A linha que nos separa

filme-600x347

Diziam-nos que estávamos errados. Diziam-nos que tudo era relativo. Diziam-nos que não podíamos comparar. Diziam-nos e continuavam a dizer que era tudo uma questão de contexto social. Valores, princípios e crenças desfigurados por uma acepção muito crítica do Ocidente, nunca dos outros. Os outros, esses, não estavam certos ou errados, éramos nós que estávamos errados em julgá-los. Uma concepção amoral da vida, em que o bem e o mal se desvanecem na tábua rasa.

Pois que seja. Que não façamos juízos valorativos, juízos morais sobre o que nos separa. Os princípios e valores que, mais do que raça, cor, credo ou qualquer outra coisa que possa distinguir um Português de um Nórdico, aproximam o que está longe. Os princípios e valores que, em maior ou menor medida, são pedra basilar da sociedade Ocidental. E a liberdade de expressão, sem compromissos, sem limites, sem preocupações, e sobretudo sem quaisquer condições, é uma delas. Para exaltar, para elogiar, para ridicularizar, para insultar ou para felicitar brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita.

E por esse princípio lutaremos. De pé. E a linha que separa o Ocidente de outras partes do mundo começa aí. Para nós, brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita, a liberdade de expressão, entre tantas outras, não se subjaz às crenças de terceiros. O respeito é, antes de tudo o resto, a tolerância pela liberdade de expressão.

E todos os que se revejam nesta matriz serão sempre bem vindos no Ocidente. Acolheremos de braços abertos todos os que connosco comunguem dos mesmos princípios e valores, e acolheremos aqueles que, mesmo não comungando, os respeitam. Mas não aceitaremos que nos imponham os rígidos critérios que vos norteiam. Não aceitaremos aqueles que nos querem amputar, limitar ou restringir estes princípios. A vossa liberdade individual está salvaguardada — são livres de aplicar a vós próprios tudo o que vos pareça justo —, mas termina aí. Qualquer tentativa de extravasar a liberdade individual, impondo sobre terceiros as vossas próprias crenças, não pode ser nem será tolerado. Para esses, o caminho é inexoravelmente só um: au revoir.

Adenda: li agora a crónica de João Miguel Tavares, que expõe o ridículo da tese do multiculturalismo do Boaventura Sousa Santos, tese essa referida no primeiro parágrafo deste artigo. Uma feliz coincidência que veio reforçar o artigo.

44 pensamentos sobre “A linha que nos separa

  1. “E todos os que se revejam nesta matriz serão sempre bem vindos no Ocidente. Acolheremos de braços abertos todos os que connosco comunguem dos mesmos princípios e valores, e acolheremos aqueles que, mesmo não comungando, os respeitam. Mas não aceitaremos que nos imponham os rígidos critérios que vos norteiam. Não aceitaremos aqueles que nos querem amputar, limitar ou restringir estes princípios. A vossa liberdade individual está salvaguardada — são livres de aplicar a vós próprios tudo o que vos pareça justo —, mas termina aí. Qualquer tentativa de extravasar a liberdade individual, impondo sobre terceiros as vossas próprias crenças, não pode ser nem será tolerado. Para esses, o caminho é inexoravelmente um: fora.”

    Dúvida 1: nesse critério, de que lado fica alguém que defenda, apenas por palavras, sem passar à ação, que os inimigos do islão/do progresso/dos valores ocidentais/outra-coisa-qualquer devam ser presos ou mortos?

    Dúvida 2: o “fora” aplica-se igualmente a ocidentais que tentem limitar a liberdade de expressão?

  2. miguelmadeira,

    R1: pode defender o que bem entender, desde que isso esteja circunscrito à liberdade de expressão e nunca à de acção;
    R2: certamente que sim. O termo ocidental foi empregue no sentido da vasta maioria de pessoas que vivem no Ocidente e se identificam com estes valores.

  3. Expatriado

    Entretanto….. querem construir uma mesquita na Mouraria….

    “… [Dhimmi] is the status that Islamic law, the Sharia, mandates for non-Muslims, primarily Jews and Christians. Dhimmis, “protected” or “guilty” people, are free to practice their religion in a Sharia regime, but are made subject to a number of humiliating regulations designed to enforce the Qur’an’s command that they “feel themselves subdued” (Sura 9:29). This denial of equality of rights and dignity remains part of the Sharia, and, as such, are part of the legal superstructure that global jihadists are laboring through violence to restore everywhere in the Islamic world, and wish ultimately to impose on the entire human race. [10]…..”

    https://sites.google.com/site/islamicthreatsimplified/what-is-a-dhimmi–a-kafir

  4. Luis FA,

    Com o esclarecimento que o Mário Amorim Lopes entretanto deu, não vejo que haja necessariamente contradição entre o que ele escreve aqui e o que o João Luis Pinto escreveu.

  5. @ miguelmadeira em Janeiro 15, 2015 às 10:57 – É uma questão de “atitude”, ponto de vista, copo meio cheio, meio vazio… Pessoalmente, num momento como o que vivemos, tenho preferência por este posicionamento…

  6. As leituras repetidas dos artigos (ambos) seriam talvez melhor aplicadas ao Luís FA, já que as aparentes dificuldades na interpretação de textos o levam a concluir que há algum tipo de contradição entre os termos deste artigo do MAL (dos quais comungo) e os do meu.

    O que eu pretendo exprimir é que o principal agressor à liberdade de expressão (nos termos e com a ambição que o MAL expõe) no espaço que habitamos, não são os terroristas que praticam atentados como os que vitimaram os elementos do Charlie Hebdo ou quem se encontrava na mercearia kosher, mas sim os governos que legislam de moto próprio ou como resposta a estes acontecimentos em termos que destroem a tal valiosa liberdade de expressão.

    A criminalização, por exemplo (e culminando na aplicação dessas leis penais que referenciava no meu artigo), do discurso de ódio ou de apologia ou “simpatia” para com o terrorismo é o resultado da prática legislativa dos que se manifestaram no Domingo que têm responsabilidades nesse domínio, e são o que efectivamente destrói paulatinamente a capacidade de “exaltar, […] elogiar, […] ridicularizar, […] insultar ou […] felicitar brancos, pretos, caucasianos, judeus e gentios, muçulmanos, homens e mulheres, da esquerda à direita” que faz parte da essência do que é a liberdade de expressão.

    É a hipocrisia de se apresentar como “campeão da liberdade de expressão” e simultaneamente ser o seu maior carrasco que aparentemente não é algo de essencial para o Luís FA.

  7. João de Brito

    A tragédia aconteceu.
    Desde então, anda toda a gente a teorizar sobre a liberdade de expressão.
    E alguns, os que podem, a reforçar as medidas repressivas, que inevitavelmente restringem a mesma liberdade.
    Coisa pouca: é mais um dano colateral.
    Ninguém parece dar-se conta que esse é o caminho da violência em espiral.
    A fé não se convence com tratados sobre a liberdade de expressão.
    Muito menos com ameaças.
    O caminho é o do papa Francisco: o da reconciliação.
    Ou, pelo menos, o que a França já trilhou e fez história: o da coabitação.
    Não há outra saída.
    O afrontamento só interessa aos senhores da guerra e do petróleo.
    Como se viu nas ruas de Paris:
    – de um lado, os milhões do povo;
    – do outro, os tais senhores, isolados e fortemente armados.
    Duas manifestações.
    Dois interesses diferentes.
    Só não vê quem não quer!…

  8. Concialiação é eufemismo para “vamos lá ser regrados com a liberdade de expressão, e estejam atentos a possíveis virgens ofendidas”. Têm o direito de pensar e agir assim, não têm o direito de o impor. Não, obrigado, eu dispenso.

  9. k.

    Não entendo como é que o primeiro parágrafo do texto se relaciona com o resto.

    É precisamente porque não há culturas nem conceitos morais superiores, é que é necessário defender a máxima liberdade de expressão.
    A partir do momento que definir que “A” é superior, mais correcto que “B”, então vai começar a limitar “B”. A partir do momento em que “os seus superiores valores” são superiores aos meus, então eu sou um pobre bárbaro, no minimo. E vamos lá ter a “liberdade de seguir os seus valores”.

    Bem, se os seus “superiores valores” por acaso disserem que a homossexualidade é má, em que ficamos?
    Multiculturalismo significa, por definição, liberdade e tolerância e respeito. E diversidade. São os que querem impor as suas “superiores morais” que andam por ai a fazer atentados.

  10. k., o ser superior ou inferior existirá sempre desde que haja um referencial, moral ou não. No referencial Ocidential, a liberdade de expressão é pedra basilar, e quem não a respeitar, ergo, é inferior. O que eu digo no artigo é que, mesmo descurando isto, admitindo que somos todos iguais – o que é falso -, temos os nossos valores e princípios, e sendo superiores ou não, eles prevalecem. Quem não gosta, au revoir.

  11. @ João Luís Pinto em Janeiro 15, 2015 às 11:06 — Obrigado pelo esclarecimento. Enfim, um tipo com dificuldades de interpretação está longe de ser o seu melhor leitor. Pelos vistos tem muitos assim… Basta ver o entusiasmo com que foi brindado nos comentários… Mas não leve a peito. Também já gostei de outros textos fora deste âmbito…

  12. @ Mário Amorim Lopes
    Realmente é oportuno que refira na “Adenda” o texto do João Miguel Tavares, porém acho particularmente coerente com o seu ponto de vista, salientar opiniões de outros quadrantes políticos que se encaixam lindamente na ideia. É o caso da recente crónica da Clara Ferreira Alves. Sempre é um “sinal de esperança” na “redenção” de algumas opiniões em torno do fundamental… Ou aquilo que nos deve unir enquanto “ocidentais” de qualquer continente… Aqui fica o link: http://cadernosdalibania.blogspot.pt/2015/01/o-que-fazer-com-este-islao.html

  13. k.

    “Mário Amorim Lopes em Janeiro 15, 2015 às 11:27 disse: ”

    É um Catch-22.
    Se eu utilizar a minha liberdade de expressão para promover o fim da sua liberdade de expressão, é defender a liberdade de expressão silenciar-me?

    E o que é um valor “basilar”? A nossa civilização supostamente “judeo cristã” (o que me exclui, sou ateu de ascendência Romana) defende o valor da “vida”. Vamos impedir a Eutanasia com base nesse valor?

    PS: Para clarificar e ser justo, eu defendo a liberdade de expressão, não como “valor moral”, mas como condição necessária para vivermos numa sociedade próspera e sustentável. Isto é, numa lógica utilitarista.

  14. k., seria um catch-22 se a liberdade de expressão redundasse em liberdade de acção, o que não é o caso. Você tem todo o direito de apregoar o fim da liberdade de expressão. Não lhe retiraremos esse direito negativo (liberdade) de se exprimir, até porque não interpela os direitos e deveres de terceiros. Só não permitiremos que seja consequente.

  15. Expatriado

    Isto de continuarem a tentar afirmar que o que se passou e passa, nao so’ em França mas por todo o mundo, um atentado a’ “liberdade de imprensa/expressao” e’ uma falacia a ser aproveitada pelo terrorismo islamico que, aproveitando-se da tolerancia cultural judaico-crista, vai pouco a pouco (mas acelerando) impondo o seu ideal socio-politico (sharia) disfarçado de religiao.

    Seria muito mais util encarar a realidade de frente e analizar as raizes dos problemas em vez de andar as voltinhas na esperança de que sejam o que nao sao.

    Nao sera’ por falta de informaçao que nao se podem fazer uns estudos da realidade. Deixo aqui um exemplo

    https://sites.google.com/site/islamicthreatsimplified/a-religion-or-political-ideology/freedom-of-religion-vs-freedom-of-speech

    e cito

    “……Why has Christian influence declined while Islamic influence increases? Chrisitan doctrine is not as all-encompassing as Islamic doctrine concerning governance. Even among Christians, the “moral majority” was considered on the edge of sound Christian doctrine in its attempts to influence governement. Prevailing Christian thought is based on the teaching “to render unto Ceasar that which is Ceasars.” In other words, keep religion out of government and government out of religion. Simply obey the laws of the land – don’t dictate the laws of the land. While many argue that separation of Church and State has been carried to an unintended extreme, their view has not prevailed.

    On the other hand, Islam has a robust political component embeded in its doctrine. There is little reason for debate among Muslims based on Islamic doctrine. Currently prevailing Islamic doctrine requires the establishment of Sharia (Islamic) law, a much different legal system than Christian-principle-based common law upon which the legal systems of Europe and North America are based. The devout Muslim is called upon to embrace the whole Islamic package to please Allah. This includes the teaching and implementation of the social, financial, political, legal, and military components as determined approporiate by one Mullah or another. Since many of these doctrines are at odds with Western thinking and governance, there will be incompatibilities and conflict when these Islamic mandates are imposed on Western cultures.

    There is a point where the practice of this form of “religion”, i.e. “ideology” infringes on the public heatlh, safety and welfare of a nation or another group of people. Islam is subtlely reaching that point. However, even if it was universally understood and agreed that the essence of Islam encompasses fascist, supremacist doctrine that promotes political action, espionage, and terrorism to convert individuals and change the form of government of our nation, would or should its status as “a religion” protect its right as a “religion” to teach and carry out these actions? Where should the line be drawn? At the teaching? The advocacy? The planning? The implementation of coercion, intimidation, and terror? When does a religion go beyond being a religion to the point of losing its protections as a religion? Do we have to wait for the taught violence and mayhem to actually be commited? Or should we have the right to stop the teaching and promotion of the violence and mayhem?……”

    As vezes temos de parar para pensar…..

  16. JPT

    Como é que se pode defender a cultura ocidental e proclamar-se a sua “superioridade”? Acreditar na superioridade cultura ocidental (comoéu acredito) é aceitar que existem outras culturas e respeitá-las. E a “liberdade de expressão” na cultura ocidental sempre teve “limites”, os limites pela honra e pelo dignidade alheios, valores que podem ser pessoais ou colectivos. E, já agora, se não “acolheres de braços abertos” os que não respeitam os teus valores, vais tu ou os teus filhos limpar retretes, montar andaimes, limpar as ruas, apanhar morangos e operar mercearias de bairro durante 24 horas? Achas que lhes estás a fazer um grande favor? Estás, claro. E eles, não te estão a fazer um favor a ti? “A vossa liberdade individual está salvaguardada — são livres de aplicar a vós próprios tudo o que vos pareça justo —, mas termina aí. Qualquer tentativa de extravasar a liberdade individual, impondo sobre terceiros as vossas próprias crenças, não pode ser nem será tolerado.” Já leu o que escreveu? Isso podia ser posto numa tabuleta sobre a porta da judiaria de Lisboa, no Século XIV. E, provavelmente, consta do Código Penal da Arábia Saudita. A sua sociedade ocidental não é a minha, graças a Deus! Fique lá com ela.

  17. JPT,

    Estamos na NOSSA terra, onde queremos viver à NOSSA maneira. Se os islamitas não gostam disto, peguem no coiro que medeia entre o torso e os membros inferiores e ponham-no em terras onde a Charia seja a lei.

  18. Expatriado

    O problema, Francisco Colaço e’ que eles dizem que uma terra que alguma vez tenha sido conquistada por eles nunca lhes deixa de pertencer. Os pulhiticamente correctos esquecem-se de que quando eles falam no Andalus Portugal esta’ incluido.

    Nesta altura ainda esta’ em curso uma operaçao anti-turra na Belgica contra celulas vindas da Siria.

    A Europa vai passar por um mau bocado mas o Antonio Costa quer construir uma mesquita na Mouraria.

    Se a filha da putice pagasse imposto….

  19. Ramires

    Cavalheiros, enquanto os Russos se “apresentarem” como cristãos ortodoxos e cultivarem os hábitos tolerantes, pacíficos , hospitaleiros e extremamente dialogantes da Santa Rússia eterna , não haverá grande problema.Para ees, evidentemente
    Até porque a velha Germânia , e a “Mitteleuropa por grosso, afinam pelo mesmo diapasão.
    Quererá isto dizer que as preocupações, e preocupações sérias, estarão ( aliás, já estão) para cá do Reno…

  20. Joao

    Peço desculpa por escrever em Inglês,mas sendo natural da Africa do Sul nao consigo escrever tão bem em Portugues. Aqui vai minha ideia de que viver em conjunto com o Islão é incompativel com o Ocidente.
    The Problem is that, given that Islam is utterly illiberal, the idea of some sort of accommodation between these mutually exclusive world-views is laughable. Islam cannot change. Not one word of it may be altered, for it is the word of god. Allah’s commands to hate, instil terror, and slaughter all who are not Muslims cannot be criticized for that would be apostasy, punishable by death. This is why it hasn’t changed in 14 centuries, and it’s not about to start now. The primitives who constructed the Koran wanted to out-do the Bible, which only claims to be inspired by the holy spirit, and so they declared the contents to be the verbatim word of god to give the commands maximum authority. They are now trapped by this. Even those who seek some more enlightened interpretation are arrogantly presuming that their judgement and values are somehow superior to Allah’s, but his words are deliberately unambiguous. Ask these so-called ‘moderate Muslims’ which of god’s commands they disagree with, and why they think their personal morality is superior to god’s, and you will quickly see that the idea of moderation in the context of Islam is a non-starter.
    The inflexibility and intolerance inherent within islam, and the inability of those adhering to islamic ideology to reconcile their religion with the secular nature of non islamic societies. Muslims are not integrating into western societies, regardless of how “moderate” anyone would like to paint them. The “no go zones”, the muslim slums, the efforts of muslims segments of secular societies to promote sharia and islamic law for themselves instead of local secular law. It is all a very clear and direct indication that the idea of integrating islam into western secular culture simply is not reasonable, rational, or realistic. islam is mutually exclusive of the concepts of freedom, personal liberty, tolerance, and acceptance. THIS is why islam has been, and always will be a source of violence and destruction. As the number of muslims within secular societies continues to swell into the tens of millions, we will only see an increase in the violence and tensions between islamic and secular society. There is no middle ground for the muslim.

    Obrigado

  21. hustler

    Caro Mário Amorim Lopes,
    na teoria até tem razão, na prática, isso não se verifica!
    Peguemos no caso do nazismo e do holocausto, que se saiba, Hitler sempre teve toda a liberdade de expressão, nunca o ninguém censurou ou proibiu de radicalizar o discurso relativamente aos judeus. Durante o tempo que teve à frente do partido foi passando a mensagem do ódio ao judeus, e a lavagem do cerebral do povo foi sendo feita. Chegou ao poder e o extermínio foi legitimado por um governo democraticamente eleito!
    Neste caso, passou da palavra à acção, mas com uma subtileza, foi legitimado pelo povo alemão! Encaixa-se o que escreveu neste exemplo?

  22. hustler, está a confundir liberdade de expressão com danos colaterais da democracia, coisas bastante distintas de sobreposição diminuta (não precisa de uma democracia para ter liberdade de expressão e existem democracias com liberdade de expressão muito condicionada).

  23. hustler

    Caro Mário,
    “hustler, está a confundir liberdade de expressão com danos colaterais da democracia”, não, a liberdade de expressão é que culminou num dano colateral da democracia!
    Neste caso vou deixá-lo fazer a seguinte análise, deveria Hitler ter tido a liberdade de expressão que teve? Se sim, explique-me porquê, e depois explique-me em que medida isso nada teve a ver com o extermínio dos judeus! Demonstre-me isso por palavras suas, e se o conseguir, dar-lhe-ei toda a razão!

  24. Joao

    Caro Amorim Lopes,

    Mais uma vez desculpe o Inglês no seu post.

    I understand your technical definition. A Form of government, where a constitution guarantees basic personal and political rights, fair and free elections, and independent courts of law. However ther are other key elements that you simply can not put aside like:
    1. Guarantee of basic Human Rights to every individual person vis-à-vis the state and its authorities as well as vis-à-vis any social groups (especially religious institutions) and vis-à-vis other persons.
    2. Separation of Powers between the institutions of the state. Government [Executive Power],
    Parliament [Legislative Power] and Courts of Law [Judicative Power]
    3. Freedom of opinion, speech, press and massmedia.
    4. Good Governance (focus on public interest and absence of corruption)

    This would be, not the broader definition of democracy, but, in my opinion, the modern definiton.

    Nevertheless I tend to agree with you in your critique to Hustler’s reply. Democracy can not impose itself on inalienable rights. The idea of a right that cannot be taken away, denied, or transferred. So to call Hitler’s germany a democracy simply because elections took place its a monstrosity.

    Obrigado

  25. hustler

    “Germany’s constitution strongly and explicitly protects the freedom of speech. Still, the country’s highest court has now said that — given the injustice and horrors of the Nazi regime — it is constitutional to make an exception that bans speech glorifying Hitler’s ideology.”

    http://www.spiegel.de/international/germany/germany-s-nazi-exception-constitutional-court-oks-curtailing-of-free-speech-a-662031.html

    Neste caso, a introdução de uma censura a “hate speechs”, tem um efeito preventivo! Esse efeito é impedir que se passe da liberdade de expressão à acção através uma legitimação popular! O raciocínio é simples, passar da liberdade de expressão à acção, de uma forma unilateral, é “impor a terceiros as vossas crenças”, no entanto, se essa liberdade de expressão for legitimada pelo povo, já não se trata da imposição unilateral de crenças, mas sim a vontade popular legitimada por um governo democraticamente eleito! Isto torna lícito a liberdade de expressão individual (hate speechs)?
    Um governo legitimamente sufragado, não é a representação de uma maioria de cidadãos?

  26. Joao

    “Um governo legitimamente sufragado, não é a representação de uma maioria de cidadãos?”

    Não é uma carta branca para se fazer o que quiser.

    “Neste caso, a introdução de uma censura a “hate speechs”, tem um efeito preventivo!

    Isto claramente cai no scope of a minority report. Preventing crime from happening by condemnation of a person for thinking of doing it but that never actually does it…it introduces the concept of thought crime.
    People have the right to be stupid and offensive if they want. The only thing that can limit free expression are the legal mechanisms of Defamation, calumny and vilification. You can have your day in court without the need of limit free expression
    Imagine a world governed entirely by majority votes—including your personal decisions! Would you be happy if a majority vote determined who you could date? What you could eat? Now consider the world you currently live in, where you make decisions and purchases in the context of a marketplace. In a market, you can choose goods, services, and activities that diverge from majority trends. Moreover, markets also provide a greater number of choices.
    Free markets and limited government depend upon and facilitate individualized and decentralized choices; they create the conditions necessary for a truly free and democratic society.
    What you need in place and working properly is the rule of law. Not obliterate free speech

  27. Claro que deveria ter tido essa liberdade de expressão. A liberdade de expressão, na plena acepção da palavra, não se limita ao que nós entendemos que faça sentido. Agora, não deveria é ter tido a liberdade de acção para dar prossecução a todos os disparates que livremente exprimia.

  28. hustler

    “Agora, não deveria é ter tido a liberdade de acção para dar prossecução a todos os disparates que livremente exprimia.”, não devia???? Porquê??? Não fazia parte da agenda ideológica do partido? Esse partido não foi sufragado nas urnas? A formação do governo não ocorreu de acordo com os preceitos legais? Um governo eleito por uma maioria não tem o direito de fazer as leis que entender, que passam imediatamente a ser lícitas uma vez colocadas num despacho qualquer? Os alemães da altura, consideravam os “disparates” como não sendo disparates, aliás, consideravam o assunto do judeus um assunto sério!
    Ora, se uma (grande) maioria acredita nos “disparates” de um líder democraticamente eleito, este não pode executar os “disparates” do seu programa de governo?
    Onde está o problema aqui? A mensagem de Hitler, apesar de hedionda, foi sendo assimilada pelos alemães, e uma não verdade passou a ser verdade, e se algo passa a ser verdade, então passa a ser uma coisa certa! Os alemães da altura não acharam o extermínio dos judeus algo “disparatado”, mas sim algo certo! Os germânicos apoiavam fervorosamente Hitler, e confiavam nele e na “verdade” que ele passava para a opinião pública!
    Convém saber neste momento, e eu queria que o Mário me explicasse, quem é que define o que é um “disparate”? A escravidão não foi um disparate? Na altura, não era comummente aceite pelo povo europeu? Nos tempo medievais alguém se insurgia contra essa condição humana? Eu, isoladamente, posso definir o que é um disparate? E se uma maioria achar que não é? Quem é o árbitro neste caso?
    Será que a liberdade de expressão pode, via lavagem cerebral, construir uma mudança de paradigma? O certo e o errado, podem subtilmente inverter os seus papeis?

  29. hustler

    João,

    “The only thing that can limit free expression are the legal mechanisms of Defamation, calumny and vilification.”, matou por completo o seu ponto de vista!
    Tenha noção que acabou de pôr restrições à liberdade de expressão!

  30. Renato Souza

    JPT

    O papa disse uma tremenda bobagem e você também. É impossível entrar em acordo com quem pretende, ou nos matar, ou nos escravizar. Melhor é evitar a imigração de populações que possam ser depois cooptadas pelo radicalismo islâmico, pois assim se evita o problema.

    O papa colocou falsamente a questão. Radicais islâmicos não são sujeitos esquentadinhos que. num momento de calor, acabam fazendo alguma loucura. São pessoas calculistas, que agem de forma inteligente, alcançando objetivos, influenciando pessoas, obtendo poder.

  31. Joao

    Hustler,

    Parece que esta muito confuso com o significado de liberdade expressao.
    Se eu vier para rua dizer que voce é um ladrao, mentiroso ou que é um assassino isso nao se chma liberdade de expressao. É difamacao ou calunia. nao tem nada a ver com liberdade de expressao.
    Liberdade de expressao é:
    the right of people to express their opinions publicly without governmental interference, subject to the laws against libel, incitement to violence or rebellion, etc.

    Expressar opinioes nao é acusar ou difamar. Entende a diferenca?

  32. Joao

    Hustler,
    na difamacao, calunia ou simples acusacao pessoal tem de ser chamado a provar o que diz, sob pena de ser condenado por um destes crimes se nao o fizer.. Nas opinioes livremente exprimidas nao.
    é uma questao de accountability perante o bom nome das pessoas.

  33. hustler

    “Liberdade de expressao é:
    the right of people to express their opinions publicly without governmental interference, subject to the laws against libel, incitement to violence or rebellion, etc.”, liberdade de expressão, é uma definição retirada de um livro (ou site) qualquer? Então acho que não sabe o que é liberdade de expressão!
    Eu digo-lhe o que a liberdade de expressão NÃO É: – definitivamente não é uma definição inventada por alguém, com umas “balizas” definidas por esse alguém, e que é a métrica ( de liberdade de expressão) que o resto do mundo deve seguir!

    “na difamacao, calunia ou simples acusacao pessoal tem de ser chamado a provar o que diz, sob pena de ser condenado por um destes crimes se nao o fizer.. Nas opinioes livremente exprimidas nao.”, isso foi o que alguém inventou (segundo os seus critérios) para distinguir a “boa liberdade de expressão”, da “má liberdade de expressão”!
    Se eu contar uma anedota de alentejanos preguiçosos, incorro numa calúnia, ou ainda é liberdade de expressão?

  34. hustler

    “the right of people to express their opinions publicly without governmental interference, SUBJECT to the LAWS against libel, incitement to violence or rebellion, etc.”, portanto, a liberdade de expressão do seu país. seja ele qual for, tem um MAS, e esse MAS é um hate speech (sujeito às leis vigentes do seu país)!
    Acho que você passou ao lado deste debate! Alguém que fala da liberdade de expressão nos exclusivos moldes jurídicos do seu país, não sabe o que é liberdade de expressão!
    Se você publicitar um slogan “death to the nigers” no seu país, é liberdade de expressão, ou é um bilhete para a cadeia? Pois, parece-me que é a segunda……Afinal, não tem tanto free speech quanto pensava que tinha!
    Entendeu agora a minha analogia com o nazismo?
    Acho que estamos conversados!

  35. Joao

    Hate speech involves people, not ideas.. No idea is sacred.

    Estamos conversados sim. Há coisas que quando nao se vai lá …nao se vai lá.

  36. hustler

    “Hate speech involves people, not ideas.. No idea is sacred.”, mais uma vez, passou ao lado do debate! Quer ver?

    Diz assim o Mário Amorim Lopes, “Claro que (Hitler) deveria ter tido essa liberdade de expressão. A liberdade de expressão, na plena acepção da palavra, não se limita ao que nós entendemos que faça sentido.” , sabe o que é que o MAL, quis dizer com isto? Que Hitler poderia e dizer aquilo que quisesse (exterminação dos judeus, dos ciganos, e de todos os outros que contaminam a raça ariana, etc.), só não o poderia era pôr em prática!
    O objectivo deste post era abordar a liberdade de expressão como algo incondicional, sem barreiras ou restrições!
    O João, ao colocar restrições com os “hate speeches”, está a dizer que afinal já não se pode falar de tudo; está a colocar excepções, na sua opinião, pode-se falar de ideias, no entanto não se pode falar de pessoas!
    O Mário diz que se pode falar de tudo, você diz que se pode falar de tudo, mas só no campo das ideias. Afinal, pode ou não pode o autor do post falar de tudo? O autor do post pode escrever “death to the nigers”, ou não? É que segundo o MAL, não há qualquer problema, desde que não se ponha em prática!
    Defina-se!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.