Nos últimos dias tenho ouvido de comentadores e, principalmente, de políticos que, em relação à detenção de José Sócrates por suspeita de branqueamento de capitais, se deve separar este caso de justiça da política. Tretas!!!
Este acontecimento judicial está ligado à política por inseparável “cordão umbilical”. José Sócrates é – caso alguém se tenha esquecido – político profissional, ou seja, toda a sua carreira foi desenvolvida por via do exercício de vários cargos políticos. Logo, quando o mesmo é detido para averiguações criminais por ter despesas inadequadas aos rendimentos anteriormente declarados, a conclusão mais óbvia é que, a existir enriquecimento ilícito, a sua proveniência será da prática de corrupção (que, como explicam os economistas insurgentes, é bastante mais difícil de investigar). Aliás, (re)lembro que Al Capone nunca foi condenado por homicídio, tráfico ou associação criminosa, mas sim por evasão fiscal.
A suspeita da prática de corrupção de um ex-governante (mesmo que seja só indirectamente “provada” pela condenação por branqueamento de capitais) é, que eu saiba, assunto de Política. Tal como tem sido a prisão dos responsáveis pelos vistos “gold”.
Assim como se deve discutir a responsabilidade dos actuais governantes PSD/CDS pela falta de transparência e escassez de checks & balances no caso dos vistos “gold” também convém tentar perceber como os governantes do PS, liderados por Sócrates, não detectaram/evitaram eventuais práticas de favorecimento político por parte do então primeiro-ministro, com especial atenção para António Costa, Ministro da Administração Interna entre 2005 e 2007. A haver uma acusação criminal a José Sócrates, o PS (e o seu actual secretário-geral) serão certamente, por muitos portugueses, politicamente implicados.
Os casos dos vistos “gold” na semana passada e agora o de Sócrates têm uma relevância política acima do horizonte dos partidos políticos da governância e, até, de todos os restantes partidos parlamentares. Em maior ou menor grau, a ideologia socialista da classe política deveria levar-nos a considerar/discutir os perigos da forte inter-relação entre o peso do Estado e a probabilidade de ocorrerem casos de corrupção.
Se a maioria dos eleitores portugueses decidem retirar liberdade de escolha a milhões de compatriotas delegando o poder de decisão a alguns “eleitos”, temos de reconhecer que haverá sempre quem queira beneficiar de uma relação privilegiada com a classe política governante (e qualquer que seja o partido no poder!; veja-se o exemplo das “democracias” comunistas em que uns privilegiados camaradas vivem muito acima da pobreza generalizada). Em termos políticos, pelo menos para mim, os acontecimentos recentes apontam naturalmente para a seguinte evidência: uma sociedade mais liberal será indubitavelmente menos corrupta.
o social-fascismo da esquerda folclórica de costa e afins
quer continuar a ratar os contribuintes particulares.
o MONSTRO come o resto.
‘eles comem tudo’
muito bem
Compreendo a “necessidade” de “bater” no PSD para dar uma ideia de isenção. Mas equiparar o comprometimento do Governo PSD/CDS no caso dos “vistos Gold” com o do anterior Governo do PS no caso de José Sócrates não faz o mínimo sentido.
Fanático
JALopes, não houve qualquer “necessidade”. E, sim, faz todo o sentido. Serviu de exemplo para demonstrar que o tamanho do Estado tem uma forte correlação com a prática de corrupção, independentemente do(s) partido(s) no poder.
Devo também fazer notar que, por ser difícil prender alguém por corrupção, a probabilidade de existirem muitos outros casos que nunca vão chegar aos tribunais é, julgo, significativamente alta.
E mesmo este caso, entre protestos de mediatização dos senadores do regime, da ex-mulher a visitar o preso e, qualquer dia, dos filhos chorosos a sair da visita, ainda está longe de se ver se vai em frente ou se acaba por ser um outro em que alguém corompeu, mas ninguém foi corrompido.
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