Os 4 colapsos do Comunismo

Um texto pelo Brasileiro Diogo Costa, que recomendo. Deixo aqui 4 excertos:

Sobre o Moral:

Quando um comerciante, dizia Havel, pendurava na vitrine da sua loja uma placa dizendo “trabalhadores do mundo, uni-vos!”, seu ato não era movido por convicção e proselitismo. Era um ato de costume, de obediência, de coerção. Para Havel, seria mais honesto que a placa dissesse, “eu tenho medo e portanto sou inquestionavelmente obediente”.

Sobre o Tecnológico:

Em 1948, o governo Soviético permitiu que os cinemas exibissem As Vinhas da Ira. Baseado no romance homônimo de John Steinbeck, o filme retratava o sofrimento da classe trabalhadora americana durante a Grande Depressão. Não passou muito tempo e o partido decidiu suspender o filme. Os soviéticos saíam do filme impressionados com o fato de que, nos Estados Unidos, até os pobres trabalhadores possuíam automóveis.

Sobre o económico:

Mas em vez de criar riqueza, os soviéticos gastavam em produção conspícua: produziam por produzir, para mover indicadores econômicos em vez de para satisfazer demandas dos consumidores.

Sobre o ambiental:

De 1951 a 1968, o despejo de resíduos nucleares enxugou o lago para um terço do seu tamanho original. Ao ser dispersada pelo vento, poeira radioativa do Lago Karachai contaminou os arredores envenenando cerca de meio milhão de pessoas. Por isso decidiu-se cobrir o lago com 10 mil blocos de concreto oco. Quando Boris Yeltsin permitiu a presença de cientistas ocidentais no local, no início da década de 1990, noticiou-se que o nível radioativo nas margens do lago ainda era de 600 röntgens por hora, o suficiente para matar um turista desavisado em trinta minutos.

Criminoso como ainda há quem defenda o modelo soviético…

22 pensamentos sobre “Os 4 colapsos do Comunismo

  1. lucklucky

    “Mas em vez de criar riqueza, os soviéticos gastavam em produção conspícua: produziam por produzir, para mover indicadores econômicos em vez de para satisfazer demandas dos consumidores.”

    Cada vez mais por cá. Cada vez mais leis, mais burocracia, mais licenças para pagar ordenados de boys e girls. Nomemklatura.

  2. Lucklucky,

    E TGV. E a enésima renovação da estátua da rotunda de nenhures para lado nenhum. E cursos profissionais que nada ensinam, mas que ocupam e tiram do desemprego. E auto-estradas que não se usam, mas que têm de se pagar e que transformam Portugal no mais avançado país do Mundo neste domínio.

    É investimento público. Necessário, como todos sabemos!, para a economia funcionar. Veja só a espiral recessiva por que passamos neste momento em que o dito teve de diminuir!

  3. Luís Pereira

    Os regimes comunistas eram todos baseados na mentira. Por isso colapsaram de podres. Cairam por si, sem ninguém lhe tocar com um só dedo.

  4. tina

    “Pergunta: quem é que (pelo menos por cá) defende o modelo soviético?”

    Os 400 000 maluquinhos que votam sempre no PCP.

  5. Tenho as minhas dúvidas que os eleitores do PCP se revejam no modelo soviético. Até porque muitos nem sabem muito bem o que aquilo foi. Mas reduzindo a amostra para aqueles que são militantes e verdadeiramente informados, será que eles se revêm mesmo nesse modelo? Eu quero acreditar que não. Se bem que aquele artigo do Avante sobre a RDA roça o patético…

  6. Acho que não é por acreditarem no modelo soviético, mas porque muitos de nós que trabalhamos sofremos injustiças em relação ao trabalho e PSD, CDS tem uma posição favorável ao capitalista e o PS também não se destaca muito, restam o PCP, BE etc. mas como o grande ódio cultivado pela esquerda deu frutos, nem mesmo as vitimas votam em quem se propõe a defender os seus interesses.

  7. João Mendes,

    «Pergunta: quem é que (pelo menos por cá) defende o modelo soviético?»

    Os que defendem a Европейский Союз, feita à medida e tendente para a Советский союз. Isto vai acabar com numa общеевропейская война, coisa de que se anda a falar muito na imprensa da Русский Федерация.

    LÉXICO DE INTERESSE:
    Советский союз: União Soviética
    Европейский Союз: União Europeia
    Русский Федерация: Federação Russa
    общеевропейская: Pan-europeia
    война: Guerra

  8. tina

    “Tenho as minhas dúvidas que os eleitores do PCP se revejam no modelo soviético”

    E quanto a Bernardino Soares e Jerónimo de Sousa, acha que se reveem ou não no modelo soviético?

  9. “Pergunta: quem é que (pelo menos por cá) defende o modelo soviético?”
    Os 400 000 maluquinhos que votam sempre no PCP.”

    E os outros 2,800,000 que continuam religiosamente a votar nos outros partidos a cada 4 anos, nao sao maluquinhos?

  10. Fernando Ferreira,

    «E os outros 2,800,000 que continuam religiosamente a votar nos outros partidos a cada 4 anos, nao sao maluquinhos?»

    Talvez tanto como aqueles que, em nenhum votando e não se propondo mudar a situação, acabam por a perpetuar.

  11. É o voto quem legitima o poder e que permitiu tanto a má governação como o afastamento da democracia do cidadão.
    Votar é dar poder ao um grupo, em portugal tem sido alternado de um mau por outro aparentemente menos mau, e pior isso não votar até seria melhor que votar já que a maioria vai dar poder a um esses dois.
    Dar poder a partidos fora do arco-da-desgovernação é menos mau que não votar, mas compreendo o desinteresse.

  12. O Bernardino Soares e o Jerónimo de Sousa são sujeitos para querer um regime parecido. não acredito contudo que sejam adeptos da violência e da perseguição política. claro que para quem defende determinadas agendas, é importante usar da generalização para tentar demonizar a questão. Se vamos partir para a generalização, e pela mesma ordem de ideias, todos os militantes do PSD, PS e CDS são corruptos, traficam influências, favorecem clientelas e por ai fora. a estes se juntam alguns milhões de “maluquinhos” que apoiam, sem questionar, todas as práticas descritas acima mais aquelas que não estão mas que podiam estar.

    Mas é interessante perceber que a fábula do comunista que quer um regime soviético com gulags e violência indiscriminada ainda cola. Estou a léguas de ser comunista mas entre os que temos por cá e a escumalha que vem destruindo o nosso país há 40 anos venha o diabo e escolha. Agrupamentos ultrapassados sem capacidade de responder à mundo real. A diferença é que uns são altamente corruptos e criminosos e outros meramente utópicos.

  13. Fernando Ferreira, nmocruz,

    Mal por mal, prefiro que a maioria se suicide por vontade que alguém lhe ponha o garrote no pescoço, sem se ser tido nem achado. Nunca na história conhecida houve desgoverno. Quando há anarquia, alguém acaba a preencher o vácuo de poder.

    O voto tem essa propriedade, que é fantástica, de nos dar a escolha entre diversas formas de nos suicidar.

  14. “O voto tem essa propriedade, que é fantástica, de nos dar a escolha entre diversas formas de nos suicidar.”
    O voto nao e’ nenhuma escolha, em primeiro lugar. So existe uma escolha quando a “nao escolha” e’ possivel. Se alguem me forcar “escolher” entre enfiar a cabeca num balde de merda ou num balde de mijo, sem eu ter a possibilidade de opt out, nao ha escolha nenhuma.
    Em segundo lugar, ‘escolhas colectivas’, coercivas e obrigatorias, nao sao escolhas. E basta ler a sua frase para perceber que nao existe absolutamente logica nenhuma.
    Portanto, o amigo Colaco pode ter pavor do desconhecido, e’ normal. Pode ate prefirir ter constantemente a cabeca enfiada no balde de merda, passo o termo, mas tera de se convencer de um outro modo que nao seja “ao menos estou a escolher”…

  15. Fernando Ferreira,

    Já estive a viver em estados sem Estado, e garanto-lhe que é a antecâmara do inferno. Não estou tão longe da sua posição porque sou por círculos uninominais, abertos a qualquer cidadão que se candidate, em vez de listas parretidárias.

  16. fernandojmferreira

    Colaco,
    Ja o “conheco” aqui no Insurgente vai para um tempo e o seu argumento de ultimo recurso e’ sempre o mesmo: “Ja vivi no ‘estado sem estado’ e e’ o diabo”… O que se verificou no passado nao tem, necessariamente, de se verificar no futuro apenas porque se verificou no passado.

    “…sou por círculos uninominais, abertos a qualquer cidadão que se candidate, em vez de listas parretidárias.” -> nao muda nada, continua a ser a mesma coisa. Continua a ser um ze qualquer a mandar na sua vida so porque conseguiu reunir um maior numero de votos e voce a aceitar que ele mande na sua vida pela mesma razao. Continua o meu amigo a escolher absolutamente NADA, o seu argumento de ‘isto e’ o menos mau porque ao menos estou a fazer uma escolha’ tambem vai pras urtigas!

  17. Não é argumento de último recurso: é o argumento da experiência feito. Não vi ainda um não estado que não fosse a maior tirania. E vivi num, e reconheço que numa posição privilegiada. mas visitei os piores musseques, daqueles em que soldados armados não entram, e mais que uma, duas ou dez vezes. Vi como vivem. Aprendi com eles, e olhe que têm muito que ensinar. E, mesmo no pior, eles escolhem líderes e representantes entre eles. Em angola chamam-se sobas ou cotas, nos Camarões têm outro nome. Escolhem dentro da comunidade (coisa alheia a listas partidárias), votam braço no ar e os termos são curtos. Em alguns lugares a liderança é assumida entre os mais velhos, mas são sempre alguns da comunidade que têm a confiança dos restantes.

    Eu reconheço a necessidade de uma hierarquia, para não cairmos na macacada. Para mim, Roma republicana é um bom modelo parcial: qualquer cidadão se podia candidatar a ser tribuno do povo, era votado no campo de Marte e servia por um ano. Caso o povo que o elegeu dele desconfiasse, nova eleição por termo restante.

  18. fernandojmferreira

    “Eu reconheço a necessidade de uma hierarquia, para não cairmos na macacada.”
    O meu amigo pode ter uma hierarquia sem que esta seja obrigatoria, como e’ o caso do moderno estado-nacao democratico. Mas essa e’ outra historia.
    Se o meu amigo quer modelos parciais, eu sujiro um, entao: Secessao. comecemos com os actuais 18 distritos, transformados em 18 estados-nacao, independentes uns dos outros. 18 Luxemburgos ou 18 Liechtensteins. O seu sistema “qualquer cidadao candidato” funcionaria menos mal, sem sombra de duvida. Que’ que o meu amigo acha?

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