Até quando?

Esta notícia é demasiado importante para que passe em branco. Esta mostra-nos que os privados fizeram o que foi indispensável fazer nestes quatro últimos anos e que, quando comparado com o esforço das pessoas, das famílias e das pequenas e médias empresas, o Estado ficou aquém do que teria de fazer para que o país saísse definitivamente da crise.

Mas mais grave ainda que os parcos resultados do Estado (principalmente quando comparados com os dos privados) é o estes terem acontecido por força e teimosia de um governo que teve de batalhar contra tudo e contra todos. E é precisamente aqui que está o ponto: qual é a representatividade dos partidos políticos, e das personalidades políticas, de esquerda que não permitem, que não aceitam sequer discutir, que o Estado faça aquilo que os cidadãos se viram dispostos a ter de fazer para levar por diante a suas vidas?

Até quando a maioria dos cidadãos está disposta a sacrificar-se desta maneira para que tudo fique na mesma e os mesmos ditem as suas sentenças sobre os que está certo o que está errado?

9 pensamentos sobre “Até quando?

  1. Gil

    Pelos vistos, o André Amaral conhece coisas que o comum dos cidadãos desconhece. Diga aí quais eram essas fantásticas medidas que o governo não conseguiu aplicar por culpa da oposição. Refere-se ao famoso plano da reforma do Estado que o Portas desenhou num guardanapo? Refere-se ao corte cego, surdo e quase mudo, feito sem critério em muitos serviços? Ou refere-se ao aumento de acessores e correlativos conseguido pelo actual governo?

  2. Fernando S

    “Diga aí quais eram essas fantásticas medidas que o governo não conseguiu aplicar por culpa da oposição.”

    As “oposições” pressionaram (com sucesso) o Tribunal Constitucional para não aprovar medidas de consolidação orçamental.
    As “oposições” opõem-se dogmaticamente a qualquer revisão da Constituição de modo a tornar possiveis mais cortes nas despesas publicas e qualquer reforma estrutural do Estado.
    As “oposições” recusaram sistematicamente qualquer consenso ou pacto para permitir a realização de mais cortes e de mais reformas (p.e., o sistema de pensões).
    As “oposições” procuraram criar um clima interno insurreccional que levasse à queda do governo actual, por vias institucionais (PR) ou “revolucionarias” (vejam-se os apelos recorrentes para um novo “25 de Abril”).
    As “oposições” procuram enganar e iludir muitos portugueses com a ideia de que seria possivel resolver os problemas financeiros e economicos de Portugal, que de resto foram criados sobretudo pelas mesmas “oposições”, sem austeridade e aumentando os gastos do Estado.

  3. Luís Lavoura

    os privados fizeram o que foi indispensável fazer nestes quatro últimos anos

    Fizeram-no porque não lhes restava outra solução se não fazer. Como a banca não lhes dava mais empréstimos, tiveram que desalavancar. Não por vontade nem por virtude, mas porque foram forçados a isso.

  4. Fernando S

    “Não por vontade nem por virtude, mas porque foram forçados a isso.”

    A austeridade, que foi indispensaveil por razões financeiras, também serviu para dar sinais por via do mercado para que os privados ajustassem.

  5. jo

    Não se esqueça do número gigantesco de empresas privadas que faliram, deixando de pagar e de ter dívidas, e das que fecharam renegociando as dívidas com os credores. Parece-me que algum do crédito mal parado dos bancos não foi devido a banqueiros ladrões e incompetentes.
    Só no grupo GES, por ex., desapareceu uma data de dívida, vai ser paga pelos nossos impostos.
    Propõe então que o estado anuncie a bancarrota ou que renegoceie a dívida?

    Houve diminuição do número de funcionários públicos, do vencimento líquido pago aos mesmos, das verbas destinadas à saúde educação e a outras funções do Estado.
    Parece é que nunca é suficiente, há quem diga que a cura está a matar o doente.

  6. Fernando S

    “Parece é que nunca é suficiente, há quem diga que a cura está a matar o doente.”

    Efectivamente não é ainda suficiente. Os gastos do Estado teem ainda de ser menores. Até para que a austeridade incida menos sobre as familias e as empresas do sector privado.
    Quanto ao estado do doente, quem diz que a cura o está a matar ou anda distraido ou está de má-fé : as finanças do Estado melhoraram (é por isso que as taxas de juro da divida publica estão em minimos historicos), a economia voltou a crescer (preve-se que cresça ainda mais em 2015), o desmprego está a baixar (em Janeiro foi a 3a maior descida da UE ; as outras duas foram em … Espanha e Irlanda, dois outros paises sujeitos à mesma cura !…), o consumo e o investimento privados estão a subir !…
    O doente ainda está convalescente e longe de estar curado … mas não se pode dizer que esteja a ser morto pela cura, antes pelo contrário !

  7. Nuno

    “Diga aí quais eram essas fantásticas medidas que o governo não conseguiu aplicar por culpa da oposição.”

    Descida da TSU paga pelas empresas, aumento da contribuição paga pelos trabalhadores.

  8. António

    Só as empresas ainda devem mais que o Estado. E ainda há a divida privada das pessoas individuais e familias…

    O endividamento, foi apoiado e acarinhado pelo Estado, e até pela UE, mas os privados, desde bancos a familias, passando pelas empresas, foram à loucura!

    E chegamos a est eponto onde o Estado e a UE (BCE incluido) andam a assumir parte das dividas dos privados…

    Supostamente isto já tudo teria explodido, mas a “impressão de moeda” e os juros quase em zero estão a manter o pessoal mais ou menos à tona. Se este caminho der certo o liberalismo clássico terá de se vergar ao Keynesianismo.

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