“Interdependências”…

no Económico de ontem, a propósito das supostas pressões alemãs sobre o eleitorado grego:

A Europa tem vivido momentos de tensão, perante a iminência da vitória da extrema-esquerda na Grécia. O Syriza reclama o fim da “austeridade” e o perdão da dívida, como forma de promover a recuperação da economia e do emprego. Os gregos, mergulhados numa profunda crise, preparam-se para experimentar a receita que lhes é prescrita por Alexis Tsipras, agora apresentada sob uma forma pretensamente mais moderada. Em Espanha, a corrupção endémica que domina os partidos tradicionais deu espaço para a afirmação de uma nova clique demagógica, o “Podemos”, plataforma de extrema-esquerda que vende pela voz de um jovem líder carismático os velhos ‘clichés’ de sempre. Em França, Marine Le Pen representa um pesadelo para a esquerda, que tem vindo a perder votos para uma Frente Nacional. No Reino Unido, os nacionalistas são já a terceira força política, com um discurso consistente. Nos países do Centro e do Norte da Europa, seja nos partidos à esquerda seja à direita, sente-se um profundo cansaço em relação ao ritmo lento com que os países do sul cumprem as reformas negociadas com os credores.

À esquerda, muito se tem criticado a postura da Alemanha, dando nota que não tolerará desvios ao programa de ajustamento negociado com a ‘troika’. Hoje, porém, aquilo que se passa na Grécia, na Alemanha, ou em Portugal, tem impacto em toda a zona euro, não sendo possível exigir aos diversos Estados que abstraiam de processos políticos que interferem directamente na vida de todos nós. A soberania eleitoral do povo grego é total, mas não é crível que um país que tem uma dívida colossal nas mãos de instituições internacionais possa afirmar um programa de ruptura e não pagamento sem que provoque reações violentas dos credores.

A previsível vitória do Syriza irá abrir uma caixa de Pandora que há muito andava adiada, a da renegociação das dívidas soberanas, infelizmente promovida por uma extrema-esquerda deficitária que não quer pagar, para continuar tudo na mesma.

3 pensamentos sobre ““Interdependências”…

  1. Que eu saiba renegociação não quer dizer perdão da divída nem o não pagamento, quer dizer que o modo e a duração do empréstimo são renegociados. Nem uma renegociação é uma imposição unilateral de termos, as duas partes sentam-se à mesa e chegam a um acordo. Todos os dias há milhares de renegociações de contratos por todo o mundo, não sei porque um governo não pode renegociar os termos da dívida que tem.

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