Entretanto, enquanto ninguém olha

big-government

Enquanto a malta vai falando sobre o BES, a legionella e a taxa Costa, o governo prepara-se para aprovar discretamente, por via do orçamento de 2015, uma alteração ao pérfido decreto-lei 198/12. Esta alteração acrescenta, à já existente obrigação de comunicar electronicamente às Finanças documentos como facturas e guias de remessa, a obrigatoriedade de comunicar os inventários. À sombra do combate à evasão fiscal, numa lógica de que os fins justificam os meios, cria-se mais um mecanismo de controlo que só pode ser classificado de totalitário.

Lá vão dezenas de milhares de empresas ter de mudar processos e alterar o seu software de gestão corrente, incorrendo custos muitas vezes significativos. E desta vez nem sequer é preciso um decreto-lei, muda-se a coisa ao sabor dos orçamentos anuais que assim nem se gera grande debate público. Ninguém pára o Leviatã mais liberal de todos os tempos.

6 pensamentos sobre “Entretanto, enquanto ninguém olha

  1. Jose

    E obviamente a coisa não vai ficar por aqui pois os politicos estão a borrifar-se para o país e para os portugueses. O ir para a política só serve para aumentar rápidamente a riqueza, poder e influência. Ninguém vai para político para servir o país. Quanto menos dinheiro o estado tem, mais engenhosas tèm que ser as formas de o ir buscar, para continuar a sustentar o partido, as clientelas, e em ultima instância e riqueza de todos os políticos, direta ou indiretamente. Enquanto não se mudar este sistema que se chama democracia, e que convém a todos os políticos, a tendência é só para piorar. Pare-se de votar, sempre é menos brutal que começar a abater políticos a tiro.

  2. Manolo Heredia

    De facto não há economia que aguente ter que compensar os desfalques que 4 bancos fizeram, em 4 anos consecutivos, à economia do país. É a excelência da gestão privada a funcionar…

  3. A próxima regra será de certeza todas as faturas terem de ser emitidas do Portal das Finanças. Depois disto, outra virá: o Estado poderá, por razões de força maior propositadamente em aberto, de intervir na gestão de qualquer empresa privada. Uns meses depois, cada empresa terá um agente de acompanhamento do Estado, com poderes discricionários.

    No fim, estaremos no socialismo científico e, para gáudio do Manolo Herédia e de outros acéfalos parejados, veremos a excelência da gestão pública. O Manolo herédia verá. Eu não.

    Vou já tratar de comprar um terreno na Rússia. naqueles lados parece que têm horror ao socialismo e não querem repetir a experiência.

  4. lucklucky

    “De facto não há economia que aguente ter que compensar os desfalques que 4 bancos fizeram, em 4 anos consecutivos, à economia do país. É a excelência da gestão privada a funcionar…”

    Quando não se tem vergonha de expor pensamento primitivo estamos bem arranjados.

    Manolo Heredia é o tipo de pessoa que nem sequer pensa nos aumentos de Capital da CGD onde é accionista escravo.

  5. Lucklucky,

    Isso não o convence. Nem isso nem o facto de a União Soviética ter caído quando entrou em incumprimento interno. Depois de uma década a receber milhares de milhões de euros de ajuda internacional.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.