O meu artigo ontem no ‘i’. Por cada ingénuo que acredita no socialismo, há um cínico que disso tira vantagem.

Vaidade, virtude e política

Durante muitos anos, os Estados viveram com défices. Acumularam dívida. Foram antecipando o rendimento que esperavam receber no futuro. Claro que, para quem governou nesses tempos, os défices não significavam viver acima das possibilidades, endividar o país, mas investimento. Os Estados eram deficitários porque investiam para que se obtivesse um retorno mais tarde.

Desta maneira não se estaria a pôr em causa as gerações futuras, mas a proporcionar- -lhes um mundo melhor. Naturalmente que é preciso ser-se muito ingénuo, ou cínico, para se acreditar em algo deste género, mas foi o que o país considerou correcto durante mais de 30 anos.

O que está exposto em cima é o socialismo. Melhor: a forma como o socialismo justifica o seu financiamento. Não tenho quaisquer dúvidas de que muitos socialistas, ingenuamente, acreditaram que estavam a desenvolver o país, a criar condições para que, no futuro, se vivesse melhor.

Mas, por cada ingénuo que acredita, há um cínico que tira vantagem. Que percebeu que o modelo não funciona, que o Estado não investe, mas gasta. Que o Estado se deve limitar a assegurar a protecção das liberdades e a justiça, e não enredar-se numa política de negócios que o fragiliza e exige, depois, que as pessoas paguem a conta. A contenção política não deve dar espaço à vaidade, mas à virtude. Virtude, ética e política: algo que a Grécia Antiga ensinou, mas que até a moderna esqueceu.

Um pensamento sobre “

  1. jo

    Não foram só os estados que viveram com défices. As bolhas imobiliárias, poer ex., não foram criadas pelos estados.
    Os bancos que vemos a falirem crapulosamente no nosso país falem porque deram créditos mal parados. Como o Estado português ainda não se recusou a pagar dívida, se calhar os créditos foram dados a “empreendedores”. Daqueles que dizem que em Portugal o salário mínimo é muito alto enquanto embolsam prémios enormes por boa gestão.
    Claro que taxar estes cavalheiros da fortuna, ou regular a sua atividade, seria uma ingerência socialista no bom trabalhar das instituições privadas.

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