No Fio da Navalha

O meu artigo no ‘i’ de hoje.

O falhanço

O jornal i está a lançar, na sua edição de fim-de-semana, pequenos livros sobre as guerras e campanhas militares da história de Portugal, que vão da fundação da nacionalidade à última manifestação monárquica contra a República. Um desses volumes é sobre a crise de 1383-85 e Aljubarrota.

Há dez anos fui aluno, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, da cadeira de Construção Europeia do professor Ernâni Lopes. Numa das aulas, Ernâni Lopes sugeriu-nos que comparássemos o período que ia de 1385 a 1415, os 30 anos que medeiam entre Aljubarrota e a conquista de Ceuta, com o tempo entre 1975 e 2005.

E o que víamos era uma diferença abissal. Se, tanto em 1385 como em 1975, o país assistiu a um corte geracional na liderança do país, o resultado, 30 anos depois, não podia ser mais diferente. Em 1415, Portugal, que tinha estado em risco de perder a independência, iniciava a sua expansão marítima. Em 2005, o país que tinha abraçado a democracia e a Europa, sentia-se defraudado e perdido.

Passaram dez anos e o problema agravou-se. Não se esperam grandes feitos. Apenas que depois de tantos falhanços as pessoas se interroguem, tenham a coragem de se interrogar, e pensem se o projecto de ‘abrir um caminho para uma sociedade socialista’, que ainda consta do preâmbulo da Constituição e alimenta grupos que pressionam o Estado para que lhes alimente os anseios com fundos e facilidades, é a direcção a seguir.

2 pensamentos sobre “No Fio da Navalha

  1. jo

    Um pouco confuso. Não foi o mercado que conquistar Ceuta (que foi um fracasso estratégico) foi o rei. A analogia com o socialismo está completamente metida a “martelo”.
    Se foi o espírito empreendedor dos portugueses que levou ao lançamento dos descobrimentos, foi o comunismo que levou à queda do império 150 anos depois?
    Considerar que a crise que atravessamos se deve ao socialismo é um bocadinho forçado. A menos que consideremos que os nossos excelsos banqueiros que faliram estrondosamente e criminosamente são socialistas. A tal banca séria fiável e confiável, dos donos disto tudo, lembra-se?
    Basicamente este é mais um exercício em que primeiro se diz que tudo que é mau é socialista – desde a economia até às dores das costas – seguidamente aponta-se para uma fase de declínio, diz-se que o declínio é mau, e concluí-se que foram os socialistas, porque eles são maus.

  2. O liberalismo radical parte do princípio de que a alternativa é o socialismo radical.
    E fica por aí.
    Então assesta-lhe as baterias, todas e sempre!
    Mas não acerta uma.
    Pela simples razão de que esse socialismo já há muito que desapareceu da Europa.
    O que resta tenta, e às vezes consegue, ser mais liberal do que os liberais.
    E esta, hein?!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.