A culpa é do mercado

20141024_210450A culpa não é do paciente que tem um obsessão com cirurgia plástica. A culpa não é do cirurgião plástico que quer ganhar uns cobres extra à custa de uma cirurgia que em termos clínicos — e esta é a parte importante — não se justificaria.

A culpa é do mercado, naturalmente, que subverte os pobres indivíduos e os pobres cirurgiões, compelindo-os a fazer cirurgias que ambos rejeitavam com abjecção.

12 pensamentos sobre “A culpa é do mercado

  1. Dervich

    “Whenever there´s a will, there´s a way”…e o mercado assegura que sempre fornecerá uma “way”, sempre que detetar uma “will”.

  2. ZDF

    É ético fazer transformações que o paciente/cliente não necessita? Não é. Então se não é, não estamos perante médicos, portanto o problema não é médico. É ético.

  3. Portanto, a ética não é uma construção orgânica e ontológica. Surge do nada. E se os indivíduos escusam-se a aplicá-la, a culpa é da ética e não dos indivíduos.

    Um raciocínio similar é usado pelos socráticos para explicar a crise da dívida soberana e a ausência de qualquer culpa ou responsabilidade na coisa.

  4. ZDF,

    Quando o ZDF compra um chocolate (de que não precisa, pode sempre comer couves), a culpa é do ZDF ou do hipermercado?

    Deve expiar a sua culpa na Igreja de Santa Odete Santos e do São Jerónimo Electricista, cujas direcções pode obter Em Grilheta & Miséria, Rua Soeiro Pereira Gomes. A contrição normalmente envolve ouvir oito horas seguidas de discursos de Fidel «Nike» Castro ou, se estiverem especialmente inclinados para o sadismo, de Jorge «Multicultural» Sampaio.

  5. ZDF

    Não frequento nenhum culto, porque teria de os frequentar a todos pois todos aparentemente espalham a mesma mensagem.

    Quando compro um chocolate é porque o quero comer. Ele tem um prazo de validade. É perecível. Não compro coisas de que não preciso. Não ostento sumptuariamente bens/serviços.

  6. ZDF

    o Sócrates da altura foi bem pago pelo mercado. Os juros eram muito baixos. Gastar era mais barato do que poupar.

  7. manuel branco

    digamos antes que depende do ambiente civilizacional de cada país. Nos EUA parece que é comum logo na adolescência. Na Inglaterra as senhoras de boa condição não perdem tempo com maquilhagem. Na Argentina houve um ministro peronista, creio, que danado com os jornalistas, baixou as calças para lhes mostrar que as nádegas não eram de silicone. Cada um tem aquilo que merece. O mercado vem depois. Uma das amantes de Francisco I bebia água misturada com ouro por pensar que ficava com melhor aspecto. Acabou envenenada pelo metal.

  8. João de Brito

    Trata-se da síndrome da eterna juventude.
    Que contrasta com a desvalorização dos idosos.
    Dos idosos, apenas se valoriza o dinheiro e o voto.
    Claro que o mercado está atento.
    E, como uma outra qualquer religião, explora as emoções até ao tutano.
    Por isso, não é difícil antecipar:
    Numa clínica, entra uma pessoa de meia idade e o médico pergunta:
    – Vai uma plástica?
    A seguir entra outra, várias plásticas depois, e o médico pergunta:
    – Vai uma eutanásia?
    Algumas décadas depois, pelas ruas, toda a gente era jovem e bonita!
    Bonito!!!…

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