A OPA da Sonae “não valorizava suficientemente os activos” da PT

Excerto da entrevista de Anabela Mota Ribeiro a Henrique Granadeiro (originalmente publicada em 2010 no Jornal de Negócios)

Como é que ganhou a OPA? Além da estratégia, do empenhamento da equipa, daquilo que já se sabe.
Inicialmente fui convidado para presidente do Conselho de Administração (CA), e depois de feitos alguns contactos com accionistas e outras pessoas, entendi que devia acumular com o cargo de presidente da Comissão Executiva (CE). Tratava-se de uma necessidade de concentrar o poder de decisão. As minhas condições de partida eram bastante desfavoráveis. Havia uma certa euforia com o lançamento de uma OPA da Sonaecom sobre a PT. Era a história romântica do David contra Golias, do poderoso Golias que atacava a PT.

Nunca viu a Sonae como o temível Golias?
Não. Analisei friamente a oferta da Sonae e verifiquei que ela não valorizava suficientemente os activos que estavam sob a minha gestão.

20 pensamentos sobre “A OPA da Sonae “não valorizava suficientemente os activos” da PT

  1. Luís Lavoura

    É bem sabido que empresas cotadas em bolsa podem em três anos, ou muito menos que isso, perder metade do seu valor, ou até muito mais do que isso.
    Assim, faz pouco sentido comparar uma OPA feita há não-sei-quantos-anos, sobre uma empresa qualquer, com a situação atual dessa empresa. O valor da OPA de há não-sei-quantos-anos não terá necessariamente nada a ver com o valor da empresa agora.

  2. Miguel Noronha

    “O valor da OPA de há não-sei-quantos-anos não terá necessariamente nada a ver com o valor da empresa agora.”
    Pois não. E os actos da gestão que galhardamente recusou a OPA da Sonae fizeram muito por isso.

  3. JP

    Em 5 de Março de 2007 era assim:

    «Segunda-Feira, 5de Março. No primeiro dia de trabalho após o desfecho da OPA, fomos saber
    o que sentem os colaboradores do Grupo e as suas prioridades na semana em que se começa
    a construir o novo futuro da Portugal Telecom:

    “Assisti a todas as notícias do fim-de-semana e fiquei super feliz. Esta semana vou continuar a trabalhar normalmente. Aliás como fiz desde o início da OPA”.

    “Acho que já era esperado. Com as acções tomadas pela Comissão Executiva percebi que a OPA não ia para a frente. Fico contente. Acho que tudo foi normal neste primeiro dia. No fundo, temos que continuar a desenvolver o nosso trabalho com o mesmo empenho de sempre”.

    “Estou muito aliviado. Agora podemos incidir o nosso foco no futuro. Agora é continuar no mesmo ritmo elevado de trabalho. Senti que a empresa estava muito focada em lutar contra a OPA e isso fez-nos redobrar os esforços”.

    “Vi o meu futuro comprometido. Vi toda a gente de manhã com um grande sorriso e isso não tem preço. É um dia histórico. Era importante vencer esta OPA”

    “Sempre achei que a Sonaecom não conseguia comprar a Portugal Telecom. Notei em mim e nos meus colegas uma grande tranquilidade”.»

    “Estou orgulhoso do meu trabalho e de todo o trabalho desenvolvido. Quando entrei hoje na empresa pus logo o pin da PT na lapela do meu fato”.

    “Senti um enorme orgulho em pertencer a uma das maiores empresas de Portugal e de ser representado por pessoas que possuem um projecto sólido e ambicioso. Fiquei aliviado por saber que a PT continua em “boas mãos” com uma estrutura accionista coesa e uma administração capaz de nos defender”»

    HOJE estão a BERRAR nas televisões 🙂

  4. Josand

    Luis Lavoura: Pode se o que levou a rejeitar a OPA da Sonae fosse apenas um sintoma da doença que aquela equipa de gestão( e a cultura já agora) que agora culminou nisto!
    Bem que uma empresa que desrespeitava sistematicamente os seus clientes tinha de ter alguma coisa errada.
    Tantas loas se teceram ao Zeinal Bava e… Deitem fora esses MBA’s porque pelo vistos tem sido uma educação suicida e o Ocidente não tem lá mantido muito sucesso em aguentar-se no topo.
    Tanto quiseram desligar a responsabilidade social das empresas( era muito salazarista não é) e deixar tudo entregue a uns iluminados e olhem no que deu…

  5. arni

    Miguel,mesmo que a OPA da Sonae tivesse sido aceite,isso não garantiria que a situação da PT fosse hoje melhor.
    Primeiro é o mesmo que ser comprada pela tal Altice,uma região de um grande grupo portanto; e em segundo lugar não podia ser Belmiro a salvar a PT,quando,pelo contrário,até foi a ex Pt Multimédia(baptizada Zon,depois do spin off ocorrido na PT) que salvou Belmiro,ao fundir-se com a Optimus,empresa da Sonae,que teve uma posição de mercado muito aquém das suas rivais

  6. JP

    “mesmo que a OPA da Sonae tivesse sido aceite,isso não garantiria que a situação da PT fosse hoje melhor.”

    Não distorça. A questão é que na altura caiu o Carmo e a Trindade e a nata da política em peso tomou posição, incluindo a Caixa. Mas agora estão calados como ratos. Mal lhes abanaram com a CorpCo e a sua alegada mega-dimensão começaram logo todos a ver cifrões. O problema se calhar é que via Sonae não dá para a mamadeira controlada, nem para comprar a TVI.

  7. arni

    Não estou a distorçer.Fossem quais fossem as razões,a verdade é que está longe de ser confirmável que caso a SONAE possuisse a PT,a situação da PT seria melhor.Talvez até muito pior do que agora,quem sabe…

  8. Miguel Noronha

    Pelo menos assim está. A piada é que está a acontecer precisamente o que disseram que ia acontecer caso a PT fosse comprada pela Sonae.

  9. JP

    ami,

    A Sonae nunca entraria um negócio destes sem saber o que fazia, e muito menos num esquema de 900 milhões deste calibre desconhecido dos administradores e feito por sabe-se lá quem. Nunca!

  10. arni

    O problema dos 900 milhões foi um problema de gestão,não de pertença a este ou aquele grupo económico

  11. arni

    Nunca disse que a escolha feita em 2006 de rejeitar a Sonae seria melhor,o que disse é que aceitar a OPA da Sonae não seria uma melhor escolha do que a que foi feita.O inicio do caminho á atual situação foi quando se decidiu vender os 50% da Vivo á Telefonica,em 2010.
    JP: isso é o que todos dizem e acham,mas depois os resultados mostram bem o contrário 🙂

  12. Miguel Noronha

    “.O inicio do caminho á atual situação foi quando se decidiu vender os 50% da Vivo á Telefonica,em 2010”
    Não estou a perceber a ligação. A venda da Vivo em nada obrigava ao que foi feito depois. O que está a fazer é um típico post hoc ergo propter hoc.

  13. arni

    Suponho que se refira aos 900 milhões da Rioforte.É verdade,foi terrivel e os responsáveis por esse acto já demitiram das suas funções.
    Referi-me á venda da VIVO,porque representou um corte forte nos lucros da empresa,e uma significativa redução da dimensão desta.Mas também posso falar da venda das posições da PT em África.Esse foi o lado negativo de Bava na PT.Também significou a meu ver um retrocesso na PT

  14. Miguel Noronha

    “Referi-me á venda da VIVO,porque representou um corte forte nos lucros da empresa,”
    Elucide-me, Qual foi o valor do encaixe?

  15. arni

    Não falei da venda em si,mas sim do contributo que a VIVO dava aos resultados da PT,antes de deixar de fazer parte do grupo

  16. Miguel Noronha

    “Não falei da venda em si,mas sim do contributo que a VIVO dava aos resultados da PT”
    Tem ao menos a noção que a primeira tem a ver com a segunda?

  17. arni

    Vou fazer o meu possivel para explicar.Até 2010,a VIVO fazia parte da PT.E tinha um papel fundamental nos resultados da PT.A sua venda á Telefonica foi positiva no curto prazo sim,mas a PT deixou de ter uma importante fonte de resultados nos anos seguintes,isto é,a médio e longo prazo.E a OI nunca foi o que a VIVO foi para a PT.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.