Tremam

Um artigo com conclusões muito interessantes sobre a deflação, quanto mais não seja por estar publicado num canal generalista, não especializado e dirigido ao cidadão comum. A deflação é um perigo, dizem-nos a toda a hora, mas num mundo de devedores, onde o crescimento económico depende do consumo e não da poupança. É ainda um perigo para os governos e põe em xeque os bancos centrais que perdem uma excelente arma para direccionar a política económica.

Fala-se muito de 2014 ter sido o ano do fim da velha ordem. Isto devido ao colapso do BES e da PT. Mas a verdadeira mudança a que poderemos assistir nos tempos mais próximos talvez venha a ser precisamente esta: o fim do reinado da inflação. Ou me engano muito, ou ainda vamos ver muitos socialistas a tremer.

3 pensamentos sobre “Tremam

  1. Mandar alguém tremer não é de Karl Marx?
    Os “liberais” são pessoas estranhas, chamam-se liberais, mas odeiam a liberdade e a democracia, também odeiam Marx, mas agora citam-no?!?
    Pessoalmente não é a deflação que me faz tremer, é o frio que hoje faz

  2. Deixe lá que já se fala em “endividamento” para evitar a deflação. Já agora, ocamareiro, diga lá em que ponto os liberais odeiam a liberdade e a democracia? (Desprezam Marx, de quem não vejo qq citação, por ser contra a liberdade e a democracia ;)).

  3. hustler

    “One reason is the effect on debtors. Prices and perhaps incomes may fall, but debts do not. If you are a business with falling revenue, or a household with a declining income, debt payments become more of a burden.

    Governments can be caught in the same trap, because if prices and incomes fall, so does tax revenue.

    And to state the obvious, there is an awful lot of debt floating around the eurozone – money owed by governments, households and banks. Deflation could aggravate that problem.”

    O problema da deflação (menos dinheiro a circular), pelo menos nos tempos que correm, é o elevado endividamento, tanto de particulares, de empresas e estado! O valor nominal das dívidas é constante, mas o valor das receitas diminui (numa primeira fase pela rigidez dos “custos de menu”, numa segunda fase, através da queda de preço do produto ou serviço), muito mais que o aumento das vendas. Começando pelas empresas, a primeira consequência é ajustar os custos fixos (ie, custos com pessoal); sendo difícil baixar salários, parte-se para uma medida mais drástica, os despedimentos. Acontece que o particular, que agora se encontra sem trabalho e com poucas perspectivas de encontrar um outro, entrará em incumprimento com os créditos contraídos, a partir daqui é uma bola de neve; os bancos entram numa depressão de desalavancagem, o crédito estanca e a economia “arrefece” abruptamente! O estado, por sua vez, arrecada menos impostos e aumenta a despesa via prestações sociais, e um efeito simétrico ocorre, a dívida aumenta enquanto o PIB diminui, incrementando o défice. Nesta fase, instala-se a dita “liquidity trap”, o dinheiro não circula, os bancos passam a deter activos sem liquidez (imóveis, etc), as empresas não investem e os particulares não gastam.
    Obviamente que esta cascada de eventos não se prolonga indefinidamente ( a dita espiral recessiva), mas até estabilizar, faz uma grande mossa na economia! E se a inflação é a peste, não é menos verdade que a deflação é o cancro!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.