Salário mínimo, disparate máximo

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O salário mínimo nacional é manifestamente baixo. E, para qualquer dos efeitos, também o é o salário médio, o salário mediano, a produtividade, a competitividade, e a riqueza gerada em Portugal. É escassa, e contas simples de merceeiro dizem-nos que um pastel de nata a dividir por todos dá menos do que um bolo de chocolate a dividir por todos, especialmente quando existem clientelas no Estado em estado permanente de amamentação que levam metade do bolo, o que em bavardage fino se denomina de rent-seekers.

Assim não fosse, e não apenas seríamos todos mais felizes, ou pelo menos mais ricos, como poderíamos estar a concentrar as nossas baterias na recensão crítica de um qualquer filme de Godard. Mas é, pelo que não apenas se torna imperativo arguir sobre tão sensível assunto, como nos obriga ao contínuo despiciendo dos sanfoneiros com as suas sanfonas, embora nos poupe escrever sobre Godard ou sobre o último livro a título póstumo de Saramago.

Sanfoneiro por sanfoneiro, ruído por ruído, este artigo de 600 palavras de Pedro Marques Lopes, descontados os insultos, as referências incessantes ao “Simon” e à Comissão Europeia, e o excesso de adjectivação, reduz-se a umas 200, das quais nem uma é uma ideia ou uma explicação que ajude a esclarecer o leitor. Já de falácias, está pejado.

Ainda em recuperação por no seu LinkedIn não constar uma referência a um pomposo cargo no Estado, onerando assim a célebre frase de Marx, “de cada um de acordo com as suas capacidades”, ou neste caso, falta delas, inicia a missiva com a referência, verdadeira mas irrelevante, de que o valor absoluto do salário mínimo é dos mais baixos da Europa. O tempo é escasso, e entre Eixo do Mal e confundir-se com o Pedro Adão e Silva no programa da TSF, pouco tempo sobra para saber que a grandeza dos salários não se compara em valor absoluto, mas em proporção da mediana dos salários, comparação que reflecte com mais acuidade as assimetrias entre países. Ora, usando este indicador, Portugal tem um dos mais elevados salários mínimos de toda a Europa, apenas superado pela França.

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Mais ainda, aqueles que defendem que o salário mínimo não deve ser aumentado, ou deva sequer existir, não consideram que viver com 485€, 505€, ou, para qualquer dos efeitos, qualquer valor abaixo de um ou dois milhares de Euros possa corresponder a uma vida digna. Não corresponde. Mas de digno nada tem decretar salários, como se o problema dos baixos salários se resolvesse com juízos de intenções, prejudicando assim os jovens menos qualificados que querem entrar no mercado de trabalho, atirando-os para o desemprego. De digno não tem nada que aqueles que almejavam receber 485€ recebam agora 0€. Não tem nada de digno, mas são belos acordes eleitoralistas para as sanfonas tanto do Governo como dos seus mais acérrimos críticos, especialmente os que ainda vivem com a agonia de não serem eles os sanfoneiros da sanfona governamental.

Posto isto, entre muitos outros considerandos adicionais que possam ser feitos sobre o artigo, aquele que melhor o caracteriza é, ironicamente, o seu título original: Salário mínimo, ignorância e arrogância máxima. Abordar um problema económico tão sério como o SMN com a ligeireza com que se profere uns disparates no Eixo do Mal só poderia resultar nisto, mas é tudo uma questão de gestão de expectativas: estranho seria esperar mais.

49 pensamentos sobre “Salário mínimo, disparate máximo

  1. O salário mínimo é baixo? Decrete-se um aumento, julgo que 1500 Euros/mês seriam razoáveis. Não existe dinheiro para tal? Coloquem-se as rotativas a funcionar e imprima-se moeda… Já não é possível? Pois, agora isso é tarefa do BCE… Então aplique-se uma política expansionista e aumente-se a dívida… Epá!! Também não é possível? E agora? Que tal convencer a Merkl a colocar essa odiosa instituição não eleita, ao serviço dos governos nacionais, o BCE… Esperem, mas governos nacionais são muitos e interesses diversos, por vezes até antagónicos… Como se faz? O denominador comum mais conciliável será a taxa de juro, mas esta já está artificialmente baixa… demasiado baixa. E porque os diversos governos buscam atender clientelas e têm encargos eleitorais a cumprir, nem sempre é fácil conciliar todos os calendários. Como se resolve o problema? Sair do Euro? A moeda desvaloriza brutalmente, o país que já não é rico, empobrece um terço no mínimo em escassos dias…
    Não, o melhor mesmo é imitar Hollande, vamos deixar de ser subservientes na U.E., enfrentar Merkl, falhamos o cumprimento do défice e logo se vê. Que tal mudar o símbolo partidário e até nacional, para avestruz?

  2. Como podeis referir o nome dessa vaca sagrada que tem uma sapiencia incomparavel, desde futebol a musica, de economia a gestão, de gastronomia a casa de putas?

    Esse dEUS sabe de tudo.. esse o outro nao licenciado que escreve na nova biblia do PS que o problema dos empresarios portugueses é falta de qualificaçoes.. esse supra sumo licenciado em dizer bitaites.

    Quanto ao salario minimo, apenas quem tem a preocupaçao mensal de pagar ordenados entende isso.

    Quem recebe da vaca leiteira, manda os bitaites que quer para paspalho ouvir..

  3. Josand

    Mas se o pretexto é eliminar a pobreza, pelo salário mínimo, convém primeiro definir o que é a pobreza e se é a existência do salário minimo… não percebo porque não o aumentam para 1000 euros pelo menos! Melhor ainda… já que é só uma questão de decreto, porque não decretar o fim dos pobres. Ao longo da História nunca percebi porque não se fez isso. Governos Incompetentes! SÓ votando no PCP e no PS de Costa é que se pode dar a volta a isto.

  4. Gil

    Falando em bom português, o que é preciso começar a discutir são os rendimentos de topo. Essa da “mediana” foi engraçada, sim senhor.

  5. JP

    Estou neste momento a desenvolver uma app de análise audio que desliga a TV automaticamente assim que é detectada a expressão “Pedro Marques Lopes”.

  6. Josand

    Fiz esta pergunta (em tom irónico obviamente) à deputada Isabel Moreira na sequência dum post dela no blogue AspirinaB: http://aspirinab.com/isabel-moreira/a-direita-punitiva-desconhece-o-fundamento-do-salario-minimo-nacional/

    “Cara deputada.
    É descaramento dizer que com 505 euros se tem uma vida digna, especialmente se vivermos no centro do Porto ou em Lisboa, daí que ache muito injusto que só se tenha aumentado 20 euros. Não percebo porque não é aumentado para 1000 euros. O que impede que esse aumento seja decretado já hoje?”

  7. Je

    De uma vez por todas, desde quando o aumento infímo salário mínimo é tão prejudicial que justifique este bater no peito constante dos insurgentes?!

    A obsessão com “os menos qualificados, tadinhos” ou os “jovens tadinhos” que, em subindo o SM, “vão ficar de fora, tadinhos” só tem comparação na obsessão do BE com as minorias de sexualidades alternativas tadinhas – que se não formos nós a lutar por elas, tadinhas, vão ficar à margem…

    Até parece que não há os pseudo-estágios de borla e quem os aceite, e que não se pode pagar 300, 200 ou menos € por mês a quem aceite, se é isso que pensamos pagar? Para que existem recibos verdes então?!

    Com uma licenciatura e anos de experiência estive no desemprego e foi precisamente o vergonhoso do salário mínimo (hoje não só para tadinhos mas a licenciados experientes) que me levou a ponderar emigrar ou trabalhar por conta própria, na impossibilidade de aceitá-lo.

    Ora a recusa de aceitar o SM – coisa que não vos cabe na cabeça – pois qualquer “tadinho” que recuse é automaticamente promovido a “malandro preguiçoso, que havendo tanta oferta não aceita trabalhar” – não impede que qualquer empregador não possa propor pagar menos (ou nada) aos vossos “tadinhos”.

    Crescam e vivam.

  8. numiloses

    Je,

    Nao é o valor, é o principio.

    Mas em questao de valor, uma fabrica com 600 empregados com o salario minimo( que as há) sao 168 mil euros – apenas para o colaboradores por ano.

    num setor como o textil , 168 mil euros / ano é muito dinheiro.

    Mas como principio, está errado. Se o Estado me obriga a pagar mais a quem nao produz, e que mantenho , porque fica mais barato manter que despedir – novamente por culpa do Estado – opto por nao contratar mais ninguem..

    E apenas quem lida com isso diariamente entende a estupidez do salario minimo obrigatorio

  9. Je

    Numiloses,

    “…uma fabrica com 600 empregados com o salario minimo( que as há) sao 168 mil euros – apenas para o colaboradores por ano.num setor como o textil , 168 mil euros / ano é muito dinheiro.”

    Pois é, mas uma fábrida com 600 empregados ou com 50 sabe tem de acomodar variações nos custos seja das matérias primas, custo da energia, maquinaria, formação, transportes e sei lá que mais… e é isso que faz. Porque é que os recursos humanos são a unica variavel com que não pode lidar?

    No meu caso neste momento dava-me jeito poder contratar alguém. Mas disponho de menos do que o salário minimo… se não pondero esquemas tipo pseudo-estágio ou tarefeiro mal pago é porque não acredito em “almoços de borla” e não confio na (falta de) qualidade de trabalho mal remunerado. E até nem defendo o salário minimo, mas sim um salário/hora mínimo

  10. Josand

    JE:
    Aquilo que está a pagar pelos transportes resulta também do salário que se paga aos motoristas, administradores e mecânicos.
    Aquilo que paga por lã resulta também do salário do pastor, do operário da fábrica de tecelagem, do motorista
    Aquilo que paga pela energia resulta também dos operários que extraem o petróleo, dos construtores da refinaria, do engenheiro e geólogo envolvido na prospecção, dos licenciados em Marketing e Design da geração mais bem preparada de sempre e que faz os logos da companhia, do motorista do camião que transporta combustível.

    Etc etc etc, porque até ver, as máquinas não recebem salário!
    Então, pelo seu ponto de vista, ao mexer nas outras variáveis estará a prejudicar sempre outro “trabalhador”, doutra empresa, ou seja está sempre a prejudicar outra pessoa ao querer baixar esses custos, que na sua empresa não são recursos humanos.

    Então onde está a sua consciência Social?!!!

    Por isso é uma questão do Ethos em que se encontra e de como vê estas coisas.

    E acha que alguma pessoa de boa fé e bons princípios morais acha bom viver com 500 euros? Tomara eu que toda a gente pudesse ter uma vida equivalente a quem ganha 5000 euros e portanto que os ganhasse!
    Mas a Vida e as relações económicas são mais complexas que isso pois caso não o fossem, aumentava-se o salário mínimo para 2000 euros! Então porquê parar nos 505 euros?

    Não acha que o salário mínimo deve estar de alguma forma ser relacionado com o salário médio português? E que deve variar de região para região, de sector de actividade para sector de actividade? E que isso só se consegue se ele não for decretado centralmente e sim que seja negociado entre trabalhador/sindicato e o patrão, empresa a empresa, região a região?

    A minha sogra é empresária em nome individual mas não consegue ter um rendimento mensal que chegue ao salário mínimo, porém se quisesse contratar alguém já teria de lhe pagar o mesmo. Mas ela não é um ser humano como os outros? Ao ser Empresária pode receber menos do que o salário mínimo, se for empregado já não. Absurdo não é?

  11. Manolo Heredia

    O problema é que os nossos empresários não arriscam nada, só querem dinheiro fácil, começando logo pelos banqueiros.

    Em vez de desenvolverem o país aplicando as suas fortunas em atividades lucrativas, preferem especular e pôr o produto da especulação em offshores!

    Depois vêm esses mesmos empresários blá-blá a dizer que o pais não merece um salário mínimo maior. Como se os trabalhadores por conta de outrem fossem os responsáveis pela baixa produtividade. Os mesmos trabalhadores que, quando trabalham na Alemanha, são considerados altamente produtivos.

    E há uns palhaços que não têm aonde cair mortos que fazem coro com os empresários, à espera de um emprego como recompensa de andarem a intoxicar a opinião pública…

  12. PiErre

    De facto, o salário mínimo é muito baixo. Para dar o exemplo, eu cá, se fosse empresário, pagaria sempre o dobro do que o Estado manda. Ou mais…

  13. José Silva vaz

    Gosto muito da anedota da fábrica com 600 pessoas a ganharem o salário mínimo! Essa fábrica faria o quê?e para quem? E os trabalhadores custam muita massa !Este “economista ” está já chumbado! Deve voltar à 4ª classe ou então ser reciclado numa Jota qualquer. Pode dar-se também o caso que tenha sido formado naquelas universidades de Verão ! Pois é estes gajos da conversa de café ou de bar deviam receber na razão inversa das baboseiras que destilam ….

  14. Rogerio Alves

    O Pierre tem razão. E eu seria ainda melhor, pagaria o triplo. Se eu fosse empresário, seria um empresário exemplar, trataria os meus empregados como se fossem meus filhos. Mas os empresários portugueses não prestam, são uns incultos, malcriados e malformados. Se eu fosse um empresário, é que era…! (para quem não perceba, este post – como o do Pierre – foi escrito em tom irónico).

  15. numiloses

    Je em Outubro 5, 2014 às 18:05 disse:

    Pois é, mas uma fábrida com 600 empregados ou com 50 sabe tem de acomodar variações nos custos seja das matérias primas, custo da energia, maquinaria, formação, transportes e sei lá que mais… e é isso que faz. Porque é que os recursos humanos são a unica variavel com que não pode lidar?

    Com as outras variaveis posso eu bem, encomendar mais ou menos consoante e produçao, trocar de fornecedor, negociar melhores preços, negociar rappel, desconto de pp, desconto de quantidade.

    Tenho um colaborador que exerceu durante 24 as funçoes de operador de uma maquina. Tem 61 anos. Trocamos a maquina por outra mais evoluida.

    Nao posso trocar de funçoes ao colaborador – acordo coletivo de trabalho- nao o posso “reciclar” para a nova maquina – ele nao se esforça para aprender -, nao posso colocar a trabalhar noutra fabrica que tem uma maquina semelhante por questoes de distancia, sindicato oblige – , nao posso extinguir o posto de trabalho -e o gajo que me custa 505 euros licenciado tem a mesma categoria profissional e fica mais barato ele andar a pastar 4 anos na fabrica – o investimento que tenho de fazer para o despedir é preciso para renovar o parque das maquinas.

    Ve como podia pagar 1 605 euros ao novo empregado, mas como tenho de dividir por dois, o incompetente fica com a maior parte, porque enao posso mexer nos direitos adquiridos. E como este caso, dou lhe mais 20.

    Tenho uma quebra de encomendas no verao, diminui os custos variaveis, mas continuo a manter os empregados e a pagar tudo certinho, embora 50% até ficam em casa, fica mais barato..

    Falava em acomodaçoes?

  16. HL

    Je…

    O seu problema, apenas conseguir receber ofertas com o SM e com licenciatura, é simples de explicar…

    A sua oferta não se adapta a procura de mão de obra qualificada (com salários reais acima da média).
    Tem várias opções:
    1) Adquirir mais qualificações
    2) Procurar algum mercado onde as suas classificações sejam mais valorizadas/reconhecidas
    3) Aceitar um salário de acordo com a procura actual no mercado onde está inserido

    Não entendo porque uma pessoa por ter uma licenciatura tenha que ter um determinado salário quase por decreto, até existe um problema de perversão social se assim for…

    Em relação ao salário mínimo, no “mínima” indexados a uma medida de produtividade e não a uma negociação de amigos.

  17. Je

    numiloses em Outubro 5, 2014 às 21:39

    Concordo plenamente, mas a irracionalidade do sistema na contratação é outro assunto…

    Quando falo de salário mínimo será sempre salário mínimo/hora, um limiar decência a partir do qual não é decente ter obter as horas de vida de alguém (para determinado país, no caso Portugal), nem que seja para ficar dormir na empresa. Não, nunca vamos ter arquitectos, porteiros, designers, padeiros a sério se insistimos na esperteza saloia de tentar pagar peanuts e arranjar esquemas para sacar horas de borla. Dizem os capitalistas: If you pay peanuts…

    HL,
    o problema não é mobilidade e perversão social: nada me impede de trabalhar em troca de um salário minimo.. se precisar e compensar (ou ter um trabalhar com um bom salário, mesmo sem licenciatura, se se justifica) já trabalhei por menos e até de borla. O problema é que actualmente se fazem propostas irrazoáveis – que demonstram má fé, irresponsabilidade – ou ambas – e que sinceramente merecem obter 100% o retorno que pagam: pouco ou nada.

    Pior, neste momento o contribuinte está a pagar estágios, para que certas (muitas) empresas possam ter trabalhado feito de borla (?!)

  18. Josand

    Mas apesar de tudo o que disse antes e o que outros disseram no mesmo sentido… Como adaptar estes postulados( não aumentar o salário mínimo) com a permanência no espaço Schengen? Não corremos o risco de desertificar o território português? Não estaremos tramados duma forma ou doutra?

  19. Je

    Josand,
    Não se preocupe, não tenho consciência social nenhuma. Só uma consciência pessoal, individual, e penso que normal.

  20. numiloses

    Je em Outubro 5, 2014 às 22:58 disse:

    Concordo plenamente, mas a irracionalidade do sistema na contratação é outro assunto…

    Quando falo de salário mínimo será sempre salário mínimo/hora, um limiar decência a partir do qual não é decente ter obter as horas de vida de alguém (para determinado país, no caso Portugal),

    Nao é possivel pagar um salario minimo hora, eu nao contrato à hora, contrato por um periodo minimo de 30 dias.

    Porque prefiro pagar 30 euros horas mas utilizar ou contratar apenas as horas que a empresa precisa, que pagar 5 horas hora e ter de “inventar” trabalho para manter as pessoas ocupadas.. mas caimos no sistema de contrataçao novamente, porque ambos estao associados – juntamente ao valor que tenho de pagar ao estado – ao custo real do trabalhador / trabalhadores de uma empresa.

  21. Josand

    Pois JE, então nesse caso cai por terra o seu argumento 😉

    Uma vez que as máquinas não recebem salários, qualquer corte em quaisquer das variáveis afecta seres humanos, mesmo que não sejam os da “sua” empresa. Portanto a lógica que defende é contraditória com a realidade.

    E qual é a lógica de aumento do salário mínimo?

  22. Je

    numiloses

    “Nao é possivel pagar um salario minimo hora, eu nao contrato à hora, contrato por um periodo minimo de 30 dias.”

    É dividir o SM por 22 dias, depois por 8 h/dia… e sabe quanto é. Mas se contrata a 30 dias é porque lhe convém, não é? Pode sempre recorrer a ousourcing para trabalhos pontuais ou que não justificam a permanencia, penso…

    Sai caro? Sai se mal gerido… o que tenho a impressão – e alguma experiencia directa- é que sendo o trabalho barato é mais fácil ter vários macaquinhos a passear na empresa para o que der e vier… Assim se ilude a preocupação de gerir bem e racionalizar processos – e aproveitar ao máximo a capacidade de cada um

  23. numiloses

    Vá la contratar à hora no mercado e veja quantos apanha, a nao ser profissoes liberais..

    Contratar à hora implica ausencia de contrato, significa recibo verde.. e sim, contrato alemaes, ingleses, holandeses à hora, e pago muito mais de 30 euros, acredite

    “É dividir o SM por 22 dias, depois por 8 h/dia” sim sim,, Ao SM acresce os custos da vaca leiteira, multiplique por 14 e depois divida por 10 ( Ferias + feriados) / 6h30 (35 + 15 minutos de manha e à tarde) horas dahh!) e tem o custo hora dos senhores..

    quem faz contas como apresenta, nao paga salarios.

  24. Je

    As “contas” acima obviamente devem incluir tudo isso. Tem razão, eu não pago salários ainda, a não ser o meu…infelizmente sei bem quando pesa a vaca leiteira (35% SS + 25% retenção na fonte + 23% IVA: um absurdo)

    “Vá la contratar à hora no mercado e veja quantos apanha, a não ser profissoes liberais..” Talvez porque esses profissionais – do advogado ao canalizador – cobram valores aceitáveis? Note que por exemplo na agricultura é norma contratar à jorna, sazonalmente… se é esse o seu problema

    O que falo sobre respeitar o trabalho está bem expresso no seu testemunho “contrato alemaes, ingleses, holandeses à hora, e pago muito mais de 30 euros, acredite” Acredito, inclusive que com esses não têm problemas de falta de profissionalismo…

    Já os outros ” 6h30 (35 + 15 minutos de manha e à tarde) horas dahh!)” pelos visto é uma relação mútua de desrespeito. Seu, que despreza os empregados que contratou; deles que pelos vistos não cumprem o que foi contratado… É esse desrespeito pelo valor do trabalho que acredito que só irá mudar quando é justamente pago (de parte a parte)

  25. numiloses

    O meu respeito consiste em pagar a tempo e horas o que foi combinado. E isso ê cumprido religiosamente.

    Você paga o seu ordenado integralmente a si mesmo ao dia 25 de cada mês ?

    Olha para o que eu digo, não para o que eu faço

  26. Je

    Pago “me” – mesmo quando não facturei – a 22, retirando da almofada financeira – pois por essa data chegam as contas, é uma questão de organização.

    Desculpe a insistência numiloses, não é para embirrar: mas pagar a horas não é uma questão de respeito, é o básico de cumprimento de qualquer contrato – tal como o empregado não falta não por uma questão de respeito, mas para cumprir o contratado e não ser despedido.

    Respeitar o trabalho é organizar, agendar, monitorizar, detectar faltas, formar, corrigir ou premiar sucessos da parte do empregador… e da parte do empregado porfiar para que tudo isso seja cumprido e dar o feedback se pedido. Pelo menos é o que acredito. Precisamente por isso ser tão desprezado cá, que prefiro trabalho por conta própria, dado que as últimas experiências em empresa não têm sido as melhores (tirando as multinacionais, que têm boas rotinas de trabalho, por influencia externa)

  27. numiloses

    Respeitar o trabalho é organizar, agendar, monitorizar, detectar faltas, formar, corrigir ou premiar sucessos da parte do empregador… e da parte do empregado porfiar para que tudo isso seja cumprido e dar o feedback se pedido. Pelo menos é o que acredito.

    Plenamente de acordo.. e trocar opinioes nao é embirrar..

  28. Luís

    O salário mínimo em Portugal é manifestamente alto face à nossa real riqueza e produtividade. O problema é outro e está nos preços altamente inflacionados de uma série de bens e serviços: rendas de habitação, electricidade, telecomunicações, alimentos, livros, electrodomésticos e material de informática, etc. E depois ainda há o cancro chamado carga fiscal elevada. Já perdi a conta às taxas que pago na factura da água, casa vez mais altas, para sustentar a má gestão de uma autarquia falida.

    Que se compare, por exemplo, o salário mínimo português com os salários mínimos de países «ao nosso nível», da Europa de Leste.

  29. Luís

    Existe uma espécie de «mito urbano» em Portugal do patrão «fássista» que gosta de pagar mal. Mas em boa verdade, pelo menos aqui no Algarve, sempre conheci os patrões a pagar bem, e nos últimos anos houve uma redução brutal dos salários em vários sectores, como agricultura e restauração. E essa quebra deveu-se ao aumento da carga fiscal e a exigências burocráticas absurdas que implicam custos muito elevados.

    Não se pode decretar um salário mínimo nacional para um país com tantas discrepâncias económicas. Se calhar alguém numa aldeia de Trás-os-Montes «desenrascar-se-ia» com 350 euros por mês porque vive em casa própria e produz boa parte dos alimentos. Se calhar essa pessoa só teria emprego com outro salário mínimo porque a região onde vive é pobre e os patrões não podem pagar muito. Já em São João da Madeira ou em Albufeira um trabalhador pode precisar do dobro para viver mas aí poderá haver condições para os patrões pagarem mais por se tratarem de regiões mais ricas.

  30. Luís

    «Pois é, mas uma fábrida com 600 empregados ou com 50 sabe tem de acomodar variações nos custos seja das matérias primas, custo da energia, maquinaria, formação, transportes e sei lá que mais… e é isso que faz. Porque é que os recursos humanos são a unica variavel com que não pode lidar?»

    Tem a mínima noção de quanto custam os arranjos da maquinaria? Os empresário têm de poupar muito para contar com despesas imprevistas, isto se querem manter a porta aberta e consequentemente manter os empregos!

  31. Luís

    «O problema é que os nossos empresários não arriscam nada, só querem dinheiro fácil, começando logo pelos banqueiros.

    Em vez de desenvolverem o país aplicando as suas fortunas em atividades lucrativas, preferem especular e pôr o produto da especulação em offshores!»

    E o caro, já arriscou? Pois arrisque em Portugal… e verá que resultado tira. Depois arrisque em Espanha, Malta, alguns países da América Latina, até no Reino Unido… e compare.

  32. Luís

    «De uma vez por todas, desde quando o aumento infímo salário mínimo é tão prejudicial que justifique este bater no peito constante dos insurgentes?!»

    Porque a discussão está centrada no salário mínimo quando o problema é outro: o elevadíssimo preço de bens e serviços face à nossa realidade económica. E a elevadíssima carga fiscal.

  33. Luís,

    «Porque a discussão está centrada no salário mínimo quando o problema é outro: o elevadíssimo preço de bens e serviços face à nossa realidade económica. E a elevadíssima carga fiscal.»

    Acrescento que os preços são mais altos nos produtos provenientes de sectores cuja concorrência é regulada ou por legislação bizantina ou por captura dos reguladores pelos incumbentes.

    Luís, bateu no ponto certo!

  34. António

    Bateu mesmo no ponto certo. Em Portugal os bens e serviços estão ao nível dos salários praticados na Suiça. O próprio salário do governador do Banco de Portugal e dos seus funcionários mais parece ao nível daquele praticado na banca…Suiça.

  35. Je

    Sim, já me espantei com os preços de bens na Alemanha e Inglaterra. As compras de supermercado têm preços semelhantes ou até mais baixos. A pergunta que faço a quem saiba responder é:

    Se o problema é esse, de bens e serviços chegarem ao mesmo preço ao consumidor, apesar da mão de obra que os produziu ser muito menos remunerada, para onde vai a diferença? Qual o buraco para onde é sugado este valor? É “só” (!) a fiscalidade, que também é alta na Alemanha?

    Como podem eles produzir e vender ao mesmo preço que nós, pagando muito melhor aos seus empregados/trabalhadores?

  36. Várias explicações possíveis:
    1. São mais produtivos fruto de um uso mais intensivo de capital;
    2. Menos regulações, menos burocracia para cumprir;
    3. Mais concorrência no sector da produção e distribuição;
    4. Economias de escala;
    5. Menores custos de transporte.

    Ainda assim, falta um trabalho fundamental que analise essas assimetrias em profundidade.

  37. Je,

    As margens brutas em Portugal estão ao nível praticado na Alemanha. Mas os custos de transporte por quilómetro são superiores (imagine lá porquê) e a parafiscalidade é superior e as normas bizantinas implicam custos superiores aos produtores e aos distribuidores; e logo aos consumidores.

  38. Je

    Hum, esclarecedor Mário e Francisco, agradeço!

    Então os preocupados com os baixos salários – ou seja os portugueses que vivem de trabalho assalariado e, especialmente, a esquerda e os sindicatos que pretendem defendê-los – deviam era apontar baterias a mudar ” …os custos de transporte por quilómetro (preços de gasolina, portagens, IA, guias de transporte), a parafiscalidade e as normas bizantinas implicam custos superiores aos produtores e aos distribuidores ( ASAES, e etc) … Isso sim era prestar um bom serviço ao país!

  39. José Correia

    O rico vai ficar cada vez mais rico e o zé povinho cada vez mais pobre. Não há volta a dar, portugal será sempre um País do desenrasca porque a maioria da população não tem poder de compra. Salários pequenos e reformas baixas não geram consumo interno e a economia jamais poderá ser competitiva. Salvo excepções das empresas com capacidade para exportar e com arcabouço para aguentar a carga fiscal que é enorme! Enquanto não houver poder de compra Portugal será sempre um País pobre e as pessoas serão obrigadas a emigrar, é a triste realidade! Muita coisa teria que mudar para podermos viver com dignidade!! Mas isso pode levar décadas e o futuro só a Deus pertence…………………….

  40. Caro José Correia, pegue nesse raciocínio e inverta-o. Para ter salários altos para que possa existir consumo interno primeiro há que produzir. Sem produzir, produzir melhor, não há salários, baixos ou altos. E não haverá poder de compra. O consumo só existe depois da produção, não existe antes. E, se pensar nisto, perceberá que para que os salários sejam mais altos, temos de produzir melhor.

  41. Carlos

    Não sei quais são os conhecimentos de economia do autor do texto, mas mencionar Godard ou Saramago não chega para conferir seriedade a um texto, que por distracção ou ignorância retira conclusões ridículas de dados estatísticos.
    Já tenho muitas dúvidas de que, e passo a citar: “a grandeza dos salários não se compara em valor absoluto, mas em proporção da mediana dos salários, comparação que reflecte com mais acuidade as assimetrias entre países”.
    E tenho muitas dúvidas pois a mediana dos salários em Portugal poderá ser algo elevada devido aos salários multimilionários (na ordem das dezenas de milhar de euros mensais) de uma parte da população (políticos, gestores públicos, banqueiros, e toda a comandita que orbita à volta da política, incluindo o lobby dos privados), que vive à custa da outra parte que tem um salário mínimo de €500 ou um salário médio a rondar os €1000.

    Mas o que é realmente inaceitável e ridículo é o autor do texto usar um gráfico com dados estatísticos de apenas alguns países europeus e concluir que, e passo a citar “Ora, usando este indicador, Portugal tem um dos mais elevados salários mínimos de toda a Europa, apenas superado pela França.”
    O caro Mário Amorim Lopes esqueceu-se de todos os outros países europeus que não fazem parte desse gráfico e que por sinal são dos mais ricos da Europa: Alemanha, Reino Unido, Itália, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Áustria, Suiça.
    Quase aposto que se estes países constassem dos dados estatísticos que são referidos no gráfico, Portugal já não ocuparia esse glorioso 2º lugar (“apenas superado pela França”), mas cairia para o meio da tabela.
    Se Portugal efectivamente “tem um dos mais elevados salários mínimos de toda a Europa” então V. Exa. tem de arranjar um gráfico representativo de TODA a Europa (cerca de 30 países) e não apenas dos 18 países indicados no gráfico, senão está apenas a alimentar a desinformação, desorganização, falta de rigor e exigência que dominam este país, e que são, essas sim, das principais razões do estado em que este país se encontra.

  42. Caro Carlos,

    1. O autor é economista;
    2. Constato que não sabe o que é a mediana; caso contrário, não diria que é influenciada por salários milionários;
    3. O gráfico foi retirado de uma fonte oficial, que listou os países que entendeu. Mas tem outras fontes, como esta [1];
    4. O gráfico não inclui países como Dinamarca, Alemanha, Suécia ou Finlândia porque estes não têm salário mínimo — complica os cálculos de calcular o SMN em % da mediana quando SMN não está definido;
    5. Apostar que “se estes países constassem” não é sério; isto não se trata de apostar, trata-se de verificar factos;
    6. O seu último parágrafo é uma repitação do que já tinha dito, que reverte para o ponto 4) e 5).

    [1] – http://www.publicpolicy.ie/wp-content/uploads/Chart4.png

  43. Carlos

    Caro Mário,

    Gostei da sua exposição enumerada em resposta ao meu comentário. Como sou metódico e adepto do rigor, passo a responder do mesmo modo:

    1 – Eu não sou economista, mas sei o que é uma mediana.

    2 – Diria sim! Exemplo hipotético de salários em Portugal em euros: 500, 750, 1000, 1500, 2000, 2500, 3000, 4000, 5000, 7000, 10000, 15000, 20000, 25000, 30000. Nesta amostra a mediana é 4000, pois é o valor que divide o conjunto de dados ao meio. Como pode dizer que salários milionários não afectam a mediana?
    E esta questão da mediana nem sequer tem a importância que V.Exa. lhe atribui, pois tomando como base a realidade dos salários em Portugal, verificamos que a média e a mediana são quase iguais neste país. Segundo dados do Eurostat, o SMN em Portugal em 2013 era de €485 e o salário médio €984. Portanto em 2013 o SMN representava 51,16% do salário médio, o que está muito próximo dos 55% da mediana que surge no gráfico apresentado no texto.

    3 – A outra fonte citada é um gráfico com ainda menos países europeus (16 países) do que o gráfico apresentado no texto (18 países), portanto é ainda menos representativo da realidade europeia.

    4 – Eu mencionei apenas 9 países europeus que faltam no gráfico, por estes serem dos mais ricos e conhecidos, mas faltam muitos mais países. E quando eu mencionei os cerca de 30 países que constituem a Europa, pensei naqueles que eu sabia de memória, pois na realidade a Europa é constituída por 46 países (excluindo a Rússia e a Turquia, pois a maior parte do território destes países fica na Ásia).
    Portanto subtraindo 18 a 46 obtemos 28 países que faltam no gráfico.
    Agora das duas uma, ou existem 28 países na Europa que não têm salário mínimo e como tal compreendo que não podem fazer parte desse gráfico, ou então o seu argumento falha estrondosamente.

    5 – Tem toda a razão! Aliás, eu nunca devia de apostar, pois estou sempre a perder dinheiro. Verifiquei os factos e faltam 28 países no gráfico. Estes 28 países são 60% do total de países que constituem a Europa. Não lhe parece um nadinha excessivo concluir que “Portugal tem um dos mais elevados salários mínimos de toda a Europa, apenas superado pela França”, quando se baseou nos dados de apenas 40% dos países europeus para chegar a essa conclusão?

    6 – Como nem sendo redundante consegui fazer perceber V.Exa da falha na sua argumentação no meu comentário anterior, também aqui eu remeto para os pontos 4 e 5.

  44. Caro Carlos,

    1. Voltando à mediana, se olhar para a distribuição de rendimentos em Portugal verificará que esta se aproxima de uma distribuição log-normal com um theta próximo de 1. Ou seja, está enviesada à esquerda, nos salários que vão dos 500 aos 1500 Euros, sendo os salários e rendimentos milionários uma excepção. Portanto, a mediana nunca dará um valor tão alto quanto esse. Pelo contrário, pode até dar um valor inferior;
    2. Eu escolhi os países da União Europeia para efectuar a comparação. Podia ter escolhido a Guiné Conacri, a Eritreia e a Somália, mas escolhi os da UE a 28. Ora, no gráfico estão 18 países. Os restantes que faltam são, e não é coincidência, os que NÃO têm o salário mínimo definido por decreto.

  45. Carlos

    Caro Mário,

    1 – Eu fui claro quando disse que o exemplo que apresentava era hipotético (apenas para demonstrar o que era a mediana) e a questão principal que eu abordava nesse ponto era que os valores da mediana e da média são muito próximos, portanto analisar os salários com base na média ou na mediana vai resultar em conclusões semelhantes.
    E nenhuma análise pode negar que os salários são muito baixos em Portugal, quer o salário mínimo, quer o salário médio. Segundo dados do Eurostat o salário médio líquido mensal em Portugal em 2013 foi de €984, enquanto a média europeia foi de 1.972 euros, portanto em Portugal é metade da média europeia.
    Ou dito de outro modo mais completo e incontestável: o nível de vida em Portugal é muito baixo e existem muitas desigualdades, quando comparado com outros países europeus.

    2 – Vir falar de países africanos não é sério e está a desconversar, pois eu referi que faltavam 28 países europeus no gráfico. Diz que 10 países da UE não têm salário mínimo, mas e os outros 18 países europeus deste total de 28 que faltam? Porque recordo-lhe, a frase do seu texto é: “Portugal tem um dos mais elevados salários mínimos de TODA a Europa, apenas superado pela França.” Ou será que não sabe a diferença entre TODA a Europa e União Europeia?
    Não pode num momento dizer que escolheu países da União Europeia para efectuar a comparação e noutro momento dizer que está a comparar toda a Europa.

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