Soares chama de bandidos aos mercados que mais não são que a soma das livres decisões das pessoas (ou utilizando uma expressão mais do seu agrado, do ‘povo’).
Soares, que não tem pejo em apelidar de bandidos aqueles que ele não consegue individualizar (nem conhecer), visita, sem qualquer problema de consciência, quem (apesar de socialista) a justiça desconfia, porque com provas mas ainda sem julgamento, ser bandido.
Soares chama-nos de bandidos. A nós que somos os ditos mercados. No jantar dos seus 90 anos reúne-se com a sua corte. Diz a imprensa que estão presentes jovens, “a nova geração dos socialistas”. Também havia uma geração de novos no Estado Novo; não sabiam era nada do que se passava fora das salas de jantar. Fica um apelo: deixem-me em paz. É que eu, ao contrário de Soares, verdadeiramente não gosto de aristocracias.
O que fez foi para os outros da sua nata mas mais por arrastamento, sempre com o cuidado de não se distrair com os próprios e prioritários interesses. Todos eles iguais, todos diferentes na rutura que defendem, mas para com o próprio cimento tratarem em primeiro lugar das casernas em que se tem abrigado. Está ou não de papo cheio este que tanto vocifera em nome dos pobres mas que guarda a sete chaves os próprios alforges bem recheados? Faça muitos a ver-se ao espelho.
visita, sem qualquer problema de consciência, quem (apesar de socialista) a justiça desconfia, porque com provas mas ainda sem julgamento, ser bandido
A justiça tem provas contra Sócrates? Grande novidade que nos dá.
A minha impressão, pelo contrário, é que a justiça não tem provas nenhumas.
E acha que os amigos deveriam abandonar uma pessoa só por ela ter sido condenada pela justiça? (Coisa que, recorde-se, Sócrates ainda não foi.) Belos amigos da onça seriam esses! Amigos que abandonam alguém precisamente quando ele mais deles precisa.