O livre comércio e os seus opositores

Vital Moreira sobre o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership) e a “agenda” dos seus opositores

Todavia, tal como noutros países, não faltam as vozes contrárias ao eventual acordo, quase sempre identificadas com a extrema-esquerda protecionista, a que se somam os grupos antiglobalização e “altermundialistas”, que sublinham os alegados riscos sobretudo em matéria de segurança alimentar e ambiental. A sua campanha já chegou a Portugal, a julgar pela imprensa, onde essas posições encontra amplo eco, sem a necessária contradita.

Independentemente do infundado das críticas ao acordo, a campanha assenta numa óbvia fraude política, pois a oposição não é ao TTIP em especial mas sim a todo e qualquer acordo de liberalização comercial. Eles são contra o comércio internacional em geral porque são anticapitalistas, antiliberais e antiglobalização. O seu ideal não confessado seria a Coreia do Norte, Cuba ou os regimes “bolivarianos”.

Engana-se, porém, quem julga que o caso do TTIP está ganho à partida, bastando as suas esperadas vantagens económicas e a sua mais-valia geoestratégica para Portugal. A verdade é que esses grupos são assaz “vocais”, exploram o desconhecimento e receios atávicos, gozam de simpatias fáceis na imprensa e não têm escrúpulos no combate político e ideológico.

Por isso, os partidos e as organizações empresariais e sociais que justificadamente veem no TTIP uma grande oportunidade para Portugal não podem limitar-se oferecer o “mérito da causa”. Têm de lutar por ele.

26 pensamentos sobre “O livre comércio e os seus opositores

  1. Tiro ao Alvo

    Noronha, aquele antónio é velhinho e parou no tempo. Ele é do tempo do outro António, mas de sinal contrário, ou seja, com uma fixação na doutrina que lhe meteram na cabeça. Coitado.

  2. antonio

    “Não estou a ver a relação entre o TTIP e o Patriot Act.”

    De que vale defender uma coisa e nao defender a outra?

    E triste ver o capitalismo de Estado/corporativo a impor-se em todo lado. Neste momento não há grandes diferenças entre viver na China ou nos EUA, em termos de liberdade economica ou individual. E há cada ve menos.

  3. Miguel Noronha

    “De que vale defender uma coisa e nao defender a outra?”
    Não faço ideia do que está a falar. Agradeço que guarde esse tema para um post em que ele seja discutido.

  4. O único problema depois de ler algo da legislação do TTIP que vejo é a litigação supranacional. Para mim, os estados devem ser soberanos e os conflitos entre empresas julgados em jurisdição à escolha do comprador.

    De resto, venha o comércio livre. Nunca na história o comércio livre deixou de fazer riqueza e de trazer a liberdade.

  5. Baptista da Silva

    O grande problema é a Segurança alimentar, os EUA têm uma politica muito mais liberalizada em termos de rigor e controlo da qualidade dos produtos. Além disso usam transgénicos que são parcialmente proibidos na Europa. Quanto a mim o acordo versará mais na questão da variação da taxa de câmbio que outra coisa qualquer, transgénica, ou não.

  6. jo

    Vital Moreira não perdeu o estilo de argumentação que aprendeu no Grande Partido.
    Quem se opões pretende o obscurantismo logo não merece discussão.
    Há amores que nunca morrem.

  7. Baptista da Silva,

    A segurança alimentar será maior com o TTIP, visto que o trigo, venha de onde vier (dos Estados Unidos, claro) virá mais barato. Quanto a transgénicos e raios que o parta, não há tragédia: se não se pode importar e vender na Europa não se exporta para a Europa.

    Mais uma vez, o problema está na aceitação (ainda em aberto na forma) de uma entidade nebulosa supranacional, sem à partida dizer que legislação se aplica, quando as variadas legislações nacionais são díspares e muitas vezes contradizem-se. Quanto a mim, quem inicia a queixa deve aplicar a sua própria legislação (normalmente é o comprador quem inicia a queixa).

  8. Gil

    “Quanto a transgénicos e raios que o parta, não há tragédia: se não se pode importar e vender na Europa não se exporta para a Europa”. Mas é precisamente aí que os opositores do acordo apontam um problema. Segundo dizem, essa segurança não está garantida.

  9. Miguel Noronha

    “Segundo dizem, essa segurança não está garantida”
    Os opositores também não conseguem provar que exista qualquer problema e os OGM’s já são usados há algumas décadas sem que exista registo de qualquer problema. Não os querem consumir não os consumam.

  10. Gonçalinho

    Correcção: os OGM’s são usados há milénios. Ou um porco, uma vaca, ou os cereais que hoje comemos, na forma em que os comemos, já existiam na natureza, querem ver?

  11. António

    Já existe algum estudo relativo ao impacto de perdas em direitos aduaneiros ?? Presumo que os mesmos serão abolidos ?? No caso Português os ganhos económicos nas exportações serão mais vantajosos que as perdas em direitos aduaneiros. Este tratado tem que ser negociado com muito cuidado pois é uma alteração significativa ao mercantilismo mundial. Depois deste tratado não sei se voltará a ser possível uma politica de “melhorar à custa do vizinho”.

  12. CsA

    Miguel Noronha: “Não os querem consumir não os consumam.”

    Sem haver info na embalagem/rótulo do produto como o consumidor pode ter a escolher de o não consumir?

  13. Miguel Noronha

    E quem é que lhe diz que não há info?
    E tem ainda os chamados “produtos biológicos” cujo diferenciação é feita exactamente por essa via.

  14. jo

    Não ataquei Vital Moreira. Ataquei a forma de argumentar, são coisas diferentes.
    Se os argumentos utilizados na defesa do tratado são: “Independentemente do infundado das críticas ao acordo, a campanha assenta numa óbvia fraude política, pois a oposição não é ao TTIP em especial mas sim a todo e qualquer acordo de liberalização comercial. Eles são contra o comércio internacional em geral porque são anticapitalistas, antiliberais e antiglobalização. O seu ideal não confessado seria a Coreia do Norte, Cuba ou os regimes “bolivarianos”, então são argumentos muito fraquinhos.
    Mas há muito que beatos, comunistas e fervorosos liberais me parecem sofrer do mesmo mal.

  15. Miguel Noronha

    “Não ataquei Vital Moreira.”
    Nunca.Onde é que eu fui buscar essa ideia? Aliás, continua a referir-se apenas ao TTIP.

  16. CsA,

    Para ser vendido na Europa tem de ter a informação nutricional sintética em língua nacional. Se não tiver, não vale a pena colocar nas prateleiras, pois acabará inexoravelmente nas mãos da ASAE. Nenhum fabricante vai vender e nenhum importador vai comprar com este risco.

    O TTIP aí não faz mossa.

    Fará por exemplo se o fabricante entregar um produto legal na Europa mas por exemplo em más condições de acondicionamento e de estiva mas num transporte pago pelo comprador e o comprador quiser queixar-se da estiva, sendo que o fabricante não coopera. Vai ser um caldo saber quem julga o quê.

    —————

    António,

    Exportar mais: mais empregos para Portugal no sector privado.
    Direitos aduaneiros: mais empregos de alapados funcionários.

    Tenho a minha preferência. Troco uns pelos outros, nem que seja a 1000 por 1.

  17. jo

    Parece que não me fiz entender.
    O post não trata do TTIP. Se tratasse desse falava sobre ele. Por essa razão não me refiro ao TTIP, refiro-me à argumentação de defesa do TTIP apresentada. No trecho apresentado no post a referência ao TTIP é mínima.
    A não ser que se aceite como argumentos a favor um panegírico do tratado e argumentos contra a declaração que quem não quer um tratado comercial está a soldo da dinastia Kim.

  18. António

    Francisco Miguel Colaço, Respeito as suas preferências mas as coisas não podem ser vistas da forma tão redutora como expôs. No passado e quando Portugal aderiu à então CEE perderam-se receitas consideráveis em direitos aduaneiros e IVA pois a fraude ficou mais facilitada. Isto não é assunto que se resuma a empregos de alapados funcionários. O tratado é um assunto demasiado sério que tem de ser muito bem negociado pois irá causar um impacto que não será linear em todos os Países da União Europeia. Qual será o seu impacto nas frágeis e insolventes economias dos Países periféricos do Sul ?? Que o tratado não sirva para estourar de vez com a nossa frágil economia.

  19. As taxas aduaneiras são extorsão do Estado, excepto quando e na proporção em que se destinem a inspecções sanitárias. Encarecem o preço ao consumidor, pobre substituto num destes maus tempos daquilo que costumava ser um cidadão.

    Se está à espera de um debacle da proporção de Methween, desengane-se. Quanto a exportações, estamos na mó de cima. E estaremos, se o Estado não quiser andar a lançar taxas e taxinhas e impostos e alvarás sobre tudo o que possa mexer. Temos Estado a mais. Temos idiotas a mais a mandar, a maioria das quais não sujeitas a escrutínio democrático. A esses chamam-se burro-cratas, e costumam mandar os ministros e servir-lhe de camareiros, isto é, fazer-lhes a cama.

    O tratado não vai estourar com a nossa frágil economia pela simples razão de que ela não é frágil. Um pouco de pitroil na costa, que até já foi encontrado, e teremos 20% de superavite na balança de pagamentos, já que temos capacidade de refinação. Aqueles acéfalos que não quiseram uma central nuclear em Portugal, autênticos cavalos pintados de verde e vermelhos por dentro, são uma das razões da nossa miséria: a importação de eletricidade valia 2% do PIB durante muitos anos.

    O problema é sempre o mesmo, estado, estado e estado. A dívida privada é que está a descer, a ser paga. A dívida pública está estacionária, mas apenas até ao momento em que o Capitão Costa, o Ventilador, der à costa. Se não tivesse tanto estado, seríamos um tigre, como éramos para ser nos anos 70, quando o Financial Times dizia que o milagre económico português iria abafar o alemão e o japonês. Depois veio a abrilada, o Gonçalves, o Soares e o FMI. E o FMI de novo.

    António, os números não deixam mentir. Mas é claro que o António não tem pachorra para olhar para números. E livre-me eu de sugerir que olhe para eles com uma calculadora ao lado! E que lhes dispense uns neurónios. Socialista não pensa. E os resultados estão à vista, três chamadas ao FMI de mão estendida depois. Pelo parretido chupialista, o cancro de Portugal.

  20. António

    Francisco, quem lhe disse que eu não tenho pachorra ?? Está também a insinuar que eu sou socialista ?? Este seu comentário é a prova do porquê Portugal ser hoje em dia uma nação falhada. Nem uma troca de impressões sobre o TTIP entre dois cidadãos num simples blogue escapa à mediocridade. E para finalizar digo-lhe que parte do que escreveu não tem qualquer enquadramento substancial quer histórico quer económico. Por mim ponto final. Neste blogue na maior parte das vezes não se consegue ter uma troca de impressões sadia.

  21. Se não se enquadra no último parágrafo, António, as minhas desculpas. Admito que frases como «No passado e quando Portugal aderiu à então CEE perderam-se receitas consideráveis em direitos aduaneiros e IVA pois a fraude ficou mais facilitada.» me terão enganado.

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