De quem falamos quando falamos de José Sócrates

Imagem retirada de http://ntpinto.wordpress.com/2013/09/26/micro-revista-de-imprensa-96/
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Como seria de esperar, as atribulações do recluso preventivo José Sócrates continuam a encher os jornais e blocos informativos das televisões. Hoje, deu-se grande destaque à carta que enviou através do seu advogado, protestando a sua inocência e atacando a acção do sistema de Justiça contra a sua excelsa pessoa. É normal que uma pessoa se defenda e jure a sua inocência. Mas convém que não nos esqueçamos de quem estamos a falar. Há pouco mais de um ano, uma jornalista da revista Sábado contactou José Sócrates, para lhe fazer algumas perguntas acerca da sua tese de mestrado. Perguntou-lhe, por exemplo, se o tema da dita era, como ela julgava ter sabido de fonte fidedigna, a tortura. Sócrates respondeu categoricamente que não, que a jornalista não o escrevesse na revista já que “estará a enganar e a induzir em erro os leitores”. Menos de um mês depois, o Expresso noticiava, usando o próprio Sócrates como fonte, que a sua tese seria editada em livro, e que o tema era, precisamente, a tortura. A Sábado contactou Sócrates novamente, para saber por que razão Sócrates tinha mentido acerca desta questão, ao que este terá respondido “Você disse que a minha tese era sobre tortura e não é. A minha tese não é sobre tortura. É sobre tortura em determinadas circunstâncias, embora, é claro, eu não tenha na altura acrescentado essa informação” e que “aproveitei uma imprecisão da sua parte para lhe dizer que não”. Ou seja, acerca de um assunto tão comezinho – e que seria tornado público pouco depois – José Sócrates mentiu descaradamente, justificando o facto de ter mentido com o ter tido oportunidade de mentir. É de alguém assim, com uma relação de conflito com a verdade que roça o patológico, que estamos a falar. Não tendo até agora nenhuma informação que me possa fazer ter opinião acerca da culpabilidade ou inocência de Sócrates no caso que o coloca em Évora, e sendo verdade que cabe à Justiça provar que (se houver culpa) ele é culpado e não a Sócrates provar que é inocente, eu (que como bem diz o João Miguel Tavares, estou apenas a formar um juízo sobre a sua pessoa e não a decidir sobre se deve estar em liberdade ou atrás das grades) olho para o passado de José Sócrates e não consigo deixar de partir do princípio de que tudo o que ele possa dizer é mentira. Porque é fácil de verificar que ele é capaz de mentir acerca de qualquer coisa.

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15 pensamentos sobre “De quem falamos quando falamos de José Sócrates

  1. JP

    No site do PS constava o seguinte no dia 27 Janeiro 2009: “Relatório da OCDE Elogia Política de Educação do PS. No encerramento da cerimónia de apresentação do relatório da OCDE”. Entretanto o texto foi substituído. O Público noticiava “PS terá feito alterações “online” em texto sobre relatório “.

    Na lei isto chama-se perigo de destruição de provas.

  2. João de Brito

    Não é só Sócrates.
    Ele é apenas um dos melhores.
    A malta dos partidos aprende muito bem e depressa duas qualidades muito evidentes:
    – mentem sempre que convém e muito convincentemente;
    – não têm pingo de vergonha!
    Por essas e por outras é que eu faço também duas coisas:
    – não os leio nem os ouço;
    – não voto para as legislativas.
    Já sei que muitos (felizmente cada vez menos) me vão dizer que assim outros decidem por mim.
    A este respeito levanto também duas questões:
    1. Não foi sempre o que aconteceu, enquanto votei?
    2. A situação estaria pior se, em tese, ninguém votasse?
    É que para mim é claro que o voto apenas tem legitimado esta cambada.
    Pior é difícil imaginar!…
    Nota: É este tipo de raciocínio, simples e prático, que deve conduzir as nossas decisões políticas. Grandes teorias de esquerda e direita, de muita erudição feita de muitas citações, resultado de muitas leituras e pouca reflexão, só servem para confundir e manipular.

  3. Luís Pereira

    É um mentiroso relapso e contumaz. Segue na linha de Mário Soares que, se lhe for conveniente, diz precisamente o contrário do que afirmou há cinco minutos. É a chamada ética republicana, muito praticada pelo PS.

  4. Pingback: O “preso político” José Sócrates | O Insurgente

  5. o fantasma.

    O dia em que foi preso,ainda seria o dia de São Socrates,o martir da mentira.,isto se a múmia do sr.Soares ainda volta-se ao poder.

  6. Pingback: Como está Portugal? | O Insurgente

  7. Pingback: “Sócrates Fala”, diz a TVI. E nós não devemos acreditar numa única palavra do que ele diz | O Insurgente

  8. Pingback: Os portugueses e Donald Trump – O Insurgente

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