Como é normal nestas coisas, anda-se por aí a dizer que as garantias dos arguidos não são respeitadas pelos tribunais. Não deixa de ser engraçado que os comentadores (alguns, pelo menos) se lembrem das garantias dos cidadãos perante o estado, quando está em causa uma personalidade política. No entanto, sejamos claros: além da lei penal que regula as detenções e os subsequentes interrogatórios dos arguidos, ter sido aprovada, como é de esperar num estado de direito, pelo poder legislativo, não houve até agora (que se saiba, mas os advogados estão lá para evitar isso mesmo) nenhuma violação das regras processuais penais.
Há por aí uma grande celeuma por José Sócrates ter sido detido no aeroporto à chegada a Lisboa. Muita gente (esquerda e media) se riu por ser à chegada e não à partida.
Por acaso não houve uma cabeça pensante, na esquerda e nos media, que, o que o juiz queria era que ele não fosse a casa?
Será possível que ninguém (esquerda e media) tenha pensado nisso?
Só porque é ex-primeiro ministro não pode, tem direitos especiais?
Incrível…
É de Esquerda e na Esquerda uns são mais iguais que outros.
O excesso de garantismo existe para proteger os criminosos com dinheiro e influências.
Torna muito difícil e protelada uma condenação desses senhores.
Propicia as prescrições.
Fundamenta as duas justiças que temos: a dos ricos e a dos pobres.
E assenta na inversão de um princípio de senso comum:
– Rege-se pela exceção em vez de se reger pela regra.
Relativamente a esta e outras detenções, só existe celeuma quando as mesmas visam figuras públicas. Gostava de ver as mesmas vozes alçarem-se quando é o “comum” cidadão a ser detido a uma Sexta-feira ao final da tarde para ser presente ao JIC no dia seguinte e assim passar uma noite bem fresca. Dica politicamente incorrecta: ver o número de mandados de detenção que são emitidos às Sextas num certo DIAP (o I é de inaccão) que investiga o crime da moda e depois comparar com o número de arguidos que saem do JIC no Sábado apenas com o obrigatório TIR…