RSI vs Cantinas sociais

cantinas
A imagem acima anda a ser distribuida pelo Partido Socialista nas redes sociais. Fala de uma família de 6 pessoas que apenas tem um salário mínimo para pagar todas as despesas do mês. Dando de barato que os cálculos estão correctos e que não há nenhuma diferença nas restantes prestações sociais, o PS quer-nos fazer crer que 140 euros (ou 23 euros por pessoa) fazem uma grande diferença na vida destas pessoas. Mas, mais importante do que isto, esquecem-se que hoje, ao contrário de 2011, esta família de 6 pessoas teria acesso a alimentação durante o mês inteiro nas cantinas sociais. Não sei em que hipermercados a malta do PS faz as suas compras, mas 140 euros é bem capaz de não dar para alimentar 6 pessoas durante um mês (no caso da Raquel Varela, só dá para um jantar). As pessoas que de facto precisam beneficiam mais de alimentação gratuita do que de uma esmola do RSI.

Para além disto, o RSI não tem que ir necessariamente apenas para pessoas que dele necessitam, nem indo para essas pessoas é certo que seja bem utilizado. De certeza que a maior parte das pessoas que recebem o RSI precisam dele e gastam-no da melhor forma, mas não existe nenhum mecanismo que garanta aos contribuintes que assim seja. Pelo contrário, com as cantinas sociais, os contribuintes podem estar certos que a ajuda se direcciona aos que mais precisam e que é utilizada da melhor forma. Ao oferecer menos possibilidades de fraude, a política de cantinas sociais também reduz desperdícios, deixando mais dinheiro disponível para ajudar aqueles que verdadeiramente necessitam.

Em suma, as cantinas sociais garantem um benefício bastante maior do que o RSI para aqueles que verdadeiramente necessitam e dão uma garantia melhor aos contribuintes de que o seu dinheiro é bem utilizado. Ganham todos. Pena que o PS não tenha percebido isso.

24 pensamentos sobre “RSI vs Cantinas sociais

  1. jo

    Retirou-se dinheiro do RSI, que era escrutinado, para entregar a cantinas sociais de IPSS que não prestam contas a ninguém. A verdadeira transparência.
    Não existem cantinas sociais em todas as terras, enquanto uma verba em dinheiro pode ser entregue em qualquer lugar. Claro que optar por cantinas sociais canaliza o dinheiro de modo a quem vive nos grandes centros não ter de ver que há gente que passa fome.
    Diz-se que não se deve entregar RSI porque é um convite à subsidiodependência, apesar de a atribuição de rendimentos ser muito melhor vigiada do que os bancos são pelo BdP. No entanto se alguém for a uma cantina social buscar alimentos, não tem de provar nada.
    A nossa direita não gosta de subsídios, prefere a caridade que lhe permite só pagar a quem lhe convém.

  2. DeitemForaAChave

    “Em suma, as cantinas sociais garantem um benefício bastante maior do que o RSI para aqueles que verdadeiramente necessitam e dão uma garantia melhor aos contribuintes de que o seu dinheiro é bem utilizado. Ganham todos. Pena que o PS não tenha percebido isso.”
    .
    E o ps haveria de perceber isso porquê? Do que a rataria percebe é de apoderar-se (e isto é um eufemismo) do dinheiro dos outros e usá-lo para comprar votos alimentando as suas clientelas. Não é uma questão de ajudar quem precisa e se esforça por resolver a sua difícil situação, é uma questão de comprar o maior número de votos possível, com o dinheiro dos outros. E os oportunistas, os chicos-espertos, os golpistas, os preguiçosos têm, como todos nós, um voto.
    .
    Quando o país crescia, o guterres assaltou o poder prometendo isto mesmo, rendimento mínimo garantido. Não era preciso trabalhar para receber. Todos iam ter um mínimo, precisassem ou não, fizessem pela vida ou não. Tirado a quem? Na versão deles isso não interessa, interessa que foi “dado” (na verdade roubado a quem trabalha) pelos chuchalistas.
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    Meia-dúzia de anos depois o país estava arruinado mas ele passou a ter tachos internacionais, os seus apaniguados violavam, impune e garantidamente (também deve ser um direito adquirido) crianças na Casa Pia e eram donos disto tudo, a ponto do presidente da república de então, rapidamente, com a conivência interesseira do fdp do cherne, ter dado um golpe para pôr o gatunozeco 44 a assaltar à grande o dinheiro de todos (obras públicas, ppp’s, fundações, cagalhães e afins) em favor dos amigos e dos próprios bolsos, enquanto distribuíam migalhas a esta clientela de garantidos.
    .
    Que isso tenha aumentado grandemente o número dos que precisam, de facto, de ajuda, porque diminuíu em muito a capacidade daqueles que querem ter a liberdade de fazerem pela sua vida e de ditarem o seu destino (e que tiveram de pagar tudo isso), de o fazerem interessa ao ps porquê? Interessa-lhes não que as pessoas comam, mas que sejam seus dependentes e assim, seus votantes.

  3. A. R

    BMW em acampamentos de ciganos a receber RSI não é assim tão pouco comum. Pena a esquerda não ter qualquer moral e continuar a produzir pobres para os explorar politicamente.

  4. tina

    O PS de António Costa chegou ao mais baixo nível de sempre. No seu programa não há nenhumas medidas significativas que digam respeito aos pobres, mas 1500 milhões vão ser para aumentar os salários públicos aos funcionários públicos e baixar o IVA da restauração.

    O PSD tem de retaliar, apontando esta grande hipocrisia. Aproveitam-se dos pobres para fazer campanha política, pois tudo o que o PS é o partido dos funcionários públicos e mamões do Estado.

  5. Dudu

    So uma achega: os meus vizinhos vao ah cantina social representada no Lar de Idosos. Dizem que pagam 90 euros por mes por 1 refeiçao diaria de segunda ah sexta-feira. Sao 3 pessoas, a mae reformada com 300 e tal euros; os 2 filhos esquizofrenicos com pensao social de 200 e tal euros.

  6. Marquês Barão

    Panfletários sem emenda. Falta acrescentar: Connosco nenhuma família acabaria por receber fosse o que fosse.

  7. Toda esta conversa, tanto vista do lado esclarecido e “altruísta” do PS como do lado “cantina social” é muito deprimente e profundamente miserável… O que talvez pouca gente saiba é que já antes da “crise” havia muita gente a viver da côdea, e continua nela. O país é estruturalmente pobre, os recursos são poucos e mal geridos, o Estado é feudal, formal, imperial, socialista e imoral, e a economia livre não existe.
    Quem respire o ar mais puro “lá de fora” não volta mais. Nem com programas especiais eleitorais e etecetra e tais de 25.000 Euros por cabecinha empreendedora… Vendam-se pois os anéis aos chineses mas doe-se o Estado a quem o saiba gerir.

  8. tina

    LUIS FA,

    O Luís tem razão em tudo o que diz. Eu explico resumidamente o problema:

    1) O PS esteve a gerir o país quase o tempo todo antes da crise, 16 anos ao todo.

    2) O PS concentra-se nos funcionários públicos, aumenta-lhes os salários e reformas desmedidamente, acima da média europeia. Os FPs adoram o PS.

    3) Como há muitos funcionários, 6 em cada 10 cidadãos, o PS ganha quase sempre. É o que vai acontecer mais uma vez apesar de ter sido o PS que nos levou à bancarrota. Mas os funcionários públicos não querem saber disso, nem que os seus filhos tenham de emigrar, etc. O dinheirinho no bolso ao fim do mês é que conta.

    4) Por causa da massa salarial do Estado ser tão elevada, os impostos têm de ser elevados . Aqui, por exemplo, os empresários são tributados duas vezes, em IRS e IRC.

    5) Indo o dinheiro todo em impostos para pagar os salários da FP, os empresários ficam sem dinheiro para expandir, novas venturas, etc. Por outro lado, impostos e Segurança Social elevados são um repelente para o empreendedorismo. A economia não cresce.

    6) Os salários elevados dos FPs distorcem o mercado de trabalho. Os custos de mão de obra também aumentam e Portugal torna-se pouco competitivo. A economia não cresce

    7) Portugal era um dos países do mundo em que mais caro era despedir um trabalhador. Só malucos queriam investir aqui. Agora não sei como está com a reforma das leis laborais.

    Portanto, não passa tudo de um problema do peso do Estado ser tão grande que arrasta a economia para o fundo. É esse peso, esse ciclo vicioso, essa mentalidade pequena, os horizontes estreitos, a ganância desmedidas dos FPs, que sufocam o pais. E é por isso que quando uma pessoa vai para aí fora sente “ar puro” como tão bem diz.

  9. Jo,

    A minha esposas é técnica superior de serviço social, e apesar de trabalhar fora do Estado, é a primeira a garantir-me que metade dos que recebem prestações sociais ou são abusadores ou desonestos.

    O Estado sempre foi mau regulador do que quer que seja. Funcionários públicos vivem para não perder o tacho, trabalhando defensivamente. A produtividade não é meta deles. Nem cumprir leis.

    A solução é despedir 500.000 deles, em cortes cegos, antes que a falta de dinheiro da próxima contracção de crédito o obrigue.

    O estado deve proteger as quatro liberdades dos cidadãos e não andar a armar-se em Robin Hood ou Zé dos Telhados. Sabe quais são as consequências de ter estradas onde se rouba o pecúnio dos mercadores? Menos mercadores, custo de contexto maiores e menos produtos para o cidadão. E preços mais caros. Logo, mais miséria.

  10. Em ordem de salvar este país, eu telefonava para os Estados Unidos e perguntava se o Mitt Romney estava disponível para mais um desafio profissional. Maquiavel tinha muita razão e Romney tem um bom currículo de salvar coisas da falência.

  11. Pingback: A compra de votos com dinheiro dos mais pobres | O Insurgente

  12. Receberia? Receberia? Receberia?
    Em 20111?
    Antes da Troika socorrer com dinheiro para salários e pensões que só davam para o m^ªes seguinte?
    Ou depois da Troika cujos ditames impunham cortes sociais que o PS subscreveu?

  13. tina

    “Convenhamos que abreviar funcionários públicos por FP não deixa de ser um insulto coletivo aos seus progenitores”

    E bem vistas as coisas, os funcionários públicos não têm nem metade da culpa que os políticos manhosos têm, como o estúpido do Ant Costa, que sabem muito bem que a maneira de chegar ao poder é através deles.

  14. Tina,

    O Costa é tudo menos Ant. Poce chamá-lo quando muito de cicada ou buzzer — mas eu chamo-o grasshopper ou locust.

    É o único homem que personaliza nove das dez pragas do Egipto. Não o vejo transformar o Tejo em sangue. Mas desde o aborto dos primogénitos e das trevas da ignorância até aos piolhos, ele traz-nos, figurativamente, as restantes.

  15. Tina, infelizmente o “nosso” problema não se resume aos malandros do PS. Em relação ao fundamental PS e PSD são faces opostas da mesma moeda e o antagonismo político faz mais parte de “manobras de telejornal” que outra coisa qualquer. Para o mal e por vezes para o bem (porque ao longo do tempo também se tem feito coisas bem feitas neste país) existe uma certa linha de continuidade governativa entre os dois partidos. O problema de fundo (como diriam os amantes do futebol) é “o sistema”… Os interesses, as grandes empresas, os escritórios de advogados, os sindicatos e as corporações, os bancos e os amigos, e a teia de relações e troca de favores… E neste campo, os protagonistas são pessoas que não se preocupam muito com o crachá partidário. A sua caraterização do PS é muito mais próxima dos “clientes” do tio Jerónimo. No PS a música é outra…

  16. tina

    Isso contribui. Mas quando mais de 70% dos impostos coletados são para pagar salários da função pública, esse é sem dúvida o grande mal.

  17. O “nosso” problema é uma questão de tamanho… Dez milhões dispersos geográficamente só se governam com um estado “micro” super concentrado no essencial e sem a mínima mordomia… Juntas de freguesia organizadas e financiadas diretamente pelos cidadãos (à semelhança dos condomínios), municípios para metade e com serviços essenciais (nada de “culturas” nem piscinas, quem as quiser que as faça se tiver clientes…), institutos patrimoniais, culturais e etecetra e tais, no limiar do estritamente necessário, e por aí… E ainda, menos políticos, muito menos, e mais bem pagos. A mão de obra barata nunca dá bons resultados…
    Qual é a população de Portugal? Qual a de Londres? Londres tem quantos submarinos? E presidentes de câmara? E institutos de conservação da formiga amarela?

  18. tina

    “mão de obra barata nunca dá bons resultados…”

    a mão de obra tem apenas de estar de acordo com o PIB nacional. Por exemplo, os últimos estudos mostravam que o nº de funcionários públicos já estava dentro da média europeia, mas que a massa salarial ainda era acima da média em % de PIB. Ou seja, os nossos func públicos são privilegiados em relação ao resto dos funcionários da UE. Isso é muito injusto num país pobre como o nosso porque estão a consumir os parcos recursos que existem.

  19. tina

    Tudo isso que mencionou também , mas vai-se a ver e é apenas uma fração dos salários. E depois como não se pode despedir pessoas, também não se podem reformar os serviços de uma forma séria.
    E agora com a eminente reposição de salários, vai voltar tudo a ficar ainda pior.

  20. tina

    Por exemplo, um casal de professores, os dois juntos, reformam-se com 4000 euros. Ou seja, podem ter uma vida de ricos na reforma. Mas nós não somos um país rico, pois não, por isso as consequências estão à vista.
    Como é sobejamente sabido, eles não descontaram o suficiente para aquele nível de reforma. O fator multiplicativo estava também acima da média europeia. Os governantes manhosos sabem como captar votos desta maneira, tratando bem os funcionários públicos e a si próprios ao mesmo tempo.

  21. Voltando ao tema do post: Parece-me que a ideia das cantinas sociais é mais próxima da ideologia comunista do que liberal. Embora para o dador possa ser mais eficaz dar pão em vez de dinheiro, não há duvida que para o pobre o dinheiro dá-lhe a liberdade de escolher onde o gastar.

    Mesmo que o gastem mal, a liberdade de escolha é um valor fundamental para os liberais!

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