O descaramento da guerra contra a federalização da Ucrânia

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É inquietante observar a concordância de tantas pessoas com o eventual fornecimento de armas a Kiev (os mais ousados e generosos acrescentarão a necessidade de fornecimento de tropas) com a mesma descontracção com que pedem uma bica. Pelos vistos, depois de repetir muitas vezes a mesma ideia, ficamos todos convencidos de que, em último recurso, prepara-se a mala com o pijamita e uma muda de roupa interior, e toca a ir combater o Urso. Em meia dúzia de dias fica o assunto arrumado, e retaliação é coisa que não existirá seguramente porque as forças do mal não poderão prevalecer contra os ventos libertadores atlantistas. É isto que pensarão aqueles que apoiam, sem pestanejar, uma intromissão da NATO no leste da Ucrânia. Os longos períodos de paz trazem consigo o tremendo risco de deixar os indivíduos inebriados dentro de uma nuvem de optimismo ilusório, incapazes de prever que pequenos actos políticos, provocações, tensões podem converter-se rapidamente em guerras totais, longas e depauperantes.

Restringidos ao diz-que-disse que é transmitido entre encontros diplomáticos e meios de comunicação, somos obrigados a deduzir alguma coisa a partir das migalhas que vão caindo da mesa de negociações, ou seja, ficamos a saber que a determinada reunião foi “constructiva” ou “difícil” ou “fracassada”, sem conhecermos a natureza dos entraves levantados e a verdadeira disposição para as negociações de cada uma das partes. A partir daqui podem cometer-se as mais diversas deturpações e injustiças por parte de quem detém o poder político e cabe-nos a nós ganhar algum discernimento, fazendo o exercício mental de nos colocarmos na pele de cada um dos líderes. Sabemos, por exemplo, que em Dezembro de 2014 os deputados ucranianos deram um passo para aconchegar a Aliança Atlântica junta da fronteira com a Rússia ao renunciarem o estatuto de “não-alinhado”. Uma prenda de Natal no sapatinho do Kremlin por parte de quem pretende ignorar a diversidade do povo que governa, e refugiar-se debaixo do chapéu da NATO, mostrando-se falta de sensibilidade histórica, geoestratégica e cultural.

Em segundo lugar, sabemos que um cenário de confrontação é o mais indesejável para todas as partes – a menos que os confrontos estejam muito longe da vista, como acontece a certos falcões com vícios de unipolaridade muito arreigados – porque consumiria tempo, dinheiro e “carne para canhão” que tanto a Europa como a Rússia não se podem dar ao luxo de esbanjar. Adicionalmente, a última coisa de que a humilde dupla Merkollande precisaria agora era de uma guerra que pusesse em evidência a sua pouco prestigiante dependência face aos EUA no domínio militar; e a sua evidente dependência energética face à Rússia, porque será no nosso quintal que se farão sentir as retaliações do Kremlin e não no outro lado do Atlântico. E, por fim, como reza a História recente da Europa, “gato escaldado, de água fria tem medo” e isso é dos melhores antídotos para a guerra.

Em terceiro lugar, é bom recordar que há cerca de um ano a solução federativa para a Ucrânia aparecia mencionada numerosas vezes mas, entretanto, tem sido estranhamente (ou não) alienada do debate político. Isto porque, ao contrário de algumas dissimulações ocidentais que só adoptam um discurso claro na hora de declarar guerra aberta a um território, Moscovo tem-se mostrado sempre defensora dessa solução. E como cabe às elites ocidentais demarcar a fronteira entre iniciativas boas e iniciativas más, indignações espontâneas e faccionismo manipulado, federações prósperas e federações instáveis, referendos democráticos e referendos despóticos, independentismos gloriosos e independentismos terroristas, é lógico que, uma vez que Putin simpatiza com a solução federal, temos aí o sinal de que só pode ser uma má solução. Uma visão muito simplória, adoptava apenas por quem acredita na sustentabilidade de um projecto político que, ao ignorar as divisões culturais do actual Estado ucraniano, pretende forçar todos os seus cidadãos a favorecer comercialmente o espaço europeu em detrimento das ligações profundas com o leste. Na sequência do favoritismo aduaneiro, segue-se invariavelmente a influência política, o alinhamento ideológico (nada aqui é neutral) e a cumplicidade/subserviência militar (no quadro da NATO). Não vale a pena ter ilusões. O respeito pelo direito à autodeterminação só vale para o Ocidente quando a mudança de um povo se propõe a obedecer aos valores que as democracias euro-atânticas promovem e aprovam.

Hostilidade com hostilidade se paga e sabemos bem qual o preço de se enveredar pelo caminho da humilhação e vingança desproporcional contra um país. A forma mais simples e rápida de humilhar um inimigo é excluindo-o de eventos internacionais (punição simbólica) e aplicando sanções económicas. Sendo, em qualquer caso, uma estratégia pouco recomendável por levar a um acirrar dos ânimos internos do país humilhado, some-se a isso a particularidade de estarmos a falar de uma potência regional. Assim, um possível discurso de vitimização e crítica ao Ocidente que possa daí advir – e que já ficou visível no discurso de Lavrov, ministro das Relações Externos, na Conferência de Segurança de Munique deste mês – está ao mesmo nível (ou até um pouco acima) da postura propagandística norte-americana com as suas alusões aos bichos-papões da Guerra-Fria e à vocação universalista dos EUA.

A escalada de violência só ganhará aceitabilidade se as justificações para a guerra se centrarem, de forma hábil e desonesta, numa discussão mútua acerca dos litros de sangue derramados pelo rival, do nível de oligarquização em redor dos seus governos, dos traços de personalidade, pecados e fraquezas de cada um. Quanto a estes tópicos, não há nada de novo debaixo do sol. Só se a discussão ficar reduzida à ridícula disputa que procure auto-legitimação com base nos erros do rival, só se a opinião pública e os líderes europeus pactuarem com isto é que a prontidão belicista surgirá como panaceia para a instabilidade que se instalou no “cordão sanitário”. Tudo isto estaria longe do horizonte se as lideranças estivessem dispostas a perceber a ténue fronteira que separa a retórica da efectiva acção política. Entre as intenções e a aplicação da vontade vai um pequeno passo e, em 2008, também na Conferência de Munique, um palco para os ressentimentos, ninguém levava a sério a hostilidade presente no discurso de Putin. A génese dos motins, indignações, separatismos é sempre nebulosa (teorização, meios de propaganda, financiamento, etc) e quem se vê prejudicado por qualquer um desse tipo de acções colectivas, encontra nesse carácter nebuloso um argumento para as descredibilizar. O facto é que, mesmo quando as origens são questionáveis e pouco inocentes, iniciativas dessa natureza só encontram eco onde há alguma correspondência com a verdade e aspirações por preencher. E as divisões leste-oeste são uma dessas pontas de verdade. Uma vez instalada a confusão, há que saber resolvê-la da melhor forma.

Se Obama e os membros do Congresso estivessem genuinamente interessados em ajudar a preservar a independência da Ucrânia, demitiam-se de qualquer envolvimento. Não colocariam a hipótese de disponibilizar armamento, somente por conta dos lindos olhos de Poroshenko, quando, depois de punirem directamente as empresas e os consumidores russos com as suas sanções arbitrárias – e que até deixaram intacta a popularidade interna de Putin – se propõem a perturbar ainda mais a vida de um povo que está saturado de confrontos indesejados. Qualquer solução pacífica tem de passar por respeitar as lealdades e diferenças, deixando o caminho livre para a cooperação com os parceiros que cada grupo bem entender e sem que exista divisão entre cidadãos de primeira e cidadãos de segunda por cegueira constitucional. Se a única forma de superar discordâncias políticas e culturais for a fragmentação em favor de uma federação, não se entende em que é que uma eventual guerra orquestrada pelos interesses dos governos envolvidos se pode assumir como receita de utilidade superior (e escusado será categorizar a opção do ponto de vista moral) para salvaguardar os interesses comerciais, sociais, culturais e linguísticos nesta vasta região, já demasiado fustigada por experimentalismos, planificações e liquidações populacionais.

29 pensamentos sobre “O descaramento da guerra contra a federalização da Ucrânia

  1. Pedro

    O Sr Putin tem demonstrado ser uma pessoa sem qualquer vontade de cumprir acordos, um putativo Stalin que só tem apoio da população e dos seus minions enquanto houver melhorias econômicas! A integridade territorial da Ucrânia foi quebrada apesar dos acordos anteriores com a Rússia. A divisão cultural da Ucrânia existe mas nenhum sinal existia de que uma aproximação à EU iria exacerbar essa divisão!

    A situação interna ucraniana é um assunto fabricado de foram totalmente artificial pelo Kremlin. A EU e os EUA não podem permitir a desintegração da Ucrânia, no mínimo porque isso vai contra os acordos que se comprometeram defender.

    Não defendo uma ação militar direta, mas sanções econômicas, apoio económico e envio de armamento defensivo para cristalizar o estado actual até à eventual incapacidade financeira da Rússia der de si parece-me perfeitamente racional tendo em conta o histórico de situações semelhantes. O risco de uma guerra total existe? Sim! Mas existem com ou sem intervenção, porque não será certamente na Ucrânia o objetivo final do Stalin.

  2. Lucas Galuxo

    Pedro, a UE e os EUA instigaram um golpe de estado num país onde havia eleições livres. Antes que reconheçam a sua culpa, não têm qualquer autoridade moral para intermediar o que quer que seja. As sanções económicas e a campanha, publicamente assumida, de controlo do preço do petróleo, através da Arábia Saudita, tem efeitos colaterais e de dominó sobre a economia mundial que ainda não são conhecidos. Servir-se do povo ucraniano, o primeiro a sofrer, quer da guerra quer das sanções, para satisfazer ressabiamentos e complexos de guerra fria mal sarados, é um exercício de sadismo. E vamos ver se não é um suicídio. Já sabemos o resultado desses rancores no Iraque, na Síria, na Líbia, na Tchetchénia, no Kosovo,…

  3. tina

    É tudo tão simples quanto isto: Putin invadiu a Ucrânia. É um psicopata à procura de uma guerra (na verdade até foi detetada alguma forma de autismo no seu comportamento). Basta ver como os seus aviões têm invadido espaços aéreos europeus recentemente. Tem de se pôr cobro a isso.

  4. Texto bastante desiquilibrado, que esquece alguns factos importantes para compreender o que se está a passar.

    1) Em primeiro lugar a vontade do povo Ucraniano é maioritariamente uma aproximacao á UE (nao à NATO, como a propaganda russa pretende difundir). O que é absolutamente natural, basta ver o grau de desenvolvimento económico dos dois blocos (15,5 Trilioes $ vs 2,5 Trilioes $ – e a descer), para nao falar de liberdade de expressao, civica, de atraccao cultural e civilizacional da Europa etc, etc.

    2) A Ucrania abdicou voluntariamente do seu arsenal nuclear em troca da garantia da sua integridade territorial por EUA, RU e Russia. Uma regiao foi anexada e outra continua invadida militarmente. Nenhum dos signatarios do memorando foi fiel á sua assinatura (incluindo EUA e RU, que no minimo deveriam providenciar os meios para a Ucrania se defender do agressor).

    3) Nunca ninguem ouviu falar em qualquer movimento independentista no sudoeste da Ucrania, antes de os servicos secretos russos terem criado artificialmente estes acontecimentos. Em termos percentuais, a populacao etnicamente ucraniana sempre foi superior a populacao etnicamente russa em Donetsk e Luhangsk. Todas as consultas que foram efectuadas (sem ser á ponta da espingarda como os “referendos” á moda soviética posteriormente efectuados) demonstram que a populacao naquela regiao e maioritariamente pro Ucraniana., basta consultar a Wiki.

    4) Os protestos que aconteceram naquela regiäo foram maioritariamente efectuados por russos das regioes fronteiricas, com sentimentos ultra patrióticos e neo colonialistas. Basta ver o que aconteceu em 2 de Maio em Odessa. Dos 32 mortos na Camara de Comercio, 15 eram russos e 5 da Transnistria (http://en.wikipedia.org/wiki/2_May_2014_Odessa_clashes).

    5) A escalada militar foi efectuada por forcas (primeiro irregulares, depois regulares) russas. Toda a lideranca inicial militar – repito toda – era efectuada por cidadaos russos (http://ukrainianpolicy.com/insurgents-identified-the-green-men-of-vkontakte/). No final do ano, foram colocados dois fantoches de nacionalidade ucraniana.

    Resumindo, o povo ucraniano é um povo pacifico, nunca esteve envolvido em guerras (ver historial russo, a propósito) apenas quer paz e desenvolvimento. Para isso naturalmente tem que se ver livre de liderancas corrupto-oligárquicas ao estilo russo (um dos paises mais desiguais do mundo http://www.rferl.org/content/russia-billionaire-wealth-inequality/25132471.html)

  5. Euro2cent

    > Tem de se pôr cobro a isso.

    Sugiro bombardeamentos como no Kosovo. Na região de Donetsk também têm direito à auto-determinação, como disse o presidente Wilson.

    Ah, espere, isso agora não se aplica, é ao contrário?

    Desculpe, continue.

    (Há aqui alguém que acredita demasiado no que vê na imprensa, e não me parece que seja eu. Os aviões no espaço aéreo, valha-nos a santinha …)

  6. manuel

    Foi este tipo de pensamento que entregou metade da Europa a um sistema totalitário comunista durante 45 anos. E de novo este tipo de pensamento a permitir os mesmos crimes do passado. Se a Ucrânia se quer manter independente tem de ser a primeira a defender-se e deve ter todo o direito de o fazer.

  7. rez

    Tina, os avioes apenas invadem o espaço international, que é de todos.

    Putin é um papagaio, Stalin uma borboleta, ambos voam, logo só podem ser iguais.

  8. LV

    Daniela Silva,
    Parabéns pela reflexão. É a partir deste enquadramento que procuro compreender a situação.
    Saudações,
    LV

  9. Pedro,

    Esqueça a falência da Rússia. A Rússia não vai falir. O que a Rússia deixa de vender à Europa, vende à China. O acordo já foi assinado. A Europa deu um verdadeiro tiro no pé com as sanções, e perdeu, talvez para sempre, um dos seus mais fiéis mercados de exportação. Repare que apenas um sector ganha com as sanções: os Estados Unidos. Os russos bem nos avisavam…

    Adiante. Peço-lhe isto: pergunte-se porque é que, quando 1/3 dos ucranianos fala russo em casa e 50% admite usar o russo em contexto profissional, o russo não é língua oficial na Ucrânia, e a escolaridade não pode ser em oficialmente em russo em regiões russófonas.

    A solução desta guerra é simples: que as províncias orientais sejam autonomizadas e o russo seja outra língua oficial da Ucrânia. Houve tempo em que bastava a última condição.

    Tina,

    Muito antes de lá estarem «homens verdinhos», estavam lá «águas pretas». Putin não é nenhum psicopata. Tem tido muita contenção no meio de provocações constantes. Terá de acreditar em mim quanto a isso.

    O ódio a Putin por parte dos ocidentais é compreensível: ele ainda acredita que casamento é entre homem e mulher, que a rabice deve ser coisa privada e que o cristianismo social funciona. Isso é um grande no-no para os amaricanos (grafia intencional), fação dentro dos Estados Unidos que acha que os bebés até à idade de três anos não têm consciência e podem ser abortados e que os cristãos são todos terroristas, apesar da falta de atentados que o sustente.

    Em boa verdade, a minha esperança para a Rússia de continuação da liberdade não reside em Putin, mas em Medvedev. Se este não for nunca apeado, terá uma Rússia livre e cristã: os valores ocidentais que o Ocidente rejeitou. Se eles pegaram naquilo que era lixo para nós e o restauraram, a ponto de ficar tão brilhante como o tinham os nossos pais, acha que temos de os chatear por isso?

    Tenha cuidado com a imprensa que lê. De imprensa marchista não pode achar nem verdade nem isenção. A imprensa ocidental é marchista, ergo se diz mal de Putin, o melhor é ver na própria imprensa russa — pró e contra Putin — qual é a verdade.

  10. Só se esqueceu de esclarecer uma coisa. Depois de ter “ido” a Crimeia e de advogar que se deixe ir o leste da Ucrânia quem irá o Putin devorar a seguir? Os Estados Bálticos? A Bielo Rússia? A teroria de dar de comer ao crocodilo (neste caso ao urso) com a esperança de que ele se farte e não nos coma já deu muito mau resultado em 1945. Vai dar outra vez?

  11. CN

    Ucrânia de Leste, o território russo com população russa oferecida por Lenine à Ucrânia no pico da guerra civil em 1921 para a cativar para o comunismo.

    Estes russos-cristãos-ortodoxos não podem ser separatistas, mas a NATO pode impor o separatismo dos muçulmanos do Kosovo.

  12. jose carlos

    Tretas. A Urania não quer pertencer à Rússia. Uma minoria não representa o povo ucraniano. Deve a Europa fechar os olhos como o fez em 45 e deixar o Kremlin anexar a Ucrânia como o fez com a Europa de leste durante 45 anos ?….a Ucrânia tem o dever e o direito de se defender. Já bastou a traição de 45 com a entrega da europa leste a um país que iniciou a 2ª guerra mundial de braço dado com os Nazis. Putin pode fazer a guerra, deitar abaixo aviões com civis , invadir a Crimeia, a seguir a Ucrânia, como já fez com a Geórgia e outros ex-estados soviéticos….a Ucrânia não se pode defender e a Europa não pode ajudar a Ucrânia. Tenham vergonha os CN e outros idiotas que defendem o imperialismo russo.

  13. JPT

    Vamos lá ver: a divisão da Ucrânia é um facto. Poderá ser triste, mas é um facto. Todas as eleições desde a independência deram votações com resultados rigorosamente distribuidos pela geografia. O Oeste é nacionalista, o Sul e o Leste são pró-russos. Flutuações só no Centro e no Norte (com predominância nacionalista). Há duas área culturais bem definidas e uma de charneira. Nada permite um estado viável com uma divisão tão clara, radical e permanente. Nem sequer um estado federal (a não ser que seja um pseudo-estado, como a Bósnia actual). Mas, dito isto, a divisão da Ucrânia, de acordo com a vontade das duas comunidades que a constituem, não pode ser feita, nem negociada, na sequência de uma invasão e com parte do território sob o controlo do Kremlin. O primeiro passo tem de ser esse: saída das tropas invasoras. Só depois, referendos regionais, com vista a divisão do Estado. O respeito pelas fronteiras soviéticas não resolve, aqui (ral como no Nagorno-Karabagh), o problema. Agrava-o.

  14. Tina,

    Há dois problemas: primeiro, não sou de esquerda. Não sei agora se isso se notava ou não pelo conteúdo das minhas mensagens e pelos termos que cunhei e amiúde uso como «vermilhóide», «escarralhados», «Grilheta & Miséria», «calhaus d’esquerda». Talvez tenha sido bastante alvo com a esquerda.

    Nos Estados Unidos também morrem jornalistas e bloguistas anti-Obama. Normalmente têm um acidente de carro ou são suicidados de outra forma qualquer (ironia intencional). Por exemplo, estes tipos andam a fazer a lista e nunca mais se livraram de auditorias das Finanças: http://www.nachumlist.com/deadpool.htm.

    Se Putin é um assassino, terá de conceder que os Estados Unidos sob Obama também andam a meter a mão.

    Agora, veja lá quando é que morreram os últimos jornalistas russos em circunstâncias suspeitas. Veja lá o ano. A sociedade russa está a normalizar-se rapidamente. E diz-se à boca fechada (disse-me quem viu pessoalmente) que Putin mudou completamente depois de um encontro com Solzhenitsin em 2014. Só transpareceu uma coisa do que foi dito, mas testemunharam-me que Putin saiu em lágrimas. Grande parte dos jornalistas foram mortod durante os anos loucos de Yeltsin.

    Quando Medvedev assumiu a presidência em 2008, começaram a julgar-se pessoas e a metê-las na cadeia pelos crimes. And guess what? Dos 56 jornalistas (pela CPJ) mortos desde 1992, apenas *4* (quatro!) o foram de 2010 em até hoje, e todos estes quatro foram pelo crime organizado e pelos negócios locais corruptos que investigavam. Todos estes casos foram investigados e dois já foram julgados e pessoas condenadas. Já agora, os dados encontram-se em https://www.cpj.org/killed/europe/russia/ (não quero que lhe falte nada), e Mikhail Bekhetov nem deveria contar, pois ele morreu de um ataque cardíaco, sequela de uma malha forte e feia que havia levado, mas em 2008, de um chefe da máfia local.

    A Rússia está longe de ser perfeita, mas normaliza-se dia após dia. O contrário encontram-se nos Estados Unidos onde, por exemplo, até a equipa que supostamente matou o já morto de uma década Ossama Bin Laden (eu já o sabia desde 2002, direto da surété) morreu um mês depois num acidente estranho de helicóptero. Nem lhe falo das testemunhas de Benghazi, que devem ter apanhado por lá uma doença que os fazia morrer como tordos.

    Tina, o Mundo mudou. Os Estados Unidos estão a afundar-se no socialismo e a Rússia está a emergir. Acerca dos dados, não precisa de agradecer. [Já agora uma sondagem do Levada Tcentr, independente, diz que 83% dos russos acham que Putin fez melhor à democracia — ou, melhor traduzido, o país andar em direção à democracia.]

    Já deve saber que eu apenas confio em Deus. O resto terá de produzir resultados.

  15. Euro2cent

    > o país andar em direção à democracia.

    Um ano destes vai perceber que isso não é necessáriamente bom. Eu também levei tempo. A propaganda é muito, muito boa.

  16. tina

    “Nos Estados Unidos também morrem jornalistas e bloguistas anti-Obama.”

    Eu sei que o Francisco não é de esquerda mas às vezes parece, por exemplo, quando diz disparates destes.

  17. Euro2cent,

    O país que se vai libertando não é Portugal nem está na União Europeia. A propaganda russa pode ser muito boa, mas a ha quebre engana 83% do país com mais cursos superiores entre a população e com maiores índices de leitura do Mundo?

    Em 2000, a televisão enquanto meio estava em crise na Rússia por causa das fracas audiências. Aqui discutia-se o tipo de Barrancos do Big Brother. E continua a haver televisões da oposição ainda hoje. E jornais da oposição.

    Não subestimemos a Rússia em liberdade e capitalismo. É ao nosso risco que o fazemos: perdemos oportunidades e mercados.

  18. Euro2cent

    Estava a falar da propaganda à democracia que os nossos donos fazem. Os russos, que Deus os abençoe, porque precisam da ajuda 😉

  19. Renato Souza

    Francisco

    Suas informações foram muito úteis. O encontro de Putin com o grande Soljenitsin não era de meu conhecimento, nem as suas lágrimas. Isso é revelador para mim. Parece que surgiu o ser humano por baixo do coronel da KGB.

    Muito informativo também sobre o grave estado dos EUA, as informações cada vez mais terríveis sobre as loucuras assassinas de seu governo. Eu amo muito esses dois grandes povos, os americanos e os russos, e gostaria que ambos caminhassem para a liberdade e justiça. Mas o mundo jaz no maligno…

    A Rússia poderia estar numa situação muito melhor hoje se tivessem saído da forma correta do socialismo. Gostaria que aprendessem as lições da Escola Austríaca, e compreendessem o valor de uma boa moeda.

    Você colocou na verdadeira perspectiva, também os tão falados assassinatos de jornalistas. Transmitiu a percepção de que há um aumento, e não uma diminuição da liberdade. O fato de todos os últimos assassinatos de jornalistas serem ligados a investigações sobre o crime organizado também é revelador.

    Finalmente, do ponto de vista moral, Putin é muito superior aos líderes ocidentais. Negar o acesso de abusadores homossexuais e seus propagandistas (ou qualquer outro abusador) às crianças é essencial. E é nesse sentido que entendo as medidas de Putin, e nunca no sentido de querer controlar o que as pessoas fazem entre quatro paredes. Opor-se às agressões de malucas contra os religiosos também é correto (na verdade, opor-se a qualquer agressão é correto). Aqui no ocidente, os “bem-pensantes” sempre querem saber primeiro a identidade dos agressores e agredidos, para então decidirem se devem ou não falar alguma coisa… dependendo do caso, perseguem até quem comenta…

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