A longa marcha da Taxa Costa

António Costa, Wikipédia.
António Costa, Wikipédia.
A propósito da mudança de ideias do candidato a Primeiro-Ministro e actual Presidente da Câmara de Lisboa, convém (re)lembrar o contraditório percurso de António Costa nesta matéria. É caso para afirmar que o caminho faz-se, taxando. Para o final deixo um apelo: em forma de dúvida: alguém nota alguma contradição ou é apenas impressão minha?
Em Agosto de 2013, a propósito de um aumento de taxas no aeroporto de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa (ATL), presidida pelo António Costa, dizia o seguinte:
“A Associação do Turismo de Lisboa (ATL) diz que a gestora aeroportuária ANA está a destruir a competitividade do turismo na capital. (…)
A Associação Turismo de Lisboa, que representa mais de 650 entidades privadas e públicas da Região, vem denunciar mais esta medida que penaliza uma das poucas actividades que contribui positivamente para a economia nacional – o Turismo.De facto, as autoridades políticas e administrativas […] parecem apostados em destruir a competitividade dos hotéis, restaurantes, comércio e, agora, das companhias aéreas que contribuem para a oferta turística da Região de Lisboa.”

 

“O Turismo de Lisboa repudiou hoje o aumento de taxas no aeroporto da Portela, anunciado pela ANA – Aeroportos. […] Em declarações à Lusa, o diretor geral da ATL, Vítor Costa, criticou duramente a medida, que classificou de “ganância”, e disse esperar que a ANA recue.
[…]
“O Governo, agora, mesmo antes de assinar o contrato [com a Vinci, que adquiriu a ANA], está a legitimar um ataque desta natureza ao setor do turismo na região de Lisboa, Centro e Alentejo. Há aqui uma falta de cuidado, uma ganância, [com a ideia de que] ‘está tudo a correr bem, há mais turistas, vamos sacar mais dinheiro’“.
[…]
A medida, acrescentou o diretor geral da ATL, “vai afetar dramaticamente a competitividade de Lisboa” e poderá ditar a saída de companhias ou de ligações aéreas da Portela.”

“Vítor Costa confirma que o turismo em Lisboa está com “grande pujança”, mas sublinha que não pode deteriorar-se por causa de uma “vontade cega de aumentar taxas e impostos“. E acrescenta: “Não é ilegal, mas estão a matar a galinha dos ovos de ouro“.
Passados alguns meses, o mundo mudou. Em Novembro de 2014, a Câmara de Lisboa, presidida pelo António Costa, introduz uma taxa de 1 euro de sobre passageiros que desembarquem na cidade, com os seguintes objectivos:
 
  • “Atingir dez milhões de dormidas de turistas estrangeiros”;
  • “Alcançar receitas globais da hotelaria de oitocentos milhões de euros”;
  • “Melhorar o índice de satisfação dos visitantes em dois pontos percentuais”;
  • “Aumentar de modo significativo a notoriedade do destino junto dos mercados emissores que lhe são prioritários”.
Hoje, dia de São Martinho,  António Costa desafia Portas a esclarecer quanto cobra o Governo por passageiro e por dormidas em Lisboa. A este propósito, cito o dono da LPM na página de Facebook, “Engraçado: a Comunicação da CML acordou agora”. Parece que já veio tarde e não dará para remediar a realidade. A infografia do Jornal de Negócios será capaz, por si só, de responder às dúvidas da comunicação e do sinuoso candidato socialista a Primeiro-Ministro.

11 pensamentos sobre “A longa marcha da Taxa Costa

  1. Filipe

    Não percebo a dúvida, o socialismo é mesmo assim, ainda se diz por aí que o PS é Neo-Liberal, pois deve ser, liberais em Portugal? Desconheço, quanto mais Neos.

  2. tina

    Para quem tanto se queixou das taxas dos outros, a primeira coisa que faz é aplicar uma.

    Costa = Sócrates = total falta de princípios. É isso que custa mais aceitar num eventual governante, a trafulhice, a falta de escrúpulos, a constante mentira.

  3. Luís Pereira

    Eu acho que o Portas devia esclarecer imediatamente quanto cobra o Governo por passageiro e por dormida em Lisboa e depois, perguntar ao Costa se não acha já suficiente e se ainda quer mesmo esfolar mais o contibuinte com mais uma taxinha.

  4. joaquim Pedro

    Gostaria de dizer o seguinte:
    Taxar mais so causará problemas ao país, temos um sector turistico que ainda vai funcionando, seria bom manter um bom relacionamento com o turista que nos visita, ele sem duvida promoverá perante outor o nosso pais. Cada turista pode ser uma via para mais pessoas visitarem Portugal.Na minha empresa dependo quase inteiramente do turismo sem esses clientes minha empresa não é viavel, por isso não desgracem mais!
    O sr costa precisa olhar cá para baixo, sentir o que se passa no sector da hotelaria.No meu caso que trabalho com churrasco compro carne a 6% de IVA e liquido a 23 % uma profunda injustiça.Com o estado da economia grande numero de empresários não conseguem sobreviver.
    Qualquer baixa de turismo arruinará ainda mais o sector

  5. Algarvio

    Esta situação faz me lembrar quando fui a Cuba á uns anos atrás em que tive de pagar no aeroporto uma taxa de saída do país de vinte dólares.
    Com certeza que foi a ultima que me aconteceu neste País porque depois disto espero nunca mais voltar a Cuba.
    Só espero que os turistas que visitam Lisboa sejam mais compreensivos do que eu com Cuba.

  6. João Viegas

    Os custos aero portuarios que definem as taxas a aplicar às Operadoras e que eram baixos em Portugal,tiveram – e bem – de ser actualisados,quando a VINCI comprou a ANA,inevitavel e é a isso que refere a tomada de posição da ATL,temendo que as Operadores optassem por outros Aeroportos e Paises,o que não aconteceu minimamente,pois mesmo com o aumento nos continuamos a ser mais baratos. Misturar tudo e querer comparar esta taxa com a referida é sintomatico de politicos desesperados e que com um ano de antecedencia,deicharam de governar e entraram em campanha eleitoral,contra o PS e contra Costa. Ou sera que Passos Celho,Paulo Portas ou Pires de Lima,querem candidatar-se à Camara de Lisboa. A “dor de cotovelo” da boa gestão do Costa,é bem evidente. E os prejuizos reais que o Turismo vai ter pelo alarme difundido na Empresa Internacional,criando o medo em quem nos visita e ou cria visitar-nos,pela divulgação do surto de Legionella,”facilitado” pela actuação irresponsavel do Ministerio do Ambiente,que desde Agosto de 2013,suspendeu a Legislação e Inspecções e o Primeiro Ministro a vir logo dizer que não ha responsabilidades do Estado. Quem ira acreditar mais uma vez,neste mentiroso compulsivo. Ah…a culpa deve tambem ser do Socrates.

  7. João Viegas

    A taxa de 1€ por cada turista que entrar é impreceptivel pelos mesmos e não vai alterar nada,assim como a das pernoitas,a ultima so a partir de Jan°.2016.
    Em França,ontem,as taxas de pernoita foram alteradas,com efeitos a Jan°.2015,por exemplo,num 3 estrelas,passou de 0,68€ para 1,5€ e ninguem reclamapois esta taxa é ali cobrada ha varios anos,a nivel nacional,como em muitas outras cidades e paises

  8. Pingback: As trapalhadas de Costa não pagam taxa | O Insurgente

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