A natureza liberal das ovelhas humanas

Cem anos atrás, na época natalícia, soldados de várias nações europeias que se enfrentavam em conflito armado decidiram, de forma espontânea, uma trégua que, neste ano de 2014, uma cadeia de supermercados britânico celebrou num comovente anúncio publicitário:

Aquele momento histórico mostra-nos que a grande maioria dos seres humanos, quando pensam por si próprios, tem uma natureza pacífica. Também demonstra, contudo, que facilmente se subjugam à vontade de líderes políticos e militares (voltaram a matar-se nos dias e anos seguintes).

As guerras são casos extremos do perigo da obediência cega a governantes mas, no nosso dia-a-dia, não faltam exemplos de “carneirização” da generalidade dos indivíduos, sempre em defesa do que a classe política denomina por defesa do bem comum. E, para isso, socialistas (de todas as vertentes da dicotomia esquerda-direita) dizem que o Estado precisa de ser forte. Ora, a força de um Estado é directamente proporcional à fraqueza dos seus “súbditos”. Bom verificar que ainda há quem não abaixe a cabeça e tenha a força para lutar: 1, 2, 34 e 5.

Por fim, é curioso verificar como o pragmatismo da realidade contradiz as mais radicais ideologias.

Como liberal, tais acções dão-me alguma fé no futuro da natureza humana mas estou ciente que ainda há muitas “ovelhas” que não confiam nos superiores valores morais da liberdade, paz e respeito pelo próximo. Infelizmente, enquanto assim for, continuaremos a ser “carne para canhão”.

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7 pensamentos sobre “A natureza liberal das ovelhas humanas

  1. oscar maximo

    A história para ser completa devia acrescentar que foram todos condenados á morte por traição, dum lado e de outro.

  2. EMS

    Não, não foram condenados á morte por traição. Limitaram-se a ser transferidos para outras zonas da frente. E iniciaram-se as tradições dos bombardeamentos natalícios para evitar novas tentações de fraternidade.

  3. EMS

    “Aquele momento histórico mostra-nos que a grande maioria dos seres humanos, quando pensam por si próprios, tem uma natureza pacífica. ”

    Infelizmente não é assim. Há imensos indevidos conflituosos. Quando se juntam e atingem uma massa critica temos a desgraça. E nem estou a pensar em guerras, os linchamentos não são assim tão invulgares.

  4. Andre

    A frase: “a força de um Estado é directamente proporcional à fraqueza dos seus “súbditos” é de quem? Já a ouvi em qualquer lado

  5. EMS

    Há imenso sitios com um estado fraco que não são propriamente bons lugares para se viver.

    Erratinha: Os “indevidos conflituosos” do meu comentario de cima seriam “Indivíduos conflituosos”.

  6. A frase (…) é de quem? Já a ouvi em qualquer lado

    Andre, talvez também a tenha visto em qualquer lado mas quando a escrevi foi de forma totalmente subconsciente. 🙂

  7. Miguel Cabrita

    “não faltam exemplos de “carneirização” da generalidade dos indivíduos, sempre em defesa do que a classe política denomina por defesa do bem comum.”

    Folgo muito em ver que os “liberais” de O insurgente usam os mesmos argumentos que o PSR usava em 1995, que por sua vez é parte de um modo de pensar profundamente cristão.

    – Os agnus dei sacrificais decidem uma tregua, bonito!

    Um bem haja.

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