O ranking da competitividade e as prioridades para o país

Saiu o relatório do Fórum Económico Mundial sobre a competitividade das economias. Estes relatórios têm que ser analisados sempre com algum cuidado e ponderação, tendo sempre em mente que a melhor medida da competitividade de um país é dada pelo mercado, sob a forma de investimento directo externo e dinâmica da economia.

Dito isto, ficamos a saber que Portugal subiu 15 lugares, o que são boas notícias para o país. Esta é a primeira subida desde 2005 e coloca o país no 36º lugar do ranking Mundial (Portugal está para a competitividade económica como a Arménia para o futebol). Mas o mais interessante é observar as áreas em que Portugal está pior e melhor, porque é aqui que se entendem quais devem, e não devem, ser as prioridades para o futuro. Vejamos primeiro onde estamos melhor:

melhor

Portugal tem a infraestrutura (2º em “qualidade das estradas”), os cuidados de saúde (11º em mortalidade infantil) e os níveis de educação necessários (8º em disponibilidade de cientistas e engenheiros e 8º nos níveis de participação no ensino secundário) para ser competitivo. Baixaram também nos últimos anos as barreiras para lançar negócio (5º em número de dias para começar um negócio e 10º em número de processos necessários para iniciar um negócio).

Olhemos agora para onde o país está pior:

pior

A imagem é clara: o que mais prejudica a economia do país é a carga fiscal (131º os efeitos da política fiscal nos incentivos ao trabalho e 129º nos incentivos da carga fiscal ao investimento), o estado das finanças públicas (138º em dívida pública e 107º em défice público), na flexibilidade do mercado de trabalho (113º em legislação de contratação e despedimento e 108º em custos de despedir) e nos custos de cumprir a lei (108º em facilidade de cumprir com legislação e 111º na eficiência da justiça para resolver disputas. Ou seja, para ser competitivo, o país precisa de baixar a carga fiscal sem aumentar o défice (ou seja, precisa de cortar despesa), necessita tornar o mercado laboral mais flexível e melhorar o sistema de justiça. Nada que não se ande a dizer há muito, muito tempo por aqui.

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11 pensamentos sobre “O ranking da competitividade e as prioridades para o país

  1. jo

    També se pode verificar que o atual ataque à educação, saúde, à construção de equipamento e de rede de infraestruturas vai fazer descer os níveis de competitividade ao degradarem o que está bem.
    Do lado do que está mal também não se vislumbra que o famoso programa de ajustamento tivesse dado algum resultado.
    Uma palavra para a banca portuguesa que foi insistentemente vendida pela direita portuguesa como séria, segura e confiável e que nos coloca no lugar 113 (se calhar os salários grandes demais foram para os gestores).

  2. Rogerio Alves

    Em princípio, deve-se atacar o que está pior, mas imagino que os socialistas vislumbrem a necessidade fundamental de passar de 2º para 1º lugar na qualidade das estradas e encetar a construção de mais umas quantas auto-estradas (baseado em que “toda a gente” sabe que é o investimento público que cria riqueza)

  3. Numiloses

    A resistência à mudança é o primeiro fator que deve ser mudado. Tudo o que se pretende mudar é um ataque na visão da esquerda.

    Com tantos paraísos ideológicos,porque razão eles não mudam todos para lá?

    Resistência à mudança , lá está

  4. Rui

    mas isto não era um blog liberal???
    A sério? Estão a dizer que se deve olhar para estes “parâmetros” porque uma qualquer organização internacional as elegeu num qualquer ranking feito por tipos que nunca cá puseram os pés e compilaram meia dúzia de dados? OK está giro… Proximo post vai sugerir a elaboração de um plano quinquenal para alcançar essas metas? lol

  5. jo

    Querer voltar a uma sociedade do Século XIX não é querer mudar, é querer regredir.
    Há uma certa direita que ainda não chegou sequer a 1900.

  6. JMS

    A esquerda ainda vive nas vésperas da 1ª revolução industrial, como, aliás, lhes convém; sem essa linha de pensamento já tinham desaparecido há muito.

    Alguém os avise que estamos em 2014 e o mundo mudou, quer eles queiram quer não.

  7. A. R

    A esquerda é simplória. O excursionista de Paris arruinou o BCP, viveu à fartazana do financiamento pelo BES ( o Salgado umas semanas antes da bancarrota ainda dizia que estava tudo porreiro), meteu ao barulho a PT para adiar a derrocada e faz-se de novas!

  8. hustler

    Nesta folhinha de excel que o Carlos teve a amabilidade de colar aqui, existem factores que são classificados não através de dados objectivos, mas sim por sondagens de opinião.
    Ex:
    efeito dos impostos nos incentivos ao trabalho
    “In your country, to what extent do taxes reduce the incentive to work? [1 = significantly reduce the incentive to work; 7 = do not reduce incentive to work at all]”, diria no mínimo que a resposta a esta questão é subjectiva.
    Se a questão fosse: ” entre a Suécia e Portugal, em qual dos dois, o efeito dos impostos reduz mais o incentivo ao trabalho?” , acho que as respostas eram diferentes, nesse sentido há alguns factores -não muitos é verdade- que são de alguma forma subjectivos.

  9. Carlos Guimarães Pinto

    hustler, de acordo, é uma das fraquezas destes índices. Daí a observação inicial de que o melhor indicador de competitividade é mesmo o nível de investimento directo estrangeiro e o peso das exportações no PIB.

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