O acesso a capitais alheios no quadro atual depende porém não só da disponibilidade mas também da solvabilidade das empresas, da “saúde” que estas exibam no momento em que se apresentam para o ‘check up’ que os bancos e as instituições públicas são forçadas a fazer, em virtude das exigentes regras de mensuração de risco impostas por Basileia III e pela UE. Não há como fugir à realidade, as empresas que não apresentem “bons números” não vão poder aceder nem a crédito nem a Fundos Comunitários que lhes permitam promover investimentos não recorrentes que melhorem a sua capacidade operacional e de exportação.
Neste contexto, o reforço dos capitais próprios e o reequilíbrio da situação financeira das empresas é fundamental para que possamos ter crescimentos sustentados assentes num tecido empresarial e bancário saudável e solvente. Sem prejuízo das estratégias que cada acionista tenha para os seus investimentos – e o recebimento de dividendos é uma expectativa legítima – boa parte das empresas portuguesas deveriam nesta fase fazer um esforço adicional para promover poupanças e capitalizar os lucros, reforçando a robustez dos seus balanços. Recentemente participei na entrega dos certificados PME Excelência, tendo constatado ser esta a estratégia de uma boa parte do nosso tecido empresarial, em virtude do crescimento acentuado e sustentado do número de empresas que se apresentam em melhoria significativa da sua condição financeira.
Neste quadro, há vários anos que venho defendendo ser fundamental recompensar as boas empresas que se orientam para o investimento, por via da suspensão do IRC das empresas que incorporem lucros e apostem no reinvestimento, seja em ativos corpóreos, sejam incorpóreos, para reforço da sua capacidade operacional e criação de emprego.