Escrito em 2009

Imagine, caro leitor, que as empresas portuguesas, em vez de contratarem os empregados que querem para as posições que querem, vissem essa função entregue ao Estado. Imagine um concurso nacional que distribuíria os empregados pelas empresas. Imagine que os serviços a serem prestados por aquelas empresas era definidos, não por elas de acordo com as condições do mercado, mas de acordo com um “Programa” definido por uns senhores num qualquer Ministério. Imagine que, em vez do seu financiamento depender daquilo que os seus potenciais clientes estiverem dispostos a gastar pelos seus serviços, este partiria do Estado, que distribuiria o dinheiro pelas várias empresas do país de acordo com sabe Deus que critérios. Imagine, caro leitor, que os clientes, em vez de escolherem livremente a empresa cujos serviços preferem, teriam de se candidatar, através do Estado, a poder usufruir dos serviços de determinada empresa. Os resultados seriam óbvios: as empresas não prosperariam, os serviços que prestassem seriam de péssima qualidade, os clientes não ficariam satisfeitos e o país seria (ainda mais) pobre. No entanto, caro leitor, é neste modelo que assenta o nosso sistema educativo. E toda uma classe política se espanta com os tristes resultados que ele dá.

 A ideia de que a planificação, ineficaz na “economia”, é a que melhor serve a “educação”, é a última grande ilusão do “progressismo”. Como todas as outras, paga-se caro. Se as escolas puderem contratar livremente os professores que quiserem, se tiverem a liberdade de estabelecer o projecto educativo que bem entenderem, se os pais tiverem a liberdade de escolher entre a oferta em competição, e se o financiamento das escolas depender dessas escolhas dos pais dos alunos, talvez a educação deixe de ser apenas uma “paixão” dos discursos dos governantes, e passe a ser algo de decente.

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6 pensamentos sobre “Escrito em 2009

  1. jorge

    (…) Se as escolas poderem (…): deve ser a terceira pessoa do plural do futuro(?) do conjuntivo ‘puderem’.

    De resto, subscrevo na totalidade

  2. Deixe estar, Bruno Alves, se o pior que podem acossar ao seu texto é uma gralha, tem boas notícias. 🙂

    António Pedrosa: escola pública não é uma entidade — letra minúscula. 😉 (acontece-nos a todos, deixe estar, mas permita-me espetar o aguilhão em bonomia!)

  3. jo

    Parte de um princípio errado: as escolas não são empresas.
    Além disso têm todas a mesma função e pertencem todas ao mesmo dono.
    A contratação de professores funcionou razoavelmente bem, até surgirem iluminados que a quiseram passar para contratação local.
    Isto se não contarmos com o ano em que um ministro entregou o processo informático a uma empresa de uns amigalhaços, que fizeram asneira (o que não impede o ex ministro de opinar de cátedra sobre educação).

  4. Pingback: Melhor Do Que Um Sketch Dos Monty Python | O Insurgente

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