O Zelig da política portuguesa continua a fazer das suas

António Costa, Wikipédia.
António Costa, Wikipédia.
Tiago Barbosa Ribeiro, um militante do PS que o recentemente ostracizado Francisco Assis descreveu como “um jovem dirigente socialista portuense destinado a exercer a muito curto prazo altíssimas responsabilidades no plano local”, manifestou hoje o seu regozijo com “o rumo traçado” por António Costa para o PS. Segundo Barbosa Ribeiro, “as suas escolhas, em especial as do Secretariado Nacional, garantem que não nos desviaremos um milímetro” do tal rumo. Tenho notado o grande entusiasmo de todos aqueles que sonham com um PS frentista, ansioso por se coligar com tudo o que seja partido de política demagógica e anti-moeda única apesar de tal coligação ser incompatível com o programa e o “ADN” do PS. Tenho, no entanto, de avisar essas pessoas de que se arriscam a ter uma grande desilusão. E nem vale a pena citar Hollande, basta ver o que disse o próprio António Costa no mesmo discurso que tanto os excitou. Ao contrário do que a sempre preguiçosa comunicação social portuguesa relatou, Costa não disse exactamente que não faria nenhuma coligação com “a direita”. O que disse foi que não faria coligações com quem “defenda esta política” (a que tem sido seguida pelo Governo), uma formulação suficientemente vaga para que, caso o PSD ou CDS aceitem, daqui a uns meses, apoiar políticas diferentes (mesmo que só superficialmente) ele possa dizer que, precisamente, “sempre disse que o problema não é de nomes”. Como sempre, o Zelig da política portuguesa diz e faz aquilo que permite – e com o oportunista intuito de permitir – que cada um veja nele aquilo que quer ver. Quem queira ver nele o “socialismo do punho erguido” é presenteado com umas quantas frases que sugerem que será feita a sua vontade. Quem vê nele um sucessor do socratismo olha para o Secretariado e vê uma série de caras anteriormente vistas a fechar os olhos a tudo o que veio associado à carreira do mais recente habitante de Évora. E quem espere um António Costa “responsável” e que governe “ao centro” pode sempre escudar-se na margem de manobra que o homem criou para si com as suas cuidadosas formulações verbais. Numa altura em que o país precisa de políticos que digam claramente o que entendem ser preciso fazer, Costa prefere actuar como uma espécie de camaleão político, que adopta a forma de quem quer que esteja a olhar para ele. Nada que espante, tendo em conta o seu passado.

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