Debate na FEP

Embora esta casa acredite no exacto oposto, de que mais Estado implica menos liberdade, excepto se a adesão compulsória à Segurança Social, a capitalização forçada de companhias aéreas, o financiamento obrigatório de canais de televisão, ou um serviço público que obriga ao recurso a prestadores públicos, for mais liberdade. Nesse caso, concordamos com o mote. Seja como for, a presença de distintos e brilhantes professores como o Mário Graça Moura faz deste debate, a decorrer no dia 17 de Dezembro na sala 111 na FEP, um evento a não perder.

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12 pensamentos sobre “Debate na FEP

  1. Euro2cent

    E qual é, exactamente, o benefício de “mais liberdade”?

    (Sem ser descortês, dispensava de bom grado as ladaínhas religiosas habituais. Factos, por favor. Aplicados ao Portugal antes e depois de 1974, se quiserem.)

  2. A liberdade não decorre de um benefício, decorre de um imperativo moral negativo: que direito tem você de limitar a liberdade de terceiros? Aqueles que acreditam na liberdade, acreditam que muito pouco. Nem você, nem nós temos direito de limitar a liberdade de terceiros, excepto se esta atentar contra a nossa própria liberdade.

    Quanto às “ladaínhas religiosas habituais”, mostra que não percebe lá muito bem o que está em discussão. Isto não é uma discussão prática, é um discussão ideológica que deve ser feita à luz de um teoria, seja a lei natural, seja o utilitarismo, seja o absolutismo monárquico, seja o que for. Tempos havia em que se defendia que nada ou ninguém se devia ou poderia opor à vontade do Rei, que representava Deus na terra. Tempos havia em que se defendia que o indivíduo jamais se poderia opor à vontade do Estado. Esses tempos já vão longe, sendo que hoje apenas há quem defenda que as pessoas devam ser forçadas a consumir serviços providos pelo Estado, como a Segurança Social, entre outros..

  3. Euro2cent

    OK, uma tese: é do interesse da maioria do povo que a liberdade seja cerceada.

    Os defensores da liberdade são uma minoria interesseira, que se aproveita dela para enfraquecer, moral e económicamente, a maioria do povo de uma nação em benefício próprio.

  4. Eu discordo de si e da sua tese. É do interesse da maioria da população que estes tenham liberdade. Estando os dois em desacordo, o que nos medeia senão a liberdade? Ou prefere uma versão mais Nietzschiana da coisa, em que o mais forte dita o desfecho? Ou uma versão fascista, em que eu prendo-o e lhe dou um tiro porque você discorda de mim?

  5. Euro2cent

    Fraco. Não haver liberdade irrestrita não quer dizer que não haja leis.

    Não vale a pena continuar, não vejo uma ideia capaz do seu lado.

  6. lucklucky

    É de esperar que os Fascistas como 0.2€ começem a levantar a voz quando a defesa da Liberdade começa a ser um empecilho para os seus projectos.
    Enquanto o objectivo era tomar o Estado e a Instituições aos Conservadores , o discurso era: viva a Liberdade!
    Obviamente no contexto da luta contra o Estado Conservador a Liberdade era um aliado.
    Agora que o Estado já está nas mãos dos Socialistas, a Liberdade passa a ser para deitar fora, passa a ser uma ameaça à paz e estabilidade.

    E sempre foi assim, as causas dos Socialistas são meros instrumentos para o Socialista tomar o poder.
    Como a suposto anti racismo, , mulheres, gays, etc… meros pretextos por onde atacar quando conveniente apenas. Se for conveniente deitar fora os gays e os Judeus porque os Islamicos têm mais poder, deita-se. A única doutrina é tomar o Poder. E a Moral e a Ética é onde está o Poder.

    Tal como o Povo, será deitado ao caixote quando for incómodo para o Projecto, porque os Socialistas estão-se nas tintas para o Povo. O que Interessa é o Poder para implementar o Projecto de Sociedade.

    Por isso é que falam em nome do Povo, como antes falaram da Liberdade.

  7. Euro2cent,

    O problema de o Estado querer definir a liberdade de cima para baixo é que o Estado não existe. É uma construção humana, controlada por humanos, que têm as suas próprias mundivisões e que, fruto da natureza humana, conflituam com as suas, as minhas ou as do seu vizinho em alguma coisa.

    Por exemplo, eu sou mórmone. Não sou católico. Vivo num país de maioria católica, em plena liberdade religiosa. Não tenho problemas com a igreja católica, mas terei problemas com aquela minoria católica que acha que ou se é católico ou não se pode ser português (infelizmente, mesmo sendo uma minoria, há-a). Nunca aceitaria um estado que pudesse coartar-me à adoração religiosa da maneira estatalmente correcta, especialmente se fosse ateísmo puro.

    A liberdade dos povos não deve ser definida por organizações de criminosos e de fraude, como o Estado é, quando este acaba por crescer demasiado. O caso presente. E se acha que exagero ao chamar o Estado que temos uma organização de criminosos, reveja a definição de crime.

    O Estado deve definir um conjunto mínimo de restrições à liberdade. Chamemos-lhe os últimos seis dos dez mandamentos, se quiser, e algo mais. Tudo o resto deve ser protegido pelo próprio estado. O Estado não deve dizer aos cidadãos o que devem ou não fazer, mas apenas impedi-los por lei de fazer algo quando os legítimos interesses de outrem estiverem a ser violados. As liberdades devem ser primeiro negativas, direito à vida, à livre associação, ao exercício da religião, à prossecução da felicidade, às liberdades económicas, à propriedade, à circulação, e algumas mais. Só neste espírito devem ser proclamadas leis (não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho contra o teu próximo, não iniciarás violência, não violarás, não exercerás poder injusto, não utilizarás capangas, não negarás aos outros o acesso através das tuas propriedades, não usarás esse acesso para estragar a propriedade alheia, etc.).

    Ora, as leis que temos são despóticas, usadas para proteger os incumbentes na riqueza do ímpeto dos insurgentes. O Estado está capturado pelos interesses especiais e usado primeiramente para manter o poder económico nas mãos dos que o detêm,mesmo que uns peões enriqueçam e empobreçam no processo. [Ainda estou abananado com a falência do BES, que nunca julgava possível, por o Estado ir sempre meter a mão direita, aconchegadora e aparadora e amiga destas personagens, enquanto a outra me vai à carteira.] O problema do Estado grande é, em suma, ser uma máquina que protege a ineficiência da economia e que escraviza os cidadãos em torno de um projecto dos que capturaram o Estado em vez do inverso, que é proteger a livre concorrência, a liberdade individual e o primado do indivíduo.

  8. Euro2cent, se quer abordar este assunto com a leviendade com que aborda todos os restantes, de facto é melhor não continuar, existem muitos cafés vagos por aí onde as suas opiniões serão certamente bem vindas, entre o café e o bagaço.

  9. mggomes

    Acho que o lucklucky e o Francisco Miguel Colaço afugentaram o Euro2cent.
    Como consequência, não vão ter troco.

  10. MGGomes,

    Não pretendi afugentar ninguém. Foi pedida uma opinião e eu, simplesmente, forneci o que foi pedido. Se o fiz pouco inteligentemente, olhem!, são as limitações que sao inerentes à espécie humana e de cujas apenas não se apercebem os militantes.

  11. mggomes

    Francisco,
    O problema foi exactamente esse: uma opinião bem fundamentada dá muito mais trabalho a confrontar.

  12. Euro2cent

    (Boa noite a quem ainda aqui vier. Como isto não faz parte das minhas actividades profissionais, o tempo que gasto aqui e em mais um ou dois blogs é limitado.)

    Quero esclarecer que não sou a favor de um estado infinitamente grande, nem de intolerâncias fanáticas. Pus as questões que pus – que aliás, em tradição muito portuguesa, não foram rebatidas directamente – porque me faz espécie a forma acrítica como se encara o assunto.

    Básicamente, há um fortíssimo endoutrinamento público para que a liberdade seja considerada um bem supremo, pelo qual não há sacríficio que não deva ser feito. E esse endoutrinamento é engolido inquestionado, e regurgitado de mil formas diversas, para grande gáudio dos produtores, e beneficiários, da propaganda. Que, aliás, é de excelente qualidade: desde que os nossos donos apreenderam o conceito de fabricar consentimento, não pouparam os meios dedicados a fábricas de sonhos. Gente inteligente.

    Por mim, limito-me modestamente a propor que:

    1) A liberdade é um meio, não um fim. Serve para fazer qualquer coisa, desde levar uma vida melhor (ou pior), a conseguir dominar económicamente uma nação. Ser a favor da liberdade em abstracto é como ser a favor do dinheiro – depende do que se faz com ele.

    2) A liberdade é mais útil a quem está no topo da pirâmide social, e quer usar as suas garantias para resolver pacíficamente os conflitos com individuos/familias/grupos igualmente poderosos. Quem não sabe de onde virá a próxima refeição tem outros problemas.

    3) A liberdade pode ser usada como ácido para corroer o pouco que protege um povo – dissolver restrições morais, obrigações sociais, laços familiares. O ódio do Nietzsche à “religião dos escravos”, e o amor dos esquerdistas às “causas fracturantes” são duas faces da mesma moeda.

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