A preocupação das elites com a PT

o-QUEBEC-CORRUPTION-INQUIRY-MAFIA-facebookAs elites estão preocupadas com a venda da PT e têm razão para isso.

Quando em 2002, o PSD precisou de baixar artificialmente o défice de estado, a PT esteve lá para comprar a rede fixa. Em 2010 voltou a servir para o mesmo, desta vez ajudando o PS. Na mesma altura, já andava a financiar a Fundação Magalhães.

A PT financiou o Grupo Espírito Santo até ao colapso final e patrocinou os 3 maiores clubes de futebol. Foram contratados pela PT nos últimos anos, entre outros, Rui Pedro Soares, o filho recém-licenciado de Jorge Sampaio, o filho de António Guterres, o filho de Marcelo Rebelo de Sousa, o irmão de Santana Lopes, o filho de Otelo Saraiva de Carvalho e a filha de Jardim Gonçalves. A estes podemos juntar todos os outros filhos, filhas, e afilhados que prestam pareceres e serviços de consultoria.

As elites portuguesas estão preocupadas com a venda da PT e têm razão para isso. Mas o problemas das elites não é o que a PT deixará de fazer pela economia do país (que será nada), mas o que deixará de fazer por eles. Aquilo que faz com que as elites portugueses se oponham à venda da PT a franceses é o mesmo que fez com que concordassem com a venda da PT a brasileiros, mas que se opusessem à venda à SONAE. Não é o interesse nacional que os motiva, mas a perda de mais um instrumento de controlo e troca de favores.

20 pensamentos sobre “A preocupação das elites com a PT

  1. JP

    Isto é retrato de país de índole corrupta. Limpinho! Como já muitos sabiam, os países deste género não duram muito tempo sem mostrar os sinais. E ainda a procissão vai no adro… venha a RTP, a TAP e os transportes e vamos quem é que anda a fazer de conta que gosta de reformas.

  2. JP

    Em Portugal é tudo tão “transparente” que nem os contratos dos comentadores na TV pública aparecem. Mais transparente não podia ser – a gente vê e percebe logo que há qualquer coisa que não bate certo, e não é por três ou quatro casas decimais.

  3. hustler

    Faz muito o CGP expôr o podre e a promiscuidade entre o Estado (pai-desta-gente-toda) e os parasitas (políticos, familiares, diplomatas, conselheiros, etc..)! Está bem patente neste exemplo o favorecimento pessoal, o tráfico de influências, nepotismo e clientelismo! A “meritocracia” é escolher o melhor candidato (o mais competente) para o lugar, não é assegurar a dinastia de alguns à custa dos que não têm igualdade de oportunidades e que são obrigados coercivamente a contribuir com os seus impostos esses favorecimentos e injustiças!

  4. tina

    Muito bem!… Assim se explica como as elites querem continuar com a PT, apesar de ser tão prejudicial para o interesse do publico em geral.

  5. Euro2cent

    Para “salvar” a PT, se eles insistem mesmo, sugiro que se exproprie tudo o que essa gente tem.

    Não é que por mim ache que faça grande mal o MEO passar a pertencer aos donos da Cabovisão, parece uma empresa normal.

  6. JS

    Há Países, como a Suecia, em que os políticos (genuinamente eleitos) e gestores de empresas públicas ou intervencionadas, têm vergonha de usufruir qualquer previlégio -acima dos devidos a qualquer comum cidadão- derivado das funções públicas que exercem.

    Há Países em que esses mesmos profissionais pagos por dinheiros públicos … se aumentam em vencimentos, prémios e benefícios. Sim, a si mesmos. Curiosamente estes -autores de descalabros nacionais e empresariais- proclamam que para haver os melhores(?) no Estado é preciso pagar (ainda) mais !!!.

    “Different folks different strokes”.

  7. António

    A PT não me provoca nenhum amor, nenhum, por algumas razões aqui expostas, e outras, mas não é preciso mentir, ou ser pouco sério, preguiçoso, como diz o outro! Há aqui várias ‘inverdades’! Alguns empregos a filhos, foi mesmo por terem sido os melhores dos seus cursos! Como foram, não sei, mas foram! O filho do Otelo é mais diferenciada a situação, a PT comprou a sua empresa, como foi o acordo, não sei! Depois e ainda falta falar, do fundo de pensões, que deu jeito para equilibrar o orçamento de estado.
    Se vivêssemos num País justo e decente, não se pagariam reformas e salários reles, em contraponto a reformas OBSCENAS, que estes e outros senhores e senhoras, AUFEREM, só por ter trabalhado em determinadas empresas ligadas ao estado! Por isso e por outras, não tenho pena nenhuma, mas foi um ativo importante que o País perdeu, FOI!
    http://usufruto.facilblog.com/Primeiro-blog-b1/PT-Portugal-Telecom-anterior-CTT-b1-p58305.htm

  8. Pedro Ramalho Carlos

    Completamente de acordo!
    Uma nota importante: o filho se Saraiva Carvalho não merece ser colocado nessa lista. Entrou na PT porque a empresa que criou – provavelmente é um empreendedor “neo-liberal” – foi comprada (e bem) pela PT. O Sérgio não foi para a PT por qualquer favor político ao pai!

  9. A PT comprou a rede fixa por tuta e meia. O Estado ficou a perder, a PT e a credibilidade de Manuela Ferreira Leite, que queria cumprir o défice, a ganhar. Com o Fundo de Pensões passou-se o mesmo. Um bom negócio para a PT, um péssimo negócio oara o Estado, uma bom “tapa défices”. Em resumo: o post é parte da verdade, ignorando aue a vítima, nisto, foi sempre o dinheiro público.

  10. Daniel Oliveira,

    «Já agora: tem a certeza que quer correr as empresas do PSI20 e procurar quem é filho de quem?»

    Considerando que 16 das 20 empresas do PSI20 são para-estatais, alapadas ao Orçamento do Estado ou beneficiárias de sobrerregulação, não espero encontrar senão ex-ministros e seus apaniguados em cargos honoríficos ou de influência nas mesmas.

    As empresas não são estúpidas, como o Estado. Se querem legislação amiga e pitança do Orçamento, compra-se o presente do ministro ou do secretário de estado com o seu futuro. E, ao cumprir a promessa, dá-se um claro sinal aos ministros no poder do que lhes espera se forem amigos. Mesmo que a cor seja diferente.

    As contas sobre o PSI20 comparado com o DAX já foram feitas aqui, neste blogue. Foram feitas por mim, e apresentadas na caixa de comentários. No DAX, mais de 80% do valor das empresas em índice corresponde a empresas na economia real. O inverso no português, onde apenas 22% não provêm de empresas em áreas alapadas ou protegidas (banca, seguros, energia, imprensa, comunicações). Veja a composição do PSI20 na Wikipedia e faça as contas, se não acreditar em mim.

    Temos demasiada regulamentação e barreiras à entrada. Temos demasiado estado. A sociedade está sôfrega, afogada nas águas turvas do Estado, esbulhada para pagar os inúteis e os larápios que pejam as ditas empresas, as universidades e os corrsesores do poder central e local.

  11. Carlos Guimarães Pinto

    Daniel Oliveira,

    Já falei sobre sobre o perfil das empresas do PSI20 no passado (https://oinsurgente.org/2014/08/07/o-que-e-o-psi20/). Não tenho dúvidas que, a menor ou maior escala, haverá muitos exemplos desses. Também não tenho dúvidas que quanto maior for a dependência de uma empresa em relação ao estado (seja no papel de accionista, cliente ou regulador), maior será o número de filhos, afilhados e afins empregados por essa empresa. O facto de o dinheiro público ser utilizado para fins privados, eleitoralismos ou para alimentar uma rede de tráfico de influências também não me surpreende.

    O que me continua a surpreender é o facto de pessoas inteligentes estarem conscientes desta realidade, e mesmo assim continuarem a defender que o estado gaste mais, regule mais e seja dono de mais empresas.

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