Mais um bode expiatório

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Se há arte em que o português é exímio, é a arte de culpar o outro. O aumento dos juros da dívida soberana? Culpa dos especuladores. A austeridade? Culpa da Merkel. A mulher espancada? Culpa do Benfica que perdeu o jogo. O ataque terrorista? Culpa da austeridade, da Merkel e da liberdade de expressão, e provavelmente ainda sobrará espaço para culpar os especuladores, através de um intrincado raciocínio ao nível da Ana Gomes.

A atentar pelos comentadores profissionais que à 3ª comentam a bola mas à 4ª são especialistas em tudo, a nova senda na arte de expiar culpas é o brasileiro. A PT? Culpa dos brasileiros. A TAP? Culpa dos brasileiros. Alguém em Portugal decidiu comprar 1/4 de uma empresa da segunda liga das telecomunicações brasileiras pelo seu então valor de mercado? Culpa dos brasileiros. Alguém em Portugal aceita uma fusão, que, em boa verdade, foi uma absorção da PT pela congénere brasileira? Já sabemos de quem é a culpa. Alguém em Espanha decide comprar a Vivo por um valor exorbitante, inundando a PT de capital que foi posteriormente muito mal aplicado? Esta era para enganar. Culpa dos espanhóis, certamente. Se ao menos não tivessem comprado a Vivo. Alguém em Portugal decidiu comprar uma empresa de manutenção terrestre no Brasil que estava à beira da falência e com uma alavancagem de quase 5x o valor da empresa? Culpa dos brasileiros.

Esta falta de reflexividade e de auto-crítica é característica de quem não tem a humildade para assumir os seus erros e responsabilizar-se por isso. Porque, esse sim, é um exercício custoso, só ao alcance dos mais dignos.

10 pensamentos sobre “Mais um bode expiatório

  1. jo

    Essa história do passa culpas é universal:
    Há quem goste de culpar os portugueses que ganham o salário mínimo por, ao serem demasiado gananciosos, estarem a destruir a economia.
    A produtividade das empresas é baixa e não temos um empresário que se destaque pela positiva? Culpa dos trabalhadores que não trabalham de graça.
    As urgências hospitalares estão um caos? Culpa das pessoas que vão à urgência fazer turismo.
    O ajustamento falhou em toda a linha e o a troika e o governo não acertaram uma previsão económica? Culpa dos portugueses que não querem trabalhar de graça?
    Os bancos, que alguns diziam que eram muito sérios, estão a revelar escândalos todos os meses? Culpa do Estado que não os pôs na ordem.
    As empresas logo que foram privatizadas começaram a dar prejuízos e a criar escândalos económicos? Culpa dos portugueses … Estava a brincar: culpa do Estado Social que não criou gestores privados honestos.

  2. Fábio Oliveira

    Outro problema que advém de não se ter humildade nem capacidade de reflexão é a incapacidade depois de avaliar as nossas qualidades com realismo.
    Para além de não sabermos do que somos culpados também não sabemos o que fizemos bem.

  3. Luís Pereira

    Absolutamente típico do espírito socialista que nos (des)formatou o espírito. Um socialista ou comunista nunca é responsável seja prlo que for. Os culpados são sempre os outros.

  4. Gil

    Os “alguém” referidos no post, têm um nome: acionistas. Mesmo aqui não se podem fazer generalizações, mas apenas dizer que ESSES investidores são uma treta. É possível que sejam quase todos portugueses, mas OS portugueses não têm culpa alguma.

  5. Luís

    «Essa história do passa culpas é universal:
    Há quem goste de culpar os portugueses que ganham o salário mínimo por, ao serem demasiado gananciosos, estarem a destruir a economia.
    A produtividade das empresas é baixa e não temos um empresário que se destaque pela positiva? Culpa dos trabalhadores que não trabalham de graça.»

    Culpa das ilusões utópicas de quem não conhece nem sabe (quase) nada do país onde vive. Não tivémos Revolução Científica nem Revolução Industrial. Não tivémos a evolução social e institucional que a Reforma trouxe à Europa Central e do Norte, aos EUA ou à Grã-Bretanha.

    Tínhamos um atraso estrutural na sociedade e na economia de décadas. Esse atraso começou a atenuar com o Estado Novo. É olhar para os números, repito é olhar para os números.

    Após o 25 de Abril, em vez de evoluirmos para uma economia de mercado e para uma democracia equilibrada sem partidos comunistas, destruímos a economia com o famigerado PREC.

    Na década de 90 a Espanha já tinha uma agricultura moderna, coisa que ainda não temos ao nível dos espanhóis em 2015. Os espanhóis eram os reis do turismo, e agora evoluímos em parte graças ao trabalho de Adolfo Mesquita Nunes. Indústria temos pouca, destruiu-se muito com o 25 de Abril e sem investimento externo e redução do esforço fiscal dificilmente mudará o panorama neste sector.

    Para haver Estado Social tem de haver uma economia rica, forte, produtiva que o sustente. Em 1974 não estávamos preparados para tal, hoje também não estamos.

    A Esquerda pensa que consegue fazer de Portugal uma Suécia em poucos anos.

    A verdade nua e crua é que para darmos um passo em frente, teremos de dar dois atrás. Nós, os gregos, talvez os espanhóis e quem sabe os italianos e os franceses.

    Quem não admite que precisamos de reformas estruturais agressivas e duras e que serão necessárias décadas para reduzir o endividamento externo privado e público, colocar o PIB per capita na média da UE e resolver problemas estruturais graves como o Ordenamento do território mente. São os vendedores de banha de cobra maioritariamente de Esquerda que andam pela comunicação social.

    Precisavam todos de ler 100 ou 200 livros de autores portugueses (Saramago não conta) e de ter uma pequena empresa na província durante 10 anos, pagar salários, pagar impostos, enfrentar burocracias e regulamentações. Depois, disso, talvez mudassem as ideias incutidas por 4 décadas de lavagem cerebral diária imposta pela Esquerda.

    Não há na Europa Esquerda mais nociva, mais daninha, mais nojenta, mais estúpida, mais ignóbil, mais abjecta e imunda, mais corrupta, mais vingativa e preguiçosa, invejosa e diletante que a Esquerda portuguesa.

    Deve ser dever de todo o cidadão consciente e informado lutar e denunciar os crimes desta canalha, lembrar os mortos das FP-25, o drama da descolonização em cima do joelho, o sofrimento das guerras em África, as traições a Portugal do Partido Comunista, o endividamento de Sócrates, os esquemas de Soares, tudo o que foi dito e escrito a propósito do escândalo Casa Pia, as três vindas do FMI, as tentativas de controlo da comunicação social, a queda e nacionalização do BPN, as ligações de Ricardo Salgado ao Regime e a sua queda, as nacionalizações do PREC, e tantas outras asneiras, crimes, mentiras.

  6. jo

    Como afirmações da direita revanchista não está mal.
    Portugal foi sempre atrasado, só recuperou com o Estado Novo, que durou 48 anos e deixou… um país na miséria, e tão farto dos senhores que sabiam tudo, que quando o Estado Novo caiu, os seus fiéis cavaram daqui ou afirmaram ter sido sempre democratas.
    O PREC durou menos de um ano mas pelos vistos tem as costas larguíssimas. O mesmo quanto aos comunistas que nunca governaram fora do PREC.
    O drama da descolonização é a consequência de, para se terem colonos a viverem bem, se ter mantido as colónias muito para lá do prazo de validade. Claro que os antigos colonos gostavam de ainda viver num país com cidadãos de segunda, mantido por um exército de carne para canhão que era enviada da metrópole. Por isso a sua contribuição para uma descolonização controlada foi nula, quer antes quer depois da revolução.
    São necessárias reformas estruturais, mas ter o “escravo” a trabalhar para os senhores não são reformas estruturais, é um peditório para o qual já demos no fantástico Estado Novo.
    Tem de rever os seus sentimentos para com os nossos vizinhos: ora parece que fizeram tudo bem, ora parece que precisam de reformas.

  7. Luís

    Caro jo,

    a sua cassete já é velha. Mas os números e os factos falam por si.

    Aprendeu isso no gulag?

    Portugal tem o seu «Templo do Povo», Soares e Cunhal são os seus Jim Jones e querem fazer disto uma Jonestown.

    Vão-se lixar.

  8. Luís

    Nunca Portugal cresceu tanto em 200 anos como cresceu durante o Estado Novo, sem endividamento externo e com uma guerra às costas.

    A miséria oh imbecil vinha de trás da Monarquia e da Primeira República e não só se recuperaria com décadas de crescimento e convergência, pois o PIB per capita era cerca de metade da média da Europa rica. Essa convergência ocorreu aproxidamente entre o fim da guerra e 1974.

    Quanto a África… nem comento.

    Você é burro, sabia?

  9. Luís

    Sobre o PREC… está tudo no blog Porta da Loja. Está lá documentação abundante.

    E não fala nas FP-25? Esqueceu-se?

  10. A. R

    Há quem ache que a redução da mortalidade infantil, crescimento económico e as reformas foram inventadas pelo 25 de Abril

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