Charlie Hebdo, liberdade de expressão e de indignação

Miguel Sousa Tavares disse ontem, no seu habitual comentário das segundas-feiras na SIC, que o Charlie Hebdo caricatura a religião e que isso é uma outra forma de fanatismo, fanatismo ateu, que ele, apesar de ateu, não subscreve.

Não sou ateu. No entanto, não posso deixar de realçar o seguinte:

O Charlie Hebdo não foi atacado por caricaturar a religião, mas o fanatismo religioso. E mesmo que fosse a religião o alvo, a questão em cima da mesa é a mesma: liberdade de expressão. Qualquer pessoa é livre de ridicularizar o que quer que seja. Pode não ser responsável? Pode. Podemos nos indignar? Podemos. Mas cabe-nos passar por cima. Ser adulto é, em parte, isso mesmo: ter consciência de que o nosso valor está acima de qualquer crítica estúpida.

7 pensamentos sobre “Charlie Hebdo, liberdade de expressão e de indignação

  1. tina

    MST é outro ressabiado como o Bochechas e JPP, que com a idade vão ficando cada vez mais ressentidos pois deixam de ter importância e por isso vão tomando posições cada vez mais extremas. Só assim é que as pessoas reparam que eles ainda existem. Gordos, velhos e feios, mas ainda lá estão.

  2. João de Brito

    Nunca tive a mesma projeção.
    Mas também estou a ficar velho e feio. Gordo não.
    Os autores de textos como este podem ser jovens e bonitos.
    Mas são certamente muito imaturos.
    E tão radicais como os do outro lado.
    A liberdade de expressão (seja lá o que isso for) não se discute.
    Maomé também não.
    Resultado: o que se vê e, tudo indica, o que se há de ver…
    Como estou a ficar velho, permito-me encenar uma situação muto banal mas muito esclarecedora para o caso:
    Duas pessoas desentendem-se no trânsito automóvel.
    Os nervos estão à flor da pele.
    Chovem os argumentos e os contra-argumentos.
    Vem o insulto.
    Começa a pancadaria…
    Moral da história:
    – De que serviu “tal” liberdade de expressão?!
    Nota 1:
    A liberdade de argumentar e contra-argumentar terminou exatamente na liberdade de insultar.
    Nota 2:
    Mais tarde, no tribunal, provavelmente não se julgará o problema de trânsito, mas as ofensas corporais.
    É tudo uma questão de bom senso, malta!
    Que a idade ajuda.

  3. João de Brito,

    Se alguém me insulta, viro-lhe as costas. Se me tenta insultar mais, olho-lhe nos olhos e ainda sorrio. Quando por fim ele se desfaz em insultos, fico impávido.

    Quando escrevem um insulto (ora quantos!), das duas uma: ou passo por cima e finjo que o insulto nunca existiu ou faço escrevo aqueles floreados tão enovelados que o idiota pensa que está a ser elogiado quando todos os outros sabem que lhe espetei a espada pela garganta abaixo.

    Um imbecil será sempre um imbecil e igual a outro imbecil. Eu não preciso de ser igual a um imbecil. Eu sou muito melhor que um imbecil. O João de Brito também. Se o Charlie Hebdo acha que pode insultar Deus, pois que se atenha com Deus. Eu não pretendo vingar Deus, pois Deus não mo-lo pediu. E a fé é isto: saber que Deus é grandinho (grandão) o suficiente para se desenrascar só. E que, entre um imbecil e um cordato, o povo português escolherá sempre o cordato. E é assim que se ganha·

  4. lucklucky

    É certamente pungente ver tantos Esquerdistas ateus hoje preocupados com ofensas à religião.

    Na Guerra Civil Espanha matavam Padres e não parecem ter tido muitos remorsos.

    Por qualquer razão desconhecida um comportamento de mais de 100 anos modificou-se de um dia para o outro.

    Porque será?

  5. Lucklucky,

    Porque o ódio ao Ocidente e aos seus valores verdadeiros é supremo nesses pedaços de jerico.

    Lembro-me de ler excertos que mostravam como a imprensa americana (controlada por comunistas e escarralhada geral) mudou no espaço de dias entre ostracizar Hitler e fazer-lhe elogios após o pacto Ribbentrop-Molotov. Ordens de Moscovo.

  6. PiErre

    Lucklucky,

    O comportamento modificou-se porque: mudam-se os tempos, permanecem as vontades, mudam-se as estratégias.
    Camões que me desculpe, mas é assim que eu vejo as coisas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.