A perfeição socialista

Sobre o seu caso com a Segurança Social, Passos Coelho disse não ser um homem perfeito. Como todos nós, aliás. Somos imperfeitos. Nada mais natural. Só que o problema é precisamente esse. Numa sociedade socialista, em que o Estado precisa desesperadamente do nosso dinheiro, depende inteiramente do nosso esforço, em que a burocracia impera e o sistema tributário e contributivo é conscientemente complexo, precisamos ser perfeitos para não termos falhas a apontar.

O socialismo pressupõe o homem perfeito; o cidadão perfeito. Naturalmente, um primeiro-ministro perfeito. Caso contrário, como pode ele exigir sacrifícios se não é perfeito? Como pode permitir que o Estado puna cidadãos, cuja imperfeição não serve de desculpa, se ele próprio não é perfeito?

Este é um dos dilemas do socialismo: a imperfeição natural do homem que não se coaduna com a perfeição exigida. Não se complementa com a complexidade legislativa que nos exige que sejamos exemplares, mas nos torna a todos censuráveis e passíveis de sermos punidos à mais pequena falha.

10 pensamentos sobre “A perfeição socialista

  1. André Abrantes Amaral,

    Penso que se engana. Para um socialista o cidadão não precisa de ser perfeito. O que tem de ser perfeito é ou a sua contribuição (eufemismo de saque) ou o seu voto, este comprado com a dita contribuição através de estipêndios, rendas subsídios, abonos, salários ou contratos.

  2. anónimo

    O socialismo tem um mecanismo para disfarçar, amenizar, escamotear, por vezes, inverter nas aparências a imperfeição do Homem-Governante: a maçonaria e a comunicação social a soldo.

  3. JS

    Apoio plenamente A. A. A.. Mas pior. É muito frágil um sistema político em que toda a sua estabilidade depende de uma só personagem.
    Cai o PM (com mais ou menos demagogia) cai uma hiper-dependente AR. Seguem-se meses de ritual, sem governo com pleno poder.

    Se tivessem sido eleitos uninominalmente, como deviam ter sido, os deputados de todos os partidos (e os independentes), rapidamente escolheriam um novo PM. Simples.

  4. Desculpe lá mas este assunto nada tem que a ver com socialismo.A referência ao “socialismo” neste contexto pode até ser mal interpretada e aparecer aqui como “areia para os olhos”, ou um subterfúgio estilístico para menorizar a “culpa” do cidadão Passos Coelho.
    Por outro lado a repetição exaustiva de que o qualquer um pode errar que se propaga e arrasta nos media, é também uma tentativa para branquear a situação. Um líder político não é “toda a gente”. Um líder é um referencial, alguém capaz e diferente. Este “incidente”, isso sim, permite uma leitura moral e ética dos portugueses que fazem opinião. A atuação errada por parte duma figura de topo (seja ele quem for, Sócrates, ou Passos Coelho) continua a não abrir brechas entre os apoiantes. A moralidade em Portugal não conta nem existe e é refém do clientelismo, Queremos ser Alemanha, mas não conseguimos sair de África…
    Este caso apenas vem comprovar traços de caráter do senhor em questão. os quais qualquer pessoa mais atenta, sem precisar ser psicólogo, já teria descoberto… A espinha vertebral não se demonstra com postura ou voz firme. É algo mais subtil mas muito necessário…

  5. jo

    Lembrei-me de uma anedota:
    Um cidadão é levado a tribunal, o juiz enumera uma série de crimes que ele cometeu e pergunta-lhe o que tem a dizer em sua defesa.
    Ele responde: “Ninguém é perfeito”.
    Esta já se contava quando eu andava na escola. Não sabia que era de PPC.

  6. campus

    1ª pergunta ao António Costa – É verdade que comprou uma casa de 6 assoalhadas em 1990 por 5.000 contos ficando isento de sisa pois ficou abaixo de 6.000 contos e passados 11 meses”, valorizou-se “mais de 80% ?

  7. KrafT

    Bem me parecia que a culpa era do socialismo. Era impossível o nosso primeiro ministro ter culpa.

  8. Gonçalo

    Mas, ó André, segundo a sua lógica, não teremos sido aqui demasiado intransigentes – logo coniventes com esse tal socialismo que o André evoca – para com o Sócras? E o Soares? E etc.? Apenas cidadãos imperfeitos, afinal.

    Este texto é a tentativa de alienação mais flagrante que li nos últimos tempos.

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