Mais um vendedor de banha da cobra

antonio_costa_jose_socratesA liderança de António Costa no PS tem sido marcada pela vacuidade e “ambiguidade criativa” (para usar a terminologia favorita do minister of awesome Varoufakis). Costa está à espera que o poder lhe caia ao colo, tal como muitas vezes acontece quando um governo tem de tomar medidas impopulares e os eleitores acabam por entregar o seu voto à oposição. Assim sendo, tem seguido a estratégia de “calado é o melhor” e não tem avançado nada de substancial (ou sequer ligeiro, na verdade) em termos dos seus planos de governação. Sócrates fez parecido em 2005, sendo que teve a tarefa facilitada pelo facto de o PSD ter Santana Lopes como lider.

As semelhanças com Sócrates, lamentavelmente, parecem não ficar por aqui. Este fim de semana Costa fez afirmações que pela sua desfaçatez fazem crer que o novo lider do PS tem a mesma relação dissonante com a realidade. Temos aqui valente vendedor de banha da cobra. Costa comparou o seu track record com Passos Coelho, dizendo: «Eu reduzi a dívida que herdei em 40%, o senhor primeiro-ministro aumentou em 18% a dívida que herdou. Esta é diferença entre quem gere bem e quem gere mal.»

É preciso ter muita lata para dizer uma coisa destas. Ou não tem noção das coisas (um pouco como Mário Soares que, nas últimas presidenciais em que concorreu, disse que no tempo dele o défice público não era alto, que era um criação “do Cavaco”) ou toma os eleitores por parvos. É que a dívida da CML diminuiu por causa do governo central ter tomado parte dela. E, por outro lado, a dívida pública não poderá deixar de aumentar enquanto houver reclassificações da dívida pública (reconhecimento de coisas que estavam “debaixo do tapete”) e défices orçamentais.

3 pensamentos sobre “Mais um vendedor de banha da cobra

  1. JP

    Há quase um ano estava na hora de avançar e Portugal precisava de um acordo alargado e responsável para ajudar o país. A culpa era do presidente que não dissolvia a AR. Depois andou meio ano empatado pelo Seguro a queixar-se que era necessário resolver o partido. Hoje não há pressa em adiantar propostas e “Ou eles ou nós”. Este tipo é um desastre ambulante. Só lhe falta ir fazer campanha para Leiria.

    Convém não desprezar este “Ou eles ou nós” e prestar atenção a “esta gente” porque isto significa muita coisa e muito má.

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