Falemos de desigualdade

Fica aqui a crítica ao livro de Thomas Piketty e outros devaneios sobre o tema da desigualdade hoje no Observador.

“O livro de Thomas Piketty surge na altura certa. Mais do que o ano ou a década certa, o livro surge na geração certa.” (…)
“[Existe a] necessidade de pensar bem e medir todos os custos antes de lançar políticas activas de combate à desigualdade. Podemos acabar mais iguais, mas mais pobres e desligados do Mundo.”

A ler aqui.

25 pensamentos sobre “Falemos de desigualdade

  1. João de Brito

    No princípio de tudo, há que resolver se queremos o homem ao serviço da economia ou se queremos a economia ao serviço do homem.
    O princípio da competitividade, levado à letra e no limite, mais do que “achinezar” a economia global, acabará por escravizar os trabalhadores.

  2. Miguel Noronha

    “No princípio de tudo, há que resolver se queremos o homem ao serviço da economia ou se queremos a economia ao serviço do homem.”
    Falsa questão. A economia resume-se a milhares de transações voluntárias entre os agentes que não necessitam de uma autoriade central que lhes diga o que fazer. Ninguém saberia ou teria recursos para tal, aliás. Veja-se o desastre das “economias planificadas”.

  3. Hugo

    O João de Brito deve pensar que a economia está ao serviço dos cães e dos gatos e que as produção são geradas para satisfazer as necessidades de aliens, só pode…

    Curioso que o achinezar da economia Chinesa levou a que centenas de milhões de pessoas saíssem da pobreza extrema.

  4. lucklucky

    “No princípio de tudo, há que resolver se queremos o homem ao serviço da economia ou se queremos a economia ao serviço do homem.”

    A vigarice habitual.
    Vamos traduzir: Queremos o Poder do Estado a determinar todos os aspectos da vida humana.

  5. lucklucky

    “Curioso que o achinezar da economia Chinesa levou a que centenas de milhões de pessoas saíssem da pobreza extrema.”

    Esse é um argumento que nada diz a um Comunista.
    Não interessa nada ao João de Brito se milhões saem ou não da pobreza. O que interessa é a Igualdade.
    O João de Brito fala “achinezar” e escravizar refrindo-se às zonas mais ricas da China e onde os Chineses têm melhores condições de vida.
    Não fala do interior Chinês muito mais pobre.
    Não fala porque não lhe interessa a pobreza.
    No dia em que Cuba com o capitalismo começar a propsperar já vamos ver o João de Brito a falar de pobreza em Cuba.

  6. manuel branco

    Não li nem tenciono ler Piketty. De segundas leituras, ao que percebo, o que ele diz é que o rendimento do capital rentista é aquele que tem vindo a crescer mais; daí a proposta de imposto sobre a fortuna que há dias ele teria feito.

    Em todo o caso quando falarem de desigualdades é melhor não esquecerem que podem ser de dois tipos: a económica e a de condição social. Por exemplo: Belmiro de Azevedo e Jo Berardo ficam no topo da primeira mas tenho a certeza que para muito boa gente não passam de parvenus. Já Diana do Cadaval pode andar a olhar para o saldo da conta corrente mas é de condição social elevada. E já agora falem da mobilidade social. Vejo por aí muito marmanjo sem muito dinheiro agarrado quanto pode ao nome de família ou à profissão do papá que até já foi a do avô.

  7. castanheira antigo

    Piketty é um neo-marxista que pretende fazer mais do mesmo à boa maneira francesa . Um modelo falido que ele pretende ser aprofundado . Cheio de boas intenções esta o inferno cheio .
    Pretende levar os pobres à prosperidade legislando de forma a levar os ricos e classe média para fora dela. È uma politica destinada ao fracasso , só que enquanto dura , destrói tudo e todos excepto a nomenclatura politica e seus “cronies” , como já se viu noutros países marxistas.

  8. MG

    EAT THE RICH!
    Uma análise em tom sarcástico, sobre , para quanto serviria nas despesas do orçamento norte americano se todas as fortunas pessoais e empresariais fossem retiradas a favor estado.

  9. Euro2cent

    > A economia resume-se a milhares de transações voluntárias

    Exactamente. Por exemplo, cobra-se 1% de imposto sobre o valor de toda a espécie de propriedades, e as pessoas pagam voluntáriamente.

    Se souberem o que é bom para elas.

    Não vá acontecer alguma coisa ao ratinho Mickey tão fofinho e que fica tão bem nas t-shirts.

  10. Pereira

    Estaremos todos de acordo em que o princípio primeiro da economia liberal é o princípio da competitividade.
    Já pensaram bem na sua natureza?!
    Isso transforma a economia num imenso estádio olímpico onde todos os dias, para sobreviver, é obrigatório bater recordes.
    Sabendo nós que o fator trabalho será sempre importante no resultado final, das duas, uma:
    – ou os trabalhadores são espremidos até ao tutano;
    – ou o desemprego não parará de subir, até níveis inimagináveis!
    Quer numa, quer noutra, é a dignidade humana que está em causa.
    É isso, é tudo uma questão de dignidade.
    Elementar, meus caros!
    Boa noite!

  11. Gil

    “A economia resume-se a milhares de transações voluntárias entre os agentes(…)”. Também há quem acredite no Pai Natal… Num mundo ideal, todos seríamos colocados numa casa de partida com as mesmas condições, teríamos, sempre, que enfrentar concorrência em qualquer sector de actividade, não poderíamos influenciar os diversos poderes e os monopólios seriam proibidos. Os assalariados sê-lo-iam por opção, ou por começarem a perder posições ao longo da prova. No entanto, todos teriam direito a um conjunto de medidas que respeitassem a sua dignidade, segurança e saúde. Toda e qualquer transgressão das regras, toda e qualquer vigarice, dariam direito a expropriação total, qua seria distribuída pelos outros concorrentes. Num mundo ideal, “a economia resumir-se-ia a milhares de transações voluntárias entre os agentes”. Num mundo ideal. Que não existe.

  12. manuel branco

    o que é o neo-marxismo? em termos doutrinais, quem são os autores?

    O que é que a classe média flalida ,a coçar no rabo como o macaco, tem a ver com o capitalismo de rendas? quem diria que a malta da Mexicana ao domingo marchava para Monte Carlo beach…

    quem são os cronies? o governo? os deputados? os bancos? o PSI 20?

    Quais são os outros países marxistas? e aquele é a França, a da avenue montaigne, da place vendome e do romanée-conti? da velha Bettencourt?

  13. “Devaneios” e “ciência” são coisas diferentes. Se o livro de Piketty é um devaneio, este blog é uma porcaria.

    Quanto a quem escreve “é um neo-marxista”, e quem “não leu nem tenciona ler”: qual a vossa lógica? É uma espécie de religião?

    Entre outras coisas, considerem que: se amam a liberdade individual, a “economia de herdeiros” descrita no livro arrasa a liberdade individual. Arrasa o conceito de justiça de Rawls. É uma condição perigosa que condiciona a democracia.

    Piketty escreve no seu livro: “If democracy is someday to regain control of capitalism, it must start by recognising that the institutions in which democracy and capitalism are embodied need to be reinvented over and over again”[1] Página 570 da edição inglesa.
    São palavras sérias: a democracia perdeu o controlo do capitalismo. Se assim é, estamos mal. E se não consideram isto um tema importante ou alerta sério, leiam Acemoglu e Robinson, ou Fukuyama. O tema é generalizado: a democracia atual está controlada por interesses minoritários. Se isso não os preocupa, é porque vocês pertencem a esses interesses, e claro, temem a democracia e a redistribuição.

  14. Joao Bettencourt

    “El presidente de Total fallece en un accidente de avión en Moscú
    El jet privado en el que viajaba De Margerie se estrelló contra un quitanieves
    El comité de investigación indica que el conductor de la máquina iba bebido”

    Caro Ricardo, ai tem a democracia a controlar o capitalismo.
    Não se preocupe.

  15. Miguel Noronha

    “Num mundo ideal, “a economia resumir-se-ia a milhares de transações voluntárias entre os agentes”. Num mundo ideal. Que não existe.”
    Não percebem a dicotomia que pretende establecer. Importa-se de elaborar?

  16. Carlos Guimarães Pinto

    Parece que interpretou mal este texto ou não leu o artigo. Eu não chamei devaneio ao livro.

  17. k.

    “crítica ao livro de Thomas Piketty e outros devaneios ”

    O “e” é uma conjunção
    Portanto o livro E outros
    são devaneios

    ergo, chamou ao livro um devaneio

  18. Carlos Guimarães Pinto

    Não. “Crítica ao livro de Thomas Piketty” e “outros” são devaneios. Sem vírgulas, em bom português.

  19. Euro2cent

    CGP: obrigado pelo artigo; é encorajador ver alguém ligar os miolos e pensar sobre um assunto.

    Sobre o tema, e já que falou em “capital humano” (expressão aberrante, mas passemos adiante): eu apontaria que, no século XXI, a estratificação social passou à clandestinidade. As destrinças tipo “U and Non-U” da Nancy Mitford estão cada vez mais subtis por um lado, e crassas por outro – como se fossemos todos socialmente iguais, mas a alguns saísse a lotaria por mérito e/ou esforço e/ou sorte.

  20. Joao Bettencourt

    Euro2cent,

    Eu diria que a estratificação social esta com sempre esteve, simplesmente passamos a observa-la pelo outro extremo. Ante celebrávamos o excepcional,
    hoje celebramos o vulgar.

    Tudo mudou e tudo ficou igual.

  21. Muito bom artigo, parabéns.

    Fiquei surpreendido com a recente entrevista a Piketty, pareceu-me muito mais moderado do que a comunicação social o pinta. Até li algumas críticas aos nossos actuais socialistas, nomeadamente à fabulosa receita do “crescimento” como panaceia para todos os males. Também li que defende a economia de mercado, repudiando outros sistemas.

    Por outro lado, pareceu-me que a única proposta polémica é o imposto sobre o património, que por acaso já existe em quase todo o mundo ocidental, seja sob a forma de IMI ou sobre a forma de imposto sobre fortunas.

    O que é polémico é que ele queira aumentar brutalmente essas taxas, para efectivamente expropriar a favor do Estado (um oligopólio de militantes partidários) esses valores, os quais alegadamente iriam servir para ajudar os pobres (a lenga lenga do costume utilizada pelos oligopolistas para enganar os eleitores).

  22. Rafael Ortega

    A esmagadora maioria das pessoas que investe pensa em proporcionar uma vida melhor às suas famílias. Logo, se se atacar a dita “economia de herdeiros”, com impostos e mais impostos, as pessoas não se vão dar ao trabalho de investir.

    Se o que eu ganhar em vida não pode ficar para os meus filhos e netos na totalidade (ou muito próximo disso), então não me mexo. Se quisesse trabalhar para o Estado era funcionário público.

  23. Hugo

    O Imposto ao Capital não se trata do mesmo imposto que o IMI – nem se pode afirmar que o imposto sobre grandes fortunas seja uma realidade como Piketty o define porque: 1) a lei francesa tem vários loop-holes que permitem a quem vive de rendas escapar à taxação; 2) o imposto ao capital implica transparência bancária para verificação dos valores de stock de capital (e não apenas dos rendimentos do capital); 3) conforme se pode calcular a fuga dos capitais só pode ser combatida se o imposto for aplicado a nível mundial ou regional.
    Os vários tipos de taxação ao capital são um bom primeiro passo, mas isto tem de ser levado mais além!

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