Seia e Gouveia. E Vitor Bento.

imagem1_5210No meu artigo de hoje no Observador faço um pequeno remoque ao ensaio que Vitor Bento publicou, tentando explicar a arquitectura monetária europeia através de queijos da Serra, e com queijos da Serra mostrar porque discordo de Vitor Bento na narrativa que tece à volta da sua análise económica.

Terras frias das Beiras, Seia e Gouveia há muito que competem entre si. Seia produz o seu conhecido e apreciado queijo amanteigado de ovelha, ou Queijo da Serra, assim como queijo de cabra. Gouveia usa os derivados da ovelha de uma outra forma, tecendo casacos, mantas e sapatos de lã. Ambas as cidades trocam produtos entre si — de Seia saem os queijos, de Gouveia os casacos. Entretanto, porque do boca-em-boca se enche o granel — assim corre o adágio popular, ou assim creio que corra —, Seia começou a vender os seus famigerados queijos para outras localidades também. Rezam os boatos que até para as terras distantes do Porto os queijos viajavam, deliciando e contentando os ougados por uma tosta bem barrada. Com tanta procura externa, Seia começou a enriquecer, e os preços acompanharam esta tendência. Gouveia, em comparação, por lá continuava.

10 pensamentos sobre “Seia e Gouveia. E Vitor Bento.

  1. Luís Lavoura

    Desde 1953 que Portugal não tinha um saldo [positivo] na sua balança comercial

    É normal países subdesenvolvidos terem saldos negativos nas suas balanças comerciais, os quais são compensados pela entrada de investimentos externos e/ou pelas remessas dos emigrantes. Isso nada tem de negativo ou preocupante.
    Portugal viveu muitas décadas com saldos negativos na sua balança comercial sem que daí lhe adviesse grande mal.

  2. O ponto aqui era mostrar que a entrada do Euro apenas agudizou algumas assimetrias, como a dívida externa, mas que elas já existiam, como era o caso do défice da balança comercial.

  3. António

    O que é que você – MAL – considera que Portugal pode dar ao mundo (a Europa já não é o que era, agora conta o mundo todo) de “valor acrescentado”, para além de solinho e praia, umas peras do Oeste, o vinho do Porto e um Figo ou Ronaldo a cada 10 anos?

  4. Temos muita coisa para oferecer ao mundo, caro António. Para lá da cortiça e dos derivados de cortiça, do azeite, de excelente vinho (para além do vinho do Porto) a óptimos preços, excelente calçado e óptimo têxtil, excelentes engenheiros civis, informáticos que têm trabalhado cá e lá, para lá do turismo, da excelente gastronomia, do fado, que também exporta.. ainda vamos tendo alguma coisa.

  5. António

    MAL,

    Sim, isso já temos, mas ainda não dá para o sustento que queríamos, um sustento mais próximo do alemão… o que podemos e precisamso de fazer para lá chegar? Podemos?

  6. lucklucky

    Ir por outros caminhos implica sermos diferentes António.
    E sermos diferentes implica que seja possível ser diferente. E para isso o socialismo tem de acabar. Quer nas leis quer na cultura.

  7. Jfs

    Seria bom que tivesse de facto feito uma análise dos argumentos de Vítor Bento e apresentasse os dados que suportam uma visão contrária. Faltando argumentos contam-se estórias…

  8. António

    MAL, o artigo do Vitor bento está muito bom porque quantifica, mostra com numeros, credibiliza uma tese com matemáticas. E mesmo não matemáticos e economistas percebem bem o que lá está dito. Também gostei do seu artigo, mas não são comparávéis. O do Vitro Bento analisa um caso real, concreto. O seu é uma estória hipotética e sem numeros. Ainda assim grato.

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