Pode um homem que tenha falhado o pagamento de impostos no passado ser primeiro-ministro de Portugal? (2)

António Costa já veio desmentir a notícia aqui partilhada de que em tempos teria ficado a dever contribuição autárquica e SISA. Não sei se a notícia é ou não verdadeira. A única vantagem de ser verdadeira é que nos permitiria olhar para a questão no título do post de forma mais desapaixonada.

Nos últimos dias temos visto apelos à demissão do primeiro-ministro por não ter pago os descontos para a Segurança Social enquanto foi trabalhador independente. Fosse por desconhecimento, esquecimento ou intencionalmente, fez o mesmo que mais de 100 mil pessoas fizeram ou tentaram na mesma altura. Fez aquilo que era comum trabalhadores independentes e profissionais liberais fazerem nessa altura.

Portugal não é a Suécia. Durante muitos anos não só não tinha sistemas capazes de cobrar como era socialmente aceite que certos pagamentos de impostos fossem evitados. A própria máquina fiscal ignorava-os, como o caso da falta de notificação de Passos Coelho demonstra. Todos aqueles em idade de ser primeiro-ministro hoje cresceram nesse ambiente social e jogaram a sua vida de acordo com essas regras.

Será que devemos eliminar do lote de possíveis primeiros-ministros todos aqueles que no passado tenham aproveitado lacunas da lei para pagar menos impostos? Todos aqueles que aproveitaram a falta de cruzamento de dados entre a SS e o Fisco para pagarem menos contribuições? Todos aqueles que tendo sido profissionais liberais declararam menos do que efectivamente receberam? Todos aqueles que por desconhecimento ou esquecimento não pagaram todas as contribuições devidas? Todos aqueles que contrataram mulheres-a-dias e não lhes pagaram a segurança social devida? Todos aqueles que um dia fizeram uns biscates pelos quais receberam por fora?

A resposta aqui é um claro não. Se o fizéssemos, estaríamos a excluir quase todas as pessoas que um dia foram empresários, trabalhadores independentes, que fizeram biscates durante a universidade, ou pessoas que tenham precisado de empregadas domésticas. Sobrariam os políticos profissionais oriundos de famílias ricas sem experiência de vida e trabalho que nunca tenham tido que interagir com o fisco. Serão esses os únicos que deverão ter acesso a uma carreira política?

55 pensamentos sobre “Pode um homem que tenha falhado o pagamento de impostos no passado ser primeiro-ministro de Portugal? (2)

  1. Fernando Almeida

    Acabei, há instantes de publicar o seguinte comentário, noutra página do INSURGENTE.
    Mas parece-me que este caso é mais condizente com o que tinha dito.
    Se estiver a ser redundante, desde já peço desculpa.
    *******************************************************************
    Agora entendo o motivo de o governo português se ter esquecido de que os “aposentados” (reformados) com valores da ordem do salário mínimo, ou inferior, estarem praticamente isentos de pagar impostos.
    Acontece que, desde Maio de 2013, o governo português passou a aplicar um “TAXA LIBERATÓRIA” (bonito nome…!) de 25% sobre as “aposentadorias” que transfere para RESIDENTES no BRASIL, seja qual for o valor da “miserável aposentadoria”.
    São 25% e não se fala mais no assunto…!
    Está claro que o Brasil acabou por RETALIAR, a partir da mesma data e na mesma moeda!
    Só existe uma diferença:
    – O Brasil chama a isso “IR no exterior”.
    Esta gente é muito distraída e a causa deve ser outra, que não os efeitos do consumo de queijo sobre o cérebro humano.
    Acredito mesmo que o queijo seria bom auxiliar de memória, sobre o seguinte, a saber:
    1.- Quem (e quanto) deve pagar imposto;
    2.- Quem está isento;
    3.- Que existe, entre Portugal e Brasil, um ACORDO DE SEGURANÇA SOCIAL;
    4.- Que os termos desse ACORDO devem sobrepor-se aos dessa coisa designada por “ACORDO PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO E EVASÃO FISCAL”.
    5.- Dupla tributação, nestes casos, seria centenas de vezes mais vantajosa do que um ROUBO de 25%. A isto chama-se amnésia de conhecimentos de Aritmética.
    6.- Que, em se tratando de transferências intermediadas por organismos de estado dos países interessados, essa coisa de “EVASÃO FISCAL” tem cheiro de anedota…!
    Existem as chamadas “FALHAS DE MEMÓRIA” para desenrascar. Deve ser o caso.
    Por exemplo:
    A)- Esquecer de isentar de impostos todos aqueles que têm parcos recursos;
    B)- Esquecer o pagamento de impostos, quando se recebe para cima de 10 salários mínimos por mês.
    C)- Esquecer de questionar o Governo de Espanha sobre como conseguiu livrar os seus concidadãos desse ROUBO de 25%.
    Está na cara que estas formas de esquecimento servem para equilibrar os recursos do erário público, não só, mas ainda (que bom…) para melhorar as receitas…!
    Os recursos decorrentes da alínea A) compensam largamente os esquecimentos descritos na alínea B), porque estes são poucos e os ESBULHADOS da alínea A) são muitos.
    Para tudo se requer ENGENHO E ARTE.
    Mas a mim numingânam não…!!!

  2. Ricciardi

    Não é um passado longínquo. É um passado recente. Que prescreveu há uns anitos.
    .
    Por outro lado não se trata de uma fuga ao fisco de lesa-pátria. Tem apenas uma importancia simbólica, ao contrário da alegada fuga fiscal de Socrates que, ao que ainda não acusam, pode chegar aos milhões.
    .
    Anyway, a melhor forma de corrigir uma cultura desplicente nessa matéria só poderá ser dado pelo exemplo. O exemplo de quem nos governa.
    .
    O que me parece é que devia todo e qualquer politico com provas de ter fugido ao fisco ou outro desvio do género, colocar de imediato o lugar à disposição de uma troika avaliadora: PR, tribunal de contas e conselho de estado, que avaliariam a importancia e justificação do governante. O povo ficava a perceber que se trataria ou não de uma ridicularia sem importancia (não pagou à empregada domestica os descontos).
    .
    Não acho que se deva mandar para ‘o esqueçe’ este tipo de casos. Só vai dar aso a condutas justificativas do tipo ‘se o PM pode, porque não poderei eu? ou comem todos ou há moralidade’.
    .
    Rb

  3. Ricciardi

    Em suma. Um politico não tem de ser sério. Tambem tem de parecer sério aos olhos dos governados. Nada melhor que sentir que há uma troika que avalia o caso e dita sentença politica.
    .
    Até estou convencido que neste caso essa troika não aceitaria a sua demissão. E que PPC sairia com a cabeça levantada.
    .
    É assim que eu acho que devem ser feitas as coisas.
    .
    Rb

  4. JP

    Pode um pobre desgraçado que escolhe tantos colaboradores envolvidos em tantos “lapsos” governar Portugal?

    «Costa diz que SMS de campanha em dia de eleições foi “um lapso”»

    «O escritor António Lobo Antunes foi incluído “por lapso” na comissão de honra da lista “Unir Lisboa”, encabeçada por António Costa, reconheceu hoje fonte da candidatura.»

    «…um cartaz de propaganda eleitoral do PS, com a cara do candidato socialista à Câmara de Lisboa, António Costa. Em declarações à agência Lusa, Miguel Coelho assumiu que o outdoor, “de pequenas dimensões”, foi colocado pela empresa que trabalha para o PS no Terreiro do paço “por lapso” e que só esteve ali três dias, tendo sido já retirado.»

    «Estou certo que resultou de um lapso involuntário de quem embainhou a bandeira e de que não demos conta de imediato. Em qualquer caso, cumpre-me assumir as responsabilidades pelo ocorrido, e expressar-lhe quanto lamento o incómodo causado a V. Exa., que foi totalmente alheio ao erro cometido», acrescenta o presidente da autarquia de Lisboa.»

    Com colaboradores destes num futuro governo PS corremos o risco de um dia ouvir uma alocução ao país do género “Lamentamos informar que por um lapso Portugal está falido”.

  5. PeSilva

    Considerando a sua justificação do “não sabia”:
    Mais grave que não pagar é o facto de desconhecer uma lei em Outubro de 1999 que como deputado votou em Julho de 1999.

  6. Manuel Costa Guimarães

    Caro Pedro Morgado,

    Isto é política, não é ballet. Olho por olho e essas coisas todas.

  7. Portanto, para politicos, só sobravam escribas do oinsurgente ou do blasfémias.
    Visto desse prisma, uns biscates da universidade passam, esquecer de pagar a Segurança Social sobre um salário de 7000€ é que se calhar não… Ainda para mais estando já envolvido na política activa

  8. Sara

    É verdade que era prática comum nessa altura e hoje só não é porque a fiscalização é mais eficiente. Mas em 2012 PPC já era primeiro ministro. E primeiro ministro de um governo que cortou salários, pensões, introduziu taxas e novos descontos, sobre tudo e todos. Tomou medidas que conduziram quase um terço da população ao limiar da pobreza. Nessas condições, não há qualquer desculpa aceitável para que, tendo sido informado de que devia, não ter pago imediatamente.

  9. Tudo numa boa!
    E tudo porque vivemos num estado de direito.
    Há que respeitar a constituição.
    Feita à medida.
    Dos vigaristas.
    Vem este introito, um pouco em forma de poema, a propósito dos casos Passos, BES/PT, Submarinos… só para falar dos mais recentes.
    Este pessoal goza positiva e ostensivamente com o pobre povo português.
    Vejam o que se passa no Parlamento com a Comissão de Inquérito.
    É uma prova viva e descarada de que o Parlamento não serve para nada.
    Mais, de que o Parlamento é uma palhaçada!
    Sim, uma palhaçada!!
    Tudo em nome do estado de direito.
    Sim, porque “Isto não é a república das bananas!…”
    Numa dessas repúblicas é que seria possível raciocinar e decidir doutra forma:
    1. a destruição do BES/PT foi um gravíssimo crime económico;
    2. todos os implicados seriam imediatamente detidos e presos;
    3. julgados depois.
    E teriam, então, a oportunidade de gozar com os juízes…
    Mas, aqui, não é um república das bananas.
    Aqui, é um país civilizado.
    Com uma constituição civilizada.
    Um estado de direito.
    Onde, enquanto isto, milhares de portugueses não vão às consultas nem compram medicamentos por falta de dinheiro.
    Viva o estado de direito!
    Viva!!!

  10. “Será que devemos eliminar do lote de possíveis primeiros-ministros todos aqueles que no passado tenham aproveitado lacunas da lei para pagar menos impostos?”

    Não. Só aqueles que enquanto deputados aprovaram estes impostos. Uma coisa é fugir aos impostos que nos impõem outra coisa é fugir aos impostos que impomos aos outras, não concordas, Carlos?

  11. Miguel Noronha

    “Nem uma crítica à difusão de notícias falsas pela trupe do PSD?”
    Que eu saiba quem foi recuperar a notícia foi o CGP. E até agora, para além das declarações do AC, não há nada que indique que a notícia seja falsa.

    E é interessante o “timing” da notícia plantada no Público numa altura em que o AC (muito por sua culpa) estava a passar um momento difícil.

    Já agora, quando a “trupe do PS” divulga boatos falsos também os criticas?

  12. Carlos Guimarães Pinto

    Não, não concordo. Acho que pode entrar no julgamento eleitoral, mas não é razão para o desqualificar como primeiro-ministro.

  13. tina

    PPC, tal como tantos outros, não pagou porque não estaria muito abonado na altura. E como tantos outros, incluindo mim ainda recentemente, ficamos à espera que a SS nos notifique. A ele nunca notificaram, a mim notificaram-me quase 5 anos depois. Paguei em juros cerca de 30% do total.

    Identificando-me com ele sob o aspeto de como é difícil para um trabalhador precário suster pagamentos pesados e constantes da SS, fico a admirá-lo ainda mais por ter rejeitado a subvenção vitalícia. É este ângulo que interessa analisar no comportamento dele.

  14. tina

    “Todos aqueles que contrataram mulheres-a-dias e não lhes pagaram a segurança social devida?”

    Bem visto!

  15. tina

    Carlos, esqueceu-se do grande pecadilho que deve afetar MAIS DE METADE dos políticos mais velhos:

    Ter pago menos SISA pela compra de uma casa pedindo ao comprador para declarar um valor mais baixo. Esse grande falcatrua só deve ter acabado depois de terem surgido os impostos em mais valias.

  16. M.Almeida

    Dirigimos daqui um apelo à senhora Dª Bárbara Reis, tão dedicada a escrever editoriais no Público (esta senhora que dizia que com a saída de JMF nunca mais cabia naquele jornal qualquer editorial tendencioso e persecutório como outrora JMF fazia, diz ela) desancando diariamente em Passos Coelho sejam por estes temas, seja com temas como a Grécia e o Syriza. A tornar-se ridicula esta senhora.
    Mas dizia eu, lançamos daqui um apelo a esta senhora e ao seu jornalista dedicado à investigação: era altura de questionar como é que alguém que usufrui um ordenado público, que normalmente não são ordenados milionários como sabemos, consegue comprar uma casa na mais luxuosa avenida de Lisboa e ainda ter uma casa de luxo num condominio fechado, lá para os lados de Fontanelas, Sintra. Não seria bom escrutinar alguém que se apresenta como candidato a PM? Não era já altura de o fazer antes das eleições para que depois, os próprios não viessem a ter surpresas?
    É que ao colaborar com este chico.espertismo do PS e de AC o Público deixa de ser um jornal que investiga para ser um jornal que apenas persegue quando dá jeito.
    E já agora, deixo aqui o mote à senhora dª Bárbara Reis para um futuro editorial, caso pretenda ser mais honesta intelectualmente: Afinal quem foram os cumplices de José Sócrates nesta teia de corrupção infinita envolvendo o Estado e algumas empresas, para já o conhecido Grupo Lena e agora uma tal de Gigabeira, que foram vencendo concursos atrás de concursos enquanto o PS era governo? Será que tem coragem para o fazer? Não era já altura de questionar, se afinal Sócrates agiu sozinho enquanto PM ou aquela notícia com 15 dias (a que ninguém ligou, nem mesmo a tão devota senhora DªBárbara Reis e o seu jornalista de investigação) de que ex-ministros do PS estão a ser investigados pelo MP não interessa nada comentar porque isso incomoda António Costa?
    Para terminar não queria de deixar de enderçar aos senhores jornalistas em geral uma constatação: sempre que o SP é incomodado com alguma notícia aqui d’el rei que é uma cabala. Perseguem-se e processam-se jornalistas, falam em ataques de caracter.
    Desde Setembro que PPC é confrontado com notícias do seu passado, e que a reacção é completamente diferente. Se isto não dá para perceber que estamos perante alguém que nada tem a temer contra agluém que não tem só telhados de vidro, tem um condominio inteiro de vidro, é porque estamos perante gente totalmente desonesta intelectualmente.

  17. É confrangedor reparar no ridículo que é o esforço de todos estes comentários em tapar o sol com a peneira.
    É o preço que se paga pelo alinhamento cego com uma qualquer doutrina.
    Questões de fé inamovível!
    E a fé é que nos salva.
    Mas será?!…

  18. Gil

    Já aquando dos famosos projectos do Sócrates, os adeptos acorreram a dizer que muitos outros tinham feito o mesmo. É esta atitude de desculpabilização que alimenta o monstro. Sim, é verdade que muitos fugiram aos impostos, como é verdade que no auge da política do betão, qualquer “pato.bravo” se armava em desenhador de casas. Mas, a criação de um ambiente social desfavorável à coisa, é fundamental para a travar. Se, ainda por cima, o infractor assume cargos de responsabilidade de grande imapcto mediático, é de elementar “higiéne pública” apontar-lhe o dedo e fazê-lo sentir a humilhação. As “suécias” não são assim por causa do frio…

  19. tina

    “É confrangedor reparar no ridículo que é o esforço de todos estes comentários em tapar o sol com a peneira.”

    Sabe o que é confrangedor? É perceber como a imprensa é uma máquina bem oleada de esquerda que encobre sempre os seus, desde os pecados de corrupção a pedofilia, mas tenta deitar os outros abaixo por nada.

    Sabe o que ainda é mais confrangedor? Que tenha sido esta imprensa responsável por encobrir sempre aqueles que levaram o país à bancarrota, de uma forma que Portugal é o país do MUNDO com a MAIOR dívida líquida em termos de PIB.

    Mas sabe o que ainda é mais confrangedor? Que ainda haja tanta gente preparada para votar neles, como se fossemos um país de atrasadinhos mentais. Sim, isso é que é confrangedor.

  20. Gil

    Tina:
    Só não se percebe se o objectivo do seu comentário é tentar branquear um erro com outro. Aliás, em abono da verdade, recordo que, por essa altura, o António Vitorino se demitiu por algo semelhante e até se acabou por comprovar que não tinha cometido qualquer irregularidade.

  21. tina

    Gil,

    A questão agora é mais séria. António Costa cometeu uma falcatrua um bocado grave. Só quando confrontado pelo Tal e Qual emendou tudo.

    Pode um homem, que enganou o Estado deliberadamente, com uma mentira bem engendrada, e ter assinado documentos nesse sentido, ser Primeiro-Ministro de um país?

  22. Carlos, estás mesmo a falar sério quando dizes que não concordas que é diferente fugir aos impostos que nos impõem de fugir aos impostos que impomos aos outros?

  23. Carlos Guimarães Pinto

    LAC, não, o que não concordo é que não pagar um imposto de 60 euros mensais que se aprovou como deputado, sendo susceptível de julgamento eleitoral, não desqualifica ninguém como primeiro-ministro.

  24. Carlos Guimarães Pinto,

    Se não somos governado pelos nossos melhores, seremos invariavelmente governados por qualquer mediano, imbecil ou pedaço de cavalgadura africana.

    Um imbecil pior do que o mediano que lá está quer o poder, e os exemplares de cavalgaduras estão à espera que da Grécia e de Espanha venha o repto e o Sol na Terra.

  25. Joaquim Amado Lopes

    Gil,
    “Só não se percebe se o objectivo do seu comentário é tentar branquear um erro com outro. Aliás, em abono da verdade, recordo que, por essa altura, o António Vitorino se demitiu por algo semelhante e até se acabou por comprovar que não tinha cometido qualquer irregularidade.”
    Falta de memória ou tentativa consciente de fazer com que uma mentira passe por verdade?

    1) Não se comprovou que não tinha cometido qualquer irregularidade. O Ministério Público decidiu não perseguir o assunto porque, a ter sido cometida alguma irregularidade, esta teria prescrito.
    2) Ficou demonstrado para além de quaisquer dúvidas que tinha sido cometida, se não uma irregularidade clara, pelo menos uma “avaliação” de valores não suportada por elementos documentais que lhe era francamente vantajosa em termos de cálculo de impostos. Nada de particularmente grave mas, mesmo assim, longe de poder ser descrito como “não ter feito por lesar o Estado em benefício próprio”.
    3) António Vitorino aproveitou aquele caso para se demitir, algo que lhe interessa na altura. O único mérito que lhe deve ser reconhecido é o de ter sido suficientemente inteligente para não deixar o caso arrastar-se.
    4) O caso de António Vitorino fica na história da política portuguesa como um exemplo acabado de hipocrisia. Sendo perfeitamente claro na declaração das autoridades que tinham decidido não perseguir o assunto por, a ter sido cometida alguma irregularidade, esta teria sido prescrita. António Guterres prestou-se ao triste espectáculo de receber António Vitorino (de papel na mão, para aumentar o ridículo) no Parlamento, transformando “já não vale a pena investigar” em “está inocente”.

  26. “LAC, não.”

    Então se concordas que as duas coisas são diferentes, não escrevas como se não fossem.
    No texto, perguntas:
    “Será que devemos eliminar do lote de possíveis primeiros-ministros todos aqueles que no passado tenham aproveitado lacunas da lei para pagar menos impostos? Todos aqueles que aproveitaram a falta de cruzamento de dados entre a SS e o Fisco para pagarem menos contribuições? Todos aqueles que tendo sido profissionais liberais declararam menos do que efectivamente receberam?”

    Ora, evidentemente que não é isto que está em causa. Uma coisa é o cidadão que aproveita lacunas na lei, que se aproveita da falta de cruzamento de dados e que declara menos do que deve. Outra coisa é o deputado que esteve anos a fio na assembleia da república fugir às leis que aprovou e que impõe, com severas penalizações, aos outros.
    Podes concordar ou não que ele se deva demitir, não podes é fingir ou escrever como se as tuas perguntas fossem o que está em causa. Ou melhor, poder podes. Não podes é fazê-lo com honestidade intelectual.

  27. Carlos Guimarães Pinto

    LA-C,
    Se quiseres coloca um “mesmo tendo sido legislador anteriormente”. Não muda o sentido do que queria dizer.
    Acho que sabes melhor do que acusar alguém de desonestidade intelectual por um preciosismo de escrita. Deixarei passar porque, enfim, ninguém está alheio a estes delizes e tu costumas argumentar melhor que isso.

  28. «Se não somos governado pelos nossos melhores, seremos invariavelmente governados por qualquer mediano, imbecil ou pedaço de cavalgadura africana.»

    Vivemos numa democracia, logo não somos governados pelos melhores, mas antes pelos que conseguem convencer mais pessoas a votar neles. Não existe correlação.

    (e Francisco, o “cavalgadura africana” era francamente escusado)

  29. Continuo a não concordar contigo, pá. Uma coisa é um tipo fugir a um imposto, outra coisa é o tipo que aprovou o imposto fugir ao imposto que criou. Não podes fazer de conta que é uma mera questão semântica. Quer dizer, poder podes… (e já sabes o resto.)

  30. Carlos Guimarães Pinto

    LA-C, eu concordo que não é a mesma coisa. Não acho é que isso seja o factor determinante para o desqualificar como PM. E, aqui entre nós, achas mesmo que todos os deputados conhecem em detalhe a legislação que aprovam? (lembra-te que há 3 ou 4 diplomas votados na AR todas as semanas)

  31. Tudo bem que consideres que isso não deve levar à queda do governo. Não podes é fazer uma série de posts com o título “Pode um homem que tenha falhado o pagamento de impostos no passado ser primeiro-ministro de Portugal?” como se fosse isso que estivesse em causa. Não é. É mais grave.

  32. Carlos Guimarães Pinto

    LA-C, para ti (e para mim também, embora não ache tão grave como tu) ele ter sido deputado antes é a parte mais importante da questão. Mas para a maioria dos comentadores, não é. Para a maioria é o simples facto de não pagar que faz com que seja justificável a demissão. Seja como for, tu sabes que este post não é dirigido só a ti e que a maioria dos que defendem a demissão o fariam mesmo se PPC não tivesse sido deputado antes do incumprimento.

  33. Não é por aí, a maioria dos que pedem a demissão já andam a pedir há muito tempo e até por motivos bem mais frívolos.

  34. Pingback: Não, quem foge ao fisco não pode ser pm | O Insurgente

  35. Ricardo Monteiro

    Quem é que aqui acredita que Passos Coelho não sabia que tinha de pagar à segurança social, como ele afirmou? Só para saber…

  36. LA-C, neste caso substituiria o verbo “fugir” por “faltar”. dados os valores em causa não me parece crível que haja “fuga” deliberada. O que há é ligeireza e irresponsabilidade.

  37. “Quem é que aqui acredita que Passos Coelho não sabia que tinha de pagar à segurança social, como ele afirmou?” Eu. Na mesma altura, dezenas de milhar de pessoas na mesma situação pensavam o mesmo, que era opcional. O valor em causa é ridículo.

  38. Ricardo Monteiro

    Até porque não me esqueço, ao contrário de Passos Coelho, dos 5 mil euros por mês que recebia da Tecnoforma. Há muita coisa que Passos Coelho desconhece sobre si próprio.

  39. Joaquim Amado Lopes

    Carlos Guimarães Pinto,
    “a maioria dos que defendem a demissão o fariam mesmo se PPC não tivesse sido deputado antes do incumprimento”
    A maioria dos que defendem a demissão de PPC fariam o mesmo independentemente de haver ou não alguma coisa a apontar-lhe em termos legais, processuais, éticos, …
    Uma boa parte deles defende a demissão de qualquer Primeiro-Ministro “de direita” logo a partir do dia da tomada de posse. Boa parte dos outros relativizam e pedem provas claras e inquestionáveis (que nunca aceitam como tal) para justificar a prisão de 44s, Varas, Soares, …

  40. Joaquim Amado Lopes,

    Colocou a mão na ferida e disse o que deveria ser proclamado a todos do cimo dos telhados e dos minaretes figurados pelos almuezins do regime cleptocrata, vulgo comentadores televisivos.

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