Taxa de juro de Portugal inferior à dos EUA

Screen Shot 2015-02-23 at 09.51.10Há quem jure que é apenas via efeito Draghi, mas a Grécia está lá para mostrar que há bem mais para além do efeito Draghi, nomeadamente a credibilidade, ou a falta dela, da política fiscal. Portugal virou safe haven, e a taxa de juro a 10 anos, onde o efeito do QE do BCE nem sequer é relevante — o QE não se irá estender por 10 anos, pelo que o prémio de risco de um potencial default está devidamente contabilizado —, está agora mais baixa que a dos Estados Unidos.

31 pensamentos sobre “Taxa de juro de Portugal inferior à dos EUA

  1. k.

    Não tem nada a ver com credibilidade fiscal;
    A nossa posição fiscal é bastante pior que a dos EUA, que têm menos dívida, menos défice e mais crescimento que nós.
    A Grécia tem mais divida, mas em 2014 cresceu mais que nós, e terá expectavelmente um défice mais pequeno.

    A Grécia tem as taxas que tem, por incerteza política – não sabemos se dentro de 10 anos a dívida publica Grega é em Euros ou em.. outra coisa.
    As nossas taxas de juro são mais baixas que as dos EUA porque as expectativas de inflação são mais altas para os EUA do que para nós.

  2. tina

    “A nossa posição fiscal é bastante pior que a dos EUA, que têm menos dívida, menos défice e mais crescimento que nós.”

    A diferença é que a deles continua a crescer exponencialmente enquanto nós até já estamos a pagar dívida antecipadamente. Sem dúvida que isto traz uma grande credibilidade para o país e terá efeitos de poupança para além do que inicialmente se podia imaginar.

    Grande Maria Luís Albuquerque!

  3. tina

    Agora imaginem quando lá estiver o João Galamba. Qualquer excedente será usado para fazer mais uma autoestrada ou aumentar salários. Que horror, nem quero pensar nisso.

  4. k.

    Pode ver aqui :
    -http://www.tradingeconomics.com/united-states/government-debt-to-gdp

    que a dívida pública americana não para de aumentar desde os anos 80. Uma pesquisa mais aprofundada também lhe mostrará que os americanos estão a começar a ficar preocupados com o facto de a dívida pública estar a ultrapassar limites razoáveis e que o tecto máximo permitido por lei tem vindo a ser alterado para esta poder ser cada vez maior.

  5. k., é óbvio que as expectativas de inflação contam, e eu não disse nada em seu contrário. Mas essas expectativas são as mesmas tanto para a Grécia como para Portugal. O ponto aqui era mostrar que a diferença entre Portugal e Grécia é de credibilidade fiscal, caso contrário esta também estaria com juros inferiores aos dos EUA.

  6. k.

    “Artur Amorim em Fevereiro 23, 2015 às 11:01 disse: ”

    Não não não – esse gráfico indica que os EUA não só têm uma dívida mais pequena do que Portugal, como o crescimento desta é inferior à da divida Portuguesa. Não poderá ser isso que Tina se refere.

    “Mário Amorim Lopes em Fevereiro 23, 2015 às 11:02 disse: ”

    Concordemos em discordar… eu continuo a afirmar que é incerteza política (que diga-se de passagem, é um custo brutal em si mesmo)

  7. k., discordemos então. Mas pense nisto como potencial investidor de títulos de dívida grega. Grécia e Portugal têm a mesma expectativa de inflação (duas ou três décimas de diferença), e estão (a Grécia estava, já não está) enquadrada no programa de QE no BCE. No entanto, a diferença são 8p.p. Para além do prémio de risco de um default, resultante da incapacidade de ter as contas consolidadas e garantir a sustentabilidade da dívida, que lhe parece que possa influenciar os juros?

  8. MAL, não me parece razoável comparar taxas de juro denominadas em moedas diferentes sem, pelo menos, dedicar um parágrafo às expectativas de apreciação ou depreciação do € face ao $.

  9. Tina, nós não estamos a pagar antecipadamente a nossa dívida. Estamos a substituir dívida por outro um pouco mais barato. É bom fazer isso, não está em causa, mas não é a mesma coisa que pagar antecipadamente a dívida.

  10. Tina,

    A dívida externa líquida estava a descer (desceu 3% do PIB num ano), mas já voltou ao que era. Está agora a 104,3% do PIB (posição devedora) segundo o Banco de Portugal.

    A Maria Luís Albuquerque pode ser a menos má dos possíveis ministros das finanças das máquinas parretidárias (grafia intencional!). Contudo, um menos mau não é um bom. Numa turma de repetentes com média de 3, o aluno com nota mais alta, um nove à fasquia, continua a ser um repetente.

  11. k.,

    Conhece http://shadowstats.com ?

    Mesmo descontando esse sítio, a minha calculadora, juro-lhe anda estragada. 18,135/17,422 não é 101%. É 104%. E atente que a dívida dos estados, das cidades e das grandes empresas públicas dos Estados Unidos não está contada no numerador, como acontece coma dívida portuguesa, graças à bendita Troika.

    104% do PIB é igualíssima à nossa dívida externa. E atente-se que nem contei com a contabilidade criativa que Shadow Stats quantifica através da aplicação dos procedimentos da década de 1980 na determinação dos principais indicadores, em vez dos de hoje.

    Se há coisa que podemos dizer das estatísticas portuguesas é que não são gregas. Ou americanas.

  12. LA-C,

    Se o LA-C não arrisca, porque é que pede ao Mário que arrisque ele? Se não tem uma opinião que arrisque e fundamente, como poderá o LA-C avaliar a opinião do Mário?

    O dólar cairá nos próximos anos (aposto 2016-IV, mas sem certezas). Com o euro e o Iene. O helicóptero fica sem combustível e a bazuca sem munição e os arcos sem flechas. Os Estados ficam com a dívida e o BCE e o FED insolventes quando a guerra começar.

  13. k,

    Um pouco de pesquisa e encontrei http://www.usdebtclock.org/

    Dívida pública dos Estados Unidos = 18,135 (federação) + 1,199 (estados) + 1,885 (local). Falta a dívida das grandes empresas públicas como a NPR e a TV pública.

    122% do PIB. A minha calculadora deve andar estragada. Estranhamente, o octave, o ghc e o ipython deram o mesmo resultado.

  14. LA-C, é verdade, uma comparação entre PT e EUA exigiria incluir expectativas de valorização do USD face ao EUR. O objectivo aqui não era uma análise, mas apenas uma simples comparação entre situação grega e portuguesa, usando os EUA como benchmark, daí que não tenha dito nada.

    Quanto a seres um macroeconomista que não gosta de fazer previsões, és ave rara 🙂 A maior parte dos macroeconomistas acham que os modelos macroeconómicos podem (devem?) ser preditivos. Eu acho que só podem ser explicativos. Sempre preferi os modelos de Lucas e Barro aos de Woodford.

  15. “Se o LA-C não arrisca, porque é que pede ao Mário que arrisque ele? Se não tem uma opinião que arrisque e fundamente, como poderá o LA-C avaliar a opinião do Mário?”

    É absolutamente irrelevante qual a minha opinião, ou a do Mário, sobre o assunto. O que não se pode é comparar remunerações em moedas diferentes como se a taxa de juro fosse a única forma de remuneração. Evidentemente que não é.

    Como o MAL já explicou que não pretendia comparar com Portugal com os EUA, a minha objecção era desnecessária.

  16. MAL, não percebi essa do QE ser irrelevante. Os investidores sabem que se o preço da dívida tiver tendência para baixar o BCE intervém e evita que desça. E sabem que isso pode acontecer já para a semana.
    Mesmo que admitam que Portugal vá ao charco daqui a 9 anos, sabem que daqui a duas semanas podem vender as OTs sem grandes dificuldades, pelo que não há motivo para exigir grande prémio hoje. Estou a ver mal alguma coisa?

  17. LA-C, certo, mas o BCE a comprar em mercado secundário acabará e poderá ser abrupto, pelo que não é certo que consigam vender em mercado secundário ad eternum, especialmente em dívida de maturidade longa (quanto maior o prazo, maior a probabilidade do BCE já não estar a comprar dívida num qualquer momento futuro em que o investidor queira vender o título, logo, maior o risco). Por certo que os investidores também incorporam isso.

  18. António Costa é o salvador

    Um pequeno desabafo. Mesmo sendo de direita, já o disse mais que uma vez, que ficava feliz no dia em Luís Aguiar-Conraria se tornasse no ministro das finanças, caso o PS ganhe, mas para mal de todos nós o cargo ainda irá parar ao João Galamba…

  19. António

    Mário Amorim Lopes, e demais economistas aqui do blog…

    Mesmo sabendo que a economia é uma ciência social, e que fazer previsões é muito arriscado, como se tem visto nos ultimos anos (segundo todos por aqui diziam, estas dividas actuais eram insustentáveis e impagáveis, e “imprimir” moeda a esta escala levaria automaticamnete a desvalorização e inflação, e tem acontecido precisamente o contrário), acham que a divida dos EUA e particular, do “ocidente” em geral (e do…mundo!) é pagável? Isto tudo vai bem encaminhado (as dividas não param de aumentar) ou só estamos a andar em direção ao precipicio global?

    Lembro-me de ainda há uns anitos atrás todos aqui dizerem que a mostruosa divida dos EUA ia rebentar com isto tudo, e no entanto já quase duplicou, e continua, e…supostamente vai tudo bem!

    Não sou formado em economia, e fico um bocado confuso…

  20. “António Costa é o salvador”, como a Manuela Ferreira Leite sinto-me muito lisonjeado como esse tipo de comentários. Mas isso é simplesmente absurdo. Mais depressa iria treinar o Benfica.

  21. lucklucky

    António com défice zero é pagável.

    E o défice zero será inevitável devido à demografia.

    Obviamente tudo isto pode ser deitado ao ar com guerra(s) ou catástrofe(s) natural de grande impacto.

  22. Francisco d'Orey

    Comparar taxas de juro de Portugal com os EUA não faz qualquer sentido porque as primeiras são em EUR e as segundas em USD. Para podermos comparar Portugal com os EUA teremos que ver as taxas que cada país consegue emitir na mesma moeda. Ou seja, se Portugal emitisse dívida a 10 anos em USD elas seriam certamente mais elevadas do que para os EUA.

  23. António Costa é o salvador

    Eu sei Luís, mas caso o António Costa ganhe, espero sinceramente que não, sendo de certeza escolhida uma pessoa de esquerda, a bem de todos nós era bom que fosse o Luís, não vejo mais ninguém com a capacidade, o rigor e o bom senso do Luís. Imaginando os prováveis futuros ministros das finanças de António Costa e só me dá vontade de fugir.

  24. António,

    Enquanto não houver indexação automática dos salários não haverá hiperinflação. O que acontece é que cai o rendimento das famílias, como tem vindo a cair.

    O que vai acontecer é que a dívida está a ser transferida dos bancos comerciais para os bancos centrais, os quais terão de aguentar o calote. Há uma guerra que o Ocidente quer, e está a provocar a Rússia — subestimando-a — a qual se limita a ganhar tempo e a comprar ouro (perguntem-se porquê), enquanto amassa o maior exército e marinha vistas em termos de potencial nuclear (pelo menos oito mil veículos para menos de mil do Ocidente, quinze mil contra cinco mil tanques do Ocidente). Uma certeza eu tenho, António: isto cai apenas quando começar a guerra, a qual servirá de desculpa aos que viciaram o jogo económico.

    Não me preocupo se o António Costa é eleito ou não. Não acabará o mandato. Vai ser sirizado (encalavrado de tal modo que anda aos zigue-zagues, sem rumo e com um ar de permanente ébrio; mais ou menos como agora). Preocupo-me mais se o Podemos do Señor Pablo Guillotina Iglesias tomar o poder: quando se virem apertados e sem cheta, lá vem de novo a ideia da Unión Ibérica para desviiar as atenções e completar El Carón.
    .

  25. Nuno

    Conclusões sobre perfis de risco à parte, o que isto revela de mais perturbador é o efeito do planeamento central e da repressão financeira actualmente.
    Não interessam nem stocks de dívida, nem a poupança nacional, nem a procura de financiamento, nem nada.
    É deitar fora a oferta e procura, porque independentemente de quão alta for a dívida, as taxas não se mexem. Quem poupa lixa-se, quem especula segue e investimento verdadeiro nem vê-lo – e porque haveria, se não há dinamismo, não há reforma estrutural, não há capital? E assim continuamos e havemos de continuar sem os “breadwinning jobs” (Stockman).
    Ficam as culpas para um dito neoliberalismo de patrocínio estatal, fonte de todos os males e todas as bênçãos, do capitalismo de casino e do dinheiro para o Estado Social, totalmente inamovível e castelo de cartas no qual não se pode nem soprar

  26. Luís

    «Agora imaginem quando lá estiver o João Galamba. Qualquer excedente será usado para fazer mais uma autoestrada ou aumentar salários. Que horror, nem quero pensar nisso.»

    João Galamba, António Costa, Ferro Rodrigues, Isabel Moreira… o elenco do filme de terror.

  27. Luís

    «António com défice zero é pagável.

    E o défice zero será inevitável devido à demografia.

    Obviamente tudo isto pode ser deitado ao ar com guerra(s) ou catástrofe(s) natural de grande impacto.»

    Olhando para o Orçamento de Estado e para o valor do défice é difícil atingir o equilíbrio.

    Eu vou mais longe e defendo mais excedentes orçamentais, saldos positivos…

    O Governo não pode mexer nas reformas dos funcionários públicos, por causa do TC. Mesmo que extinga institutos, autarquias ou outros serviços inúteis e perdulários não pode despedir, a própria Ministra das Finanças frisou isso há meses.

    O PS defende mais impostos mas já temos aquele que é provavelmente o maior esforço fiscal da UE. Para além disso a fuga ao fisco começa a ser residual, por exemplo, no IVA. Se há correcção a fazer do lado dos impostos é outra: baixar, baixar, baixar.

    Temos ainda o Estado Paralelo. Aí poderiam ser feitos cortes brutais, talvez metade do valor do défice. Mas privatizar a RTP? Não há coragem. Assim como não há coragem para cortar nos apoios às Fundações e IPSSs, instituições que há 30 anos não dependiam do Orçamento de Estado como na actualidade, e onde há milhares de cargos para boys e girls dos principais partidos. Imaginem Mário Soares ou Santana Lopes furiosos , caso o Estado decidisse que as Fundações ou as Misericórdias teriam de aprender a viver com recursos próprios…

    Com a morte do Estado Paralelo, reformas no sistema de pensões ou extinções de serviços perdulários é possível anular o défice… parece tão fácil e ao mesmo tempo é quase impossível com estas classes políticas!

    Contudo, para reduzir impostos, seria necessário ir mais longe, e mexer no modelo do SNS ou na Escola Pública, ou ainda desburocratizar, alterar legislações, em suma, uma reforma profunda a nível da Saúde, Educação e Justiça. Mas infelizmente em Portugal o SNS e a Escola Pública ou as universidades são uma múmias intocáveis.

    Miguel Cadilhe sugere que se privatizem parcialmente estas áreas, e que as classes médias paguem mais pelos serviços de saúde e educação. Princípio do utilizador-pagador. Tal implicará uma utilização mais responsável e consciente. Em contrapartida, como a despesa do Estado teria uma queda brutal, seria possível reduzir finalmente os impostos e pelo menos colocar o nosso esforço fiscal dentro da média da zona euro, embora o ideal fosse mesmo estar bem abaixo da média, dadas as nossas deficiências: país periférico, baixa formação da população, endividamento externo elevado…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.