Alemanha vs. Grécia – Modelos de desenvolvimento

Outra nota à análise de ontem de Miguel Sousa Tavares (MST) na SIC, desta vez sobre as eleições gregas, a austeridade e a Alemanha. MST comparou, não foi o primeiro a fazê-lo, a dívida da Grécia à da Alemanha no final da segunda guerra mundial, como pretexto para a necessidade de a Europa ser mais complacente com os gregos.

Dito assim parece lógico. Mas não é. Entre os dois casos há uma diferença abissal. A dívida alemã foi fruto das guerras que marcaram a primeira metade do século XX. Já a dívida grega é fruto do modelo de desenvolvimento da Grécia. A dívida alemã foi paga porque a Alemanha se desenvolveu. A dívida na Grécia foi contraída porque a Grécia se desenvolveu.

Ou seja, há algo de errado no modelo de desenvolvimento grego que não havia no alemão. É isto que tem de ser analisado e corrigido. É isto que deve ser exigido aos gregos e não aos alemães.

4 pensamentos sobre “Alemanha vs. Grécia – Modelos de desenvolvimento

  1. Francisco

    Alem do mais a ajuda foi generalizada à Europa para prevenção ao comunismo. Obviamente que a Alemanha foi mais beneficiada. Logicamente.

  2. k.

    Os gregos mentiram nas estatisticas (com a conivencia de muito boa, e séria gente…) convem lembrar essa…

  3. Renato Souza

    “A guerra também foi “fruto do modelo de desenvolvimento” alemão (aliás, duas)”

    Uma simplificação grosseira, mas como há certa verdade nisso, não discutirei. Mas note-se que o modelo de desenvolvimento alemão anterior foi um fracasso, e contribuiu para a guerra justamente por ser um fracasso. O modelo econômico alemão algum tempo após a final da guerra, mudou radicalmente. O que era um modelo de planejamento central, foi alterado repentinamente para uma sociedade de mercado.

    Mas os keynesianos e marxistas não veem absolutamente nenhuma relação entre isso e o crescimento posterior da Alemanha….

    Quanto à ajuda econômica, (que os alemães receberam num momento determinado da história), outros países receberam tanto ou mais, tanto em termos absolutos como em termos relativos. E continuaram pobres, ou pelo menos não ficaram tão ricos quanto a Alemanha. E muitos países saíram da miséria para a riqueza sem receber ajuda nenhuma.

    Sobre ajudas econômicas, diria o seguinte: imagine que um motorista está tentando fazer seu carro pegar, e não consegue. Chama algumas pessoas que vão passando, e pede sua ajuda. Se ele disser:
    “podem, por favor, empurrar um pouco o meu carro, para o motor pegar?” várias pessoas se disporão a ajudar.
    Se ele disser:
    “podem, por favor, empurrar meu carro até o meu local de destino, a uns 15 km de distância?” ninguém o ajudará.

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