TAP, uma história exemplar

Excerto do artigo de Paulo Ferreira no Diário Económico

Recordo uma conversa com década e meia. Estávamos no final dos anos 90 e acompa-nhei o Sérgio Figueiredo, então director do Diário Económico, a um almoço de trabalho com o presidente da TAP, Manuel Ferreira Lima.

Com o jornal em fase de afirmação e crescimento levávamos uma proposta: oferecer o jornal do dia aos passageiros da classe executiva da TAP. Não estávamos a inventar nada porque o Financial Times já o fazia com a Air France. Quando os passageiros da classe executiva entravam no aparelho já encontravam no respectivo assento uma cópia do jornal do dia com um pequeno autoco-lante que dizia “Cortesia da Air France”. Para esta era mais um “mimo” feito aos clientes. Para o FT era uma forma de aumentar a circulação e influência junto de um segmento importante.

Ferreira Lima ouviu, gostou da ideia mas, lamentou, não podia aceitar. Explicou porquê. Colocar um jornal em cada um dos assentos da classe executiva – serão 15 ou 20 por avião? – antes da entrada dos passageiros seria uma rotina nova para o pessoal de cabine, não prevista na lista de tarefas que constava dos acordos da empresa. Para que os trabalhadores passassem a desempenhá-la a administração teria de abrir negociações laborais e atrás desse outros temas seriam colocados em cima da mesa pelos sindicatos, como contrapartida. Era abrir uma caixa de Pandora numa empresa que vivia em permanente convulsão laboral. Uma insignificância que não ocuparia mais de um minuto a um elemento da tripulação era, por isso, impraticável.

7 pensamentos sobre “TAP, uma história exemplar

  1. Manuel Vilhena

    Até custa a acreditar!…
    Mas alguém acredita que se a companhia fosse privada a sua administração se deixava aprisionar desta forma ridícula pelos sindicatos. Assim, é o chamando regabofe que, evidentemente, os sindicatos querem perpetuar.

  2. Alendaqui

    Falta de rigor. Qualquer passageiro com o bilhete TAP pode levantar um jornal e uma revista num dos quiosques do aeroporto.
    Cpts

  3. Bocas

    Colocar o jornal demora mais 4 minutos, 10 jornais sao 40 minutos.. seriam mais 40 minutos de jornada que o patrao capitalista ( que nem e o caso, e mais patrao socialista) ia beneficar sem que o trabalhador tivesse a devida compensaçao.

    E tal nao pode ser, nao so ao abrigo da constituiçao, mas face ao direito que os trabalhadores tem em verem reconhecido o seu trabalho de forma justa e equitativa. Seria igualmente exigido uma pausa a cada 10 m no exercicio desta funçao para descanso, ( 2 ½ jornais) pois poderia haver o risco de lesoes musculares.

    E claro, o devido subsidio do jornal – 3 euros por unidade – a pagar ao trabalhador, senao partimos para uma greve a reevindicar os nossos diretos..

    E o Pedrinho, fica calado?

  4. Nuno

    O Alendaqui não se enxerga. Na década de 90 não havia o quiosque dos jornais. E é diferente ter o jornal no assento, pedi-lo no vôo, ou ter que ir ao quiosque. Um dá trabalho ao “trabalhador”, o outro dá trabalho ao cliente.

    Mas talvez faça sentido confiar mais num tipo anónimo na internet do que num ex-director do Económico quando cita um ex-director da TAP.

  5. Das companhias aéreas “de bandeira” na chamada Europa ocidental temos:

    Totalmente públicas: Portugal
    Maioria de capital público: Finlândia (56%)
    Minoria de capital público: Dinamarca* (14%), Espanha (5%), França (20%), Holanda (6%), Irlanda (25%), Itália (19%), Luxemburgo (49%), Noruega* (14%), Suécia* (21%)
    Totalmente privadas: Alemanha, Áustria, Bélgica, Reino Unido, Suiça
    * A SAS é a companhia “de bandeira” nos três países escandinavos, tendo os respectivos três governos 50% do capital entre eles

    Demora muito?

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