Votar à esquerda, dormir à direita

Do meu texto de hoje no Observador, que o André aqui já referiu, deixo o primeiro parágrafo. Com incursão à polémica que o Carlos já aqui contou.

‘Nas primeiras décadas do século XX associava-se uma expressão aos políticos socialistas britânicos que vinham de famílias da classe alta: vote labour, sleep tory. Irredutíveis defensores da socialização dos meios de produção (era assim o socialismo antes do colapso da União Soviética, é bom lembrar, que agora há muito socialista saudoso dessa pureza ideológica), viviam em consonância com os seus ideais: habitavam nos bairros chiques de Londres ou nas suas casas ancestrais no campo, frequentavam socialmente apenas os seus pares da pirâmide social, cumpriam todos os rituais upper-class e – daí a expressão – para o adultério escolhiam as senhoras casadas da mesma classe social.’

E, sobre a visão comunista da beleza feminina na China maoísta, para quem tiver curiosidade, este paper (dá para ler gratuitamente) dá umas pistas interessantes. E mais uma coisa. Não sei se concordo com a expressão ‘esquerda chique’ que se tem assciado ao objeto do meu texto. Para mim, esquerda chique era a Nancy Mitford apoiando o PS francês vestida de Dior – o que é uns patamares acima, por todas as razões (incluindo o talento para a escrita), de Isabel Moreira e Raquel Varela.

Um pensamento sobre “Votar à esquerda, dormir à direita

  1. Luís

    É suposto um simpatizante/militante de esquerda ser franciscano? Por oposição, qual deverá ser o estilo de vida de um simpatizante/militante de direita? A sensatez política desta crónica está ao nível de um miúdo de 16 anos, que, como quase todos os adolescentes em formação da sua personalidade, vê o mundo a preto e branco. Depois dessa fase, geralmente vem a fase do conhecimento mais cirúrgico, da profundidade, do confronto de perspectivas – o que fará de nós bons adultos (seja lá o que isso for). Parece-me que isso faltou aqui: o que li foi um confronto político tristemente reduzido às relações materiais. Mas a autora sabe para quem escreve: há muito português que não passou dos 16 de mentalidade.

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