).
    Os veículos ligeiros de combustão interna à base de gasolina e gasóleo tem de ser convertidos gradualmente em veículos eléctricos. É preciso electricidade para recarregar as baterias dos carros eléctricos – se a electricidade for gerada em centrais de carvão ou gás, pouco ou nada muda pois apenas se muda de gasolina/gasóleo para carvão/gás. É preciso energia nuclear para que a transformação seja completa.
    A mesma lógica aplica-se ao TGV, metropolitanos, autocarros eléctricos, etc.
    E não vale a pena virem com a conversa de treta sobre eficiencia energetica, poupança de electricidade, energias renovaveis, microgeração, etc porque isso já são coisas que ninguém contesta e todos apoiam. O que falta resolver é a parte bruta, pura e dura da Energia, e não os “trocos”.

  10. tina

    “que a divida dos EUA era impagavel, que isto ia estoirar tudo em breve, que imprimir dinheiro era o ultimo acto de desespero”

    Essas medidas de quantitative easing não são nenhuma magia, estão associadas a um grande risco e deve ser por isso que agora não se fala noutra coisa senão no crash da bolsa em 2016 nos US. Quem é que quer viver com essa espada sobre a cabeça? Nós conseguimos ainda melhor, sem dinheiro “falso” e sem crédito, a economia está a crescer e temos uma balança comercial positiva.

  11. Catarina

    Luis Lavoura, parece o meu sogro… Sempre que quer defender o Sócrates diz “É que ele tinha razão quando disse que as dívidas não se pagam”.
    Pois tinha! Eu concordo, mas não é por ter dito UMA coisa acertada que faz com que as milhares de outras também o sejam…

  12. «Entretanto entra um governo de “direita” (seja lá o que isso for) e por aqui começam a mudar o discurso para enaltecer os esforços feitos, que até estavamos no bom caminho (apesar da divida continuar a aumentar , passar os 100% do PIB, e evoluir para niveis ainda mais impagavéis – 130%), que este governo estava a fazer o que era necessário, etc.»

    Não seja desonesto. Este parágrafo é uma mentira vergonhosa.

  13. «Deixo aqui alguns pontos onde se pode cortar despesa para alem dos mencionados»

    Podemos cortar despesa em muitos sítios. Não é suficiente. Quando 75% das despesas são em segurança social, educação e saúde (e isto exclui o orçamento autónoma da SS), face à dimensão do problema, achar que não é preciso mexer nelas é fugir à realidade.

  14. tina

    “Falar de crescimento é falar de Energia nos tempos actuais, pois sem electricidade ou combustíveis com preços semelhantes aos outros países o nosso país não é sustentável, nem lucrativo, nem competitivo.”

    Muito bom alerta do Carlos M Dias, sobre como Portugal está incapacitado em relação aos outros países devido aos elevados custos de energia. Imagino que o custo das renováveis seja um grande peso. Devia-se falar mais sobre os custos da energia, é um aspeto tão importante!..

  15. Revoltado

    A dívida somos todos nós. O dinheiro não desaparece do nada, está algures, acumulado em património. O que o estado (na figura dos seus partidos políticos) fez foi, durante tantos anos, transferir riqueza dos credores para os seus eleitores, a fim de comprar mais facilmente os votos deste e assim poder perpetuar-se no poder. Acontece que a transferência de riqueza (e consequente acumular desta) foi muito superior ao que a economia do país poderia suportar. Os poucos que levantaram a voz durante este processo foram apelidados de loucos, retrógados e rapidamente silicenciados pela comunicação social. E agora, como inverter este processo? Podemos cortar nas despesas do estado mas, como já vimos, esta solução é extremamente difícil de implementar. Por mim fazia-se as contas: quanto é a dívida, assim por alto? 200 mil M€? se quisermos reduzir para 60 mil M€ (um valor sustentável) precisamos pagar 140 mil M€=+/- 14 mil euros por cidadão português. Eu por mim, pago a conta, com todo o gosto e sem pedir factura com o NIF, desde que me garantam que a carneirada que nos colocou nesta situação não volta a governar-nos nunca mais!

  16. Gil

    A partir de determinada altura, parece que o autor do post se esqueceu do que escreveu aqui: “Se todos os gastos do Estado fossem cortados, incluindo prestações sociais, salários, etc., ainda assim demoraria cerca de 4 ou 5 anos a pagar. Se o PIB crescesse a 2% ao ano e o Estado tivesse um excedente orçamental de 1% do PIB, demoraria mais de 25 anos a reduzir a dívida para o limite previsto nos tratados europeus (60% do PIB)”.

  17. lucklucky

    Também não entendo o título. A Dívida é pagável. Basta defice zero e ela vai-se pagando. E com défice zero não temos problemas em rolá-la quando necessário.

  18. Isto não é um artigo. É uma citação do livro. Livro que é constituido por perguntas e respostas. Perguntas que são por vezes provocatórias (p.ex porque é que o alemães acham que somos preguiçosos?) O ponto é, como lá está:
    «Chegamos assim a um cenário em que a única conclusão possível é que, perante o Estado que temos, a dívida é impossível de pagar. A qualificação de “Estado que temos” é importante, pois havendo vontade política de alterar significativamente o Estado, reduzindo assim os seus gastos, podem ser libertados os meios para equilibrar as contas públicas, ou mesmo gerar excedentes, e de reduzir a carga fiscal por forma a incentivar o investimento produtivo

  19. António

    Miguel Boytelho Moniz,

    “«Entretanto entra um governo de “direita” (seja lá o que isso for) e por aqui começam a mudar o discurso para enaltecer os esforços feitos, que até estavamos no bom caminho (apesar da divida continuar a aumentar , passar os 100% do PIB, e evoluir para niveis ainda mais impagavéis – 130%), que este governo estava a fazer o que era necessário, etc.»

    Não seja desonesto. Este parágrafo é uma mentira vergonhosa.”

    Faça um pequeno retrocesso, de um anito, e veja quantos post aqui há a elogiar, defender ou desculpar a governação deste Governo. Só o Carlos Guimarães Pinto tem algumas dezenas…

    Quase todos os postadores do Insurgente são declarada, ou menos assumidamente, simpatizantes ou apoiantes do PSD PP. E quando têm de confrontar o seu suposto liberalismo com a avaliação da governação, e se nao podem ficar num NIM, muitas das vezes acabam a desculpar e até defender e elogiar o Governo. Mas quando o governo fica indefensável, chamam-lhe socialista.

    Para mim, que não sou de esquerda nem direita, e desprezo os partidos, e venho aqui por simpatia às ideias liberais é um show de contradições.

  20. António

    Tina,

    “Nós conseguimos ainda melhor, sem dinheiro “falso” e sem crédito, a economia está a crescer e temos uma balança comercial positiva.”

    Ó tina, você vive em Marte?

    Então nós não precisámos e precisamos de crédito, constantemente, e mais do que nunca? E parte desse crédito não advém, em segunda mão, do “dinheiro falso” (vulgo QE), que tem andado aí a ser inventado aos triliões nos ultimos 7 anos?

    Se calhar um pouco menos daquela coisa que faz rir ajudava-a…

  21. Filipe

    Reformar o estado, esse é o problema. Numa campanha eleitoral, a 6 meses de eleições, quem vai por esse caminho? Ninguém!

    A Reforma verdadeira é muito dolorosa, mexe com os corporativos e oligárquicos.

    Digam lá quem tem coragem de colocar um tecto na reforma (acumulada, como é óbvio), quem?

    Aparece logo aquela senhora de cabelo branco cheio de laca, que ne sei o nome, depois ainda levo com os “notáveis”, os “barões” e por ai fora.

    Quem tem coragem de extinguir a CGA e unir com a SS? Com iguais regras rectroativas?

    Quem tem coragem de indexar reformas à riqueza criada?

    Agora outra despesa, as fundações, observatórios, institutos e o que mais por AI ANDA… que faz essa gente? Que justificação há para existirem dinheiros publicos nessas “Instituições”?

    As Autarquias? Mais de 300, para quê? Quantas empresas municipais falidas? Quantas Camaras falidas? Uma vergonha.

    Para terminar, porquê 2 policias? GNR e PSP? Com 2 cadeias de comando a fazer rigorosamente o mesmo?

    As forças armadas ficam para depois, após as 6088 graduações previstas para 2015.

  22. tina

    António,

    “Então nós não precisámos e precisamos de crédito, constantemente, e mais do que nunca? ”

    Os bancos não emprestam tão facilmente como emprestavam antigamente e mesmo assim a economia cresce. A economia tem crescido sem ser à custa de endividamento tanto a nível estatal como privado (ou significativamente muito menos).

    Informe-se melhor antes de escrever comentários que é para não fazer figura de ignorante.

    Olympus,

    Vê como os comentadores de esquerda são tão pouco inteligentes? Não é só serem burros, não parecem ter interesse pelas coisas, nunca se informam corretamente, demonstram uma grande falta de curiosidade e um desdenho absoluto pela verdade. Para eles é tudo à base de palpites e achismos. Na esquerda só há louras.

  23. António,
    Não é por repetir uma mentira de forma mais elaborada que ela deixa de ser mentira.
    Se há coisa que os diversos insurgentes não podem ser acusados é de incoerência. Podem haver discordâncias pontuais entre dois deles, mas a sugestão que faz de que por qualquer espécie de fidelidade partidária o mesmo insurgente dirá coisas diferentes em função de quem está no governo é falsa, grosseiramente falsa.

  24. António

    Miguel,

    Respeito a sua opinião, e discordo dela.

    “Se há coisa que os diversos insurgentes não podem ser acusados é de incoerência.”

    Isto é, desde logo, impossivel. Toda a gente é contraditória, e você acha os “os diversos insurgentes” são uma casta superior de intocavéis plemamente coerentes, ao longo do tempo e entre si? Agora fiquei assustado!

    De qualquer forma, posso dizer-lhe que não espero coerência, antes pelo contrário, as contradições, claras, assumidas e não assumidas, fazem parte da vida.

    Venho aqui porque, independentemente de ver aqui muito bla bla bla inconsequente, incoerente e incongruente, também aprendo alguma coisa, e concordo com muitas coisas ditas. Inclusive com muitas coisas que você diz.

    Bem haja.

  25. Fernando S

    antonio,

    Eu apoio politicamente o actual governo e a politica seguida. “Declarada e assumidamente”.
    Isto não significa estar de acordo com todas as medidas. Muito menos significa considerar que as medidas adoptadas são as ideiais.
    Significa sobretudo reconhecer que, no contexto actual, qualquer alternativa politicamente viável faria globalmente pior.

    Dito isto, não tenho a percepção de que a maioria dos “Insurgentes”, postadores neste blog, sejam apoiantes “declardos e assumidos” do governo actual. Antes pelo contrário. A tendencia geral sempre foi a de criticar o governo e a sua politica, em particular a economica, que alguns chegam a classificar como “socialista”. Basicamente, por consideraram que não é efectivamente ou suficientemente “liberal”, não reformando o Estado e não cortando o necessário nos seus gastos, aumentando impostos em vez de os diminuir, não liberalizando suficientemente os mercados de trabalho e produtos. Lembro-me inclusivamente de ter visto, pelo menos até finais de 2013, alguns posts catastrofistas prevendo então o falhanço a breve prazo da politica de consolidação orçamental do governo, aderindo de algum modo à ideia da inevitável “espiral recessionista”, embora por razões não coïncidentes com as da esquerda. Basicamente por considerarem que o aumento de impostos, para além de ter o efeito perverso de diminuir as receitas fiscais, reduziria ainda mais o consumo das familias e, sobretudo, agravaria ainda mais as condições de actividade das empresas. Deve ser a estes posts que o antonio faz referencia quando atribui à generalidade dos Insurgentes a previsão de que “isto ia estoirar tudo em breve”.

    O post/extrato aqui em cima não diz que a divida é “impagável” em absoluto. Diz que para poder ser paga algum dia, ou, pelo menos, para poder ser reduzida para niveis sustentáveis, tem de se cortar nas “despesas sociais do Estado (segurança social, educação e saude)”. Ou seja, que nenhuma politica que dispense esta passagem e que aposte apenas num aumento de receitas publicas como resultado automático de um hipotético crescimento economico induzido pela procura interna e externa, conseguirá alguma vez reduir a divida publica para niveis sustentáveis.
    Esta perspectiva, que nem é imoderada, parece-me dificilmente contestável.
    Mas, o que mais importa aqui é que não implica nem um apoio incondicional nem uma oposição fundamental à politica do actual governo.
    Por um lado, é sempre possivel sustentar, e julgo ser esta a posição do autor do post, e no fim de contas é também a minha, que o governo actual não fez os cortes na despesa que seriam necessários para se poderem vir a baixar os impostos e favorecer assim o investimento produtivo. A questão que se coloca em seguida é a de saber se deveria ou até que ponto poderia ter ido mais longe do que foi durante os ultimos 4 anos.
    Por outro lado, aquela perspectiva também pode ser aceite por quem, como é o meu caso, considera que o actual governo teve pelo menos o mérito de ter controlado a despesa publica e de ter alguma consciencia de que sem uma reforma do Estado e uma redução importante dos gastos publicos não é possivel uma efectiva redução da carga fiscal, hoje claramente excessiva.

    Apesar de seram criticos do governo actual e da sua politica, parece-me que vários dos Insurgentes acabam por dar efectivamente algum apoio politico ao governo actual. Mesmo que não o “assumam”. Isto porque, para todos os efeitos, criticam as teses daqueles que, nas oposições à esquerda, inclusivé no interior e no eleitorado potencial dos partidos da coligação de governo, consideram que é possivel resolver os problemas das contas publicas e relançar a economia sem passar por uma politica de austeridade e sem uma limitação do peso e do papel do Estado na economia. Ou seja, de algum modo, contestar e desmontar as principais criticas e teses das oposições de esquerda é também uma maneira de reconhecer que a politica do governo, mesmo não sendo a ideal, é menos má do que aquelas que são defendidas pelas oposições.
    Acresce que estou convencido de que uma larga maioria dos Insurgentes, alguns talvez tapando o nariz, sempre deram e acabarão por dar o seu voto aos partidos (e, dentro destes, aos sectores) que apoiam o governo actual e a sua politica.

  26. António

    Fernando S,

    “Apesar de seram criticos do governo actual e da sua politica, parece-me que vários dos Insurgentes acabam por dar efectivamente algum apoio politico ao governo actual. Mesmo que não o “assumam”. ”

    “Acresce que estou convencido de que uma larga maioria dos Insurgentes, alguns talvez tapando o nariz, sempre deram e acabarão por dar o seu voto aos partidos (e, dentro destes, aos sectores) que apoiam o governo actual e a sua politica.”

    Afinal estamos completamente de acordo. 🙂

    Até lhe posso dizer que, se votar, se calhar até também vou votar no PSD, e que acho o Passos uma especie de mal menor. Um cheiro menos mau pior…algo por aí. Mas não so vou defender nunca só porque o resto são ainda piores.

    Em vez de reformar o Estado, só fizeram cortes de despesa, em vários casos meramente transversais. Não desbuocratizaram quase nada, não desregulamentaram quase nada, puseram a rede electrica e a electricidade em mãos do Estado comunista Chinês, a receita de impostos subiu porque apertaram o cerco, a despesa não diminuiu… os jobs for the boys foram e são distribuidos…

    Enfim, como alguém que ainda tem alguma ilusão no “liberalismo economico e social”, isto é quase um desastre… e não pode ser elogiado, defendido ou desculpado.

  27. Fernando S

    Antonio,

    Espero bem que o Antonio e todos aqueles que pensem o mesmo ou algo de parecido, votem mesmo no PSD (ou no CDS). Não o fazer é, de algum modo, por pouco que seja, mesmo involuntáriamente, contribuir para fortalecer aqueles que, como diz, “são ainda piores”.

    Mas não estamos “completamente de acordo”.

    O Antonio afirmou que os Insurgentes “são declarada, ou menos assumidamente, simpatizantes ou apoiantes do PSD PP … muitas das vezes acabam a desculpar e até defender e elogiar o Governo.”
    Como disse acima, não me parece que se possa afirmar isto da maioria, senão mesmo da totalidade dos Insurgentes (e, de resto, de muitos dos comentadores habituais neste espaço).
    Convém não ignorar as nuances e até as diferenças importantes que existem no campo da “direita” e até mesmo entre muitos daqueles que se consideram “liberais”.
    Se quizer pode dizer isso de mim. Eu nem sempre concordei com algumas das criticas que aqui no Insurgente foram feitas ao governo actual e à sua politica. Alguns dos meus comentário em defesa da politica do governo foram aqui criticados.

    Não concordo com o balanço tão negativo (” isto é quase um desastre”) que o Antonio faz quanto à acção e aos resultados obtidos pelo governo actual durante estes 4 anos de grande dificuldade.
    E, neste aspecto, julgo que alguns Insurgentes, mesmo sendo criticos, também não concordarão.

    Constato que, pelo menos, reconhece que afinal o governo até fez cortes nas despesas publicas. Já é alguma coisa. Mas não vejo qual é o seu problema com os “transversais”. Cortes são cortes e muitos deles teem mesmo de ser “transversais”. De outro modo não saimos sequer da cepa torta. Não nos esqueçamos que muitos criticos iliberais avançam uma suposta “verdadeira reforma do Estado” como um argumento para recusar ou adiar indefenidamente cortes directos e imediatos nas despesas publicas.

    É efectivamente verdade que o governo actual em pouco reformou o Estado. Mas é também verdade que cortar investimento e despesa publica, privatizar empresas, e diminuir o grau de intervenção governamental na economia, já é um principio de reforma do Estado. Não nos esqueçamos ainda que a prioridade foi a emergencia financeira, que em 4 anos não se pode fazer tudo, que existem limitações constitucionais, que o contexto politico nem sempre foi de feição.

    Dizendo-se “liberal”, não percebo o seu problema com a venda da posição do Estado no capital da EDP a uma empresa chinesa. Foi vendido a quem ofereceu o melhor preço no mercado. Pouco importa a quem pertence o capital da dita empresa, desde que não seja do Estado português e, assim sendo, não seja uma empresa publica em Portugal e esteja apenas no mercado. Pouco importa a quem pertence o capital da dita empresa. Escolher compradores em função de critérios politicos é que é uma velha prática iliberal. Felizmente, neste plano, e mesmo relativamente a outros interesses privados, o governo actual fez alguns progressos em comparação com o passado.

    Não sei o que é que entende por “liberalismo economico e social”. A experiencia diz-me que é de desconfiar da utilização do adjectivo “social”. As mais das vezes significa que critérios politicos sobre o que é “social” tendem a sobrepor-se aos mecanismos do mercado livre.
    Evidentemente que também considero que qualquer politica de cariz liberal deve ter em conta as consequencias ditas “sociais” (emprego, vencimentos, prestações, etc) das medidas tendentes a reformar uma economia que é à partida demasiado condicionada pelo peso e pela intervenção do Estado. Precisamente por esta razão, por hoje em dia as vidas de muitas e muitas pessoas, inclusivé com rendimentos relativamente modestos, estarem muito dependentes do Estado, é que qualquer reforma do Estado tem de ser feita progressivamente, com tempo e ponderação. Não sei se a sua insatisfação e impaciencia com a lentidão na reforma do Estado estão completamente sintonizadas com o “social” do seu “liberalismo” ?!…

  28. António

    “Não sei o que é que entende por “liberalismo economico e social”.

    É na economia (publica e privada), e nas “escolhas socio-individuais” (aborto, eutanásia, drogas, uniões gays, etc).

    “Dizendo-se “liberal”, não percebo o seu problema com a venda da posição do Estado no capital da EDP a uma empresa chinesa.”

    Passou das mãos do Estado nacional, social-democrata, para as mãos de um Estado estrangeiro, comunista. Não houve privatização nenhuma. Só alienação. Para mim foi de mal a pior. O Catroga , no entanto, parece ter gostado…

    O governo não fez reforma quase nenhuma no Estado. Só aperfeiçoou a máquina fiscal, e tornou-se mais forreta nalgumas despesas. Coisa aliás que já vinha dos tempos de Ferreira Leite, e, até, do primeiro mandato de Sócrates.

    De resto, a divida publica continua a aumentar (como explica o post, é “impagável”), o Estado não recuou, a despesa continua altissima, a supervisão, mesmo depois de anos e casos de avisou, voltou a não funcionar no sistema financeiro, as PPPs estao intocadas…

    O regime (publico e privado) só ainda não explodiu porque a injecção de dinheiro é tão maciça, e os juros tão baixos, que nós continuamos a empurar com a barriga para a frente. Continuamos a ser salvos pelo estrangeiro, pelo Keynesianismo estrangeiro…se este falhar o país fica quase no mesmo ponto que a Grécia.

    É um “desastre”.

  29. Fernando S

    Vendo bem você “não é de esquerda nem de direita” porque é sobretudo populista, e “liberal” só se for de pacotilha : não percebe verdadeiramente a lógica e o funcionamento de uma economia de mercado, não tem em conta a multiplicidade e a complexidade da sociedade, acredita que uma simples vontade politica na direcção do Estado é suficiente para mudar o estado das coisas de um dia para o outro, é adepto do nacionalismo economico, etc, etc…
    Mas respeito as suas ideias e agradeço a discussão.
    Um bom Domingo !

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