Até já as minhas crianças percebem que o que se passa em Lisboa não está dentro do arco de normalidade da vida numa cidade. Hoje à tarde a descer a Marquês de Fronteira na parte de baixo do El Corte Inglés. Criança mais nova muito escandalizada: ‘Mãe, estão a fazer obras, estão a partir a estrada toda!’ Criança mais velha muito indignada: ‘Pois, estão sempre a fazer obras!’
Traduzindo para quem não conhece a zona, que é central em Lisboa e com grande fluxo de automóveis. Não há muito tempo houve obras de longa duração e grande incómodo, decididas pela autarquia, na Av. Duque d´Ávila e na parte referida da Marquês de Fronteira. (Tendo sido criada uma ótima solução para o trânsito que desce a Marquês de Fronteira: há duas faixas e, de repente, depois de um semáforo, passa só a uma faixa, gerando as filas de trânsito que se imaginam, que António Costa teima em infernizar a vida aos que têm de andar de carro em Lisboa.) Não muitos meses depois do fim das ditas obras, a parte da Marquês de Fronteira está com metade das faixas com o asfalto todo levantado e o início da Duque d´Ávila está também com metade das faixas cortadas e com buracos que fazem lembrar A Viagem ao Centro da Terra de Verne. É eficiência, António Costa sabe o que faz, os portugueses podem confiar nele, e mais uns etc. de tonterias.
Em todo o caso Costa está a pouco mais de uma semana de ganhar o PS (presumo), há já alguns dias que os dois candidatos às primárias pararam de nos divertir com os embaraços que criam a si próprios (e esse era o melhor side effect das primárias) e espera-se que as coisas se tornem um bocadinho mais claras. Que os projetos e ideias e alternativas prometidos – e, asseguram-nos, estão quase na meta final – sejam concretizados, que aparentemente a época de férias já terminou de vez e agora as atenções ficam mais despertas e exigentes, em vez de se continuar no registo do costume, de prometer milagres (simpáticos mas etéreos) sem que ninguém perceba quando e como vão ocorrer.
É esperar. Mas não muito.
Não entendo como é que com tanta porra de pensador, intelectual, viajado, cidadão do mundo, proto-politico, proto-bitaites, e gente que grita, espirra, arrota, posta que ama Lisboa, não aparece um caraças que pegue na cidade e a dirija decentemente sem estar já com um pé na saída ou noutro cargo qualquer. Não era mesmo bom Lisboa ter um Boris ou um Bloomberg? É que é isso que se nota há mais de uma década (ou talvez mais); esta cidade está entregue a si própria e aos bichos. Tudo está mal pensado, não há dialogo, as iniciativas são descabidas e parvas, o centro histórico está cheio de manfios e grafittis, os transportes não funcionam, nada é bom, nada é funcional, apesar dos prémios e das revistas e de sei lá o quê que só deve vir cá uma vez por ano. Faz-me confusão como é que uma cidade do tamanho de uma noz comparada com a maioria das capitais por este mundo fora, está neste estado de conservação. Não percebo. Só me apetece é fugir.
DF, nem mais!
Poderia dar uma série de exemplos mas o post de DF resume muito bem a situação.
Por outro lado…
AC deveria ganhar as primárias, “arquivava-se” o caso “Seguro” e Costa teria de mostrar o que vale. Aposto que não valerá grande coisa e esse “caso” fica tambem arquivado na seção dos “pés de barro”.
Grave é a “oferta” do governo ser a mesma de há 4 anos o que no caso de vitória do PSD não augura nada de bom.
Quanto tempo passa na câmara este Sr?
Depois de o ouvir dizer que os ataques pessoais são uma pouca vergonha, principalmente entre pessoas do mesmo partido, não fica muito por esclarecer. E a maneira como ele distorce todos os dias a afirmação da janela, dando-lhe outro sentido, também é bastante esclarecedor. Tudo questões de carácter.
estão sempre a fazer obras!
E então? Se as obras precisam de ser feitas, fazem-se.
Eu fui a Colónia diversas vezes, e nunca vi a catedral que não estivessem a fazer obras nela.