O salário mínimo não cria desemprego II

Ao contrário da noção intuitiva, o desemprego causado pelo salário mínimo não resulta tanto das pessoas que são despedidas após o seu aumento, mas muito no seu efeito na criação de novos empregos. Todos os meses, empregos são criados e destruidos na economia. Se algo tem um impacto negativo na criação de emprego, isto fará aumentar o número de desempregados. Por isso o efeito de um aumento inesperado do salário mínimo pode ser imediato.

Um dos motivos pelo qual é tão complicado analisar o efeito do salário mínimo no desemprego é porque grande parte dos aumentos são antecipados pelos empresários e vão sendo incorporados nas decisões de criação de emprego meses antes de ocorrerem. Para ser possível avaliar graficamente o impacto de aumentos do salário mínimo, precisamos de olhar para aumentos significantes e, de alguma forma, inesperados. Um exemplo foi o que aconteceu este ano.

Agora mostremos outro. Já em plena crise económica, o número de desempregados estava relativamente estável em Portugal. Apesar do acordo assinado anos antes, os empresários esperavam que o governo Sócrates não aumentasse o salário mínimo em 25 euros a meio de uma crise financeira. Sócrates aumentou-o e garantiu que o voltaria a fazer um ano depois. Olhando o gráfico abaixo conseguem adivinhar quando foi confirmado esse aumento?

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14 pensamentos sobre “O salário mínimo não cria desemprego II

  1. CGP, temo que a sua demanda seja um autêntico trabalho de Sísifo.

    Recentemente fui contactado por um ilustre membro do Clero, com o objectivo de voluntáriamente colaborar na luta contra a pobreza em Portugal.

    Pediu-me ajuda em questões económicas, nomeadamente em termos de mensagem política a passar a membros do Governo, no sentido de serem implementadas práticas que diminuissem a desigualdade económica existente em Portugal.

    Expliquei que a maior causa de desigualdade económica é o desemprego estrutural, pois essas pessoas dificilmente voltarão para o mercado de trabalho.
    Concordou.

    Expliquei que ao retirarmos a possibilidade de trabalhar legalmente a essas pessoas, estamos de facto a promover a sua marginalização, pois não obtendo fontes de rendimento legais, terão maior incentivo para se dedicarem a actividades ilícitas ou mais humilhantes.
    Concordou.

    Expliquei que a melhor forma de diminuir a desigualdade é criar um sistema onde todo o cidadão consiga um trabalho remunerado legal, mesmo que mal remunerado, pois a dignidade humana passa pela sensação de realização pessoal.
    Concordou.

    Expliquei que deveríamos adoptar medidas como as dos países escandinavos e Alemanha, e evitar as práticas de países como os EUA.
    Concordou mais ainda, com um sorriso nos lábios.

    Expliquei que essas práticas passariam pela abolição do salário mínimo (como na Alemanha) que impede os mais desfavorecidos de entrar no trabalho legal, e a liberalização dos despedimentos, que facilitaria a contratação de novos empregados (a tal da Flexisegurança escandinava).
    Ficou de boca aberta a olhar para mim, calou-se, e nunca mais me ligou,

  2. Eu não tenho opinião estabelecida sobre o SMN, mas comparando o SMN e o desemprego em Portugal desde 1983 (http://elogiodaderrota.blogspot.be/2015/01/eu-tambem-sei-fazer-graficos.html) não parece existir qualquer relação entre os dois.

    O CGP afirma que “é tão complicado analisar o efeito do salário mínimo no desemprego”, e não sou eu que vou discordar. Por isso que me é difícil de aceitar argumentos técnicos. É preferível argumentar como o Surprese: “a melhor forma de diminuir a desigualdade é criar um sistema onde todo o cidadão consiga um trabalho remunerado legal, mesmo que mal remunerado, pois a dignidade humana passa pela sensação de realização pessoal.”

  3. Fernanda

    A austeridade, o salário mínimo e a realização social…

    Uma achega: juizes e magistrados propõem aumentos de 17% a 22% nos seus vencimentos. Acrescidos de aumentos de representação, tb de 20%, e de habitação, mais cerca de 750 euros mensais;

    A ministra das Finanças resolve aumentar salários de técnicos especializados do seu ministério, criando uma carreira específica.

    Finanças, Justiça e Polícia são as prioridades de um Estado “mínimo” , vá-se lá perceber porquê.

    A “especialização” do cidadão é pagar. E como somos especiais! Tão especiais que até morremos em corredores de hospitais depois de horas e horas de espera. Tão especiais que até falam de nós, por nos aumentarem o salário mínimo em 20 euros por mês, em dois posts consecutivos aqui no blogue, acusando-nos de, assim, sermos responsáveis pelo aumento do desemprego e de sermos egoistas pois tiramos o emprego a quem não tem nenhum. 20 euros aqui, mais 20 euros acolá, isto tudo junto, daria para empregar outros cidadãos.

    Leio num comentário lá mais acima:

    “Expliquei que a melhor forma de diminuir a desigualdade é criar um sistema onde todo o cidadão consiga um trabalho remunerado legal, mesmo que mal remunerado, pois a dignidade humana passa pela sensação de realização pessoal.”

    Ele há várias formas de Terrorismo.

  4. Fernanda

    “Ficou de boca aberta a olhar para mim, calou-se, e nunca mais me ligou”

    Esqueceu-se de o mandar rezar.

  5. Fernanda

    Desculpem a insistência, mas isto é grave e nem dá para ironizar nem para sorrir com condescendência:

    “…pois a dignidade humana passa pela sensação de realização pessoal.”

    Esta palavra “sensação” é atroz!

    Continuando, chegaríamos a esta conclusão:

    – a dignidade humana passa pela sensação de liberdade;

  6. “O SMN não é único determinante do desemprego e em nenhum momento se diz isso” (Miguel Noronha)

    Discordo, este post e o outro mais abaixo afirmam que o SMN é o principal factor determinante do desemprego. Mas quando tracei as duas variáveis, não foi isso que encontrei.

    Portanto, ou existe algum erro com os dados da PORDATA (a estatística tem subtilezas tramadas) ou efectivamente o SMN não tem um efeito linear e preponderante no desemprego.

  7. Quando a Fernanda, que pelos vistos recebe o salário mínimo, ficar desempregada, volte para nos explicar se a nova sensação é melhor ou pior do que a actual.

  8. Pingback: Salário Mínimo | Economia Política para todos

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