Portugal não é a Grécia

Perante frequentes críticas de que Portugal era o bom aluno da Europa quando deveria ser o rufia, o bully ostracizado pelo resto da turma, temos a Grécia como exemplo do mau comportamento. As tabelas em anexo resumem a avaliação do FMI à execução do MoU, e explicam também a falta de paciência de Angela Merkel para com o país.

ii_14af23ff29115fc8

ii_14af24057fbb256eO Syriza apenas virá tornar o mau em péssimo. Se nada era cumprido, após o dia 25 de Janeiro muito menos. Posto isto, é por demais evidente que Portugal não é a Grécia, embora corra o risco de se tornar uma Grécia a partir de Outubro do próximo ano. Oxalá (in shaa Allaah) que uma pandemia de bom senso se espalhe entre os portugueses para que assim não seja. Caso contrário, e aí sim, Portugal tornar-se-à uma Grécia.

http://www.imf.org/external/pubs/ft/scr/2014/cr14151.pdf

18 pensamentos sobre “Portugal não é a Grécia

  1. Luís Lavoura

    Apesar de todos estes “not observed”, a Grécia está hoje mais ou menos na mesma posição que Portugal – com um orçamento primário superavitário e com um défice não muito diferente.
    Portanto, não vejo que razões tenha o FMI para se queixar – a Grécia está a obter o objetivo pretendido. Já quanto ao povo grego, bem se pode queixar.

  2. Caro Luís Lavoura, por favor siga o link que disponibilizei e consulte os objectivos do MoU assinados com a Grécia. Constatará, da mesma forma que ontem assimilou o conceito de sátira, que existiam mais alguns pontos para além do orçamento. Assim, umas dezenas de pontos. E isto não é sátira, é mesmo verdade.

  3. Miguel Noronha

    “Grécia está hoje mais ou menos na mesma posição que Portugal ”
    Exacto. Repara-se que o peso da dívida pública é apenas 174% do PIB. “Somente” mais 40 pp que o nosso.
    E é de recordar que já beneficiariam de um “haircut”.

  4. jo

    Pretende dizer que Portugal atingiu os objetivos propostos no memorando de entendimento?
    É que a análise da gestão faz-se vendo se os objetivos iniciais foram atingidos, não perguntando ao dono se está contente com ele.

  5. tina

    “Exacto. Repara-se que o peso da dívida pública é apenas 174% do PIB. “Somente” mais 40 pp que o nosso.”

    Mais um lembrete para não acreditar em nada do que o Lavoura escreve.

  6. Fernando S

    jo : “a análise da gestão faz-se vendo se os objetivos iniciais [propostos no memorando de entendimento] foram atingidos, não perguntando ao dono se está contente com ele.”

    Os “objectivos iniciais” eram exactamente isso : objectivos e iniciais.
    Depois veio o real, vieram as circunstancias, vieram os ajustamentos de objectivos.
    Estes ajustamentos foram feitos com o acordo, e até sob a pressão, dos credores, os “donos” do dinheiro.
    Os mais qualificados para avaliar os resultados de um acordo, que foi a condição para nos emprestarem o dinheiro que não tinhamos e que precisavamos para não entrarmos em total bancarrota, são … aqueles com quem fizémos o acordo e para quem o acordo foi feito !…
    Isto é, os credores : as instituições financeiras directamente representados pela Toika e os mercados (através dos juros da divida portuguesa).
    Por isso é mesmo determinante perguntar aos “donos” se estão ou não contentes !!

    Não deixa de ser curioso que aqueles que agora mais se esforçam por demonstrar que os objectivos do memorando de entendimento não foram atingidos são os mesmos que desde cedo se levantaram contra … os objectivos previstos no memorando, considerados então irrealistas e excessivos (mais tempo, mais dinheiro, etc, etc).
    Afinal, no que é que ficamos ?!…

  7. JP

    “embora corra o risco de se tornar uma Grécia a partir de Outubro”

    Esta substituição do Tó-Zero pelo Tarzan de Lisboa (a.k.a. Costa Concórdia) encarnado em Ferro está a ser um dos maiores sucessos políticos já alguma vez vistos no mundo ocidental. Qualquer tipo que se inscreva no PS e se limite a estar calado ou a dizer baboseiras/nada é um potencial candidato a ser eleito PM (e depois presidente-mártir das polítias europeias – já se lhe topam as manhas à distância).

  8. jo

    Fernando S
    Perguntar aqueles com quem fizemos o acordo se estão satisfeitos corresponde a perguntar à peixeira se o peixe é fresco. O acordo até agora foi benéfico para eles. Agora resta saber se foi benéfico para nós.
    O resgate foi um empréstimo e os objetivos não eram os mesmos para quem empresta e para quem pede emprestado (é natural que seja assim). Quem emprestou pretendia garantir que não entrávamos em incumprimento para com os credores internacionais, a qualidade de vida da população portuguesa não faz parte das suas preocupações. Quem pediu emprestado pretende sair do buraco em que está, pagando as dívidas com o mínimo de sacrifícios possíveis. Os objetivos são complementares mas não coincidentes.
    Para a troika um país na miséria que pague o empréstimo e os juros é um objetivo conseguido
    Para os portugueses já não será assim.
    Dava jeito ter tido nestes três anos um governo em vez dum contabilista ao serviço da troika.

  9. Fernando S

    jo : “O acordo até agora foi benéfico para eles. Agora resta saber se foi benéfico para nós.”

    Não vejo onde foi benéfico para eles : emprestaram-nos dinheiro abaixo das taxas de mercado e e com um reembolso adiado para as calendas … gregas !
    Para nós o beneficio já foi enorme : evitámos a bancarrota !
    O “nós” é precisamente … “a qualidade de vida da população portuguesa” (suponho que imagina as consequencias na “qualidade de vida” dos portugueses se tivéssemos entrado em bancarrota !..) !

  10. Fernando S

    jo : “um país na miséria”

    Portugal não está na miséria : o Pib per capita (preços constantes) está grosso modo ao nivel de 2000. Em 2000 os portugueses não estavam na miséria. Antes pelo contrário, já gastavam “alegremente” o que era deles mais o que era emprestado.
    Na miséria teria ficado o pais, e com ele os portugueses, se a Troika não nos tivesse ajudado. Sem a ajuda da Troika, o Estado teria deixado de poder pagar vencimentos, pensões e subsidios, mais Bancos teriam falido, o pais teria saido do Euro, o ajustamento teria sido feito com desemprego de massa e inflacção alta, o rendimento médio dos portugueses teria descido para cerca de metade …

  11. Luis

    «Portugal não está na miséria : o Pib per capita (preços constantes) está grosso modo ao nivel de 2000. Em 2000 os portugueses não estavam na miséria. Antes pelo contrário, já gastavam “alegremente” o que era deles mais o que era emprestado.»

    Nem mais. Os portugueses vivem hoje muito melhor do que viviam nos anos 90. Quem diz o contrário mente.

  12. jo

    Fernando S
    Emprestaram-nos dinheiro para pagarmos as nossas dívidas aos credores… que eram eles.
    No fundo renegociaram uma dívida para evitar um incumprimento (algo que por aqui se diz que não pode ser feito).
    Não há mal nenhum no resgate. Temos é de compreender que os objetivos de quem empresta não são os mesmos de quem recebe o empréstimo. Só os tolos ficam muito agradecidos ao banco que fez um jeitinho. O banco não faz jeitinhos, faz pela vida dele, e nós temos de fazer pela nossa.
    A miséria é uma figura de estilo mas gabar-se de que se não está mal porque se andou para trás 14 anos é obra.
    Com um país com oitocentos anos vamos estar sempre melhor do que em outras alturas do passado. Já os estou a ouvir dizer que isto comparado com o tempo do D. Afonso Henriques até está muito melhor.

  13. hustler

    “Quem emprestou pretendia garantir que não entrávamos em incumprimento para com os credores internacionais, a qualidade de vida da população portuguesa não faz parte das suas preocupações.”, diga isso ao banco quando celebrar um contrato de crédito à habitação, que no caso de perder o emprego por falência ou reestruturação da empresa, em caso algum o banco poderá mexer nas condições do empréstimo, ou sequer ficar-lhe com a casa, pois isso seria diminuir a sua qualidade de vida! Que fique o banco com o prejuízo, e se falir, que os contribuintes se cheguem à frente!

  14. hustler

    “O banco não faz jeitinhos, faz pela vida dele, e nós temos de fazer pela nossa.”, então seja responsável, não vá importunar o banco para lhe pedir um crédito, faça-se antes à vida!

  15. Fernando S

    “Os portugueses vivem hoje muito melhor do que viviam nos anos 90.”

    Quer isto dizer que os ultimos 14 anos foram anos perdidos ?
    Nem mais !…
    Os primeiros 10 anos foram anos de regabofe, com uma prosperidade artificial, com déficits e endividamento, sem reformas estruturais … O resultado foi a perda de competitividade da economia portuguesa e o descontrolo das finanças publicas.
    Os ultimos 4 anos foram anos de resgate e reajuste da economia. Impossivel evitá-los.
    E ainda não saimos completamente da fase de ajustamento !…

  16. Fernando S

    jo : “Emprestaram-nos dinheiro para pagarmos as nossas dívidas aos credores… que eram eles.”

    Não é verdade. A divida portuguesa, em particular a publica, estava repartida por um grande numero de investidores privados. O empréstimo da Troika e o posterior regresso aos mercados de divida permitiram e levaram a realocar a divida. Hoje devemos mais dinheiro, com juros mais baixos, com prazos mais longos, a … “eles” (os institucionais por detrás da Troika) !!

    O interesse “deles” ? Ajudarem-nos a sair do buraco em que nos metemos.
    Com que motivações ? Diversas. Umas mais altruistas (“União Europeia” !), outras mais egoistas ( naturalmente que o interesse bem compreendido e de longo prazo dos nossos parceiros na Europa e no FMI é que os paises mais frágeis não entrem em bancarrota e não enfraqueçam o conjunto europeu).

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