Read my lips…

Os últimos dados sobre a TAP exibem uma empresa literalmente falida.

Posso estar completamente enganado, mas dificilmente vai conseguir-se encontrar quem esteja interessado em adquirir a companhia. Se em 2012, com as contas mais equilibradas, já foi o que foi – na hora da verdade, só apareceu um candidato “a jogo” – desta vez, com o agravamento da situação financeira e laboral da empresa, é irrealista pensar que alguém compra a TAP, nem que seja por um euro. Parabéns aos empatas que nos últimos 14 anos no momento de decidir adiaram sine die a venda da empresa, e aos que acham que privatizar é sinónimo de “fanatismo ideológico”. Mais uma fatura a caminho para o contribuinte.

Espero, pelo menos, que não sendo privatizada, a UE force a falência da TAP, em obediência às regras da concorrência europeia.

11 pensamentos sobre “Read my lips…

  1. Com tanto “bóta abaixo” às “qualidades” da TAP, o que inclui naturalmente a avaliação da própria Administração, e posto que já não consome recursos ao contribuinte, começa a tornar-se interessante deixá-la estar como está…
    O mais interessante do “caso TAP” é a exposição do ridículo com que as partes se extremam… De um lado, a “malta” sindical com os tiques esperados, do outro, os “liberais” (essa outra malta que se torna sempre “socialista” em matéria fiscal e “reguladora” logo que chega ao poder). Neste caso, o ridículo anda aqui… Passeia-se pelo “insurgente”… Desde logo pela atenção “sexy” do tema: não se tem falado de outra coisa… Por outro, no emprenho com que se tem dito que a TAP está entre as companhias de aviação um pouco abaixo de lixo, para não dizer “piece of shit”… O ridículo é engraçado e é viscoso como chocolate quente, escorrendo sobre a cabeça dos que se meteram na empreitada de fazer vender a TAP a todo o custo, ou diria mesmo, se fosse má língua, pelo menor custo… O ridículo, essa mantinha quente que nos dá gozo e protege desde o Eça, torna-se “gourmet” e surrealista quando se começa a comparar por tuta e meia a TAP com a Ryanair… Enfim…

  2. Caro Luis FA, a TAP está para ser vendida desde 2000; está tecnicamente falida; não tem dinheiro para mandar cantar um cego; há muito que deixou de servir as rotas ditas de “interesse público”. Mas claro, certamente a culpa disso é do Insurgente, que tem toda a influência no mau Balanço da empresa, na sua crise laboral, e em todos os problemas que se assistem. Mas cá estaremos para assistir ao fim desta triste história. Infelizmente.

  3. JP

    Se é bom vender a TAP por 1 Euro como há pouco disse Gomes Ferreira na SIC, então não faltará gente da música, do teatro, do cinema e do PS capaz de a comprar, desses que andam por aí sempre a dizer que é para manter cá e que é de bandeira. Os mesmos que quando uma empresa é vendida por valor simbólico desatam a crucificar. Comprem já que está ao preço de um café. O mesmo se aplica aos trabalhadores. Se calhar não têm um cêntimo, os pobrezinhos.

    Nota: depois desmerdem-se com o passivo.

  4. @ Rodrigo Adão da Fonseca em Dezembro 22, 2014 às 16:00
    Caro Rodrigo, a TAP já devia ter sido vendida há triliões de anos atrás!! Esse não era o ponto!…
    O “contribuinte” precisa tanto de companhias de transportes como de faturas da sorte ou declarações AT! Livrem-nos do Estado, da TAP, do Ministério das Finanças, e dos vendilhões do templo!… O ponto era o ridículo…

  5. Jartelhos

    Rodrigo Adão e silva.
    Confesso que pior que comunas só liberais de cartilha e pouco claros cognitivamente. É que, como dizia o outros, “ não são as coisas que não sabes que te tramam… são as coisas que tens a certeza que são assim que afinal não são que te tramam!”

    Se tiver essa disponibilidade por favor explique-me, à parte da inveja e do schadenfreud tão típico da esquerda ( e liberais do porto) é que levam a achar que deve fechar e falir uma empresa como a TAP …. e curiosamente a TAP está mortinha por se livrar de Portugal. Logo cada país tem o que merece. – Não estamos literalmente sob resgate porque existe muitos comunas…. Mas sim porque nem os libeais se safam.

    Ao falir o país vai-se de cerca de 0,8% do seu PIB, porque será inevitável que o peso da mesma e da VAB da TAP na economia que é só de 700 milhões de euros ou seja 3 vezes o da AutoEuropa, reduza (em grande medida.
    Vai-se livrar dos 2-3% das exportações do País, vai-se livrar dos 1000 milhões de superavit que a TAP traz para a balança comercial .
    Também assistirá á redução substancial dos 200 milhões de euros que a TAP atira para a Segurança Social (é só o orçamento do RSI todo da zona centro e sul do país…), porque essa maldosa TAP irá livrar-se rapidamente da estranha estrutura remuneratória que tem desenhada para pagar o máximo de impostos possíveis (que nem sei como os trabalhadores nunca reclamaram…) . Já para não falar dos 700 milhões que paga em ordenados em Portugal que também será natural que se livre deles. Pelo menos em parte. Aliás, essa conversa de double catering e actividades afins, vis naturalmente, que a TAP tem, como o de consumir “só” 1 milhão de garrafas de vinho português (mais do que todos os restaurantes de algumas regiões do pais) também se livrará deles.

    Cristo… pior que comunistas só mesmo estes liberais. Deus nos ajude.

    A titulo de resumo, factos sobre a TAP:

    Alguns factos sobre a TAP:
    1 – A TAP em um VAB (valor acrescentado bruto) para a economia portuguesa de 650 milhões de euros (a VAB de 3 AutoEuropas = 198 milhões de VAB) , como reportado pelo banco de Portugal e publicado na revista Focus faz uns meses;
    2 – Convém relembrar que a TAP continua a não receber dinheiro dos contribuintes faz mais de 15 anos porque é proibido por normativo comunitário desde 1997; O orçamento de estado de 2009/2010 tinha 18 M€ para dar às Low cost e 19 M€ para dar à SATA . Esses sim são subsidiados pelo nosso dinheiro (já para não falar da Junta de turismos, governos civis, aeroportos, etc)…
    3 -A TAP é pouco menos de ~1% do vosso PIB (direto, nem é medir impacto na economia);
    4- A TAP é 3% das nossas exportações, de longe o maior exportador português com 2 mil milhões em exportação (arrumando com as Autoeuropas e Galps que ainda por cima importam quase tanto quanto exportam), com um superavit brutal para a balança comercial.
    5- Com “dinheiro de verdade” (exportação) é o maior contribuidor nominal para a segurança social (paga só o RSI todo da região centro!). Aliás recentemente descobri que até as tabelas remunerativas na TAP são desenhadas para que se caia precisamente no escalão mais alto do IRS para que pague assim mais em IRS com o menor custo para a companhia.
    6 – A TAP é a 4 companhia mais segura do mundo, marca reconhecida internacionalmente, ganha prémios todos os anos, eleita pela segunda vez consecutiva a melhor companhia entre a Europa e a América do sul, tanto que 80% das suas vendas são exportação e isto numa das indústrias mais competitivas do mundo.
    7 – Acresce que com esse dinheiro de verdade (2 mil milhões de exportação) e tendo em conta que 65% do IRS em Portugal é paga por somente 5% dos contribuintes, além de ser o maior contribuidor nominal para a SS, dos tais 5% que suportam o pais, pelo menos 2% estão na TAP( dos tais 5%).

    8- Ainda por cima se a contribuição média de um contribuinte português para o PIB é de ~42 euros (4M * 42,000€ = 168MM€), dos empregados TAP é de 206,000€ (~.8% PIB /6500). Digam lá quem anda a sustentar quem?

  6. Luís Lavoura

    Espero que a UE force a falência da TAP

    (1) Se a UE fizesse isso com a TAP, teria que o fazer também com bastantes outras companhias aéreas (e não aéreas…) europeias. Pelo que, duvido que se atreva a fazê-lo.

    (2) Para que espera isso? Para que o prejuízo para o contribuinte se materialize? Está assim tão desejoso de ir contribuir para pagar as indemnizações devidas a todos os trabalhadores, e pagar a todos os credores?

  7. Joaquim Amado Lopes

    Jartelhos,
    “Ao falir o país vai-se de cerca de 0,8% do seu PIB, porque será inevitável que o peso da mesma e da VAB da TAP na economia que é só de 700 milhões de euros ou seja 3 vezes o da AutoEuropa, reduza (em grande medida.
    Vai-se livrar dos 2-3% das exportações do País, vai-se livrar dos 1000 milhões de superavit que a TAP traz para a balança comercial .”
    A TAP exporta o quê?
    E, sem a TAP, esses produtos/serviços deixam de ser exportados?

    “Também assistirá á redução substancial dos 200 milhões de euros que a TAP atira para a Segurança Social (é só o orçamento do RSI todo da zona centro e sul do país…), porque essa maldosa TAP irá livrar-se rapidamente da estranha estrutura remuneratória que tem desenhada para pagar o máximo de impostos possíveis (que nem sei como os trabalhadores nunca reclamaram…) . Já para não falar dos 700 milhões que paga em ordenados em Portugal que também será natural que se livre deles.”
    Com a falência da TAP, os serviços que esta presta deixam de ser prestados de todo ou passam a ser prestados por outras companhias?
    Se passam a ser prestados por outras companhias, estas não vão pagar impostos e descontar para a Segurança Social em Portugal?
    E que raio de empresa tem “estrutura remuneratória desenhada para pagar o máximo de impostos possíveis”?

    “Aliás recentemente descobri que até as tabelas remunerativas na TAP são desenhadas para que se caia precisamente no escalão mais alto do IRS para que pague assim mais em IRS com o menor custo para a companhia.”
    Pode explicar como isso funciona?

  8. Pulga

    A TAP exporta lugares de avião, de cada vez que vende uma passagem no exterior.

    Com a falência da TAP, por exemplo para a Venezuela, onde reside uma importante comunidade Portuguesa, deixa de haver voos directos de Lisboa, mas também do Porto e do Funchal. Quem mais irá operar nestas rotas, ainda por cima sem a possibilidade de repatriar os capitais que por lá estão? E não será isto serviço público?

    Para além de que outras empresas que operem para Lisboa não tem de pagar os seus impostos em Portugal, ou tão pouco contribuir para a Segurança Social (a Ryanair por exemplo tem os seus Pilotos a descontar na Irlanda). Ou acham que as outras empresas que aterram em Portugal pagam os seus impostos cá..? Acham que os voos da British Airways ou da Lufthansa pagam impostos cá ou no seu país de origem?

    Sim, é verdade que não haverá um grande vazio em termos de oferta para a Europa, mas será fornecido por companhias de outros países que não deixam cá qualquer receita ou contribuição para o Estado (a não ser as taxas para a privada ANA…). E para África, como será?

    Era bom que se compreendesse que a TAP é uma peça fundamental para o país, ainda que privatizada. A situação a que chegámos deve-se essencialmente a um Estado que deixou de acautelar os seus interesses e entregou a gestão a “profissionais” que, quando perceberam o pouco interesse ou conhecimento do dono da empresa, fizeram o que quiseram (VEM, Groundforce, etc). Pode ser que abram os olhos agora, e espero que a tempo. É verdade que a TAP tem defeitos (quem não os tem?). Mas também é verdade que a TAP tem muitas qualidades e vantagens. Anda tudo a extremar posições com questões por vezes secundárias e perdem a perspectiva. A de que, como Nação de emigrantes, temos de ter uma linha de apoio que nos ligue a casa. E essa linha é a TAP (pública ou privada).

  9. Joaquim Amado Lopes

    Pulga,
    “Com a falência da TAP, por exemplo para a Venezuela, onde reside uma importante comunidade Portuguesa, deixa de haver voos directos de Lisboa, mas também do Porto e do Funchal.”
    Não, não deixa. Outros operadores preencherão esse vazio, a menos que não exista racionalidade económica. E voos directos não são um direito nem uma necessidade absoluta. Veja lá que, segundo uma pesquisa rápida que fiz de voos Lisboa-Caracas para hoje, nenhum é directo (a TAP faz escala no Porto).

    “Quem mais irá operar nestas rotas, ainda por cima sem a possibilidade de repatriar os capitais que por lá estão? E não será isto serviço público?”
    Suponho que não se refira a “repatriar portugueses residentes na (ou de visita à) Venezuela” porque a ideia de que não é possível repatriar portugueses de um país para onde não existam voos directos de uma companhia aérea portuguesa é demasiado acéfala para vir de quem consegue escrever frases completas.
    Assim, a que “capitais” se refere?

    “Sim, é verdade que não haverá um grande vazio em termos de oferta para a Europa, mas será fornecido por companhias de outros países que não deixam cá qualquer receita ou contribuição para o Estado (a não ser as taxas para a privada ANA…).”
    Esse argumento aplica-se a todas as empresas de todas as áreas de actuação. Ora, considerando que a TAP dá prejuízo de forma contínua, não temos que nos preocupar com o IRC perdido.
    O IRS e descontos para a Segurança Social são pagos pelos trabalhadores. Se os actuais trabalhadores da TAP arranjarem trabalho noutras empresas, a menos que esses trabalhadores emigrem esses valores continuarão a ser pagos ao Estado.
    E o IVA sobre as vendas feitas em Portugal é sempre pago ao Estado português.

    Assim, o que perdemos? Os impostos pagos pelos pilotos?

    “E para África, como será?”
    Como para o resto do Mundo.

    “Anda tudo a extremar posições com questões por vezes secundárias e perdem a perspectiva. A de que, como Nação de emigrantes, temos de ter uma linha de apoio que nos ligue a casa. E essa linha é a TAP (pública ou privada).”
    Bem, parece que nesta quadra os emigrantes portugueses não terão qualquer linha de apoio que os ligue a casa. Ou têm?

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