Quanto vale uma vida?

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Publicado n’Observador

Sentimentalmente, diremos todos que não tem preço. O problema é que os cuidados de saúde têm um custo. E sendo os recursos escassos, coloca-se o problema económico do custo de oportunidade: para salvarmos uma vida, quantas teremos de sacrificar?

O que se está a passar com o tratamento para a hepatite C ilustra bem o problema subjacente [curiosamente, usei este caso há três meses atrás para ajudar a explicar o conceito de custo de oportunidade aos meus alunos de Microeconomia]. Um tratamento custa, antes das recentes negociações, cerca de 42 mil euros. Ora, 42 mil euros permitiriam, por exemplo, financiar o seguinte:

  • 14 bypasses coronários ou
  • 140 operações às cataratas ou
  • 6900 refeições em cantinas escolares ou
  • 2 salários anuais de professores contratados no 2º escalão.

Dado que os recursos são escassos, optar por um pode implicar abdicar de outro. Outros problemas similares colocam-se. Por exemplo, quanto dinheiro devemos investir para reduzir a sinistralidade rodoviária em 1%? 1 milhão de euros? Mil milhões de euros? Estas decisões, envolvendo vidas, requerem contudo uma análise económica. E, para o fazer, temos de avaliar o valor de uma vida. Quanto vale uma vida?

Existem diversos métodos em economia da saúde para tentar estimar o valor de uma vida. Um dos primeiros, entretanto abandonado, era o de estimar os cash-flows futuros que aquela pessoa geraria. O método era não apenas incerto, extremamente variável, como iníquo: a vida de um rico valeria bem mais do que a vida de um pobre. Uma outra abordagem mais indirecta, o valor estatístico de uma vida (VSL), recorre a um proxy por forma a avaliar qual o valor que aquela sociedade em particular atribui a uma vida. Por exemplo, admitamos que a sociedade está disposta a investir mil milhões de euros para reduzir a sinistralidade rodoviária em 1%. Ora, se 1% corresponder a mil vidas, uma vida valerá então cerca de 1 milhão de euros.

Esta análise preliminar permite aferir quanto dinheiro deverá estar adjudicado à saúde. Mas coloca-se outra questão: dentro da saúde, e dado que os recursos são escassos, que tratamentos privilegiar? Uma forma de avaliar isto é calculando o número de QALYs, ou quality-adjusted life-years, que vale um tratamento. Por exemplo, admitamos que um ano de vida de uma pessoa normal vale 1 QALY, e que uma pessoa com hepatite C vê a qualidade de vida reduzida em 50%, ou seja, 0.5 QALYs. Se o tratamento para a hepatite C permitir recuperar esses 0.5 QALYs durante 30 anos, então o valor desse tratamento será de 0.5 vezes 30, 15 QALYs. E o tratamento oncológico para uma criança? Se lhe permitir viver 60 anos e recuperar 0.75 QALYs, então vale 45 QALYs.

Posto isto, há que combinar ambos os indicadores: primeiro, perceber quanto dinheiro quer a sociedade afectar à saúde como um todo, o que implica responder à questão de quanto vale uma vida. Depois, perceber que tratamentos serão preteridos. Isto porque, e usando o exemplo supra-referido, o custo de um tratamento oncológico poderia permitir, por exemplo, salvar três pacientes com hepatite C (admitindo que o tratamento oncológico custa cerca de 150 mil euros).

A decisão política de adjudicar o máximo possível de recursos não pode estar desconectada da realidade económica: para o fazer, de onde se retiram? Da educação? Da defesa? Das transferências sociais? Aliás, é até possível que o custo de financiar todas as necessidades de cuidados de saúde seja superior ao próprio produto do país. Uma discussão sobre o assunto requer ponderação e racionalidade. Fugir a uma discussão que racionalize o SNS implicará um dia forçar outra que o racione, como aliás acontece. As filas e listas de espera são formas indirectas de racionamento que se prendem com a falta de recursos.

Pessoalmente, não tenho qualquer dúvida que a vida vale todo o nosso esforço. E por essa razão em particular, o Estado deve primar pela disciplina orçamental e rigor na alocação do Orçamento de Estado. Quando financiamos uma peça de Brecht de um qualquer encenador que jura que a cultura deve ser financiada por todos nós, podemos estar a reduzir os recursos disponíveis para mais um tratamento que possa salvar mais uma vida. E sacrificar a vida de uma criança é um preço demasiado elevado a pagar.

P.S. – Como antecipo desde já comentadores que me irão recordar os 7 mil milhões anuais de serviço de dívida, montante que poderia salvar muitas vidas, é importante lembrar que não pagá-los poderia significar sacrificar todos os tratamentos de saúde subsequentes. As nossas decisões de curto-prazo não deverão afectar as de longo-prazo.

54 pensamentos sobre “Quanto vale uma vida?

  1. Os lucros dos laboratórios são pornográficos.
    Sou de uma família de muitos médicos.
    Sei em pormenor como funcionavam, até há pouco, os inúmeros congressos em que eles participavam, pelo mundo inteiro, sobretudo em locais de interesse turístico.
    Para não falar de outras coisas…
    É por estas e por outras que “eu sou grego”.

  2. LV

    MAL,
    Sem discutir os aspectos técnicos do artigo, ocorre-me sublinhar que estas ponderações estão enquadradas por uma visão utilitarista da ética. Nesse sentido, os VSL´s ou os QALY´s são apenas artifícios para resolver questões centrais associadas a noções de bem comum e felicidade geral. Da sua concretização pela via de uma consideração redistributiva de justiça que irá manter ocupados aqueles que às equações e artifícios (VSL´s e QALY´s) dedicam a vida. E não será pequena a tarefa da sua optimização (Sísifo?).
    Porque é um problema que se relaciona com recursos, a visão utilitarista não é a única (nem será a melhor, julgo) a considerá-lo. Aliás a comparação que MAL estabelece com várias possibilidades de tratamento é uma excelente ilustração do cálculo que somos forçados a fazer no contexto dessa ética. E, dessa forma, que cada um acabe por ser um juiz a decidir a vida dos outros, é dificuldade que não podemos evitar.
    A referência que faz ao quadro de decisões de âmbito político é outro exemplo das dificuldades aqui presentes. Nem sempre as prioridades dos agentes políticos coincidem com as prioridades daqueles que, supostamente, deveriam representar. Se formos considerar o ponto máximo onde nos podem levar estes cálculos, então dificilmente chegaremos a consensos: “o que será a felicidade?”; “o que será justo fazer-se?”; “o que devemos fazer?”.
    Não obstante a dificuldade de encontrar, individualmente, respostas para estas questões, a perspectiva utilitarista (consequencialista) que molda estes “procedimentos de política pública” só os agrava. E querendo a justiça, conduz-nos – não raras vezes – ao seu contrário.
    Que se insista (política e socialmente) em querer mudar procedimentos, sem questionar a própria qualidade da visão ética subjacente é que merece ponderação séria.
    Saudações,
    LV

  3. Caro LV, estou de acordo consigo. A análise que aqui faço é ad-hoc, positivista, desconsiderando qualquer enquadramento ético, ou aceitando implicitamente aquele que vigora. Para o problema actual, como resolvê-lo? Apenas isto. Outros países atenuam ou resolvem a questão de uma outra forma: através de sistemas de seguros de saúde (Alemanha, Aústria, Holanda, etc. – modelo Bismarckiano), onde cada um acaba por tomar essa decisão individualmente, embora majorada pela capacidade do sistema de providência ou da seguradora de financiar. A decisão deixa de ser ao nível central, top-down, e parte de cada um, não necessitando, portanto, de fazer esta análise utilitarista de maximização do bem-estar social.

  4. Luís Lavoura

    Há outra alternativa, que é deixar o mais possível o financiamento da saúde curativa (não o da saúde preventiva) ao cuidado dos privados, isto é, daqueles que precisam dos cuidados de saúde. Nesse caso, serão os próprios a decidir se vale a pena gastarem o seu dinheiro para fazerem um determinado tratamento, ou não.
    Ese método já é amplamente seguido em Portugal, por exemplo, muitas vezes, em fisioterapia. As pessoas sabem que uma fisioterapia lhes faria bem e decidem se a fazem ou não, em função do dinheiro que estão dispostas a investir nela.

  5. Na outra ponta do “problema”: qual o valor em impostos que o contribuinte paga durante toda a vida?… Diretos, indiretos e “assim-assim”…

  6. Luís Lavoura

    através de sistemas de seguros de saúde (Alemanha, Aústria, Holanda, etc. – modelo Bismarckiano), onde cada um acaba por tomar essa decisão individualmente

    Que eu saiba, isso não é assim. No sistema alemão, a pessoa via ao médico e o seguro de saúde paga sempre. Se o médico prescreve um determinado tratamento, das duas uma: ou o tratamento está abrangido pelo seguro de saúde e a pessoa fá-lo e não paga nada, ou o tratamento não está abrangido pelo seguro de saúde e a pessoa tem que o pagar do seu bolso se o quiser fazer. Não há, usualmente, lugar a decisões individuais.

    Eu vivi na Alemanha, tinha um seguro de saúde, e nunca tive que tomar qualquer decisão individual sobre se devia ou não ter qualquer cuidado de saúde.

  7. Simão

    Recordo que, na última vez que a OMS fez um ranking (por volta de 2003, salvo o erro), o SNS português ocupava o….. 11º lugar num universo de mais de 150 países.
    E esta hein!’

    (se bem me recordo, os custos em relação ao OGE e ao PIB eram aceitáveis.)

  8. Afonso

    Gostaria de saber o que têm a dizer sobre este assunto os “entusiastas” que defendiam que era uma desgraça ficarmos sem os quadros de Miró! A sua venda para quantos tratamentos de Hepatite C daria?? Infelizmente, apesar dos “valores” que estão em causa (da vida, por ex.), não me parece que as indignações sobre este assunto da Hepatite C tenham atingido um “volume” tão alto como no assunto dos “Mirós”!!!
    PS: Quadros há muitos mas os “nossos entes” são únicos!!…

  9. rrocha

    “Quanto vale uma vida” bem mais que uma patente.
    O estado portugues podia alegar o interesse publico e romper com a patente produzindo o medicamento por um valor reduzido pagando a empresa um valor de compensaçao .
    antes que começem a atirar pedras dou o exemplo das diversas expropriaçoes que sao feitas todos os anos e acrescento que o Sr Presidente da APIFARM deu a resposta no forum da TSF que as empresas farmaceuticas nao existem para ter lucro e disse mais que o desenvolvimento do farmaco custou 1 000 000 000 € ao longo de 10 anos , ora so de Portugal vao 700 000 000 € ?

  10. zeva

    O sr. da APIFARM é, com todo o respeito, um pateta. As farmaceuticas são empresas privadas, com capitais privados. Como todas as empresas privadas, existem para ter lucros. Se não têm lucro, fecham as portas. E fechando as portas, não há lugar a novos medicamentos. Em boa verdade se diga que, assim, o problema deixava de existir.
    O sr. da APIFARM também se esquece que o desenvolvimento do farmaco custou X, mas houve outras centenas de investigações em farmacos que não tiveram qualquer sucesso. Este farmaco deverá pagar-se a si próprio e os outros. Deverá também servir para financiar as novas investigações de novos fármacos.
    Oh claro, o estado podia tomar o lugar das farmaceuticas e criar ele próprio laboratórios de pesquisa de farmacos. Todos sabemos o quão bem esta teoria funciona.

  11. rrocha, essa análise é um disparate. A farmacêutica tem centenas de projectos de R&D que nunca irão dar um cêntimo de lucro, apenas prejuízo. Os lucros deste medicamento pagam também essas investigações sem sucesso. Suspender a patente era abrir um precedente muito perigoso. As farmacêuticas pensariam várias vezes antes de investir milhares de milhões na investigação de novos medicamentos.

  12. Pedro

    “A decisão política de adjudicar o máximo possível de recursos não pode estar desconectada da realidade económica.”

    Assumir compromissos com credores, com um voluntarismo que até faz corar Lagarde, teve de ser feito a qualquer custo, segundo os discursos oficiais. Repito: a qualquer custo. Como se estivéssemos a salvar um credor da fome. Contraímos mais dívida pública, não consumámos sequer a obsessão pelo défice, aumentaram a pobreza, as fortunas milionárias e o desemprego. Danos colaterais, suponho. Ou uma matriz de desenvolvimento que não incomoda toda a gente.

    Isto, no culminar do debate, é tudo uma questão de valores. No dia em que a gestão de um país for economia pura e dura, e esta deixar de estar ao serviço da sociedade para colocar a sociedade ao seu serviço, eu mudo-me para o Canadá.

    E pensar que há gente neste blogue que se diz católica…

  13. JJ

    Diz que o Egipto teve acesso ao tal medicamento por cerca de 1000€ ou menos… A farmacêutica tem o faca e o queijo na mão e um sistema que a protege. Na minha opinião, o busílis da questão reside aqui.
    Como rrocha refere, o governo deve considerar seriamente se prefere respeitar a patente ou produzir o medicamento. Proponho ainda que a compensação dada à farmacêutica seja da mesma ordem que o preço que o Egipto pagou… a dividir por 10^1 ou 10^2 ou 10^3, dependendo do que dê na telha do Macedo.
    Quanto vale uma vida? Depende ! Onde está instalado o Excel? No Egipto ou em Portugal?

  14. João

    Gostei muito da resposta de LV.

    Faz me lembrar as excelentes aulas do Prof. Michael Sandel de Harvard. 12 episodios no you tube de que faço link do primeiro. São todos brilhantes e muito esclarecedores

  15. JJ

    Há a toda a hora espionagem industrial e roubo de informação fechada a 7 chaves. Ainda há pouco a China roubou os planos do F-35 e fez uma versão mais económica. Os States fazem o mesmo a toda a hora em todo o mundo, como se viu por Wikileaks e Snowden. A toda a hora, todos os países, roubam conhecimento quando possível para ter vantagens competitivas. Mas alto é para o bairro! se é para salvar um quantos badamecos aqui da parvónia. “Há que respeitar as patentes! Não vêm que causaria uma disrupção em toda uma indústria.”

  16. HC

    Aqui na tugalândia nem vale a pena discutir estes problemas.
    A solução é fingir que eles não existem e quando aparece um caso limite então fazer a festa.

    Se alguém tiver um cancro tem várias hipoteses (vou inventar estatísticas)
    a) A melhor clínica do mundo (80% poss. sobrevivência)
    b) O IPO (60% poss. sobrevivência)

    O custo adicional da clínica é 1.000.000€. Estamos a dar valor a uma vida?

    Se alguém tiver um ataque de coração grave. Vai convalescer para:
    a) Uma ilha paradisíaca com enfermeira particular (90% poss. sobrevivência)
    b) Em casa no Cacém como doente externo (60% poss. sobrevivência)

    O custo adicional é 200.000€. Estamos a dar valor a uma vida?

    Estas decisões estão tomadas pela própria natureza do sistema.
    Como é que se tomam? Não sei.
    Simplesmente não se parte do princípio que se tem direito ao melhor tratamento do mundo.

    O caso do medicamento é complexo e devia servir para se pensar a sério,mas, vai ser mais uma telenovela.

    Regras a nível da EU para medicamentos “salva vidas”? (hmm! estou a ver nascer umas comissões de acompanhamento).
    Negociações especiais com a farmacêutica?
    Roubo da patente? (Não dá. Há tribunais.)

  17. lms

    À iNDIA, aquele país que produzia genéricos que tiveram que ser retirados do mercado pq eram um perigo para a saúde ?

  18. balde-de-cal

    a discussão está, como na AR, ao nível de casa de putas

    A transmissão ocorre principalmente por via parenteral. São consideradas populações de risco acrescido: indivíduos que receberam transfusão de sangue e/ou hemoderivados antes de 1993, pessoas que compartilham material para uso de drogas injetáveis, inaláveis, tatuagem, “piercing” ou que apresentem outras formas de exposição percutânea. A transmissão sexual pode ocorrer principalmente em pessoas com múltiplos parceiros e com prática sexual de risco acrescido (sem uso de preservativo). A transmissão perinatal é possível e ocorre quase sempre no momento do parto ou logo após. A transmissão intra-uterina é incomum. A média de infecção em crianças nascidas de mães VHC positivas é de aproximadamente 6%, havendo co-infecção com HIV sobe para 17%. A transmissão pode estar associada ao genótipo e carga viral elevada do VHC

  19. Cecília Gama

    … “42 mil euros permitiriam, por exemplo, financiar os seguintes tratamentos: 14 bypasses coronários, 40 opeações às cataratas, 6900 refeições em cantinas escolares, 2 salários anuais”…

    Pelas minhas contas e se se falar em termos de serviços públicos e salários médios, usando o verbo correcto que é pagar, 42 mil euros pagariam mais que isso.

    No entanto e de facto, pagam mesmo, em boa parte parcialmente, carros do Estado a muitos políticos e funcionários superiores que, na grande maioria, deveriam usar viaturas bem mais económicas e carros próprios já que, como o autor ou autora do post reconhece, os recursos são escassos.

    É tudo relativo. Tudo depende de onde está a mente, o coração e o espírito de cada um.

  20. rrocha

    Sr Mario Amorim
    Brasil 2007
    “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta sexta-feira o ato de licenciamento compulsório (quebra de patente) do medicamento anti-HIV Efavirenz, informou o Palácio do Planalto”
    “Segundo o Ministério da Saúde, o substituto do Efavirenz pode ser comprado na Índia por US$ 0,44, contra US$ 1,65 cobrados pelo laboratório Merck “

  21. rrocha

    USA
    2013
    “Na última semana, entretanto, Obama vetou uma decisão anterior da ITC que impedia a venda de modelos antigos de smartphones iPhone e tablets iPad, da Apple, distribuídos pela operadora americana AT&T, depois que a comissão decidiu que a empresa havia violado patentes da Samsung.
    Este direito de veto pelo presidente é raramente exercido, conforme destaca a agência France Presse. A anulação do parecer anterior da ITC em favor da Samsung, no último sábado (3), foi a primeira intervenção deste tipo desde 1987.”

  22. “Ora, 42 mil euros permitiriam, por exemplo, financiar os seguintes tratamentos:

    14 bypasses coronários
    140 operações às cataratas
    6900 refeições em cantinas escolares
    2 salários anuais”

    Bela demagogia. Parabéns!

  23. rrocha

    Diversos
    “Canadá
    Entre 1969 e 1992 o Canadá decretou cerca de 613 licenciamentos compulsórios, permitindo a produção e importação de produtos farmacêuticos sem a autorização dos respectivos detentores de patentes.”

    Estados Unidos
    Entre os anos de 1960 e 1970 o governo americano produziu e utilizou tetraciclina e meprobamato, para fins militares, sem autorização das empresas detentoras de patentes. Na década de 80 os EUA declararam o licenciamento compulsório da patente de insulina, pertencente à empresa Eli Lilly.

    Na segunda metade da década de 1980 até a década de 1990, o governo dos EUA decretou seis licenças compulsórias em resposta ao crescente número de fusões entre empresas, tentando evitar o conseqüente monopólio do mercado farmacêutico.

    No final de 2001, devido aos ataques terroristas com Antraz, os Estados Unidos utilizaram a possibilidade de licenciamento compulsório como ameaça para conseguir a redução do preço da ciprofloxacina em negociações com a empresa Bayer.

    Itália
    Em junho de 2005, após investigação sobre abusos de poder contra as empresas GlaxoSmithKline and Merck & Co Inc., o governo italiano ordenou o licenciamento compulsório dos antibióticos imipenem e cilastatina, utilizados em infecções hospitalares, cuja patente pertencia a empresa Merck.

    Em 2007, a Itália decretou o licenciamento compulsório da patente do medicamento finasterida, também pertencente a empresa Merck

  24. Pedro

    O mundo dos medicamentos e da saude em geral, é sem duvida controverso, “não sei” porque mas a mim me parece que o estado ainda intervem num setor tendo o monopolio dos serviços de saude, retirando concorrencia essencial ao setor por forma a baixar os custos de mercado de alguns medicamentos bem como de outros tratamentos que sendo caros seriam por ventura hoje em dia mais e melhores.

  25. lucklucky

    Por isso é que o desenvolvimento de medicamentos está pelas ruas da amargura e só vai piorar.

    É claro que para os rrochas deste mundo os milhões de mortos que vão provocar no futuro nada lhe dizem. O seu tempo é só presente, populista sem vergonha.

    Mas já é incapaz de dizer que os médicos e enfermeiros deveriam trabalhar pelo ordenado mínimo.

    Claro que vida humana tem preço. Por exemplo a sociedade aceita andar de carro/mota que mata 1000 por ano e deixa estropiados mais algumas centenas. Os lucros de andar de carro são maiores que o valor das mortes. O mesmo de avião. Ou se quisermos ser extremos sair de casa.

    A redundância dos sistema de um avião, a protecção anti sísmica/incêndio de uma casa.
    O investimento nas Forças Armadas.
    Onde se coloca um Hospital – num local onde obviamente ajudará maior número de pessoas, não num local com menos.

    Se por exemplo as viagens aéreas fossem só para ricos, os aviões poderiam ter 4 motores em vez dos habituais 2. Mais segurança.

    O mesmo com as crianças, só não morrem crianças se não nascer nenhuma.
    Assim acaba-se com o sofrimento, mas já não se tem lucro.

  26. Francisco

    Neste estupido mundo em que os partidos e os sindicatos mobilizam as massas para as mais diversas ações, não compreendo porque não o fizeram para pressionar a farmacêutica…Justificava-se ou não? Mas para aproveitamentos partidários tudo serve…

  27. rrocha

    Sr. lucklucky
    Caso nao tenha lido e antes que me acuse de todos os males do mundo
    “O estado portugues podia alegar o interesse publico e romper com a patente produzindo o medicamento por um valor reduzido pagando a empresa um valor de compensaçao .”
    Se nao sabe devia de saber que e uma tecnica de negociaçao.
    quanto “Por isso é que o desenvolvimento de medicamentos está pelas ruas da amargura e só vai piorar.” Curioso o numero de novas moleculas a entrar no mercado nao para de aumentar

  28. Jorge Gaspar

    A culpa é da farmâceutica que se dá ao trabalho de fazer investigação e de aplicar capital para criar medicamentos que salvam vidas.
    Deem cabo desses exploradores que o Maduro, o Raul e a Roussef arranjam medicamentos melhores e á borla.
    Avante camarada, que o paraíso é já ali.

  29. A. R

    Lamentavelmente há muito populismo nestas causa. Primeiro os ganhos pornográficos dos Laboratórios. Um medicamento custa dezenas de milhões de euros a desenvolver: salários, equipamentos, testes, autorizações e produção. Ou o dinheiro volta ou acaba a investigação e o desenvolvimento de novos: os trabalhadores não podem trabalhar com salários de miséria. Não conheço laboratório russo, cubano, norte-coreano que tenha desenvolvido qualquer medicamento de importância como os desenvolvidos no mundo livre. O sistema funciona e há quem lhe lance torpedos.

    A esquerda foi desprezível: em vez de apoiar a posição negocial do Ministro, o dinheiro dos contribuintes e os doentes pôs-se ao serviço de populismos baratos que nada trazem. O número de doentes que faleceram depois disto foi menor que nas manifestação de 75 e uma fracção das esquerdistas FP-25. Mas aí está … quando são muitos é apenas uma estatística.

    A esquerda devia dizer como resolvem o problema em Cuba, no Vietname, em Venezuela, etc. e o BE devia por a mão na consciência pois é muito tolerante com as drogas. Muitos infectados são-no precisamente por se drogarem: em vez de elogiarem os efeitos recreativos das drogas deviam alertar para estes efeitos colaterais

  30. jose carlos

    se fosse verdade o que alguns aqui escreveram, então países pobre como Cuba seriam a meca dos medicamentos que salvam vidas e até poderiam exportar para o resto do mundo. Tal como Portugal em vez de ter que negociar com as farmacêuticas podia dedicar um % do PIB à investigação e produção de medicamentos. Mas como a realidade é desmente a ficção , vamos continuar a negociar com as farmacêuticas e a viver com orçamentos limitados.

  31. A. R.,

    Há a Rússia comunista e a Rússia cristã e capitalista. São muito diferentes.

    Não se esqueça de a tabela periódica vem de um russo, Mendeleev. E neste momento grandes farmacêuticas têm laboratórios na Rússia, por exemplo, a Unique Pharmaceitucal Laboratories OOO (nome em inglês), uma subsidiária da J. B. Chemicals & Pharmaceuticals.

    Quando os russos se livraram do comunismo, a Rússia pôde florescer.

  32. José Carlos,

    O dinheiro que é dado para «investigação» raramente é recuperado. À la une, os investigadores investigam a Filogenia da batata na ontologia recapitulada dos tubérculos ministeriais. À l’autre, os investigadores quando investigam, publicam e vão para o estrangeiro.

    O melhor incetivo para a investigação é a perspectiva de lucro.

  33. José C. M. Velho

    Este artigo é de uma estupidez gritante, tal como gritante é a estupidez que grassa na mente do seu autor e naqueles que o aplaudem. A demagogia estúpida de indicar quanto se pode fazer com aquele custo, que dava para não sei quantas operações ou refeições, etc., é tão estúpido e tão ao nível de uma mente infantil de um aluno da escola primária que só sabe contar as moedas que tem no bolso e tem que decidir o que fazer com elas: se compra um chupa ou um saco de gomas, porque aquele dinheiro que tem no bolso dá para dois pacotes de batatas fritas ou para uma Coca-cola. Ai que difícil ter que decidir o que fazer. O que vale mais? Satisfazer a fome ou a sede? E se à equação acrescentarmos a possibilidade de que aquelas moedas no bolso também servem para comprar uns cromos para colar na caderneta, teremos que calcular os QALYs que cada intenção pode aportar à vida daquela criança.

    Uma estupidez e uma infantilidade!

    Recentemente um médico de um hospital público português demitiu-se afirmando que a Administração lhe perguntara o que ficava mais barato num tratamento para um paciente: se a amputação ou a prótese?

    Numa sociedade organizada, civilizada, na qual os cidadãos elegem representantes para satisfazer o bem comum, ou seja, numa democracia, os cidadãos devem ser satisfeitos pelos seus representantes e não o contrário, sendo os próprios cidadãos responsáveis pela satisfação global das suas necessidades e expetativas.

    Quanto vale uma estrada? Vale mais do que 15 caminhos? Quanto vale uma avenida? Mais do que 4 ruas? Quanto vale um hospital? Mais do que 5 centros de saúde? Muito bem, há coisas que valem mais do que outras, então, sendo assim, nunca deveríamos gastar dinheiro nas mais caras e ficarmos apenas pelas mais baratas? Em vez de fazermos uma estrada deveríamos antes fazer os 15 caminhos, assim tínhamos muitos mais meios de comunicação. E que dizer das autoestradas? Nunca, nem pensar. Uma autoestrada consome recursos equivalentes a 86 caminhos, portanto, nem pensar. Já para não falar na quantidade de “bypasses” coronários, operações às cataratas, refeições nas cantinas ou salários anuais.

    Mas que grande estupidez e que mente tão curta.

    O cidadão que paga, não só mensalmente, com os descontos do seu salário, mas quando paga todos os impostos incluídos no seu dia-a-dia, não só quando toma um café ou compra a alimentação mas quando liga a luz, enquanto está a ler este texto… Está sempre a pagar para uma organização que espera zele não só por ele como pelo conjunto da comunidade e, quando a comunidade ou um elemento dessa comunidade é afetada por algum padecimento, algum cataclismo, o conjunto da comunidade deve responder e solucionar os problemas que detém. Assim se faz quando surgem tempestades que destroem uma povoação, ou que afetem as populações de uma zona, como aconteceu no Funchal e a comunidade, no seu conjunto, incluindo os continentais, tiveram que contribuir para solucionar o problema daqueles. Mais valia não o fazer, uma vez que essa intervenção daria para não sei quantos tratamentos ou refeições ou o raio que o parta?

    Que estupidez!

    Não se trata de calcular a vida de uma pessoa; não se trata de conseguir introduzir numa folha de Excel um valor ou uma equação. Isso não é a vida, isso é uma alienação e uma alucinação.

  34. Fernanda

    O texto é infantil e demagógico.

    Já a foto é gira.

    Mas voltando à cena da demagogia, chega-se à conclusão que a demagogia do texto começa na própria foto (que é gira). O título é a cereja em cima do bolo. Ou vice-versa.

  35. joao lopes

    incrível,negocio é negocio,dinheiro gera dinheiro e as estatísticas em Excel contam toda a verdade.volta vitor gaspar,estas perdoado,tens mais humanidade num dedo do que juízo tem os teus seguidores.

  36. hustler

    Estou completamente de acordo com o MAL, mas para as pessoas que não entendem bem este trade off, este deveria ser colocado sob a forma de referendo com a seguinte questão:
    “Aceita que lhe aumentem os seus impostos/cortem nos seus benefícios de forma a financiar todos os tratamentos de doentes com hepatite C (ou outra patologia qualquer)? Se sim, qual é a percentagem de aumento de imposto/corte de benefício que está disposta a aceitar?”
    Para quem é emocionalmente imaturo e acha que a culpa é sempre dos outros, que os recursos de um país são infinitos e que os governantes só protegem os ricos, a abordagem a este tema não é pela racionalidade (embora o devesse ser), mas sim colocar os cidadãos mais pueris a fazer esta introspecção, o quanto estão dispostos a abdicar do seu “conforto pessoal” para ajudar todos os nossos concidadãos.
    Podemos fazer também esta abordagem para os sem abrigo, etc…

  37. Maria

    Mário Lopes, por que não 1/2 professor do ensino universitário? Um professor contratado do 2º escalão? Existe? Ganha 2 vencimentos se encontrar um contratado no 2º escalão; olhe rapaz, até que seja um que esteja no 1º. A ignorância e vaidade faz dizer muito disparate. Como é óbvio, o resto nem dá para comentar (e muito menos, para argumentar).

  38. Pingback: Custo de oportunidade | Balhau I am.

  39. Pingback: Pharma Issues | ants

  40. Cara Maria, as manifestações de carinho que recebi da extrema-esquerda, parcimoniosa na racionalidade, na ponderação, e particularmente poupada nos doutos, atestam a importância das minhas palavras. Como tal, só lhe posso agradecer. No dia em que assim não for, é porque não escrevi nada de jeito.

  41. economista

    Carissimo Professor : Não padeça dos mesmos males que PPC . Este pseudo nunca soube quantificar o que até não sabe qualificar . Deixemos as desgraças … Não é felizmente o caso de V. Exa. . Não se esqueça que o custo do tratamento clássico(que não cura…) é superior ao custo do contestado medicamento (que cura..) . Curioso que todos demagogicamente falam da margem exagerada e omitem o valor da provisão investigação e pior que somos pobres … e existe um mercado comum livre pelo que o preço português não pode ser diferente do alemão …
    não pode haver discriminação em relação ao preço mas pode haver discriminação em relação à pobreza … castigat ridendo mores

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